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Óscar Peres Vidal, da Direcçom da CIG em Trasancos: “Apostamos num modelo de sindicalismo combativo e de luita”

Terça-feira, 28 Julho 2009

Reproduzimos umha entrevista com Óscar Peres Vidal, operário integrante da Direcçom da CIG em Trasancos, publicada na revista nacional de NÓS-UP, Voz Própria. Nela, analisa a posiçom sindical da esquerda independentista no último congresso e as perspectivas abertas polo mesmo.

Há umhas semanas decorria em Compostela o V Congresso Nacional da CIG, no qual a esquerda independetista vinculada com NÓS-UP decidiu apoiar e participar numha das candidaturas alternativas à chamada “maioria sindical”. Porque se decidiu apoiar esta lista quando outro sector do soberanismo galego estava incorporado à lista de Suso Seixo?

Digamos que no momento actual, e apesar das diferenças lógicas que pode haver entre os colectivos que figemos parte desta candidatura alternativa, consideramos que era a única que se aproximava do modelo sindical que defendemos, com um discurso e umha prática mais coerentes com princípios como a independência sindical, o rejeitamento ao pacto social e a defesa dum sindicalismo autónomo e nom tutelado polas cúpulas dos partidos e demais aparelhos do sistema,  rachando em parte com o modelo da maioria sindical representada fundamentalmente pola UPG. Este modelo da UPG foi apoiado, no entanto, por outro sector do soberanismo em todos e cada um dos seus aspectos, convertendo-se em cúmplice ao apoiar com os seus votos umha maior verticalidade do sindicato, evitando qualquer forma de autorganizaçom da mocidade dentro do sindicato e tratando de destruir qualquer corrente que nom estivesse com a maioria sindical.

Mas eu creio que o motivo polo qual a esquerda independentista representada por NÓS-UP apoiamos umha determinada candidatura de cara a este V Congresso ficou bastante claro; o que teriam que explicar outros é porque apoiarom umha candidatura maioritariamente da UPG, que representa um sindicalismo ao serviço do autonomismo representado polo BNG e que demonstrou nos últimos anos que, em ocasions, os interesses da classe trabalhadora nom eram o fundamental.

Que avaliaçom realizas deste Congresso?

O Congresso em si foi umha desmonstraçom de anti-democracia por parte da maioria sindical actual, pois se tentou desde um primeiro momento a verticalizaçom do sindicato evitando um sistema de participaçom em igualdade de condiçons d@s delegad@s, o que pretendia a consolidaçom do poder da direcçom actual, introduzindo aquelas mudanças necessárias para a consecuçom deste objectivo. Há que dizer que, por exemplo, nom estavam permitidas as réplicas às intervençons, e a filiaçom nom podia participar livremente nos debates, daí que o debate de ideias ficasse bastante condicionado.

Ainda que o Congresso partisse de antemao como a consolidaçom dumha maioria sindical em torno fundamentalmente da UPG, a verdade é que em parte cumpriu este guiom, no sentido de que qualquer crítica que nom contasse com o apoio deste maioria nom saiu adiante; mas também contou com elementos muito interessantes e que deixam entrever umha esperança de futuro, como o facto de que esta maioria nom foi quem de impor as mudanças estatutárias pretendidas, ao nom conseguir a maioria necessária, seguramente em parte como castigo à prepotência demonstrada pola Direcçom actual. Além disso, o boicote que se fijo à autorganizaçom da mocidade, mas o congresso deixou bem claro que existe umha juventude na CIG com vontade de luitar e participar, apesar da Direçom actual, e naturalmente que existe umha alternativa com representaçom nos órgaos de direcçom, fruto da uniom de diferentes colectivos, entre eles a esquerda independentista vinculada a NÓS-UP.

Após o V Congresso, a lista hegemonizada pola UPG voltou a revalidar a sua maioria nos órgaos de direcçom do sindicato. Que perspectivas de mudança existem a médio prazo na correlaçom de forças interna da CIG e na imprescindível ruptura com o autonomismo entreguista e complexado que representa o BNG?

