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A “Roja”, aríete da espanholizaçom

Quarta-feira, 27 Maio 20092 Comentários

 

Ramiro Vidal Alvarinho

 

Tod@s aqueles e aquelas que nos sentimos revolucionári@s ou, quando menos, dissidentes do regime bourbónico, contemplamos divertid@s o espectáculo do Rei de Espanha a entrar no estádio de Mestalla, em València, para presidir a final da “Copa del Rey” de futebol (que quijo o acaso que este ano fosse disputada polo Athletic de Bilbau e o F.C. Barcelona) entre os apupos e os assobios do público que, na sua maioria, rejeitava a monarquia espanhola por motivos que tod@s conhecemos, ainda que aqueles a quem custa aceitá-lo prefiram esquecê-los.

Sim, é traumático reconhecer para o espanholismo mais pró-bourbónico que a maioria da sociedade basca e a maioria da sociedade catalá rejeitam a monarquia espanhola, a máxima instituiçom do Estado espanhol, porque precisamente simboliza a negaçom da sua identidade e da possibilidade de exercer os seus direitos como povo. A estupidez dos responsáveis da televisom pública espanhola amplificou o alcance de um gesto de pura liberdade de expressom, unida esta à ineptitude intelectual da classe política espanhola. Das lapidárias declaraçons de Fernández de la Vega e de Rajoi, o seu compatriota Quevedo podia fazer três ou quatro livros de versos satíricos.

De todas as imbecilidades que saírom da boca dos políticos espanhóis para avaliar o que nesse dia aconteceu, fico com essa maravilhosa ideia de que nom se deveria misturar desporto com política. Curioso que o digam quando o torneio em questom se chama “Copa del Rey”, ou seja, é umha competiçom oficial que serve para dar prestígio à monarquia, ou se calhar é ao contrário; talvez será ao contrário, mas quando se mete a figura do rei polo meio, em qualquer caso, já se está a dar ao tema aquele cariz de adesom ao regime que irremediavelmente o politiza, afora as hipocrisias.

Em qualquer caso, neste artigo eu nom tinha o cometido de analizar o que aconteceu na “acidentada” final da “Copa del Rey”. Introduzim-no falando do facto, porque me pareceu um bom exemplo de cómo o poder fai política com o desporto ainda que nom aceite que os de embaixo utilizemos eventos organizados desde as instituiçons do Estado como cenário para as nossas reivindicaçons. Os que mandam som os que decidem como e quando se politiza e, naturalmente, nunca reconhecerám que a instrumentalizaçom política que eles operam seja talmente umha politizaçom.

Eu queria-me muito mais referir-me ao facto de que, segundo anunciou a Real Federación Española de Fútbol, a selecçom espanhola de futebol vaia jogar no estádio de Riazor no próximo 5 de Setembro (brincadeiras do destino: o actual director desportivo da selecçom espanhola foi apupado em Riazor vestindo a elástica de Espanha; virá o Fernando Hierro desta vez?)

O caso é que a selecçom espanhola nom vem à Galiza se nom é porque alguém solicita que venha. E o anúncio da próxima vinda da selecçom espanhola, produz-se depois de umha patética sessom de fotos de Núñez Feijó com o Presidente da RFEF Jesús María Villar. A foto de Feijó a segurar, triunfal, a taça da Europa de selecçons que ganhara a “Roja” no Verao passado transmite muito a nível gráfico. Transmite identificaçom com a selecçom espanhola e também quer ser umha mensagem para aqueles e aquelas que, na Galiza, nom sentem a espanhola como selecçom própria… Evidentemente está a dizer: “esta é a selecçom de verdade, a que ganha títulos…” mas enfim, com a pacência que nom nos fica mais remédio que ter, haverá que enfriar a euforia de Feijó recordando-lhe que os logros desportivos da Espanha estám sementados com a negaçom do direito a participar de outr@s, incluíd@s nós.

