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Tese de Carlos Morais apresentada na Conferência Internacional “Reconstruirmos a esquerda revolucionária para promover a Revoluçom Socialista/Comunista”

Terça-feira, 13 Agosto 2019

Divulgamos a comunicaçom apresentada por Carlos Morais na Conferência Internacional “Reconstruirmos a equerda revolucionária para promover a Revoluçom Socialista/Comunista”, organizada por Agora Galiza-Unidade Popular 24 de julho em Compostela.

Por umha coerente açom teórico-prática para defender e resgatar o marxismo das leituras manipuladas e práticas esterilizadas

«Totalmente ao contrário do que acontece na filosofia alemá, que descende do céu sobre a terra, aqui ascende-se da terra ao céu. É dizer, nom se parte do que os homens dim, se representam ou se imaginam, nem tampouco do homem predicado, pensado, representado ou imaginado, para chegar, arrancando de aqui, ao homem de carne e osso; parte-se do homem que realmente atua e, arrancando do seu processo de vida real, expom-se também o desenvolvimento dos reflexos ideológicos e dos ecos de este processo de vida».                  [Marx-Engels: “A Ideologia Alemá”]

 

“Ser radical é tomar o assunto de raíz. Mas, a raíz para o homem é o homem mesmo».

[Marx: “Crítica à filosofia do direito de Hegel”]

“Todo é ilusom, menos o poder».   [Lenine]

Partimos da premissa, bem constatada na denúncia dos “pais fundadores” e pola realidade incontestável da luita de classes, que já praticamente desde as primeiras décadas da elaboraçom e configuraçom da teoria marxista, da fundamentaçom do materialismo histórico e da dialética materialista, já dá início polos seus “seguidores” o processo de esterilizaçom e deturpaçom.

Ainda vivos Karl Marx e Friedrich Engels, a pequena-burguesia radicalizada tenta apropriar-se deste método científico de análise e interpretaçom da realidade. A gravidade da desfiguraçom em curso provocou que Marx se visse obrigado a declarar a tantas vezes deliberadamente mal interpretada expressom lapidária “Eu nom sou marxista”.

Com a sua fina ironia, o barbudo de Tréveris lançava umha indiscutível mensagem de advertência, a quem alterava o cerne de um sistema de pensamento e de umha filosofia transformadora, de umha guia para a açom revolucionária visada para a superaçom do modo de produçom capitalista e construçom de umha nova sociedade sem exploraçom.

Em carta datada a 11 de novembro de 1882, dirigida ao seu amigo da alma Engels, afirmava encolerizado sobre os seus genros «Que se vaiam ao demo Longuet, o último proudhoniano, e Lafargue, o último bakunista».

Anos depois, o próprio Engels voltou transmitir a Paul Lafargue, também via epistolar, datada a  27 de outubro de 1890, a sua contrariedade e desgosto por tanto arribista que tinha tomado o partido socialdemocrata alemám:

«Estudantes, literatos e outros jovens burgueses desclassados tenhem-se lançado ao partido, tenhem chegado a tempo para ocupar a maioria dos postos de redatores nos novos jornais que pululam e, como de costume, consideram a universidade burguesa como umha escola de Saint Cyr socialista que lhes da direito de entrar nas fileiras do partido com o título de oficial, se nom de general. Estes senhores praticam todos o marxismo, mas da espécie que se conhece na França desde há dez anos, e do que Marx dizia: “Todo o que sei é que eu nom sou marxista”. E provavelmente diria de estes senhores o que Heine dizia dos seus imitadores: “Sementei dragons e colheitei pulgas”».

Os dous revolucionários fôrom pois, bem conscientes da tergiversaçom, errónea leitura e incorreta interpretaçom das suas teses, polos que afirmavam definir-se como os seus “correligionários”.

O marxismo é ante todo umha conceçom científica do mundo realizada desde a ótica dos oprimidos. Um conjunto articulado, sistemático e coerente de ideias filosóficas, económicas, políticas e sociais elaboradas inicialmente por Marx e Engels, e mais tarde desenvolvidas por um conjunto diverso de seguidores, que procura denunciar a exploraçom da classe trabalhadora e promover como alternativa a Revoluçom Socialista/Comunista.

