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O fundamentalismo católico entra no Parlamento autonómico com passadeira vermelha

Quinta-feira, 21 Maio 20093 Comentários

Ramiro Vidal Alvarinho

A primeira proposta que levou avante o novo governo autonómico nom foi com o intuito de defender o pouco que fica dos nossos maltreitos sectores produtivos. Também nom foi qualquer medida para fomentar a criaçom de emprego. Nem para proteger de algumha maneira as pessoas desempregadas. Nom foi para facilitar o acesso à vivenda dos sectores sociais desfavorecidos. Nom foi para deter a vaga de destruiçom de emprego, penalizando os ERE’s e as deslocalizaçons.

A primeira iniciativa que se aprova no Parlamento, com o único apoio do PP, nem sequer é da autoria do executivo, nem do grupo popular; trata-se de umha Iniciativa Legislativa Popular apresentada pola Red Madre (um grupo anti-abortista) e que baseia a sua argumentaçom nos postulados do Foro da Família, um grupo de pressom que saltou à actualidade na passada Páscoa por se servir de algumhas confrarias de Semana Santa controladas polo próprio Foro para socializar umha campanha contra o aborto. Este guarda-chuva que serve para a mobilizaçom do integrismo católico a nível estatal, nom se limita a posicionar-se contra o aborto, também o fai por exemplo contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo e contra o direito desses pares a adoptar. Recentemente tenhem convocado algumha macro-mobilizaçom “em defesa da família cristá”, com a presença de vários bispos e o apoio expresso da Conferência Episcopal.

Isto é todo um aviso para aqueles e aquelas que ainda nom estavam alerta. A partir de agora, os integristas católicos e outras seitas reaccionárias tipo ‘Galicia Bilingüe’ som as que vam ter trato de preferência na Galiza por parte do governo autonómico… em detrimento, claro, de todos aqueles movimentos sociais que reclamem qualquer cousa minimamente progressiva.

O conteúdo da Iniciativa Legislativa Popular é de um traçado ideológico muito claro. A argumentaçom que justifica a iniciativa criminaliza de maneira evidente o aborto como opçom, e portanto as mulheres que decidem tomar essa via, o meio social que puder apoiá-las e o pessoal sanitário (desde facultativ@s até enfermeir@s)  que praticar os abortos. Fala do aborto como principal causa de mortandade entre a populaçom galega e praticamente equipara o aborto ao assassinato.

Se isto nom fosse suficientemente grave, atençom ao que se propom. Contra o que seria umha política de senso comum numha sociedade democrática e moderna, que consistiria em abrir em todos os bairros, concelhos e núcleos de populaçom medianamente importantes centros de planeamento familiar onde se informe com rigor e transparência, e sem moralismos, sobre que medidas tomar para evitar gravidezes nom desejadas ou para interromper umha gravidez nom procurada, centros públicos onde se poda aceder a essa informaçom de maneira gratuita, a ILP propom a criaçom de centros públicos e, atençom, privados, onde se reoriente as mulheres grávidas que potencialmente se poderiam inclinar pola via do aborto. Pretendem impor a sua visom do tema a toda a sociedade… e fazer negócio disso!!! Estes som os bons filhos de Deus…

Portanto, com fundos públicos (ou o que é o mesmo, com cargo aos nossos impostos) vam-se financiar bochinches onde cregos, freiras, membros numerários da Opus Dei, ou sabe-se lá quem, vam substituir o critério clínico, social, et cetera do pessoal qualificado. Substituirám, supomos, também a informaçom legal, administrativa, sanitária, por interrogatórios com confissionário de por meio (ainda que sem segredo de confissom, seguramente) conselhos espirituais e, em lugar de algum folheto informativo, darám a cada visitante um missal. Pretenderám alimentar as crianças que salvem do aborto de hóstias consagradas?

Já há bastante tempo que escuitei umha afirmaçom que considero absolutamente verdadeira. Se querem defender as famílias, as crianças, a juventude, as mulheres, que o fagam com investimento público… em educaçom para tod@s, em vivenda para tod@s e em criaçom de emprego para tod@s. O problema é que, essa pretensa defesa desses sectores, na realidade é a tentativa de que as instituiçons de um Estado que se di aconfissional protejam um modelo concreto de família: a família cristá. Isso inclui, e concedendo-lhe um lugar estratégico, o aborto. Há que dar fregueses à igreja e servos a Deus.

Pois aqui temos umha das grandes luitas que vai ter o feminismo galego nos próximos anos, e nom apenas o feminismo. Fazer pressom para que este governo autonómico que se estreia assim de bem, nom desvie fundos públicos que tinham que estar destinados a despesa social ao labor de impor um modelo de família e um modelo de sociedade.