Nom é um segredo para ninguém que ao PP nom lhe chistavam nem um bocado os jogos da selecçom galega, porque sabia em que podiam derivar. De facto, nom se vai seguir polo caminho de fomentar as selecçons desportivas galegas. O Secretário Geral de Desportos da Junta já dixo publicamente que “nom se iam detraer fundos públicos” para organizar jogos da selecçom galega, e neste caso referia-se à de futebol mas é imaginável que igual que com o futebol se fará com todas as disciplinas desportivas. Dizia também que os jogos da selecçom galega “nom se iam proibir”, mas que a sua organizaçom dependeria da vontade da Federaçom Galega. É umha maneira um bocado “diplomática” de se safar do compromisso; supomos que nom havendo “detracçom de fundos públicos” para finalidades que eles nom consideram desportivas o que se fará é voltar à velha política desportiva do fraguismo de presentear dinheiro aos amigos e aduladores em troca de nada ou, em todo o caso, de fidelidade política. 

Veremos a transparência com a que agem os novos gestores da política desportiva da Junta. Em qualquer caso, a jogada de Feijoo com a selecçom espanhola fai-nos temer que vamos ter que suportar altas doses de caciquismo, arbitrariedade e propagandismo. Os mesmos que denunciavam que a selecçom galega era umha arma política, forçam a presença da “Roja” em Riazor e nem sequer nos informam em que medida se vai implicar a Junta no assunto, também nom sabemos qual vai ser a implicaçom de outras instituiçons, como a Deputaçom Provincial ou as Cámaras Municipais da zona, que pressumivelmente também participariam de algumha maneira na argalhada. O caso é que a selecçom espanhola, e mais agora que é campeá da Europa, é umha ferramenta propagandística de primeira ordem, especialmente entre umha juventude despolitizada e acrítica (afortunadamente nom toda, pois precisamente umha das características do nosso movimento é a sua juventude) ou os sectores da populaçom com menos cultura democrática (as geraçons educadas no mais duro do franquismo) e, de rebote, a amplos sectores da populaçom cujos hábitos socioculturais giram à volta do futebol e que, sem necessariamente fazer do tema umha questom patriótica, gostam de que a selecçom espanhola venha para poder ver a parte das estrelas dessa liga que acompanham todas as semanas pola televisom. 

Toda essa massa arrastada a Riazor, pertrechada e caracterizada com parafernália cujo motivo seja predominantemente as cores da bandeira monárquica espanhola, adereçado todo esse mare magnum “rojigualdo” com outro tipo de símbolos espanhóis, tanto touros de Osborne como escudos franquistas e quem sabe se algumha simbologia neonazi… umha espécie de “vale-tudo” de exaltaçom espanholista, é o que necessita o PP nestes momentos e é o que procura. Pensar que o espectáculo da cidade da Corunha adubada com “rojigualdas” por toda a parte nom tem umha intencionalidade política clara, é próprio de ingénu@s. Afirmá-lo é de cínicos.

O que nom podemos permitir, de umha óptica minimamente progressista, é que a Corunha se converta no cenário de umha orgia espanholista paga com o dinheiro do povo, e menos que se converta num ponto de concentraçom de elementos ultras que ameacem a nossa integridade e a nossa dignidade, praticando as suas agressons sob o manto protector da massa e mesmo escoltados por umha polícia espanhola que invadirá a nossa cidade e será tam permissiva com os excessos dos indivíduos mais violentos dessa massa como expeditiva com qualquer intento de expressar disconformidade com toda a fanfárria que o PP e os seus amigos pretendem montar.

Por sorte, já começa a haver certa resposta social, por enquanto na rede, onde os foros começam a botar fume. Mas todo o corpo social que conformamos aqueles colectivos e indivíduos que defendemos a cultura própria, a língua própria e os símbolos próprios, e que consonte com isso reivindicamos o direito do povo galego a ter referentes próprios também no desporto temos que começar já a desenhar iniciativas que visibilizem o mal-estar e o desacordo com a presença da “Roja” na Corunha.