Mas ainda vivos os dous autores do “Manifesto do Partido Comunista”, deu inicio a transformaçom do marxismo num dogma, fossilizando a sua dialética, convertendo-o numha etiqueta enganosa que nom se corresponde com o que afirma ser e querer fazer.

O mecanicismo e economicismo que hoje define boa parte das correntes e forças que se reclamam marxistas também já foi denunciado em setembro de 1890 por Engels em carta a Joseph Bloch:

«Desgraçadamente, acontece con farta frequência que se considera ter entendido totalmente e que se pode manejar sem mais umha nova teoria polo mero feito de ter-se assimilado, e nom sempre exatamente, as suas teses fundamentais. De este reproche nom se acham exentos muitos dos novos “marxistas” e assim se explicam muitas das cousas peregrinas que tenhem achegado…».

Lamentavelmente esta tendência, salvo exceçons, tem sido a tónica dominante nos cento trinta, cento quarenta anos posteriores, e atualmente é dominante.

A mutuaçom foi desenvolvendo-se ao longo do século XX e segue sendo a dia de hoje o principal repto e desafio do comunismo revolucionário para recuperar os princípios fundacionais, sem os quais nom é viável reconstruir a linha discursiva, e basicamente, o acionar do movimento revolucionário marxista-leninista, em plena deriva fascistizante da fase superior imperialista do capitalismo monopolista.

O marxismo foi despreendido do seu conteúdo profundamente subversivo, transformando-se numha marca enganosa onde o prestígio de Marx e o rigor do método científico do seu método analítico, vai acompanhado de umha fraudulenta política socialdemocrata, afastada e contrária aos objetivos fundacionais, o derrocamento pola via revolucionária do capitalismo.

As posiçons defendidas polo revisionista Eduard Bernstein e o renegado Karl Kautsky -coautores junto com August Bebel do Programa de Erfurt e destacados membros do que poderiamos considerar segunda geraçom marxiana-, que tanto dano provocárom ao marxismo, som lamentavelmente a dia de hoje a linha hegemónica, tanto no ámbito académico como no político.

 

Progressiva mutaçom. Do rubra intenso ao vermelho descolorido, da fouce e martelo à rosa de aroma socialdemocrata

Após a catástrofe mundial gerada polo processo de implossom que cristaliza com a queda do muro de Berlim [9 de novembro de 1989] e a posterior dissoluçom da URRS [26 de dezembro de 1991], boa parte dos partidos que se reclamavam herdeiros da tradiçom política promovida pola Revoluçom bolchevique, nom optárom exatamente pola deserçom e pola claudicaçom, pois esta já se tinha produzido décadas antes. O que realmente figérom foi reconhecer sem complexos o que já realmente eram: organizaçons socialdemocratas e progressistas, que só aspiravam a umha gestom “social” do capitalismo. Culminava assim um dilatado e contraditório processo degenerativo.

A “paradigmática” mutaçom socialdemocrata do PCI -cristalizada em  1991 com a sua reconversom em Partito Democratico della Sinistra [PDS]-, já se tinha iniciado décadas antes, num longo processo que vai do Giro de Salerno [Svolta di Salerno] implementado por Palmiro Togliatti em 1944, até a política do “compromisso histórico” promovido por Enrico Berlinguer três décadas depois.

As soluçons ao nó gordiano que nos permita explicar, entender e fundamentalmente corrigir o amorfismo no que se acham instalados os restos dos partidos e organizaçons das diversas correntes “marxistas”, que na atualidade se reclamam herdeiras da sua heroica tradiçom, vamo-las achar em Marx, Engels, Lenine e o Che.

Sabemos que a renúncia aos eixos e fundamentos ideológicos, à desfiguraçom da sua praxe e objetivos políticos, nom é umha deformaçom genética do marxismo. É umha patologia inoculada nos partidos comunistas por direçons com umha composiçom de classe alheia ao proletariado e setores explorados do povo trabalhador.

Desviaçom que disfarça viragens estratégicas, acionares possibilistas, alianças amplas nas que se renuncia à procura da hegemonia operária, em aras de quebrar o “isolamento”, de facilitar a “implantaçom social”, “ganhar adeptos”, sempre sob a justificaçom da errónea interpretaçom da “flexibilidade tática leninista”.

