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No 90 aniversário da Internacional Comunista

Quarta-feira, 15 Julho 2009

André Seoane Antelo

Na primeira semana do mês de Março de 1919, a cidade de Petrogrado, a mesma que dous anos antes vivera os acontecimentos fundamentais do triunfo revolucionário bolchevique, acolhia as sessons do I Congresso da Internacional Comunista.

Com esta reuniom, punha-se a andar a reconstruçom da coordenaçom internacional do movimento obreiro revolucionário, rota no passado imediato daquele tempo pola deriva chauvinista dos partidos socialistas que integravam a Internacional Obreira. A chamada II Internacional recebera a sua sentença de morte ao estalar a I Guerra Mundial, momento em que os grandes partidos social-democratas dos estados enfrentados alinharam com os “seus” respectivos governos.

Precisamente, foi o POSDR(b), liderado por Lenine, o principal partido federado à Internacional Obreira que mantivo umha posiçom de radical oposiçom à deriva belicista e conseguiria aplicar com habilidade a táctica de apoiar-se na oposiçom popular à guerra imperialista para ajudar na detonaçom do movimento revolucionário que derivou na configuraçom da RFSSR. Foi assim o único a aplicar com sucesso a palavra de ordem aprovada pola II Internacional nos anos prévios à Grande Guerra e demonstrou em simultáneo a plena validez desta orientaçom.

No contexto de 1917, e nos anos imediatamente posteriores, a nengum dos comunistas que na Rússia e nas restantes naçons ocupadas polo Império Czarista se esforçavam em fazer avançar a revoluçom até a sua vitória definitiva poderia ter-lhes ocorrido que o combate polo comunismo nom fosse umha luita a nível internacional. @s bolcheviques eram plenamente conscientes de que o fortalecimento e permanência da sua revoluçom passava pola internacionalizaçom. A vitória na Rússia era só um primeiro degrau que se subia num caminho que tinha por objectivo o de impor em todo o mundo a sociedade comunista.

Nom pode surpreender entom que no ano 1919, num momento em que o nascente Estado soviético passava por graves dificuldades derivadas da intervençom militar imperialista e da desfeita económica gerada pola boicotagem burguesa e os estragos da guerra, o POSDR(b) tomasse como umha das suas mais importantes linhas de actuaçom o impulsionamento de umha nova Internacional.

Umha III Internacional que pretendia constituir-se como o partido da revoluçom mundial, recuperando o espírito que animara as suas predecesoras no tempo, tanto a extinta AIT como a apodrecida II Internacional.

A aparente pequenez inicial desta iniciativa, já que em 1919 praticamente nom há mais partido comunista que o bolchevique e no resto dos países existem som apenas grupos de simpatizantes, é rapidamente superada polo efeito de atracçom do exemplo revolucionário soviético. Tal obriga a que no II Congresso da IC sejam aprovadas as famosas “21 Condiçons” em que se establecem os requisitos precisos para um partido ser reconhecido como secçom da IC, medida com a qual se tenciona evitar a contaminaçom de elementos reformistas.

Lamentavelmente, o peso do POSDR(b) no seio da IC vai vir a constituir um lastro no futuro da organizaçom mundial dos comunistas. Em especial a raiz do avanço do burocraticismo no seio do partido soviético.

Assim, a organizaçom que nascia em 1919 para impulsionar a revoluçom mundial vai ver mudado o seu objectivo de facto polo de salvaguardar o Estado nascido da primeira revoluçom obreira vitoriosa na história da humanidade. Esta evoluçom atingirá o seu apogeu em meados da década de 30 do século passado, quando o VII Congresso da IC aprova a táctica das frentes populares, pola qual o objectivo da revoluçom socialista passa a um segundo plano em benefício da aliança com o reformismo e a burguesia progressista contra o fascismo.

Este VII Congresso, decorrido em 1935, será o último da IC como tal, já que a organizaçom será sacrificada em 1943 para evitar os receios das potências aliadas. Ora, a deriva burocrátizante vinha de atrás, enquanto o dinamismo da década de 20, na qual se convocam os seis primeiros congressos, fora aniquilado pola represom da dissidência no seio do próprio movimento comunista.

Porém, a herança da IC merece ser resgatada e dignificada. Com todas as suas limitaçons e erros, nom podemos negar a capital importáncia que a articulaçom de umha organizaçom internacional tivo para a expansom do comunismo a nível mundial.

Tam só lembrarmos o exemplo dalguns nomes que fôrom delegados da IC, como Farabundo Marti ou Ho-Chi-Minh, fundamentais na expansom do ideário e a organizaçom comunista em países afastados da Europa, tem-nos que fazer compreender a releváncia desta estrutura. Centenas de quadros dirigentes fôrom formados pola IC e esse esforço foi o que possibilitou que num período de escassamente vinte anos existissem partidos comunistas com implantaçom real na maioria das naçons do planeta.

Ainda nos períodos mais negros da degeneraçom burocrática a URSS, e já desaparecida a IC como tal, as práticas internacionalistas herdadas do espirito que impulsionara a sua criaçom continuárom a fornecer recursos e formaçom a movimentos revolucionários em todo o mundo. Nom é um exagero afirmar que experiências posteriores, como a da Conferência Tricontinental de Havana (1966), na qual se funda a OSPAAAL, estám directamente inspiradas polo mesmo espirito que animou a fundaçom da Komintern em 1919.

