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Discurso de Carlos Morais na XX ediçom do Dia da Galiza Combatente

Quarta-feira, 14 Outubro 2020

DISCURSO DE CARLOS MORAIS NO DIA DA GALIZA COMBATENTE

Serra do Galinheiro, sul da Galiza, 11 de outubro de 2020

Há exatamente um quinquénio estavamos aqui, numha outonal jornada galaica, nesta emblemática atalaia do sul ocidente da Pátria.

Comemorávamos com orgulho, sem complexos, nem temores, esta importante efeméride do nosso calendário político.

Padecíamos as dolências das profundas e dolorosas feridas provocadas pola devastaçom organizativa e anímica, que nos levou a retroceder mais de duas décadas.

Estávamos severamente golpeados, objetiva e subjetivamente, pola voadura imposta à esquerda revolucionária independentista uns meses antes.

Mas, ao igual que a serra do Galinheiro, brutalmente abrasada em 2017 polos incêndios florestais, logramos sobreviver. Nom lográrom eliminar-nos! Fracassárom os que desenhárom a operaçom que pretendia catapultar-nos à idade da pedra.

Mas basicamente fracassárom os que implementárom aquela conspiraçom do medo, seguindo os diktados das cloacas.

As cicatrizes perdurarám eternamente, fam parte indelével da nossa trajetória. Nom se podem apagar.

Paradoxalmente som úteis, porque lembrarám sempre leiçons históricas que agem como antídoto para evitarmos que essa tragédia se volte a repetir como farsa.

Camaradas, seguimos em pé!

Embora podamos afirmar que logramos superar a fase mais dura do postsunami, este destacamento revolucionário galego que logramos reorganizar das cinzas, é ainda mui modesto e portanto altamente vulnerável.

Mas temos a firme determinaçom de proseguir na sua edificaçom, continuar avançando na superaçom da indigência organizativa na que nos achamos, para transformá-lo numha eficaz ferramenta defensiva e de combate da nossa classe e da nossa Pátria.

Nós desconhecemos o significado de rendiçom.

O vocábulo “capitulaçom”, a alocuçom “abandono”, nom existem no nosso dicionário. Nom está contemplado nas nossas vidas. Somos dos que nunca se rendem!

Camaradas, pondo como testemunha o heroico percorrido de resistência, de rebeldia e de coragem dos mais brilhantes capítulos soldados no ferro do imaginário coletivo da Naçom, que carateriza a História do povo humilde, do povo trabalhador e empobrecido da Galiza que soubo defender-se dos abusos dos poderosos, Juramos que a nossa luita é para vencer ou perecer!

Nom arriamos bandeiras. Nom procuramos cómodos espaços, envenenados reconhecimentos do inimigo. Nestes anos de contratempos e imensas adversidades, cinzentos e sórdidos, evitamos deixar-nos seduzir polos embaucadores cantos de sereia das falhidas operaçons sucursalistas da fraudulenta “nova política”. Descartamos agirmos de mera comparsinha de fachada radical da socialdemocracia autonomista.

Sempre com paciência, mas com firme decisom, jamais renunciamos a seguirmos reconstruindo-nos. Intervindo na realidade, forjando o espaço da independência de classe.

Logramos fazer-nos duros como o buxo e flexíveis como o junco. Apreendimos muito daqueles anos de chumbo e fel.

Nom só porque estávamos situados nas antípodas das leituras idealistas e metafísicas tam de moda, completamente alheias à cultura obreira.

Se logramos superar essa multicrise, se conseguimos nom perecermos no furacám, foi basicamente por duas razons.

Porque perante a confusom deliberadamente inoculada, guiamos-nos polo instinto de supervivência, mas basicamente porque soubemos interpretar aqueles acontecimentos com as ferramentas analíticas científicas que nos fornece o marxismo. Sabiamos que estavamos bem apertrechados, armados do seu imenso arsenal de açom teórico-prática, das experiências endógenas da sua criativa aplicaçom nesta específica formaçom social denominada Galiza.

Com os pés, a cabeça e o coraçom nesta terra, acreditando nas potencialidades das forças próprias, sem dependermos de centros foráneos mas praticando o internacionalismo proletário genuíno.

Sempre com vocaçom subversiva, sem renunciarmos aos princípios, aplicando a flexibilidade tática, sempre conscientes que o nosso objetivo persegue a tomada do poder.

Para organizarmos, nesta trincheira de combate que chamamos Galiza, um novo mundo sem exploraçom nem opressom, umha sociedade Socialista, como etapa transitória face a irrenunciável meta do amor e a beleza que chamamos Comunismo.

E este horizonte que acompanha a intensa história da humanidade, nom se logra com declaraçons, com campanhas eleitorais, com gestons “honradas” da institucionalidade capitalista, com ordenadas processons, nem submetendo-se aos tempos e agendas políticas impostas pola burguesia.

A denominada via pacífica ao Socialismo é umha falácia. É umha das superstiçons imposta no seio do movimento operário e popular pola pequena-burguesia.

Lenine definiu a Revoluçom como a “demoliçom pola violência de umha superestrutura política caduca”.

O combate ideológico, deslindar sem trégua o campo revolucionário do reformista, é essencial para resgatar o marxismo do sequestro a que está submetido pola abafante hegemonia da cosmovisom burguesa.

A Galiza que sonhamos, a Galiza que queremos para nós e para as vindouras geraçons, só se logrará aplicando com habilidade e criatividade a arte da insurreiçom.

Hoje, aqui, neste majestuoso sentinela de granito, à beira do imenso Atlántico, e ao pé do Vigo proletário do heroico setembro de 1972, queremos honrar dous dos nossos, com maiúscula e sem matizes.

Benigno Álvarez e Moncho Reboiras, sublimes insumos da Revoluçom Galega.

Ambos morrérom combatendo sem trégua o fascismo espanhol, essa ditadura terrorista do Capital que hoje volta ameaçar-nos.

Queremos resgatá-los em estado puro, desprovistos das maquilhagens e adulteraçons que desdebuxam as suas biografias. Sem as suas achegas, sem o seu exemplo, hoje nom estariamos aqui.

Eis polo que proclamamos aos quatro pontos cardeais, que Nós queremos sermos eles!

Ambos fam parte indissociável da nossa mochila de combate, indispensável para a atingirmos a Pátria Socialista à que temos consagrada a nossa vida.

Neste vigéssimo aniversário do Dia da Galiza Combatente, instaurado por NÓS-UP em julho de 2001, decidimos dar-lhe a solenidade e releváncia que a data require e a efeméride exige.

Eis polo que hoje estamos aqui, para reafirmar que nem desfalecemos nem desertamos.

Para lembrá-los, para honrá-los e para manifestar que seguimos o seu exemplo até o “último desenlace”, a vitória.

Benigno e Moncho, sodes cerne, vieiro, aurora, inspiraçom, saiva, sal e nutrintes, da Galiza rebelde e combativa.

Adiante sem trégua!

Camarada Benigno Álvarez, honra e glória!

Camarada Moncho Reboiras, honra e glória!

Viva a Galiza Combatente!

Viva a Revoluçom Galega!

Denantes mortos que escravos!

Pátria Socialista ou morte! Venceremos!