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Vigência da Revoluçom socialista

Domingo, 7 Junho 2009Um Comentário

Tese apresentada polo secretário-geral do nosso partido, Carlos Morais, às XIII Jornadas Independentistas Galegas, decorridas no passado 30 de Maio em Compostela.

Carlos Morais

A revista dominical de um jornal espanhol, conservador e monárquico, empregando a terminologia politicamente incorrecta imposta após a implosom da URSS, publicava a inícios de mês umha entrevista a José María Aznar. Carente de qualquer interesse, mais que promocionar o seu último livro e deste jeito seguir fazendo caixa, o ex-presidente do governo espanhol entre 1996-2004 afirmava no seu estilo directo que “eu sei como sair da crise”. Obviamente, além da autopropaganda do máximo responsável da bolha imobiliária e da economia especulativa do tijolo vigorante nessa etapa, das reformas laborais contra trabalhadoras e trabalhadores, as suas receitas actuais continuam a ser idênticas ao pacote de medidas neoliberais desenvolvidas na década de oitenta por Felipe González, aceleradas após a descomposiçom do socialismo soviético, e cujo resultado real nom se pode disvincular da profunda crise sistémica que actualmente padece o capitalismo em escala mundial.

Ainda que para acalmar a preocupaçom e a raiva geral tenham inventado a cúrsi expressom de “rebentos verdes” (‘brotes verdes’ em espanhol), as previsons dos bancos centrais e dos principais organismos internacionais capitalistas (Fundo Monetário Internacional e Banco Mundial) prognosticam umha crise longa e profunda.

A economia norte-americana sofreu no primeiro trimestre deste ano umha contracçom de 1.6%, atingindo três trimestres consecutivos negativos, no que se considera o pior semestre desde 1958, algo que nom sucedia desde 1974, em plena crise do petróleo.

As previsons do Banco de Espanha e da Comissom Europeia constatam que a fragilidade estrutural do capitalismo espanhol provocará umha serôdia recuperaçom. Os especialistas da economia de mercado consideram que o Estado espanhol será dos últimos a sair da recesom.

Contrariamente às previsons do governo de Zapatero, o PIB a nível estatal retrocedeu 1.8% no primeiro trimestre, a maior queda desde 1960, e as previsons anuais calculam que a queda chegará a 3.5%. A conseqüência mais grave da crise económica que provoca umha profunda queda de consumo é o incremento descontrolado do desemprego. Na Galiza, a queda do PIB foi de 2.1%, superando a estatal, contando já com mais de 250.000 trabalhadoras e trabalhadores em desemprego.

Estes adversos diagnósticos que todos os dias recolhem os meios de comunicaçom burgueses evidenciam a gravidade da situaçom, mas também a transparência na sua difusom permite avaliar o verdadeiro estado da situaçom da luita de classes.

A burguesia descarta obviamente qualquer outro cenário que nom passe pola recomposiçom capitalista. As recentes reunions do G-8 e do G-20 tentárom coesionar as principais potências e tranquilizar a burguesia mundial perante esta grave situaçom.

O debate enquadra-se pois nas medidas a adoptar e nos prazos para superar a queda do PIB e a progressiva destruiçom de emprego sem renunciar à fabulosa taxa de ganho que vem desfrutando a burguesia nas últimas duas décadas.

Paradoxalmente, também o conjunto de agentes sociais, empregando novamente a terminologia pós-soviética, tam só procuram contribuir para superar a recessom. Isto significa que o sindicalismo e a representaçom institucional operária -as forças que teoricamente situamos no ámbito da esquerda- descartam avançar na reconstruçom do bloco histórico anticapitalista, e tam só pretendem aproveitar esta adversa situaçom para incrementar o seu peso e influência institucional-eleitoral nas democracias burguesas, para assim reproduzirem e perpetuarem os privilégios dos aparelhos burocráticos.

A fraqueza da esquerda, do movimento popular e basicamente da esquerda revolucionária está impossibilitando umha resposta acorde com as necessidades e a realidade. Em escala mundial constata-se umha preocupante incapacidade para impulsionar luitas, organizar trabalhadores e trabalhadoras, disputar a direcçom do sindicalismo pactista ao reformismo, promover combates, difundir a alternativa socialista, criar condiçons subjectivas revolucionárias. Dramaticamente, o movimento operário nom tem de momento capacidade para aproveitar a mais dura crise capitalista desde a Segunda Guerra Mundial para golpear o capitalismo. As mornas e tranquilas mobilizaçons do passado 1º de Maio som a expressom desta carência para estar à altura que as circunstáncias reclamam, que a situaçom exige. “O risco de umha grave crise social” a que aludia há uns dias Robert Zoellick, presidente do Banco Mundial, é real, é tangível, é possível, mas necessita de organizaçom para que se transforme em revoluçom de orientaçom socialista.

