Abrente

Ediçons digitais da publicaçom trimestral do nosso partido

Documentaçom

Textos e outros documentos políticos e informativos de interesse

Ligaçons

Sites recomendados de ámbito nacional e internacional

Opiniom

Artigos assinados sobre temas de actualidade galega e internacional

Video

Documentos audiovisuais disponíveis no nosso portal

Home » Opiniom

E isto é a sustentabilidade?

Segunda-feira, 25 Maio 2009

Carlos Taibo
Nos últimos meses tenhem passado polos estudos de televisom e de rádio, e tenhem-se pronunciado nas páginas dos jornais, dezenas de dirigentes políticos, de economistas, de sindicalistas e de jornalistas, próximos do Governo ou próximos da oposiçom. Ainda que com freqüência discordem no que di respeito às medidas precisas que convém arbitrar, todos parecem concordar em algo importante: para deixar atrás a crise em curso há que recuperar a senda do crescimento económico e conseguir que acorde de umha vez por todas o consumo. 

Num planeta em que sobram os argumentos para afirmar que o crescimento nom gera coesom social, provoca agressons ambientales muitas vezes irreversíveis e propicia o esgotamento de recursos que nom estarám a disposiçom das geraçons vindouras, torna mais e mais urgente procurarmos, por isso, outros horizontes. Surpreende, no entanto, que muitos dos que figérom da sustentabilidade a sua bandeira de enganche prefiram contornar a conclusom de que nos países ricos temos que assumir quanto antes reduçons drásticas na produçom e no consumo, da mesma maneira que temos que repartir o trabalho em proveito de modelos que fagam da redistribuiçom da riqueza, da vida social, do ámbito local e do lazer criativo os seus alicerces.

Nada disto último se aprecia, nem de longe, nas posiçons que abraçam hoje nossos governantes, empenhados em levar avante diagnósticos sobre o que sucede tam errados como interessados. Recorde-se que há algo mais de um ano o presidente Rodríguez Zapatero eludia mencionar, nos seus discursos, a palavra crise. Depois inclinou-se por aleijar todas as culpas do que acontecia sobre os excessos que deu em exportar a economia norte-americana –nengumha correspondia, em troca, a um modelo, o espanhol, ao que parece em modo algum lastrado por fluxos especulativos de diversa índole–, para, nos últimos tempos, descarregar as suas iras contra umha bolha imobiliária que, segundo umha  singularíssima visom, nada teria a ver com as políticas encorajadas polo Partido Socialista a partir das mais diversas instáncias. Quanto tempo demorará Rodríguez Zapatero a reparar nas contradiçons flagrantes do que agora defende?

Nom há maneira de casar o omnipresente discurso da sustentabilidade com medidas como as que o Governo espanhol resolveu lançar em resposta à crise. Umha  delas é essa enlouquecida aposta na alta velocidade ferroviária que tanto agrada –dim– ao presidente norte-americano actual. A seu abrigo está claro que é o que nos vem em cima: umha  forma de transporte que reclama selvagens agressons contra o meio, propicia a desertificaçom ferroviária do grosso do território, é extremamente onerosa em termos energéticos e se traduz em preços inatingíveis para a maioria dos cidadaos.

Outra dessas medidas a contribui para a frenética construçom de novas autovias sem que ninguém explique convincentemente quem as vai poder utilizar no futuro, quando se disparem os preços das matérias-primas energéticas que empregamos. Que nom dizer, enfim, da inapresentável e discriminatória decisom de subsidiar com recursos públicos a compra de automóveis. Nom seria mais razoável que, longe de pensar nos interesses das grandes empresas, os nossos governantes ajudassem, antes bem, quem decidírom prescindir de um instrumento, o carro, que retrata cabalmente muitos dos elementos de insustentabilidade que aferrolham as nossas sociedades? Enquanto se apoiam com descaramento olímpicas parafernálias, por momentos desponta, enfim, a lamentável ladainha que dá conta da liderança espanhola em tecnologias verdes, quase sempre adubada, em acréscimo, com a triste defesa, também neste ámbito, da concorrência mais feroz.

Na verdade, os excessos transbordam o terreno da sustentabilidade. Para fechar o círculo, os nossos governantes repetem incansáveis que nom vam aceitar que sejam rebaixadas, em proveito dos empresários, as regras do jogo do mercado laboral. Começam a abundar as notícias, no entanto, que sugerem que o Partido Socialista estuda introduzir algumhas dessas rebaixas num cenário em que os empresários aos quais acabei de me referir nom tenhem muito de que se queixar: ao abrigo de umha precariedade que se impom por todo o lado, as normas imperantes tenhem permitido –nom se esqueça– um crescimento espectacular do número de desempregados, em muitos casos sem cobertura nengumha. 

Para nada faltar, entre nós optou-se por importar um modelo, o norte-americano, que defende medidas de socorro tam generosas como urgentes quando as entidades financeiras estám à beira da falência, mas nom actua com a mesma benevolência e energia quando som as economias dos trabalhadores –recorde às dezenas de milhares de imigrantes que contraírom hipotecas em condiçons próximas à usura– as que se acham com a água ao pescoço. 

Pois na verdade, os que nos dirigem, sempre renuentes a pôr o dedo na ferida do que supom um capitalismo predador e injusto –hoje, por verdadeiro, à deriva–, defendem, sim, o bem comum… desde que nom choque com os interesses particulares das grandes empresas. Que o digam, se nom, a Microsoft, que sem dúvida se apronta a tirar rendimento desse ambicioso programa que, caso se torne realidade, porá em maos de nossos meninhos um magnífico computador chamado a resolver magicamente as carências do sistema educativo que arrastamos.