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A dupla moral do conselheiro cosmopolita

Segunda-feira, 6 Julho 2009Um Comentário

Maurício Castro

Como se estivesse a dirigir-se a um povo alheio à própria realidade, o conselheiro colocado polo PP à frente de umha área estratégica como a da cultura declarou que o seu departamento dará “umha oportunidade” à produçom cultural em espanhol. Abonando o farisaico discurso de um espanhol oprimido, Roberto Varela confirma que vai dar dinheiro público para promover a língua do Estado na actividade artística galega.

Será que o senhor Varela nom visita as livrarias existentes no nosso país, ou talvez nom costume ir ao cinema? Será que nom vê a televisom e que à sua chegada de Nova Iorque ainda nom tivo tempo de comprovar que o espanhol é hoje o idioma com presença maioritária nom só no sector audiovisual, mas também no editorial e no musical, para só referirmos três ámbitos fulcrais na articulaçom cultural de umha comunidade nacional como a nossa?

Nom, nom nos parece que o senhor conselheiro desconheça tanto a realidade cultural da Galiza. Tampouco deve desconhecer que essa presença maciça da cultura formal e de massas em espanhol responde a umha estratégia política e económica perfeitamente planificada, e nom a qualquer característica intrínseca do idioma do Estado, que pudesse provocar umha irresistível atracçom por parte da gente galega.

O senhor Varela conhece sem dúvida melhor do que nós a quantidade de milhons de euros destinada polas instituiçons do Reino, directa e indirectamente, ao fomento do seu idioma em todos os espaços de criaçom e difusom artística em todo o território administrativamente espanhol – Galiza incluída –  e também no resto do mundo, a partir de critérios de expansom desse mercado cultural. As contas do investimento necessário e do lucro originado estám feitas e o projecto nacional espanhol sustenta-se, entre outras cousas, na fortaleza do seu idioma como mais um produto mercantil, resultado do seu passado imperial e da sua importante expansom no presente, e nom de umha inexistente superioridade lingüística castelhana.

É curioso que os mesmos que falam de “liberdade de escolha”, de nom intervencionismo em matéria de língua, etc, sejam os que agora querem orientar claramente a sua política cultural para evitar que o galego conte com o apoio material dos escassos poderes públicos criados precisamente para lhe darem esse apoio. E fam-no pola via intervencionista: derrogando decretos, desviando recursos e impondo modelos que favorecem um único idioma, o que já partia com a vantagem de contar com o sustento de um Estado economicamente forte e politicamente nacionalista como é o espanhol.

É sintomático, em definitivo, que os defensores de um suposto cosmopolitismo cultural, como o conselheiro Roberto Varela, tam empenhados em que nom nos vejamos “limitados” pola nossa visom do mundo a partir da condiçom nacional e lingüística galega, anunciem injecçons de capital para favorecer o idioma dominante no seio da nossa sociedade. Som os mesmos que dam prémios às ONG’s que ensinam espanhol aos imigrantes, por considerarem louvável favorecer a sua integraçom, mas acham um traço autoritário pretender a regulamentaçom do acesso universal de todo um povo ao conhecimento e ao uso do próprio idioma, depois de séculos de efectiva proibiçom.

Se algumha virtude tem a nova estratégia do PP é a de esclarecer os termos do conflito criado pola imposiçom histórica do espanhol no seio da nossa sociedade. Já nom cabem discursos neutrais, nem falsos cafés para todos. Aos cosmopolitas que defendem o espanhol com umha tam inocultável dupla moral, devemos responder sem ambigüidades qual é a nossa alternativa: umha Galiza em galego, formada por umha populaçom livre, culta e multilíngüe.