Novamente as condiçons objectivas som insuficientes para avançar na transformaçom social se nom forem acompanhadas pola organizaçom operária e popular, polo incremento e radicalizaçom das luitas e os combates.

Sem consciência, sem capacidade de criar a subjectividade imprescindível para mudar a realidade, nom é possível transformá-la.

1- A dissoluçom da URSS

A dissoluçom da URSS, em Dezembro 1991, supujo para a classe trabalhadora, os povos e as mulheres umha catástrofe de incalculáveis conseqüências. A quase duas décadas destes sucessos que abalárom o mundo e a esquerda -depois de convulsos e canalhescos anos de abandonos, traiçons, naufrágios, oportunismos, deserçons- ainda nom se recuperou, ainda nom nos recuperamos.

O que agora sucede exemplifica, constata empiricamente, as enormes dificuldades de recomposiçom e capacidade de adaptaçom a umha nova situaçom na maioria dos casos imprevista mas, porém, suficientemente analisada e prognosticada desde finais do século passado polo mais lúcido da esquerda mundial.

O movimento operário em escala internacional carece da suficiente musculatura. Ainda nom foi capaz de recuperar a fibra perdida imprescindível para superar a estado de atonia e resignaçom em que se acha. Mais acentuado, se cabe, no específico caso galego.

Há camaradas que, baseando-se nos adversos prognósticos económicos, consideram que, como o pior ainda está por vir, devemos ser optimistas e confiar na enorme capacidade de reacçom e combate da nossa classe. Sendo acertada esta reflexom, pois à medida que as condiçons de vida se deterioram, à medida que a destruiçom do emprego incrementa, à medida que já nom é viável manter esse modelo de vida virtual que posssibilitava a importantes segmentos operários umha capacidade de consumo e poder aquisitivo mais próximo das classes médias que do proletariado, a actual desconfiança e medo ao futuro que se foi instalando na nossa formaçom social, vai derivar inexoravelmente em luitas e combates.

No entanto, sem a existência de vigorosas organizaçons revolucionárias de orientaçom socialista no interior dessas luitas, estas nunca passarám de estalidos pontuais, de revoltas sociais, de explosons espontáneas, fáceis de controlar e reconduzir, pois serám rapidamente sufocadas pola repressom, pola via pactista promovida polo reformismo, pola cooptaçom dos seus líderes, ou bem por umha combinaçom de ambos os factores. Os acontecimentos na Argentina na mudança de século exprimem as enormes limitaçons do espontaneísmo carente de organizaçom e direcçom política revolucionária.

2- Um ciclo de luitas operárias sem direcçom política

Estamos a assistir na Galiza a um novo ciclo de luitas contra o encerramento e a deslocaçom de empresas, pola negativa do patronato a pactuar convénios colectivos semelhantes aos atingidos há bem poucos anos. O metal do sul do País, basicamente a construçom naval, mas também o vinculado com a indústria do automóvel, a indústria têxtil e alimentar, o telemarketing -entre muitos outros sectores da nossa economia produtiva- acham-se em conflito permanente. Porém, até o momento a resposta sindical nom supera luitas parcias e controladas, na imensa maioria dos casos esterilizadas por umhas burocracias corruptas e pactistas que nom querem ver perder os seus privilégios.

Pola sua orientaçom som conflitos que de partida estám em boa parte condenados à derrota pois fundamentalmente nom superam o imprescindível ritualismo que o sindicalismo pactista necessita para aparentar e justificar a sua existência, e também para evitar o descontrolo e radicalizaçom que adopta a classe operária em luita quando é agredida, quando ve perigar o seu posto de trabalho.

Com um ano de crise, é difícil de entender como a greve geral, como umha das principais armas defensivas e ofensivas proletárias frente as agressons operárias, está a ser descartada polo sindicalismo espanhol amarelo, que continua a teimar nas virtudes da negociaçom e do pacto social. Mas tampouco o sindicalismo galego mostra verdadeira vontade de empregar esta ferramenta para além da retórica de rigor no 1º de Maio.