Nestes mais de 150 anos de marxismo ou de marxismo[s], a lúcida setença do revolucionário alemám de que «a história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa», tem sido umha constante no desenvolvimento da luita e combate por «tomar o céu por assalto».

O naufrágio continua. Lamentavelmente ainda seguimos assistindo à transformaçom de organizaçons que afirmavam ter como objetivo a Revoluçom Socialista, em inofensivas forças que só procuram a alternância parlamentar na ditadura da burguesia.

A lastimosa situaçom na que se acha o movimento revolucionário comunista a escala mundial, é diretamente consequência desta doença parasita que vem acompanhando praticamente desde o seu início um sistema teórico aberto, um método de análise e interpretaçom do presente que necessita ser permanentemente contrastado pola realidade dos factos históricos, sociais, políticos, económicos e culturais em permanente movimento e constante relaçom dialética. Que mantém um vínculo inseparável com o conteúdo subversivo e visom insurgente dumha praxe eminentemente revolucionária.

Salvo exceçons destacadas, Lenine e o Che, a maioria dos dirigentes do que vulgarmente podemos definir como marxistas, ou a mais acaída categorizaçom de marxianos, tam só contribuírom com o seu acionar teórico-prático, para desfigurar o marxismo como bússola do conjunto da classe operária, como GPS dos povos explorados e humilhados, na sua legítima e necessária luita permanente contra toda forma de dominaçom e opressom.

O combate sem trégua, as duras e incansáveis polémicas, que durante décadas Lenine travou com toda a sua brilhante veemência e afiado verbo contra a deturpaçom socialdemocrata, devem fazer parte da preocupaçom dos legítimos herdeiros políticos e ideológicos de Marx e Engels, perante a grotesca desnaturalizaçom imposta no seio do movimento operário.

Nom temos que preocupar-nos por agradar os diferentes reformismos, por procurar a sua simpatia. A nossa prioridade nom passa por influir no seu corpo de quadros e na su militáncia. O nosso objetivo é aproximar classe trabalhadora ao campo do marxismo revolucionário, organizá-la e movimentá-la, e simultaneamente combater as falsas leituras do que deve ser a implementaçom da linha comunista.

Sem recurrir a este arsenal imprescindível para separarmos a palha do trigo, para deslindar o campo reformista do revolucionário, estamos condenados a continuar enlodados e sem capacidade de manobra que nos permita sair do poço.

 

Diversos e diferentes tipos de reformismos

Obviamente nom podemos meter no mesmo saco o conjunto de partidos que se reclamam marxistas-leninistas. Nom é o mesmo o reformismo eurocomunista do PCE, um vulgar e degenerado partido socialdemocrata e chauvinista espanhol, corresponsável direto da consolidaçom do regime postfranquista, que as forças centristas.

O “Anti-Dimitrov. 1935/1985 – meio século de derrotas da revoluçom”, umha obra insuficientemente conhecida do melhor marxismo mais contemporáneo, define o centrismo como «forma original do oportunismo “comunista” do século XX, produto típico da era do imperialismo, que tivo em Bukarine, Dimitrov, Estaline, Mao, Gramsci, os seus ideólogos e chefes políticos de maior projeçom. O centrismo como expressom de umha corrente intermédia operário-pequeno-burguesa e por isso obrigada a proteger a sua incoerência política e ideológica com uma armadura “férrea”: despotismo “revolucionário”, “para defender a ditadura do proletariado”, organizaçom monolítica, “para defender a unidade do Partido”, paralísia ideológica, “para defender a pureza da doutrina”. O centrismo, como artífice do revisionismo que mais tarde veio a tomar o comando do movimento operário. O centrismo, enfim, como parteiro de um regime social novo na História, o capitalismo de Estado, último reduto da burguesia, à qual permite renascer das cinzas sob umha nova forma “socialista”».

