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Portugal: a esquerda tem razons para festejar?

Quinta-feira, 1 Outubro 2009

António Barata

PS e PSD sofrêrom umha grande derrota – perdêrom votos e deputados. Ganhou a direita populista e liberal (CDS) e a “esquerda” – BE e PCP. É o pior cenário para a burguesia. Deve a esquerda festejar?

Apesar nom ter conseguido classificar-se como a terceira força política nestas eleiçons, o Bloco de Esquerda tivo um importante êxito eleitoral – dobrou o número de deputados, tivo mais votos, ultrapassando o meio milhom, e ficou à frente do PCP (que também tivo mais votos e elegeu mais um deputado), ainda que por magra margem.

Euforias à parte, seria bom que a esquerda que se quer revolucionária e anticapitalista e os trabalhadores reflectissem um pouco sobre o rumo que segue o BE. Indiscutivelmente, os resultados vinhérom reforçar a tendência nele dominante desde o início: a reconversom dos restos da extrema esquerda (PSR e UDP) num “novo” partido da esquerda do sistema. Foi essa a lógica que presidiu às negociaçons do “casamento” de 1999, mesmo que nom estivesse clara para a massa dos militantes. Este é o fenómeno novo na cena política nacional: a ascensom de um partido de reformas, jovem, dinámico, desempoeirado. Em contraste com o PCP, antigo partido proletário entrado na agonia depois de vir sendo durante décadas rebaixado a simples apêndice do democratismo burguês, o Bloco emerge como um partido jovem. Mas, apesar das suas rivalidades, PCP e BE completam-se mutuamente exprimem os interesses das duas fracçons da pequena burguesia – a tradicional, patriótica, alimentada por umha versom tacanha do marxismo, encostada por instinto ao proletariado; e a mais moderna, europeísta, arejada, ecléctica.

Naturalmente, som muitos ainda os que acreditam nas potencialidades revolucionárias do BE. Esquecem a distáncia entre a fraseologia do partido e aquilo que ele é na prática diária, a distáncia entre o que o partido é o que julga ser.

Isso ressaltou durante a campanha. As reivindicaçons bem intencionadas de umha economia mais justa, pola “transparência”, para tornar a economia mais competitiva sem deixar de ser “humana” nom tenhem nada a ver com o mundo real – e eles sabem-no.

O sonho a que se agarram teimosamente tantos dos ex-esquerdistas de 75 – manter referenciais de esquerda, de acusaçom ao sistema, sem sacrificar a conquista de lugares no parlamento, o acesso à comunicaçom social, a “respeitabilidade” – é inalcançável.

Se a nossa esquerda alinhou briosamente atrás destas escolas modernas nom foi meramente para fugir a problemas incómodos como o de explicarem a implosom do bloco de leste, o fracasso das vias estalinistas, maoístas, trotskistas, etc, e de como a partir dessas tentativas fracassadas poderám os proletários retomar a subversom da ordem burguesa. Se analisarmos até o fim, retrata da capitulaçom dos ex-revolucionários que abdicárom de desafiar o edifício do poder burguês.