A candidatura hegemonizada pola UPG tem a maioria na direcçom actual da CIG, mas em parte também é umha maioria fictícia, no sentido de que, dentro dessa “maioria”, existem muitas correntes ou colectivos, que fôrom quem de unir-se para colher um bocado do “pastel”, mas que nom sabemos o que se pode passar entre eles nos vindouros quatro anos.

O que está claro é que o UPG (BNG) representa a nível político-sindical um modelo totalmente nocivo, no qual o sindicato está tutelado aos interesses da organizaçom política e esta por sua vez  nom exerce a defesa da classe trabalhadora, mas a conciliaçom entre os interesses da burguesia e das trabalhadoras e trabalhadores, tal e como pudemos ver durante quatro anos de Governo na Junta de Galiza.

Dito isto, nom é descartável que nos vindouros quatro anos poda haver algum tipo de movimento de ruptura com o autonomismo, mas na actualidade é bastante complicado que se dê está situaçom, em todo o caso serám as luitas presentes e futuras, os conflitos nos centros de trabalho e o grau de degradaçom das condiçons de trabalho que obriguem a rachar com o autonomismo entreguista e complexado que representa o BNG e que nom pretende a superaçom do sistema actual, mas umha adaptaçom ao mesmo.

Em que modelo sindical aposta a esquerda independentista?

Actualmente, a fase que está a atravessar o capitalismo está a destruir a toda a velocidade as condiçons de trabalho da classe operária, nomeadamente da classe operária galega, em muitos casos os direitos que se destroem som fruto da luita de muitos anos. Neste momento e diante disto, sem dúvida é fundamental a defesa de um modelo sindical que seja umha ferramenta útil para o povo trabalhador galego, por este motivo a esquerda independentista aposta decididamente num modelo de sindicalismo combativo e de luita nos centros de trabalho e na rua, no qual os interesses da classe trabalhadora e a luita contra os patrons estám acima de qualquer cousa e nom em funçom dos interesses partidistas dos governos de serviço ou de quaisquer outros interesses alheios à classe trabalhadora.

Parece incrível pensar, por exemplo, que com a situaçom actual extrema quanto a destruiçom das condiçons de trabalho nom se convocasse já há algum tempo umha Greve Geral, e tam só depois de que o BNG tenha perdido o governo da Junta de Galiza a Direcçom da CIG comece a dar, de forma tímida, algum passo para esta jornada de luita.

Dentro do modelo sindical que a defende a esquerda independentista nom podemos esquecer a aposta num modelo soberanista, que rompa com a deriva autonomista, dando um paso adiante e luitando decididamente pola soberania da nossa naçom e que trabalhe por umha construçom nacional sem complexos. Temos que apostar num sindicalismo de classe, que fuja da burocracia, em que os interesses das trabalhadoras e trabalhadores sejam o fundamental; devemos ter mui claro que o sindicalismo nom existe para sustentar ou defender o modelo capitalista, nom estamos para ser o seu garante nem transformá-lo, o nosso trabalho deve ir focado à sua superaçom, e ir caminhado deste jeito para um sistema socialista.

Neste caminho há que apostar num sindicalismo horizontal em que sejam os trabalhadores e trabalhadoras os que decidam o seu futuro, e nom umhas “elites” ou “cúpulas” as que, em nome da classe trabalhadora, condicionem as suas luitas, a defesa dos seus interesses ou a consecuçom dos seus fins.

Devemos também apostar na autorganizaçom da mulher e da mocidade, que está a demonstrar nas luitas obreiras a sua capacidade, convertendo-se num sector fundamental do sindicalismo galego, para isto é preciso dar-lhes os espaços de trabalho e participaçom necessários, ao contrário do que defende a Direcçom da CIG actualmente, que pretende tutelar e controlar a mocidade.