A involuiçom fascistizante que diversas fraçons da burguesia estám promovendo, perante a incapacidade do modelo liberal de estabilizar-se polas permanentes turbulências económicas e políticas geradas pola crise estrutural do capitalismo crepuscular, deve ser combatida com coragem e determinaçom, mas nom empregando as falhidas ferramentas frentepopulistas ensaiadas inicialmente no período de entreguerras e posteriormente inspiradoras de processos falhidos como a Unidade Popular chilena de Salvador Allende ou o sandinismo.

Em Francisco Martins Rodrigues acharemos chaves cognoscitivas no que diz respeito a princípios definidores de umha coerente linha comunista que com intrepidez e audácia saiba que o “unitarismo democrático e popular” bloqueia a revoluçom proletária, pois alinha o povo polo nível mais moderado, comum a todos, ou seja, pom de lado os objetivos revolucionários da classe operária, que, obviamente nom som comuns.

O hipócrita e enganoso apelo para a “unidade” que define o acionar do reformismo entreguista da UPG no BNG, ou os espaços “unitários” da nova socialdemocracia [Unidas-Podemos, Mareas, confluências municipalistas, etc], som de «umha certa unidade: unidade em torno das reivindicaçons límitadas da pequena-burguesia, comuns a todo o povo, sacrificando para tal as reivindicaçons revolucionárias da corrente operária».

As Frentes Populares som o modelo organizativo idóneo onde a hegemonia pequeno-burguesa integra e limita as posiçons operárias na defesa da democracia e no combate ao fascismo.

Lenine, tal como afirma o revolucionário português, considerava necessários compromissos e manobras táticas, luitas por reformas, mas apenas desde que favorecessem em cada momento a elevaçom da consciência revolucionária do proletariado, a preparaçom para o combate definitivo.

«a questom está em saber aplicar esta tática de modo a elevar e nom baixar o nível de consciência geral do proletariado, o seu espírito revolucionário, a sua capacidade de luitar e de vencer».

Mas nom devemos obviar que a pequena-burguesia é um ramo auxiliar do sistema capitalista de exploraçom do proletariado e semiproletariado.

Claro que devemos participar em espaços amplos de reivindicaçons concretas e parciais, pois o comunismo revolucionário nom pode isolar-se do movimento político real das massas, mas tampouco «subordinar-se à sua dinámica reformista espontánea, mas penetrar nele para fazer emerger a linha proletária e conduzí-lo através dos ziguezagues da luita de classes no caminho da revoluçom».

Lembremos que nos alvores da Primeira Guerra Mundial, em outubro de 1914, numha carta dirigida a Alexandre Chliapnikov, Lenine afirmava: “Em adiante ódio e desprezo a Kautsky mais que a ninguém, pola sua vil, suja e autosatisfeita hipocrisia».

Um século, mais um quinquénio, após desta magistral caraterizaçom sobre um dos pais do reformismo, no ano no que se comemora a criaçom da III Internacional que houvo que fundar sobre as cinzas da Segunda -estourada polas contradiçons geradas pola infeçom chauvinista-, continuamos combatendo a corrente socialdemocrata, agora maioritária entre os partidos que ainda se denominam “comunistas”.

Há uns meses, no aniversário da capitulaçom do Berlim nazi perante o Exército Vermelho, foi divulgada umha declaraçom apoiada por dez partidos comunistas latinoamericanos.

O manifesto assinado em Montevideo [Uruguai], cujo título “Pola solidariedade anti-imperialista, pola paz, a democracia e o socialismo”, já da pistas do seu claro conteúdo reformista e socialdemocratom. O documento é um conjunto de ideias força em matéria tática e estratégica que vam da defesa intransigente das experiências dos governos social-liberais do Frente Amplo uruguaio, do Brasil de Lula e Dilma Rousseff, do México de López Obrador, passando pola legitimaçom da via pacífica ao socialismo e dos brindes ao sol na exigência do cumprimento dos acordos de paz na Colômbia, até a reafirmaçom no modelo frentista dimitroviano. A declaraçom provocou umha ajeitada, embora incompleta, resposta do Partido Comunista de México.

Que dizer de um heroico e glorioso partido comunista em armas que assina umha capitulaçom em toda regra sob a justificaçom de acordo de paz, e que de forma meteórica transita de propugnar a Revoluçom Socialista e a Pátria Grande bolivariana, a defender a reconciliaçom nacional, a democracia e a paz.