As últimas três décadas de planificada destruiçom do sindicalismo de classe, de despolitizaçom, de fagocitizaçom da liderança operária, de mudança radical das regras laborais por mor das permanentes reformas implantadas, após os Pactos da Moncloa, polos sucessivos governos do PSOE-PP, de alienaçom e embrutecimento ilimitado das novas geraçons assalariadas que se fôrom incorporando ao mercado de trabalho, possibilitárom as contínuas agressons, facilitárom a implementaçom de um cenário laboral onde boa parte das conquistas atingidas na última década do franquismo simplesmente já nom existem.

Hoje, o patronato dá-se ao luxo de submeter a classe trabalhadora a práticas infames como a extorsom da congelaçom salarial para manter os postos de trabalho, ou solicitar sem complexos novas reformas laborais tendentes a flexiblizar ainda mais o despedimento e reduzir os direitos laborais.

Assim, esta atmosfera derrotista que arrasta a esquerda ocidental desde há décadas é a que possibilita que num sector com tradiçom de luita e forte sindicalizaçom como o naval do sul da Galiza o patronato se atreva a ameaçar o proletariado com respostas contundentes se prossegue a luita. Mais repressom policial, criminalizaçom dos sindicatos amarelos e pactistas que intervenhem no conflito, fôrom as principais conclusons da reuniom realizada em Vigo a meados deste mês por centenas de patrons. A burguesia é insaciável, nom quer pagar a sua crise. Nom socializou o ganho e agora quere que sejam as trabalhadoras e os trabalhadores os que paguem as dificuldades que atravessa a economia de mercado.

O dano provocado na consciência operária e popular pola queda da URSS foi tam grande que conseguírom converter em natural e “normal” as mais abjectas formas de exploraçom e dominaçom. O que hoje um jovem operário médio simplesmente nom questiona, há vinte anos nom se atrevia a defendê-lo publicamente a fracçom mais predadora da burguesia.

É pois imprescindível reconstruir a esquerda revolucionária. Sem organizaçom operária e popular, as luitas estám condenadas ao fracasso ou, no melhor dos casos, simplesmente a atrasar novos e mais retrocessos salariais e laborais.

3- A esquerda revolucionária na Galiza

As perspectivas da luita anticapitalista no nosso país estám vinculadas com o desenvolvimento de forças enquadradas nos parámetros socialistas.

Porém, para podermos avaliar com rigor as possibilidades reais de avançar na recomposiçom desta necessária ferramente defensiva de combate que necessita a classe operária e o conjunto das camadas populares, é imprescindível realizar um diagnóstico da sua actual situaçom.

A dependência nacional que padece a Galiza polo projecto imperialista do capitalismo espanhol impossibilita ser conseqüentemente de esquerda revolucionária sem defender a plena soberania nacional. Nom podemos considerar-nos, reclamar-nos esquerda revolucionária sem questionarmos e denunciarmos um dos paradigmas sobre os quais o capitalismo espanhol se constrói: esse cárcere de povos denominado Espanha.

A independência nacional, ter como objectivo estratégico construir um Estado galego de carácter operário, é a principal tarefa d@s revolucionári@s galeg@s na actual fase histórica do processo.

O atraso e a pobreza endémica, a marginalizaçom histórica que padece Galiza e, portanto, essa imensa maioria social que conforma o Povo Trabalhador, está indissoluvelmente ligada à carência de soberania, está provocada pola opressom nacional a que se vê submetida por Espanha.

A Revoluçom Socialista Galega tem como objectivo prioritário recuperar a soberania nacional do País. Sem independência nacional nom é viável construir o Socialismo, avançar numha sociedade sem classes respeitosa com o meio ambiente, superadora da opressom e dominaçom de género, étnica, geracional, ecológica, intrínsecas a economia de mercado.

Embora a prática totalidade das forças que se podem enquadrar nos parámetros antissistémicos defendam o projecto independentista, há sectores, colectivos e individualidades refractárias, com distintos graus e matizes, a este princípio.

O desenvolvimento e vigor que atinja a esquerda independentista e socialista galega condicionará a evoluçom e plena assunçom destes postulados, determinará a ruptura com estas erróneas interpretaçons do eurocentrismo que provoca enquadramentos chauvinistas e coincidências com os inimigos de classe.

