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Agora os taurinos querem dirigir o discurso antitaurino

Quinta-feira, 27 Agosto 2009

Ramiro Vidal Alvarinho

Há cousa de uns dias escuitávamos dous grandes “intelectuais” teorizar sobre a legitimidade ou nom dos posicionamentos antitaurinos. Concretamente, o actual embaixador espanhol no Vaticano e provável Defensor del Pueblo num futuro, Paco Vasques dizia que ele defendia a “Fiesta Nacional”, mas que reconhecia a legitimidade dos posicionamentos antitaurinos. Isso sim, sempre que estes posicionamentos nom estivessem revestidos de formulaçons “étnico-nacionalistas”. Também pudemos escuitar o enorme e impressionante contributo teórico do vereador de Festas da Corunha. Um tipo muito inteligente, que vive atormentado porque nom dá feito bom dos movimentos sociais, artistas e demais pessoal incordiante, que teima em nom  lhe dar a razom no que di respeito à sua gestom. Este caracterizava, muito lucidamente, os antitaurinos galegos, dizendo que som os mesmos que querem impor o galego e que pretendem dirigir “os gostos culturais da gente” (claro, “a gente” que interessa a ele, o “resto da gente”, tem é que calar a boca)

Isto de pretender infantilizar o contrário, tutelando-lhe o discurso, é umha táctica que tem pouco de nova: eu lembro nos meus tempos de activismo ambientalista os típicos representantes de certos grupos de pressom, a dizer “que é que os ambientalistas som como as melancias; verdes por fora, vermelhos por dentro”. Eu sempre repetia entre os meus companheiros a piada de que era umha honra ser melancia no meio de tanto melom. Evidentemente, para aqueles sectores interessados em especular com o meio, em esquilmá-lo, o cómodo era ter em frente um ambientalismo utópico e ingénuo, franciscano, por dizê-lo de algumha maneira.

Com isto acontece o mesmo. Eu nom digo que defender aos touros por motivos unicamente éticos, de opor-se à morte cruel de um animal, com a finalidade principal de animar umha pretensa festa, onde, já agora, se exaltam valores duvidosamente assumíveis a partir de posicionamentos sequer progressistas, esteja mal, ou seja incoerente. Mas na minha consciência mando eu. E se o senhor Vasques, e se o senhor González-Garcés insinuarem, ou sugerirem, ou formularem que eu, por ser nacionalista (galego), tenho menos direito a falar, sinto manifestar a minha nom já disconformidade, porque estamos já fora do terreno do opinável, mas a má notícia de que deixei de chupar no dedo há muitos anos. Claro, senhor Garcés, claro… tem o senhor um problema bastante grave… que por muito que teime, mora o senhor onde mora, e isto é a Galiza e nom o Sul peninsular. Noutras latitudes, claro que o discurso do movimento antitaurino está livre da questom nacional. Na Galiza, incluso aqueles que defendem a celebraçom de festejos taurinos em solo galego, esgrimem argumentos de tipo nacionalista. O próprio senhor Garcés justificava a sua teima em continuar promovendo a celebraçom de umha feira taurina na Corunha “ainda que apenas seja para contestar a aqueles que…”. Com isto dá a razom a aqueles que, para além de ter sobradas razons de tipo ético (e também ideológico) para se oporem a que se celebrem touradas na Galiza, sabem perfeitamente que nom é inocente essa teima de querer implantar a “Fiesta Nacional” onde nem há afeiçom nem tradiçom.

Eu claro que me oponho a que torturem a touros e cavalos nas touradas. Também sou contra a exibiçom classista que se encena nas touradas, com a festa presidida polas forças vivas, e o público dividido em classes sociais; sou contra a exaltaçom do macho espanhol que demonstra o seu valor matando de maneira cruel um touro e que lhe dedica a sua vandálica “faena” à mulher passiva, espectadora, portadora das virtudes e dos cánons de beleza impostos pola moral e a estética dominantes. Com efeito, sou contra todo isso. Mas isso nom apenas nom entra em contradicçom com opor-se porque há por trás umha operaçom política de legitimaçom da opressom cultural que padecemos e de determinados símbolos do império.  Todo o contrário, som argumentos que se complementam.