Na primavera de 1990, Francisco Martins Rodrigues, um dos teóricos comunistas que mais achegas tem realizado às reflexons que nos convoca esta Conferência Internacional, escreveu um sintético e certeiro artigo intitulado “Nom querem o marxismo? Ficamos com ele!” do que extraimos a sua conclusom.

«Vivemos ao longo do último meio século umha exasperante agonia, durante a qual o movimento operário veio rebaixando a sua identidade, os seus valores, as suas ambiçons, amarrado ao lento afundamento dos revisionistas, que lhes garantiam que cada capitulaçom era para passar mais depressa e mais suavemente ao socialismo. O movimento operário foi assim reduzido a um esfregom, sem confiança em si mesmo, sem ódio ao inimigo. A partir de agora, perante a consumaçom desta grande traiçom histórica, vai ser forçado a procurar de novo o seu caminho. E nessa altura, o marxismo e o leninismo que vostedes agora nos deixam com tanto desprezo tornará-se de novo numha arma demolidora».

 

Periodizaçom do processo de sequestro do marxismo

Além da natural degeneraçom, que sem lugar a dúvidas tem sido e dialeticamente será umha inerente companheira de viagem do movimento operário até atingirmos o «último desenlace», o marxismo foi sequestrado por leituras ecléticas que o convertérom num dogma petrificado ao que citar, mas nom aplicar.

Este processo de deturpaçom e contaminaçom, tal como defendemos, começa a tomar corpo simultaneamente ao seu processo fundacional, praticamente com as suas origens.

Poderiamos periodizá-lo em quatro grandes fases ou etapas:

1º- Período imediatamente posterior à publicaçom do “Manifesto do Partido Comunista” [1847] até a fundaçom e desapariçom da AIT ou I Internacional [1864-1876].

2º- Da II Internacional [1876] à Revoluçom bolchevique [1917] e posterior fundaçom da III Internacional [1919].

3º- Da etapa posterior à morte de Lenine [1924] até a implossom da URSS [1991].

4º- Da etapa postsoviética até a atualidade.

Um período tam longo, trepidante e complexo, que abrange a segunda metade do século XIX, a totalidade do XX e as duas primeiras décadas do século XXI, nom se pode esquematizar facilmente, sem inçar a sua análise de centos de matizes e explicaçons em notas de rodapé que optamos por prescindir para facilitar a tese que queremos defender e divulgar.

A prática totalidade das tentativas e processos revolucionários inspirados no marxismo, que tivérom lugar ao longo deste intervalo histórico, onde como nom podia ser de outro jeito se desenvolvérom ciclos de profundas transformaçons, mas também de involuiçons e retrocessos, estivérom condicionadas pola adulteraçom que acompanha o legado teórico-prático assentado por Karl Marx e Friedrich Engels.

Da Comuna de Paris [1871] até a Revoluçom Cubana de janeiro de 1959, nom lográrom consolidar-se o conjunto de convulsons que questionárom a [des]ordem social global paulatinamente imposta pola burguesia e as relaçons imperialistas.

A maioria dos principais processos estivérom inspirados na Revoluçom de Outubro de 1917, e promovidos por organizaçons e forças diretamente vinculadas ao universo da Komintern. Das imediatas tentativas insurrecionais ensaidas na Alemanha [1918], Hungria [1919], biennio rosso italiano [1919-1920], passando pola guerra de classes de 1936-1939 no Estado espanhol, aos posteriores triunfos da Revoluçom chinesa [1949], vietnamita [1975], nicaraguana [1979], até o processo bolivariano do “Socialismo do século XXI”, atualmente agonizante na Venezuela, existe um invisível fio condutor, que nos permite compreender as causas do fracasso em sentar as bases sólidas de umha sociedade socialista, como período de transiçom face o comunismo.

A carência de umha genuína ideologia proletária, ausência de umha direçom e orientaçom basicamente operária pola sua hegemónica composiçom de classe pequeno-burguesa, dificulta no melhor dos casos, quando nom impossibilita, implementar um programa revolucionário.