Tal como no conjunto do planeta, a queda do muro de Berlim em 1989 e posterior implosom da URSS em 1991 provocou um enorme cataclismo nas forças de esquerda deste País. Contodo, os efeitos nom fôrom idênticos no seu conjunto nem provocárom similares reacçons. Vejamos pois que aconteceu:

  1. O reformismo autóctone, representado naquele momento pola UPG, e polos sectores aliados ou sob a sua influência no BNG, optárom por praticar um certo autismo. Nom devemos esquecer que a UPG e o BNG vinham mantendo umha posiçom errática. Por inércia e em contraposiçom as posiçons reaccionárias apoiárom o “golpe de estado” de Agosto de 1991 na URSS, embora previamente tivessem mantido formalmente umha sintonia com a perestroika, com as reformas promovidas por Gorbachov, mas posteriormente nom quigérom assumir a gravidade dos acontecimentos, negando-se a realizar as necessárias adequaçons tácticas e estratégicas imprescindíveis para se adaptar à nova situaçom geopolítica gerada. Optárom polo mais fácil no momento: por minimizar as conseqüências e considerar que o fim da URSS e a restauraçom do capitalismo nesta imensa área planetária estava provocado fundamentalmente por causas exógenas, pola agudizaçom da corrida de armamentos promovida pola administraçom Reagan.

Se bem inicialmente nom cedêrom no plano retórico e tampouco no imaginário às pressons da ofensiva ideológica do capitalismo, tampouco se atrevêrom a realizar umha avaliaçom sobre as causas do fracasso do socialismo soviético, pois a falta de sintonia interna teria acelerado o processo de fractura iniciado poucos anos antes. Mas na prática a descomposiçom do bloco soviético precipitou o seu particular “aggiornamento eurocomunista” e posterior reconversom em força sistémica.

  1. O independentismo operativo naquela altura interpretou os acontecimentos de forma diversa. O sector nucleado à volta da APU optou precipitadamente por abandonar a reivindicaçom socialista, seguindo a trajectória imperante em importantes organizaçons reformistas como o PCI, mas também entre destacados núcleos da esquerda revolucionária. Deste jeito, esta corrente, que naquele momento praticava umha estratégia político-militar, aprofundou na deriva essencialista, abraçando um difuso interclassismo. Nom podemos desconsiderar que a queda da URSS danificou profundamente o seu já de por si inconsistente cerne ideológico, o que unido à adversa situaçom em que se achava o projecto que impulsionava foi determinante para a sua imediata dissoluçom em 1995, depois de vários anos de prática inactividade.

O resultado destes factos som hoje constatáveis na desfeita ideológica pós-marxista e mutaçom anarquizante em que se acha imersa boa parte desta tradiçom política.

A outra corrente, que vinha de cindir-se em 1987 da UPG, representada polo PCLN e posteriormente metamorfoseada na actual FPG, mantivo-se fiel à mais pura ortodóxia pró-soviética na hora de interpretar as causas da queda, negando-se da mesma forma que a sua matriz a assumir as nefastas conseqüências para a luita de classes dos acontecimentos em curso. Como nom há pior cego que aquele que nom quer ver, posteriormente esta carência de coragem teórica para avaliar o passado, e simultaneamente ressituar a plena vigência do projecto socialista, provocou um processo de agónica crise e descomposiçom político-ideológica ainda vigorante.

  1. Sobre as cinzas do obsoleto modelo soviético, entre a maior ofensiva anticomunista no plano ideológico da história, no seio de incompreensons teóricas e do derrotismo geralizado, nos anos posteriores à desfeita, sentam-se as bases da força política que hoje organiza estas Jornadas.

Primeira Linha é resultado da natural convulsom que provocárom os factos na esquerda mundial e da errónea interpretaçom dos mesmos por parte do independentismo de esquerda operante na Galiza naquela altura. O profundo convencimento teórico sobre a caracterizaçom do socialismo realmente inexistente, unido à intuiçom que nos proporcionavam as ensinanças de Marx, mas também as de Lenine e o Che sobre a inevitavilidade da restauraçom capitalista a partir da burocratizaçom e desnaturalizaçom da Revoluçom Bolchevique -devida basicamente à destruiçom da democracia socialista e à deriva chauvinista do socialismo num só país-, permitiu fazer frente ao devastador tsunami que padeceu a esquerda nos anos prévios à viragem de século. Contra vento e maré, sentamos as bases de um partido comunista de novo tipo, hoje modesto, mas com a necessária coesom política-ideológica para cumprir o papel que lhe corresponde na actual fase do processo galego.

