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Mais do que um direito, umha necessidade

Domingo, 26 Julho 2009

Alberte Moço Quintela

Que os povos temos direito à livre determinaçom e a decidirmos tanto as nossas relaçons com outros povos como o modelo político e económico polo qual nos regermos é algo que semelha de difícil discussom. Nesta afirmaçom coincidimos, quando menos na teoria, desde as esquerdas revolucionárias até a ONU ou mesmo os estados imperialistas quando o problema se acha de portas para fora. Mas, apesar de todo, esta questom reviste para a Galiza de hoje umha urgência dramática.

Por um lado porque o projecto nacional galego se acha em estado crítico. Lenta mas inexoravelmente caminhamos para o ponto de nom retorno onde a nossa existência como povo será inviável.

Do ponto de vista étnico, é umha evidência para qualquer de nós a péssima saúde da nossa identidade nacional e o grande sucesso da planificada assimilaçom cultural a que nos submeteu Espanha desde que há centos de anos perdemos a nossa soberania política. O nosso idioma, o que é o nosso principal traço identitário, é já de uso mui minoritário, quando nom residual, entre a juventude urbana. Sem este motor generacional a comunidade lingüística galega desaparecerá no futuro próximo e com ela qualquer possibilidade dumha tomada de consciência colectiva que permita avançar na construçom nacional.

Mas o aspecto lingüístico-cultural nom é o único indicador da degradaçom do nosso projecto nacional. De facto, o núcleo do imperialismo espanhol é, como nom podia ser doutro jeito, económico. A aniquilaçom planificada da nossa produçom agro-gadeira e do nosso sector pesqueiro pretende impossibilitar a nossa soberania alimentar, a turistificaçom do nosso litoral fai-nos dependentes das campanhas de marketing das agências de viagens madrilenas, a hipertrofia da nossa indústria eléctrica foi planificada à medida das necessidades energéticas espanholas, as nossas infraestruturas viárias estám desenhadas para a transferência de valor a partir do nosso país para o centro das economias espanhola e europeia. Estes exemplos ilustram a natureza de classe da nossa opressom nacional e explicam o interesse da burguesia espanhola em negar-nos como naçom e impedir-nos sermos livres.

Esta diagnose pode ser um bom motivo para reafirmarmos a exigência histórica de revitalizar a luita polos nossos direitos colectivos, mas nom é o único. Estamos a viver um contexto de profundas mudanças no capitalismo a escala internacional que sem dúvida resultará numha reordenaçom planetária do modo de produçom, isto é, das relaçons entre classes, naçons e mesmo indivíduos. Apresentam-se diante de nós tempos de furiosas agressons por parte das classes dominantes e das potências capitalistas, mas também de luitas libertadoras de todo o tipo. Os germes destas luitas já se estám a produzir em todo o globo: vejamos as diversas resistências anti-imperialistas no mundo árabe ou a vaga de movimentos transformadores e revolucionários na América Latina.

Na Galiza já  se constata um progressivo aumento da conflituosidade laboral e é de prever que esta tendência se mantenha por um período prolongado. Como no resto do mundo, no nosso país teremos que escolher entre derrubar o capitalismo e construir umha nova sociedade socialista ou condenar-nos novamente à miséria e ao caos. É nesta disjuntiva que se fai imprescindível a aplicaçom prática dos direitos colectivos que como povo nos assistem. Noutras palavras: conquistarmos a nossa independência nacional.

Alberte Moço Quintela fai parte da Direcçom Nacional de NÓS-Unidade Popular