Sabemos que a actual Direcçom da CIG nom quer saber destes princípios fundamentais, mas o tempo demonstrará que som imprescindíveis para luitar contra a exploraçom da classe trabalhadora galega. Por isto a esquerda independentista aposta num modelo de sindicalismo de classe, combativo, soberanista e horizontal.

Nós últimos meses, estamos a viver um aumento da conflitualidade laboral na Galiza: Caramelo, Leite Pascual, SEAGA, ABB… mas se há um destacado exemplo de luita obreira no nosso país é o que está a desenvolver o proletariado do metal no sul da Galiza.

O primeiro que haveria que dizer é que certamente desde há uns poucos meses vivemos um aumento da conflitualidade laboral na Galiza, mas provocado por umha deterioraçom das condiçons de trabalho que vem de há tempo; só basta dizer que, desde Setembro de 2007 até Março de 2009, o número de desempregados e desempregadas aumentou em mais um 100%, passando de 87.500 pessoas a mais de 211.000, comparando a evoluçom do IPC galego e o incremento salarial médio, deparamos com que, desde o ano 2002 até o ano 2007, os salários vírom-se reduzidos em quase 2%. A taxa de temporalidade galega duplica a média da Uniom Europeia e estes dados ainda som moito mais pessimistas se nos centrarmos nas pessoas menores de 30 anos ou nas mulheres.

Diante disto, vemos como as empresas obtivérom lucros escandalosos durante os últimos anos e os governos apoiavam com milhons a “recuperaçom” da banca e as patronais, enquanto os trabalhadores e trabalhadoras padeciam e sofriam estas condiçons. Entom, as trabalhadoras e trabalhadores estám fartas, sendo normal que os conflitos vaiam em aumento e incluso haveria que perguntar-se porque nom começárom antes; mais também há que reconhecer que dentro dos conflitos actuais, sem dúvida o exemplo mais salientável é a luita do proletariado do metal no sul de Galiza, fundamentalmente polo grao de participaçom dos obreiros e obreiras no conflito, com um papel destacado da mocidade que está a ser semente de futuro para um sindicalismo galego e combativo.

Quando fazemos esta entrevista os companheiros e companheiras levam mais de 18 dias de greve, demonstrando umha uniom e umha combatividade apesar dos atrancos por parte do patronato, dos governos das diferentes administraçons e todas as cores políticas e dos meios de comunicaçom que tratam de desacreditar o movimento obreiro. Por isto é fundamental que este saia reforçado do conflito, pois quando atacam os trabalhadores e trabalhadoras do metal, nom estám a atacar só um sector, estám a atacar o movimento obreiro galego e diaante das futuras luitas é necessário e fundamental que o proletariado do metal obtenha umha vitória, pois será umha vitória da classe trabalhadora sobre os patrons e o capital.

Consideras que a crise capitalista em curso abre novas e maiores possibilidades para que as organizaçons revolucionárias se fortaleçam no seio da classe obreira?

Voltando à pergunta anterior, a conflitualidade laboral que vai em aumento e as tremendas desigualdades entre a populaçom pom de manifesto o fracasso do sistema capitalista neoliberal, culpável da situaçom que estamos a viver, e exige a superaçom deste sistema por umha mudança do modelo económico e social. Perante esta situaçom, é lógico que as organizaçons revolucionárias se fortaleçam no seio do movimento obreiro, pois dispomos da analise da realidade e das alternativas necessárias para superar este sistema capitalista que é sinónimo de exploraçom e pobreza. As trabalhadoras e trabalhadores, e no caso do metal no sul de Galiza, o demonstram, querem algo mais que umha gestom do conflito, sabem que o sistema está podre, sentem-se enganados e querem que as organizaçons estejam à altura das circunstáncias, incluso em muitas ocasions as próprias massas trabalhadoras vam um passo por diante dos líderes sindicais neste caso. Mas o trabalho para isto vai ser duro, pois há muitos interesses em jogo e os poderes vam pretender calar e silenciar qualquer organizaçom que tente superar o sistema actual.

Fonte: NÓS-Unidade Popular.