A maioria destes processos optárom deliberadamente por fórmulas intermédias de modelos socio-económicos mistos, que nom questionam os alicerces da economia de mercado e portanto nom desmontam a superestrutura política e ideológica da dominaçom burguesa.

A imensa maioria dos partidos européus denominados “comunistas”, mas também de boa parte do resto do planeta, continuam estando dirigidos praticamente desde a década de sessenta do passado século por quadros de origem pequeno-burguês, que bloqueiam ou impossibilitam manter umha açom teórico-prática anticapitalista.

Como forças interclassistas transformarom-se basicamente em maquinárias eleitorais, optam por defender mudanças graduais empregando as instituiçons das “democracias burguesas”.

Nom é casualidade que a Conferência Internacional que convoca Agora Galiza-Unidade Popular 24 de julho em Compostela, esteja ilustrada sobre um globo terráqueo presidido por bandeiras vermelhas e as efígies de Marx, Lenine e o Che. Claro que se poderiam ter incorporado mais referentes, mas nengum deles teria um grau de coerência como a dos escolhidos para esta importante e necessária iniciativa.

 

Parte da teoria marxista continua inédita

Umha parte das suas monumentais obras está oculta ou intencionalmente ainda nom foi divulgada e publicada. Nom esqueçamos que a “Ideologia Alemá”, escrita entre 1845-1846, nom foi publicada até 1932 polo Instituto Marx-Engels de Moscovo dirigido por David Riazanov, cujo desconhecimento por Lenine tinha causado umha errónea utilizaçom do conceito de ideologia no “Que fazer? Problemas candentes do nosso movimento” [1902].

Em novembro de 2018, Agora Galiza-Unidade Popular promoveu um conjunto de iniciativas visadas para reivindicar a vigência e a necessidade do marxismo. Acompanhados de Néstor Kohan, tivemos a oportunidade de apresentar e divulgar na Galiza a antologia “Comunidad, nacionalismos y Capital. Marx 200 años”, um compêndio de textos inéditos de Karl Marx, recompilados polo vice-presidente da Bolívia, Álvaro García Lineras, e acompanhado por um estudo preliminar do revolucionário e teórico marxista argentino.

É necessario que os comunistas realizemos umha leitura sistemática e crítica do marxismo, indo às fontes, sem a qual nom será possível o avanço e triunfo das Revoluçons socialistas no século XXI.

Sem ler e estudar a fundo Alexandra Kollontai nom poderemos fazer frente ao feminismo liberal pequeno-burguês, mas também ao amorfismo esquerdista, que pretende susbtituir a contradiçom de classe pola disparatada contradiçom de género; sem ler e estudar a fundo Marx e a Engels nom podemos fazer frente ao descrescimento, mais umha disparatada e falsa alternativa anticapitalista da metafísica post; sem ler e estudar a fundo Lenine nom podemos fazer frente ao chauvinismo hegemónico nos partidos “comunistas” ocidentais que se negam a aplicar os três conceitos centrais da base teórica do marxismo [as naçons som produtos históricos, nem naturais nem eternas; umha naçom que oprime a outra nom pode ser livre; a libertaçom da naçom oprimida é premissa para a revoluçom socialista na naçom dominante], e a posterior elaboraçom estratégicade Lenine para o movimento operário fundamentada no direito de autodeterminaçom.

Insistimos, nos milhons de litros de tinta publicadas, mas também das incompletas obras dos pais do marxismo, acharemos as soluçons.

Neste debate vital, as proféticas palavras dirigidas a Palmiro Togliatti por Ignazio Silone, um dos fundadores do PCI -embora posteriormente evolua face posiçons liquidacionistas, adquirem máxima relevância-: «a luita final será entre comunistas e ex-comunistas».

De facto, também nós, o novo comunismo galego que se organiza a meados da década de noventa do século XX, somos corresponsáveis, por ter contribuído por ativa e basicamente por passiva, de alimentar algumhas das falácias instaladas no seio do “marxismo”, e deliberadamente divulgadas acriticamente durante décadas, no que diz respeito das suas carências e limitaçons.