Mas o correcto seria perguntar-se o que é que fica do exemplo da IC na actualidade, e o que é que se fai necessário ajustar e recuperar.

As derrotas do movimento revolucionário, especialmente quando estas suponhem a prática desapariçom das organizaçons que existírom num periodo determinado, adoitam implicar um esquecimento de noçons e conceitos que noutra altura se tinham considerado básicas.

Possivelmente o melhor exemplo deste fenómeno acontecesse no nosso contexto na década de 90 do passado século, com a emergência do movimento antiglobalizaçom. Um movimento que pretendia abrolhar como algo novo e superador das experiências fracassadas, entendo que estas eram as do chamado “socialismo real”.

Assim, na década de 90 e nos primeiros anos deste século, foi habitual encontrar por toda a parte a ideia de que a coordenaçom mundial das luitas contra o capital era umha novidade enorme, ignorando questons  tam elementares como que a procura dessa organizaçom internacional foi umha realidade já desde meados do século XIX, ou que acçons tam supostamente novas como a convocatória de mobilizaçons simultáneas por todo o mundo vem-se fazendo quando menos desde 1889.

Afortunadamente, parece que esse período inicial do movimento antiglobalizaçom foi ultrapassado, quando menos parcialmente, e que o efeito inicial de reanimar umha esquerda derrotada foi atingido dando passagem a umha nova fase.

Agora torna-se evidente que os iniciais sucessos das convocatórias mundiais da antiglobalizaçom som um simples patamar a superar e que a luita passa a umha outra fase, na qual o protesto diante das cimeiras dos grandes organismos do aparelho político e económico capitalista toma um papel secundário.

No tempo da emergência da grande crise do capitalismo já nom se trata de ir protestar às portas do FMI ou a OMC, e sim de dar passos avante na edificaçom de um sistema social mais justo.

Além do mais, a deriva tomada por alguns dos principais actores e cenários desse movimento antiglobalizaçom obrigam a avançar na definiçom de novos planos. Se há umha década era justificável prestar atençom ao que determinados elementos diziam nos Foros Sociais Mundiais, e mesmo caminhar ao lado de determinadas organizaçons e movimentos que nom faziam mais que reivindicar a reforma do sistema, hoje a conjuntura obriga a ir mais além.

Realidades como o exemplo da Venezuela bolivariana e o ascenso das correntes revolucionárias na América do Sul voltárom a pôr na agenda a palavra socialismo como substituto desse descafeinado “um outro mundo possível” de meados de 90.

Do mesmo jeito que a praxe vai conseguindo situar cada qual no seu sítio, ordenando o balbordo inicial do altermundismo, também é momento de ir avante no aspecto organizativo. Superados estám já os tempos das “contra-cimeiras” e das plataformas amplas, a questom do dia volta a situar-se na estruturaçom e coordenaçom de um movimento revolucionário a nível mundial que trabalhe pola derrocada do capitalismo.

Um movimento revolucionário que tem que ser eminentemente político, entendendo isto no seu sentido estrito. Quer dizer, que procure a conquista do poder por parte de organizaçons revolucionárias que luitem pola edificaçom da sociedade socialista no caminho do comunismo.

Evidentemente, a conjuntura dos nossos dias é diferente da de 1919, e dentro das nossas limitaçons muito é o que temos aprendido.

A inexistência de um aparelho político tam especial como era a URSS no seu momento fai difícil que se reproduzam situaçons semelhantes, mas nom sobeja repararmos nos erros cometidos no passado para nom voltar a cair neles.

Assim na necessária reorganizaçom de umha estrutura revolucionária mundial haverá que ter em conta, tal como o sabiam os bolcheviques em 1919, que a revoluçom socialista é um processo de umha dimensom mundial. Processo no qual a protecçom dos avanços atingidos em determinadas realidades nacionais nom pode condicionar o freio ou aceleraçom artificial das dinámicas em realidades com processos mais atrasados.

Do mesmo jeito haveria que tomar boa nota, e sem entrar em contradiçom com o anteriormente escrito, de que as possibilidades abertas pola existência de diferentes ritmos nacionais na revoluçom mundial devem ser aproveitadas. Assim, as experiências mais avançadas devem prestar apoio e cobertura às que se encontrarem em fases mais discretas, e estas devem tomar o exemplo das outras no sentido de que a melhor ajuda para o trunfo da revoluçom noutro país é o desencadeamento da revoluçom no próprio.

Estamos conscientes de que a situaçom ainda parece estar um tanto imatura para começarmos a falar nuns níveis de articulaçom equiparaveis aos atingidos no seu momento pola IC, mas achamos que iniciativas como a da CCB vam no caminho correcto.

Trata-se pois de continuar nessa via, a de coordenar organizaçons a um nível político e superar as limitaçons meramente reivindicativas dos movimentos sociais. Nom queremos que os governos dos estados existentes na actualidade modifiquem as suas políticas num sentido menos injusto e predador, queremos é derrocá-los e substitui-los por governos e estados ao serviço dos intereses das classes populares.