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Auto-ódio doutrinal

Segunda-feira, 8 Junho 2009

Ramiro Vidal Alvarinho

Ontem estivem a colaborar na apresentaçom de um magnífico livro do meu amigo Alberte Momán: “A crise irreductible”. Este livro contem três poemários que prometem dar que falar em muitos sentidos. Recomendo vivamente a leitura desta nova trilogia do autor ferrolano. Nom quero adiantar demasiadas cousas, porque nom quero estragar a ninguém o descobrimento do muito elaborado mundo “momaniano”, aliás, nom é do livro de Momán que quero falar. Muito mais menciono o acto de apresentaçom de “A crise irreductible” no Centro Social Gomes Gaioso porque o meu encontro com Momán serviu, como sempre para conversarmos sobre os avatares, glórias e misérias da cena cultural galega.

Fazer cultura na Galiza é resistir e às vezes sofrer. Ganhar a pulso todos os dias a batalha da visibilizaçom num povo que maioritariamente vira as costas a qualquer manifestaçom cultural que nom venha avalizada polo poder mediático. Comentávamos o Alberte e mais eu que a imprensa oficial martiriza os vultos da cultura galega a partir do preconceito de que o pensado em galego sempre é inferior, medíocre e subvencionado. Que nas entrevistas que se publicam transparecem um aquele de piedade e paternalismo bastante insuportáveis. A cultura séria, de verdade e que ganha, como é natural, as preferências do grande público, é a pensada em espanhol ou em inglês… mas principalmente em espanhol.

Nom vamos ser ingénuos. É claro que isto acontece. Estou a falar de algo que todos conhecemos. E nom é um acaso. Obedece ao papel que jogam os media radicados na Galiza na aculturaçom da nossa sociedade. Apagar qualquer possibilidade de que o povo galego tenha referentes próprios que reforcem a sua auto-estima colectiva.

A cousa é que, depois da apresentaçom, ainda estivemos a cear e a botar-lhe umhas cervejas e dixo-me outra amiga (Maria Xosé Silvar, umha pessoa muito comprometida com a música tradicional e nom tam tradicional) que já era umha realidade a liquidaçom do programa “Aberto por reformas”, da Rádio Galega. Nada surpreendente, porque o próprio condutor do programa, Xurxo Souto, já nos comentara há tempo que estava convencido de que lhe ficava pouco ali. Obviamente, ninguém esperava que, com a mudança de governo, o Souto continuasse de chefe de programaçom; agora que, no que di respeito ao programa, o proceder poderia ter sido, ainda retirando-o da grelha, mais elegante, mais transparente, mais… de outra maneira. Ainda que nom tenha também dúvida qualquer de qual é a mensagem que o novo poder do PP pretende transmitir agindo desta maneira… evidentemente, quer fazer notar que agora mandam eles.

A cousa é que “Aberto por reformas” era incómodo, porque era umha janela a um aspecto do país que nom agrada ao casposo e reaccionário PP. Que em “Aberto por reformas” se desse notícia da actividade cultural galega, que se desse notícia do que faziam os músicos galegos, claro, nom podia ser. Os fascistas, manipuladores, reaccionários nom costumam gostar de dar voz àqueles que nom os adulam. E a cena musical galega tem umha aceitável vitalidade de uns anos atrás para aqui, o que acontece é que essa cena musical galega/em galego está, como é lógico, muito em ligaçom com a reivindicaçom dos nossos direitos como povo e é portanto crítica  com o projecto social destes que mandam agora.