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Independência e Socialismo, binómio indissolúvel para vencermos

Quinta-feira, 29 Outubro 2020

Carlos Morais

Após mais de quatro décadas da sua configuraçom como movimiento sociopolitico diferenciado do nacionalismo galego, as limitaçons congénitas da sua génese seguem condicionando, limitando e impossibilitando o desenvolvimento do independentismo galego. Nom tem logrado transitar de sermos um movimento residual, minoritário no melhor das suas etapas, a ter capacidade para desputar hegemonia popular.

 

Desde 1977-78 até praticamente a atualidade -salvo o núcleo fundacional de Primeira Linha em 1995/1996 e a posterior corrente articulada à sua volta-, as diversas experiências implementadas no corpo social galego, som ramas cindidas da matriz primigénia. Portanto, com diferentes matizes e densidades, arrastam as patologias do comedido programa político dos Dez pontos fundacionais da UPG.

Antidialética doutrina que defende que a contradiçom nacional prevalece sobre a luita de classes. Esse essencialismo patriótico interclassista cercena, quando nom impossibilita, edificar um movimiento independentista emanado da contradiçom Capital-Trabalho. Sem quebrar o cordom umbilical, umha parte do movimento nunca superará ser umha versom “avançada”, como amórfica, do soberanismo de prática autonomista.

A carência de um programa genuinamente operário, de umha sólida direçom de classe, com a sua centralidade ancorada nas reivindicaçons identitárias, permite explicar porque a imensa maioria do movimento segue nutrindo-se de segmentos da pequena-burguesia, tam aparentemente radicalizados como realmente inofensivos.

Até resolver estes dous condicionantes, a esquerda independentista galega, seguirá agindo consciente e/ou inconscientemente como satélite e comparsa do nacionalismo galego hegemónico, submetida a fugas, hemorragias e deserçons constantes.

É inviável acumular forças sem deslindarmos campos. A promiscuidade política que carateriza o movimento, é foco permanente de turbulências, antesala de crises inevitáveis.

O objetivo de dotar o nosso país de um Estado próprio, portanto a meta de umha Pátria independente e soberana, nom se pode atingir à margem de inserí-lo na conquista do Socialismo e o Comunismo.

Independência e Socialismo é umha equaçom indivísivel. Sem soberania nom será possível construir umha sociedade sem classes. Só o Socialismo pode garantir a independência nacional.

Do contrário, a luita de libertaçom nacional estará hipotecada ao acidentalismo da pequena-burguesia de fachada independentista, do seu taticismo, das suas práticas conciliadoras e oscilaçons oportunistas, dos modismos das diversas tendências post.

A experiência do procés catalám é umha recente leiçom histórica que confirma que sem programa e orientaçom proletária, agindo à margem das demandas e necessidades da classe operária, a folha de rota da burguesia independentista fica reduzida a proclamas e ardores carentes de percorrido.

Consciência identitária galega vs consciência nacional política

Embora conservemos e mantenhamos umha importante consciência étnica/identitária, a consciência nacional no ámbito político do povo trabalhador galego, é quantitativamente inferior ao de outras naçons oprimidas polo projeto imperialista da oligarquia espanhola.

As responsabilidades desta situaçom derivam do timoratismo e dos complexos que caraterizam o acionar do nacionalismo galego no último meio século. Em menor medida também dos erros e carências de todas as tentativas de vertebrar umha alternativa enquadrada em parámetros independentistas.

O pragmatismo e taticismo eleitoral nom é bom companheiro de viagem para transformaçons sociais, para mudar mentalidades, como tampouco o som as praxes conciliadoras sob fórmula de frentes nacionais, ou o etapismo das frentes patrióticas nacional-populares.

A emancipaçom do povo trabalhador explorado e empobrecido nom será resultado das aritméticas parlamentares, de brilhantes discursos nas tribunas políticas que nos concede o inimigo, de gestons “honestas” e eficazes da institucionalidade burguesa, receitando analgésicos para paliar os tormentos do capitalismo. Será resultado de um processo revolucionário.

