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Hajo Meyer, sobrevivente de Auschwitz: “Identifico-me sem dificuldade com a juventude palestiniana”

Quinta-feira, 6 Agosto 2009Um Comentário

Nesta entrevista, Hajo Meyer, 85 anos, holandês, sobrevivente de Auschwitz e anti-sionista, que nom esconde a sua repulsa polas actuaçons israelitas, conversa com Adri Nieuwhof. Hajo Meyer é autor do livro “O fim do judaísmo”, nasceu em 1924 na Alemanha. Em 1939, com 14 anos e da sua própria iniciativa, fugiu para a Holanda. Foi detido pola Gestapo em Março de 1944 e deportado para o campo de concentraçom de Auschwitz. É um dos seus últimos sobreviventes.

Adri Nieuwof : O que gostaria de dizer para se apresentar?

Hajo Meyer : Tivem de deixar a escola depois da Noite de Cristal, em Novembro de 1938. Foi umha experiência terrível para um jovem curioso e para os seus pais. Eis por que eu nom podo identificar-me em caso algum com os criminosos que tornam impossível à juventude palestiniana ir à escola.

A.N : O que é que o levou a escrever este livro; “O fim do judaísmo”?

H.M : No passado, a comunicaçom social escreveu abundantemente sobre os políticos de extrema-direita, como Joerg Haider na Áustria e Jean-Marie Le Pen em França. Mas quando Ariel Sharon foi eleito primeiro-ministro de Israel, em 2001, os media ficárom mudos. E nos anos 80, eu compreendim o pensamento profundamente fascista desses políticos. Com este livro, quigem tomar distáncia com todo isso. Fum criado no judaísmo com, no coraçom, a igualdade das relaçons entre os seres humanos. Só soubem da existência de um judaísmo nacionalista quando ouvim em entrevistas os colonos defender o direito a assediar os palestinianos. Pessoas pertencendo a certos grupos que desumanizam pessoas que pertencem a outro grupo podem comportar-se assim ou porque o aprendêrom dos seus pais ou porque sofrêrom uma lavagem ao cérebro por parte dos seus dirigentes políticos. Foi o que aconteceu durante dezenas de anos em Israel, enquanto eles instrumentalizavam o Holocausto segundo os seus interesses políticos. […] Sempre achei insuportável que Israel, utilizando a impostura, se proclamasse Estado judeu, enquanto que ele é na verdade sionista. Ele quer o máximo de território com um mínimo de palestinianos. Tenho quatro avós judeus. Sou ateu. Partilho a herança sócio-cultural judia e aprendim o que é a ética judia. Nom quero ser representado por um Estado sionista. Eles nom tenhem ideia do que é o Holocausto. Eles utilizam o Holocausto para propagar a paranóia na cabeça dos seus filhos.

[…] Podo estabelecer umha lista interminável de semelhanças entre a Alemanha nazi e Israel. Confiscaçom de terras e de propriedades, proibiçom feita às populaçons palestinianas de aceder à educaçom e restriçons aos meios de ganhar a vida para destruir a esperança; todo isso com o fim de expulsar o povo da sua terra. E o que eu acho particularmente escandaloso, é de criar as circunstáncias que levam as pessoas a matarem-se umhas às outras, semeando a discórdia e alargando o fosso entre as populaçons – como Israel fai em Gaza.

AN : No seu livro, fala do papel dos judeus nos movimentos pola paz em Israel e no exterior, e dos refuzniks no exército. Como vê a sua contribuiçom?

HN : Evidentemente, é positivo quando sectores da populaçom judaica de Israel procuram ver os palestinianos como seres humanos e como os seus iguais. No entanto, o que me perturba é que o número desses protestos nom é mais espesso que uma folha de papel e que eles nom som verdadeiramente anti-sionistas. Multiplicamos os estudos sobre o que aconteceu na Alemanha de Hitler. Se você exprimisse a mais pequena alusom crítica na época, acabaria no campo de concentraçom de Dachau. Se você criticasse, seria morto. Os judeus de Israel tenhem direitos democráticos. Podem manifestar nas ruas, mas nom o fam.

AN : Pode comentar o facto de que os ministros israelitas aprovárom um projecto de lei que proíbe a comemoraçom da Nakba, isto é, da expropriaçom da Palestina histórica? A lei propom umha sançom que vai até três anos de prisom.

HM : É tam racista, tam horrendo. Nom tenho palavras. É a expressom daquilo que já conhecemos. Zochrot (a organizaçom da comemoraçom da Nakba israelita) foi criada para se opor aos esforços que Israel fai para limpar os vestígios que lembram a vida palestiniana. Proibir aos palestinianos comemorar a Nakba… nom se pode actuar de maneira mais evidente como nazis, como fascistas.

Fonte: palestinavence.blogs.sapo.pt