Isto nom impossibilita que reconheçamos sem complexos que as nossas limitaçons e carências organizativas nom lográrom ainda, nestes quase três lustros de trajectória, atingirmos umha parte dos objectivos marcados. Porém, aquele reduzido núcleo de inexpert@s jovens estudantes e desempregad@s que entre 1995 e 1996 sentou os alicerces do que hoje somos, conseguiu umha mínima consolidaçom política, transformando-se numha modesta organizaçom com umha maioritária composiçom de classe e um genuíno programa proletário, com umha média de idade mais próxima dos trinta que dos vinte.

Os avanços logrados na introduçom no mundo do Trabalho, espaço prioritário da organizaçom comunista, som claramente insuficientes, mas som reais e tangíveis. Na realidade, um partido comunista revolucionário tem que procurar permanentemente alargar e aprofundar a sua implantaçom nas fábricas e centros de trabalho.

Reconhecemos também que tampouco conseguimos ainda dotar-nos da rede de quadros imprescindível para dar saltos quantitativos e qualitativos na intervençom social e política. Eis o principal repto que temos para seguir sendo umha ferramenta útil à Revoluçom Galega.

Apesar de termos centrado umha boa parte dos nossos recursos e esforços na vertebraçom do movimento de libertaçom nacional galego, procurando construir espaços de convergência e unidade; apesar de termos contribuido activamente na articulaçom de todas -sem excepçom- as iniciativas unitárias ensaiadas desde 1999 até a actualidade, assumimos com honestidade a quota de responsabilidade que nos corresponde na incapacidade para superarmos a fragmentaçom cainita que acompanha o desenvolvimento da esquerda independentista galega. Como um dos principais agentes deste movimento, temos pois evidentes responsabilidades na hora de avaliar a incapacidade colectiva para superar as luitas intestinas que arrastamos.

Porém, diferentemente do resto dos sujeitos, ou polo menos da imensa maioria, tanto por razons geracionais, como sobretodo políticas e ideológicas, nom procedemos do tronco comum do nacionalismo galego contemporáneo germolado na metade da década de sessenta. Eis a nossa principal originalidade e identidade.

Nom só somos -sem lugar a dúvidas- um dos primeiros partidos comunistas criados na Europa Ocidental após a desfeita do socialismo soviético, carecemos das limitaçons genético-estruturais do minimalismo pequeno-burguês forjado pola UPG durante décadas. Isto vacinou-nos frente o complexo de Édipo e de Hamlet que devora e incapacita a parte do movimento de libertaçom nacional para avançar na definitiva ruptura com o regionalismo.

Mas, apesar disto, nom podemos nem queremos negar que somos filhos e filhas deste país, das suas limitaçons e contradiçons deste Povo, e portanto nom nos consideramos alheias a elas.

4- Pola reconstruçom da esquerda revolucionária

A tomada do poder deve continuar a ser o objectivo estratégico de qualquer força revolucionária socialista. O dever de qualquer revolucionári@ é fazer a revoluçom. Lamentavelmente estes simples princípios políticos nom som nos dias de hoje maioritários no seio da esquerda a escala mundial, e muito menos da que existe na Galiza. Mesmo entre as esquerda que se considera revolucionária, nom está assumida como factível, sendo em muitas ocasions circunscrita ao fechado ámbito do debate teórico.

A queda da URSS e do seu modelo som em parte responsáveis polas tendências à dispersom, à sectorializaçom, às intervençons locais, a ausência de perspectivas e derrota estratégica da maioria dos sujeitos sociais que na actualidade operam com maior ou menor vigor, com maior ou menor fortuna, neste país.

O veneno do posmodernismo inoculado em boa parte dos activistas sociais que promovem respostas sectoriais e locais às agressons do neoliberalismo na nosso meio ambiente, território e tecido económico, impossibilita muitas vezes que as luitas superem certos limites, que os programas se despreendam de ambiguidades, que os conflitos sobrepassem a fase magmática, que abandonem os labirintos e os idealismos de renovados falanstérios.