Espanha nunca permitirá o exercício do direito de autodeterminaçom. Nem este se atingirá mediante a fórmula de referendos e consultas.

A complementaçom de todos os frentes de luita deve caraterizar o processo de libertaçom nacional de um povo. Porém, os recursos destinados à luita eleitoral, à atividade institucional, devem estar sempre supeditados à mobilizaçom e organizaçom da única classe potencialmente revolucionária. Só a classe trabalhadora tem capacidade para emancipar-se porque som antagónicas as contradiçons entre as suas demandas mais básicas e a atual ditadura do bloco oligárquico espanhol.

Estamos numha conjuntura mundial e nacional adversa para os povos oprimidos e para a emancipaçom da classe. Numha longa e intensa etapa de refluxo, involuiçom e contrarrevoluçom. Onde a barbárie fascista volta a ser umha ameaça tangível. Fazer-lhe frente é umha das principais tarefas e prioridades.

É ingénuo acreditar que os avanços eleitorais servem para acumular forças rebeldes, para elevar o nível de consciência e organizaçom. Basta com analisar o panorama institucional da Galiza do último quinquênio para descubrir que efémeras som e que pouca pegada deixam essas “vitórias”.

É viável a independência da Galiza?

Obviamente que sim! É tam viável como necessária. Cada dia que passa fai-se mais inaprazável. Mas é umha tarefa titánica.

Umha parte substancial dos reptos e desafios que padecemos como povo, como naçom, como classe, estám ligados à carência de soberania nacional. A opressom nacional da Galiza a quem lhe afeta diretamente é ao povo trabalhador. Somos quem sofremos nas nossas condiçons materiais de existência sermos umha naçom explorada e submetida, um país periférico asobalhado, umha simples “regiom” atrasada no rol asignado na divisom internacional do trabalho que nos tem imposto a UE e essa cárcere de povos chamada Espanha.

A viabilidade da esquerda independentista galega como movimiento socio-político com apoio de massas, com capacidade de atingir vitórias, de construir umha naçom livre, passa indefetivelmente por ter e agir coerentemente com um programa genuinamente classista. Por ligar-se às demandas mais básicas do nosso povo e classe.

Por edificar-se combatendo simultaneamente o inimigo -a depredadora oligarquia vencedora na guerra de classes de 1936-1939 metamorfoseada no regime de 78-, mas também esses partidos que agem como obedientes capatazes ao serviço do regime postfranquista.

Mas também desmascarando com hábil pedagogia política as forças políticas “periféricas” do taboleiro institucional vigorante, essa esquerdinha tam funcional, que sob diversos mantos socialdemócratas, segue alimentando com superstiçons o fetichismo das urnas como via para lograr conquistas e avanços. Mas que na prática é um muro de contençom para o desenvolvimento da luita operária, popular e nacional.

É necessário reconstruir o independentismo socialista/comunista, o de matriz marxista e revolucionário, o que se nutre da açom teórico-prática de Benigno Álvares e Moncho Reboiras. O que tem presente os episódios históricos contemporáneos nos que fugazmente recuperamos a soberania nacional conculcada polo projeto chauvinista e assimilacionista espanhol, e as colaboracionistas elites sipaias autótones.

O que sabe que é nas ruas, nos centros de trabalho e ensino, nom nos parlamentinhos, onde se conquista o futuro, onde se derrotam os planos do imperialismo, onde se pode esmagar o fascismo.

A nossa emancipaçom como povo e como classe será resultado de umha estratégia insurrecional dirigida polo proletariado mediante umha ampla aliança entre todos os setores do povo trabalhador e empobrecido da Galiza. Organizando e promovendo umha Revoluçom Socialista de libertaçom nacional e antipatriarcal com o centro de gravidade no país dos mil rios e dez mil castros.

Do contrário, tal como acunhou o Che, estaremos tam só perante umha caricatura de independência.

 

 

Galiza, 20 de outubro de 2020