Se o marxismo nom se preocupou da questom feminina e da específica opressom que padecem as mulheres trabalhadoras …, se o marxismo subestimou a crise ecológica …, se o marxismo nom emprestou atençom ao direito de autodeterminaçom dos povos … um conjunto de “verdades” falazes que som facilmente desmontadas acedendo às fontes, simplesmente estudando e debatendo os seus textos.

Dous anos antes da sua morte, após ter sido capturado em combate na Bolívia, já o Che advertira:

«Consideramos importante a tarefa porque a investigaçom marxista no campo da economia está marchando por perigosos derroteiros. Ao dogmatismo intransigente da época de Estaline tem sucedido um pragmatismo inconsistente. E, o que é trágico, isto nom se refere só a um campo determinado da ciência; sucede em todos os aspectos da vida dos povos socialistas, criando perturbaçons já enormemente daninas, mas cujos resultados finais som incalculáveis (…) A nossa tese é que as mudanças producidas a raíz da NEP tenhem calado tam fundo na vida da URSS que tenhem marcado com o seu signo toda esta etapa. E os resultados som desalentadores: a superestrutura capitalista foi influindo cada vez em forma mais marcada as relaçons de produçom, e os conflitos provocados pola hibridaçom que significou a NEP estam-se resolvendo hoje a favor da superestrutura. Está-se regressando ao capitalismo».

O economicismo que carateriza o agir do sindicalismo realmente inexistente na Galiza, no conjunto dos países ocidentais, mas também na maior parte das formaçons sociais da periferia, que carateriza o programa político das formaçons da autodenominada “esquerda marxista”, é um dos cancros que dificulta acumular forças visadas para a Revoluçom Socialista/Comunista, pois gera expetativas sobre as possibilidades de atingir melhoras empregando os limitados mecanismos “democráticos” que permite a burguesia, e alimentam o ilusionismo eleitoral que hipoteca a reorganizaçom da esquerda revolucionária marxista-leninista.

Fetichismo parlamentar, covardia congénita e batalha ideológica

O respeito supersticioso à legalidade imperante que define o acionar dos diversos reformismos, dos “comunistas” abduzidos polo falso brilho do cretinismo parlamentar, com todas as matizaçons que queiramos acrescentar, é umha das expressons mais nítidas da incapacidade por trascender e despreender-se do virus eleitoralista que anestesia e desvirtua umha açom teórico-prática revolucionária.

Em 1919 a Terceira Internacional definia sem eufemismos que as “democracias burguesas” som umha «máquina para a repressom da massa de trabalhadores por um punhado de capitalistas». Um século depois desta lúcida leitura, a maioria dos que se reclamam marxistas, socialistas e comunistas, obviam esta caraterizaçom.

Previamente Lenine tinha manifestado que «A democracia na sociedade capitalista nunca pode ser mais do que umha democracia truncada, miserável, falsa, umha democracia apenas para os ricos, para a minoria».

A renúncia à batalha ideológica pola esquerda hegemónica, assumindo acriticamente os limites impostos polo nosso inimigo de classe, o terror às campanhas difamatórias e manipulaçons dos seus meios de [des]informaçom maciços, só contribui para a progressiva perda de posiçons e avanço da falsa consciência necessária, da “ideologia” reacionária, que ao contrário do que propugnam as esquerdinhas acomplexadas e timoratas, afirma com claridom o que som e pretedem fazer.

O substituto na liderança do partido de M ponto Rajói em plena campanha eleitoral afirmou sem vacilaçons que o PP reinstauraria os acordos atingidos previamente polo sindicalismo pactista, o patronato e o o Governo em matéria do SMI.

Temos que ter sempre presente as palavras do guerrilheiro heroico e grande pensador marxista:“O socialismo económico sem a moral comunista nom me interessa. Luitamos contra a miséria, mas ao mesmo tempo luitamos contra a alienaçom”.

O Che tinha claro que nom era possível economia sem política, como tampouco era possível política sem economia, mas também defendeu com claridom que a política estivesse ao mando do leme da economia e nom viceversa. O mesmo que para as questons militares, umha das que mais urticária gera entre os diversos reformismos e  revisionismos que a dia de hoje controlam a prática totalidade das forças e organizaçons “comunistas”. Embora, parafraseando a Mao, o “poder está na ponta do fusil, a política sempre deve estar ao mando do acionar militar revolucionário, e nom ao invês.

