Abrente

Ediçons digitais da publicaçom trimestral do nosso partido

Documentaçom

Textos e outros documentos políticos e informativos de interesse

Ligaçons

Sites recomendados de ámbito nacional e internacional

Opiniom

Artigos assinados sobre temas de actualidade galega e internacional

Video

Documentos audiovisuais disponíveis no nosso portal

Home » Opiniom

Novo ano lectivo, novos reptos

Quarta-feira, 16 Setembro 2009

Iago Barros

Chegou Setembro. É momento para preparar o imediato início dum novo ano académico. Para que @s estudantes pensemos que queremos fazer; que papel queremos ter este ano nas escolas, agora que um governo ultraconservador recuperou o poder autonómico. De aqui a uns dias, milhares de jovens da Galiza estaremos a dar vida aos centros de ensino. Que significará isso? Memorizar informaçom apenas? Existe espaço para a formaçom além das carteiras e das pachangas e conversas no tempo de recreio? Temos outros objectivos além dos exames? Convivemos dia a dia, nas aulas, para algo mais.

A vida em sociedade conhecemo-la na escola. Nela geram-se infinitas relaçons entre as pessoas que marcarám o futuro do nosso país. Como num centro de trabalho, horas e horas de dedicaçom, de esforço, de sofrimentos, e também de diálogo, de discussons e de exposiçom das nossas inquietaçons sobre o terreno.

Para as jovens e os jovens estudantes que organizamos a esquerda independentista nas aulas, visibilizar todo esse potencial contestatário da mocidade é um objectivo estratégico. Por inércia dumha sociedade passiva e individualista ensina-se-nos, no entanto, a deixar calado ou a individualizar esse potencial. A contermo-nos. Umha repressom que depois gera multidom de frustraçons, insatisfaçons, e falta de controlo sobre a nossa própria vida. Gérmolos de raiva que se manifestam em momentos pouco propícios, que ficam em meros desafogos ou em recurso a drogas e evasons de todo o tipo.

Ser jovem e estudante nom significa ficar calado perante os livros de texto, permanecer à espera de que seja a responsabilidade adulta (do professorado ou a família) que mova ficha. Ao contrário, podemos dispor da iniciativa para nos organizarmos em multidom de tarefas que pertencem à vida escolar, em chave plenamente juvenil. Isto é o que chamamos construir poder popular, e o estudantado tem um papel mui importante nesse jogo. Quem, se nom, vai fazer entrar ar puro nas escolas e ultrapassar a educaçom passiva e memorística? Frear a espanholizaçom sangrante? E som dúzias as temáticas que podemos tratar. A política nas aulas tem mil rostos.

O silêncio como resposta à realidade agoira o crescimento dumha sociedade irresponsável. Umha ideia mui pouco pedagógica, já agora. E nom. Queremos arriscar e nom deixá-lo todo em maos dos poderosos que padecemos também nas aulas: espanholistas, ultras, rançosos, machistas, intolerantes… Queremos assumir responsabilidades. Fazer cousas. Propor actividades. Premer a energia da gente nova para resistir, e para atacar. Para impedir que as aulas sejam viveiro de espanholismo, de ódio ao diferente (e também ao próprio), de segregaçom e discriminaçom. Para pintarmos com todas as cores das nossas demandas e sonhos os laços entre estudantes que queremos tomar a palavra.

Organizar-se para responder, ou quê se nom?

Hoje o Partido Popular reclama com os seus actos a vigência do franquismo, do fascismo, nas aulas: imposiçom do castelhano, marginalizaçom e ritualizaçom do galego, reivindicaçom do ensino ultracatólico, privilégios para os ricos, sexismo… Também, incorpora à perfeiçom os ingredientes contemporáneos do capitalismo: privatizaçom bancária das universidades, desprotecçom da cobertura pública para material escolar, gastos inúteis em campanhas propagandísticas para consumo interno, suposta “desideologizaçom” para manter as massas na inópia…

Algo conseguiu: ter colocado a língua deste país numha encruzilhada. Ou bem sentir-se impositora polo mero facto de existir e reivindicar-se em todos os ámbitos sociais (nom apenas rituais), ou bem de ser submissa ao castelhano e aceitar a substituiçom histórica a que, desde sempre, a dependência nacional nos conduziu. Nós vamos dar a batalha. Assumimos a responsabilidade histórica de criar umha organizaçom de massas, portanto aberta a quem quiger, de posiçons de esquerda e patrióticas, para dar a batalha nas aulas. E para que juntos e juntas, essa batalha nom fique em nada.

Em galego podemos aprender. Mas isso nem sequer o sabemos. Na escola, o seu uso  artificial, litúrgico, e a sua castrapizaçom, além da sua desligaçom do espaço lusófono, converte-a em língua quase estrangeira e semidialectal. Inútil, com certeza, para umha juventude alimentada a base de simbolismos e afecçons mediatizadas através do castelhano.

Agora toca reagir. Fazer raivar os espanholistas porque na escola, o galego, seja a língua que adoptamos sem medo alguns/mhas estudantes para trabalhar no nosso centro. Novos e novas falantes ou utentes de galego de sempre. E fazermo-lo com a chula liberdade com que tanto enchem a boca. Porque nos peta. Tanto fai o que discutam e o que nos vendam. Eliminar o galego da escola está a sair caro, mas resistirmos com a língua do nosso povo trabalhador na boca do estudantado, isso, nom terá preço. Descobriremos que juntos, organizando assembleias e actividades pola língua na escola, podemos desenvolver-nos em todos os ámbitos. E podemos, nem mais nem menos, fazer frente ao fascismo. Se isso nom é um luxo…!

Nós, na esquerda independentista, temos clara a postura nesta conjuntura histórica que ameaça com converter a nossa cultura numha reserva turística; nós, aprendemos em galego. Tu, porque nom?