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Liberdade para dar cabo do galego

Sábado, 5 Setembro 2009Um Comentário

Maurício Castro

Que a política lingüística relativa ao galego tem sido umha farsa durante as últimas três décadas fica demonstrado polos resultados actuais. Qualquer projecto institucional, privado ou misto, que marcasse, como se fijo no início do período constitucional da II Restauraçom Bourbónica, um objectivo como aquele do bilingüismo equilibrado (50%, nom era?), e tivesse como resultado a prática liquidaçom do idioma que partia da posiçom mais fraca, seria submetido, em qualquer país democrático, a umha absoluta revisom, e os seus responsáveis há muito estariam afastados dos seus postos de comando.

Nada disso acontece na Galiza. A sucessom de normas legais aprovadas durante estes anos, sem nunca questionarem o papel dominante do espanhol, tenhem sido –som– sistematicamente incumpridas no que pudessem ter de favoráveis ao galego; porém, orçamentos milionários continuam a alimentar cada ano essa suposta “normalizaçom” que seica deveria compensar a desigual posiçom de que partia o galego em relaçom ao espanhol.

Com efeito, os milhons de euros repartidos em nome da fantasmal “normalizaçom” constituírom umha das maiores fraudes relacionadas com a administraçom da cousa pública. O exemplo paradigmático é o caso de La Voz de Galicia, que recebe os maiores subsídios dirigidos, na teoria, à galeguizaçom da comunicaçom social, apesar de estar escrito mais de 90% em espanhol e ser um dos principais poderes mediáticos declaradamente antigalegos. Sintomaticamente, e diga-se de passagem, isto tem acontecido tanto com governos do PP como do bipartido PSOE-BNG.

Em meio do panorama desolador que para o nosso idioma resulta destes 30 anos de democracia à espanhola, assistimos agora à ofensiva do PP para liquidar de vez qualquer possibilidade, nunca verificada, de avanço para o galego. E os filhos —políticos e biológicos— dos franquistas, esses que ainda hoje se negam a condenar o regime criminal do general Franco, dim-nos que o fam, atençom… em nome da liberdade!!

É curioso, para só referirmos dous exemplos actuais, que estes verdadeiros liberticidas do PP anunciem a retirada da obrigaçom da rotulagem em galego, aprovada na legislatura anterior, polo seu carácter “discriminatório”; ou mesmo que pidam a anulaçom da Ordenança local viguesa porque nom insiste na oficialidade principal do espanhol nesse concelho. Curioso e insultante, quando sabemos que fôrom eles os que, desde o conhecido discurso de Francisco Franco em 1936 reivindicando “una sola lengua, el castellano, y una sola personalidad, la española”, nom deixárom de aprovar textos legais para garantir esses princípios no conjunto do território do Reino.

Agora comprovamos como os inimigos do galego tiram a pele de anho que vestiam, mostrando-se como os lobos que som. Falam agora, quando absolutamente todo o corpo legal anterior e posterior à Constituiçom de 1978 garante o desastre nacional a que assistimos, de “evitar imposiçons”, referindo-se, por incrível que pareça, a umha inexistente marginalidade da língua do Estado. A verdade é que, nas condiçons actuais e com as perspectivas que se enxergam, dar prioridade às liberdades individuais sobre as normas obrigatórias é a melhor maneira de liquidar qualquer perspectiva de futuro para o galego. Sobretodo, quando a própria Constituiçom impom o espanhol como único idioma obrigatório na nossa terra.

Permita-se-me admitir que a obrigaçom de rotular em galego é umha das poucas medidas adequadas que, em matéria de língua, tomou o governo anterior, sem que desse tempo a que verificássemos a sua aplicaçom. Frente aos subsídios fraudulentos e às etéreas declaraçons de intençons de todos estes anos, a obrigatoriedade de que o comércio galego respeite os direitos lingüísticos dos seus e das clientes utilizando o seu idioma é algo tam elementar que nom existe nengum país soberano em que nom vigore essa norma.

Porque, como o quadro legal espanhol nos ensina e a experiência das últimas décadas nos confirma, os avanços na recuperaçom do galego nom virám dos subsídios nem de objectivos irrealizáveis como o bilingüismo harmónico. A galeguizaçom só virá da garantia legal e social da imposiçom do direito colectivo do nosso povo ao exercício pleno dos seus direitos lingüísticos.

Direitos esses, nom nos enganemos, que nom serám cedidos por nengum governo autónomo leal a Espanha e ao Rei. É imprescindível a auto-organizaçom unitária dos sectores sociais normalizadores transbordando quaisquer direcçons partidárias, já que o direito ao idioma vai além de qualquer projecto partidista concreto. O status social do idioma representa e encarna em si mesmo o grau de auto-estima e afirmaçom colectiva de um povo.

À vista da realidade actual, com o galego na UVI graças à política lingüística dos sucessivos governos nos últimos 30 anos, é evidente o baixo grau de auto-estima e afirmaçom colectiva que caracteriza o nosso povo. As tendências actuais indicam que o Estado espanhol e as suas forças políticas e económicas vam conseguir dar cabo do galego, a nom ser que as forças galegas, que existem e som ainda significativas, consigamos trabalhar juntas polo único que nos une: o sonho de vermos renascer umha Galiza em galego.