Nom existe vocaçom de confluência, de encontro, de contribuir para construir a unidade popular, de avançar na direcçom de gerar contrapoder e disputar a hegemonia o sistema capitalista em todos os ámbitos plausíveis.

Deste jeito, os principais movimentos sociais que confrontavam as políticas continuístas do governo PSOE-BNG fôrom incapazes de promover umha alternativa política à lógica dos partidos sistémicos que questionavam porque nunca pretendêrom tal objectivo, e porque o seu accionar político-social sempre desconfiou da representaçom política e das organizaçons revolucionárias, optando por promover iniciativas baseadas no simples “movimentismo táctico”, que antes ou depois sempre volta ao seu lugar de origem.

Para podermos contar com essa esquerda revolucionária coerente e consciente de que a Revoluçom nom será resultado de umha maioria aritmética, nom só devemos avançar na confluência entre movimentos sociais e forças revolucionárias, entre o ámbito do político e do social, devemos superar as tendências canibais e as pulsons sectárias que nos afogam. Levamos muito tempo reflectindo e procurando soluçons a isto. Para muita gente investindo excessivos recursos, para outra claramente insuficientes. Porém, continuamos convencidos de que sem a unidade da esquerda revolucionária nom é viável que na Galiza tenha lugar um processo revolucionário. Hoje a esquerda imprescindível para avançar nesta direcçom está excessivamente fragmentada em núcleos reduzidos e na maioria dos casos lastrada de dificuldades enormes para intervir.

Mas nom som única nem basicamente problemas de convivência, de respeito ao pluralismo ideológico os que impossibilitam superarmos esta fase.

Para atingir esse cenário previamente ou polo menos simultaneamente é imprescindível superar três síndromes que passo a enumerar:

1- A plena emancipaçom política do autonomismo. Psicologicamente, umha parte da esquerda independentista ainda continua instalada na nostalgia idealizada do passado e impossibilitada para dar passos firmes, definitivos e irreversíveis na ruptura. O regionalismo, agora em plena lavagem de cara, nom tem arranjo nem com umha completa e global lipossucçom.

2- O pánico a fazer balanço e contas com o passado. Portanto, a abandonar esse conservadorismo, essas inércias, esses fetichismos que a abafa e esteriliza para agir com eficácia no século XXI. Sem entender e digerir as causas da queda da URSS, assumi-la como umha tragédia inevitável, mas nunca como o fracasso do Socialismo, nom há hipóteses de incidir com sucesso na formaçom social galega.

3- Resistência a realizar as adequaçons teóricas imprescindíveis que permitam entender as profundas alteraçons produzidas na morfologia de classes da Galiza e na mentalidade das novas geraçons autóctones e nos contingentes do mundo do Trabalho que procedem de outras latitudes geográficas. Nom se pode continuar a repetir mecanicamente paradigmas que já nom se podem contrastar com a realidade.

Mas, ainda assim, isto é insuficiente para estimular no sector social mais permeável ao discurso da esquerda revolucionária, que insisto tem que ser independentista, o suficiente entusiasmo de construirmos algo novo, no qual realmente pague a pena involucrar-se.

Novamente voltamos à importáncia da subjectividade, das crenças. A nossa esquerda revolucionária necessita recuperar a importáncia da épica e da mística.

A luita contra um inimigo tam poderoso como é Espanha e o Capital numha formaçom social tam modesta como a galega nom só necessita de umha militáncia disciplinada e bem organizada, entregada e combativa, politicamente preparada e ideologicamente formada, também precisa milhares de homens e mulheres que acreditem fervorosamente num ideal, na superioridade moral do seu projecto e, portanto, na necessidade de entregar o melhor da sua inteligência e talento à causa a que tenhem consagrada a sua vida. Disponibilidade e intençom de fazer parte desse degrau mais alto da espécie humana, como o Che maduro definiu as revolucionári@s em Agosto de 1967 no Diário da Bolívia.

Todos os processos revolucionários, todas as grandes luitas que alterárom as injustas ordens sociais impostas, contárom sempre com esse imprescindível, embora sempre minoritário núcleo de combatentes forjados na adversidade da luita, com plena disponibilidade para a servirem com humildade e ilusom, da forma mais eficaz. Sem elas, sem eles, sem a sua constáncia, abnegaçom, tenacidade, estoicismo, nom teria sido possível o triunfo bolchevique de Outubro de 1917, o do Exército Rebelde cubano em Janeiro de 1959, o vietnamita em Abril de 1975, o sandinista em Julho de 1979.

