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Carlos Negreira: A modernidade impossível da direita eterna, ou o retorno constante

Segunda-feira, 28 Setembro 2009

Ramiro Vidal Alvarinho

Já ia tocando referir-se a Carlos Negreira, umha figura que emerge com força na política local corunhesa. Com tanta força que até é possível que algum dia nos refiramos a ele neste web como o presidente da Cámara Municipal da Corunha. Evidentemente, Francisco Vasques deixou a caverna herculina orfa de um líder operativo (espiritualmente o buraco é muito mais profundo e mais difícil de preencher) e parece que Carlos Negreira é o líder que eles necessitavam.

Carlos Negreira, esse homem de branco sorriso, de penteado pulcro e imperturbável. Sempre bem vestido, sempre impecável nessa foto oportuna que recolhe a presença precisa no miolo da notícia. Esse político moderno e dinámico, comunicador nato.

Muito envelope bonito para um conteúdo de odor e sabor ressessos e mais do que conhecidos. Muito tem saído, desde as últimas eleiçons autárquicas, Carlos Negreira á palestra pública. O seu discurso revestido de utilitarismo batoteiro e democratismo retorto nem sequer assusta polo notavelmente falso das suas argumentaçons… previsível disfarce para umha arquiconhecida mercadoria ideológica. A fim de contas soa a umha música tam velha como o zoar do vento, como quando um caminho está tantas vezes percorrido que deixa de o ser para se converter num imperceptível impasse da consciência. Eu diria que o que assusta é a naturalidade com que a demagogia perfeitamente identificável como tal, sai da sua boca. E a indefensom que provoca que aqueles que tenhem tribuna para desmascarar o seu fraudulento discurso, deixem estacionadas as armas para neutralizar os seus dardos dialécticos.

O Senhor Negreira tem na Memória Histórica umha fonte inesgotável para fabricar demagogia barata. Opom-se à mudança de nome das ruas que homenageam a vultos ligados à sublevaçom militar e ao franquismo. Fai-no de umha maneira bastante mal disimulada; digamos que é umha marcagem ao estilo de um bloqueio de basquetebol. Ele nom vota em contra, abstem-se… e fai propostas ao mesmo tempo como a relativa a conceder isençons fiscais aos proprietários dos negócios localizados nas ruas afectadas. No que di respeito ao traslado da estátua de Millán Astray (atençom: traslado, nom eliminaçom) nom é contra, mas está bastante longe de ser a favor… além de molhar-se directamente nessa questom técnica, o que sim fai é erigir-se no porta-voz dos veteranos da Legiom reclamando a puniçom mais dura que for possível para os jovens que tentárom serrar a escultura. Também, e por puro sentido prático das cousas, este político do século XXI posicionou-se em contra de mudar de nome o que até há pouco se chamou Hospital Juan Canalejo.

Esta volta constante às origens, às fontes ideológicas nom sempre livres de índices nocivos de fascismo, sugere o estigma da direita espanhola e galega, umha marca que sobrevive às geraçons e que choca com essa imagem de modernidade que o PP sempre se esforça em dar. A modernidade é a ilusom gráfica impossível da estampa imutável de umha direita que sempre retorna ao seu franquismo congénito, igual que a cabra puxa sempre para o monte.

De nada servem políticas de imagem hipercalculadas, de nada servem cumplicidades mediáticas mais do que manifestas. O franquismo é umha raíz insalvável cuja legitimaçom se converte numha necessidade que supera os imperativos de qualquer ética.