A causa galega nom se pode entender sem o sacrifício de Antolim Faraldo, de Alexandre Bóveda, de Benigno Álvares, de José Gomes Gaioso, de Henriqueta Outeiro, do Foucelhas, de José Castro Veiga o Piloto, de Amador e Daniel, de Moncho Reboiras, de Abelardo Colaço, de Lola Castro, de José Vilar, e de centenas e centenas de anónimos combatentes que ao longo da nossa história de resistência nacional e de classe entregárom o mais preciado que temos, a vida, para avançar na conquista de umha Pátria libertada e Socialista. Hoje nós nom seríamos nada sem eles, sem elas.

Aqui nom se necessitam hooligans, nem fanáticos, sim militáncia apaixonada e corajosa, que supere as enormes carências que padecemos com criatividade, voluntarismo e confiança na nossa classe e no nosso povo.

5- A Revoluçom nom só é possível, é necessária

O mundo de 2009 é muito diferente ao de 1989 quando as televisons retransmitírom em directo a queda do muro de Berlim, no que talvez foi umha das mais elaboradas e eficazes campanhas de propaganda imperialista. Hoje há mais muros que há duas décadas. Sem dúvida som mais elevados, mais sofisticados e mais mortais. Na fronteira norte-americana com o México, na Palestina cercada polo fascismo sionista, nas areias do Saara, nas colónias espanholas no norte de África, levantárom-se muros de cimento e vergonha contra os párias da terra, contra os anelos e direito à liberdade de povos inteiros. Outros invisíveis, mas nom por isso máis fáceis de ultrapassar, percorrem as fronteiras sul de Europa e as terminais dos seus aeroportos evitando o fluxo de pessoas, esperanças e sonhos entre o Sul e o Norte.

Polas valetas dos caminhos destes vinte anos que estas Jornadas pretendem analisar ficárom as amáveis e sempre possibilistas terceiras vias que o imperialismo promocionou para enfraquecer a esquerda real.

Os verdes alemáns acabárom de ministros da NATO e apoiando a energia nuclear; o novo laborismo de Tony Blair acompanhando Bush e Aznar na fotografia de criminosos de guerra das Açores e implementando similares políticas socioeconómicas da etapa de Margaret Thacher; os partidos socialistas e pseudocomunistas de meia Europa reproduzindo idênticas políticas contra a classe operária e em prol da burguesia.

Aqui vimos de ser testemunhas activas do combate contra o governo bipartido PSOE-BNG, submetido aos ditames dos donos deste País e genuflexo às directrizes de Madrid e Bruxelas. Os Foros Mundiais transformados em inofensivas reunions de pogres que praticam turismo político; o movimento antiglobalizaçom desactivado polas suas contradiçons estruturais ao carecer de umha estratégia de poder.

Fomos e somos educad@s no pensamento único, esse que afirma que a Revoluçom nom é possível.

Mas hoje o capitalismo está em profunda crise. Este modo de produçom está senil e decrépito, mais ainda nom está completamente esgotado, e ainda menos morto. É pois o momento de acelerar o combate, de defender sem eufemismos nem calculadas ambigüidades a necessidade de superá-lo. Nom para o melhorar, nem para o fazer mais humano, nem para redistribuir melhor os enormes lucros da burguesia com taxas, 0,7, sistemas bancários alternativos…

Isso fai parte do passado. Está superado polas necessidades. Som os ricos que tenhem que pagar a crise. Eles e só eles.

Já tampouco servem apelos indefinidos a outros mundos possíveis. Pode ser útil para a acumulaçom táctica de forças mas sempre com um horizonte claro e preciso: o Socialismo. Mas o Socialismo sem aditivos nem corantes, sem maquilhagens nem liftings. Há que apostar no Socialismo genuíno, o que Marx acertadamente denominou científico frente ao utópico.

E este, lamentavelmente, nom vai ser possível atingi-lo de forma tranquila e sossegada. Nom vam deixar avançar nesta direcçom sem empregar todos os meios dos que disponhem para o impedirem. A experiência histórica assim o constata. E mesmo hoje processos tam contraditórios como o venezuelano ou o boliviano padecem a permanente hostilidade do imperialismo.