Se Marx e Engels tenhem sido “facilmente” manipulados, e a desvirtuada efígie do Che convertida em merchandising, todo o que representa Lenine é inassumível para o Capital e a imensa maioria do reformismo.

Contrariamente ao que se poda pensar, a maior ameaça que padece o leninismo -como continuidade, desenvolvimento e aperfeiçomento do marxismo-, nom procede do exterior do campo político que se reclama “comunista”.
Todas as tentativas do imperialismo por manipular e criminalizar a sua coerente açom teórico-prática nom lográrom evitar que Lenine siga sendo referente da luita operária.
Porém, o verdadeiro perigo é a adulteraçom dos fundamentos do leninismo que pratica a imensa maioria das forças e partidos que se reclamam “comunistas”.
Cumpre resgatá-lo do amorfismo e da folclorizaçom que pratica a socialdemocracia disfarçada de comunista, depurar a mais mínima banalizaçom do seu legado, e reivindicar com orgulho e decisom o seu projeto anticapitalista e revolucionário. Lenine é inspiraçom e guia da luita proletária mundial, e d@s comunistas galeg@s contra a exploraçom capitalista e a libertaçom nacional da nossa Pátria.

Lenine afirmou que o marxismo é exato porque é dialético. Embora semelha um exemplo clássico de contradiçom aparente, exprime umha coerência admirável: a exatidom da dialética radica na própria dialética, sujeita a mudanças, evoluçons e a um desenvolvimento infinito e perpétuo.

A “esquerda” eleitoral esqueceu no seu acionar que a democracia burguesa é a forma mais branda da ditadura do Capital. Mediante umha combinaçom de funambulismo político e amnésia segue defendendo que o capitalismo é reformável.  A sua obsessom quando gere as instituiçons burguesas é demonstrar que é capaz de fazé-lo melhor, com maior eficácia, de forma mais honesta, que as organizaçons reacionárias. Fugindo da essencial pedagogia política, esquecendo organizar povo trabalhador, de movimentá-lo, contribui para reforçar o contrário do que o marxismo defende. Em vez de incrementar as contradiçons amortece-as em aras de provar que “sim se pode” mudar cousas utilizando a  institucionalidade do inimigo. Umha falácia que consolida a lógica sistémica, absorve energias, desvia atençons e impossibilita acumular forças rebeldes.

 

Promover umha nova Internacional

Estamos conscientes da tarefa hercúlea que isto supom, da sua complexidade, mas sabemos que só será viável abrir caminho a escala internacional. Eis polo que a construçom de espaços de coordenaçom e debate internacionalista entre organizaçons e partidos revolucionários segue sendo -ao igual que em 1919 com a fundaçom em março da Komintern-, umha das principais tarefas.

Atualmente existem um conjunto de espaços que tentam agir como algo similar a umha Internacional. Porém, ou bem som as fragmentadas IV Internacionais trostquistas, caraterizadas por um radicalismo vácuo no plano teórico e um ilimitado oportunismo político.

Ou bem som as coordenadoras dos restos dos partidos comunistas da corrente maoista como o Movimento Internacional Revolucionário, ou do hoxhaismo representado na Conferência Internacional de Partidos e Organizaçons Marxistas-Leninistas [CIPOML].

O mais “similar” ao embriom de umha nova internacional continuadora das teses do VI Congresso [1935] da Terceira Internacional, pola composiçom dos seus partidos integrados e linha política dimitroviana, é o Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários [EIPCO], fundada em 1998, que aglutina entre enormes tensons algo mais de meio cento de organizaçons que sobrevivírom ao naufrágio do “socialismo” soviético.

Com outro caráter e dimensom nom estritamente comunista, devemos citar o Movimento Continental Bolivariano [MCB], refundado em dezembro de 2009 em Caracas, Venezuela, como continuaçom da Coordenadora Continental Bolivariana [2002]. Espaço mui vinculado à insurgência comunista fariana, atualmente em processo de reativaçom.

Já num plano muito mais modesto e em fase embrionária também cumpre citar o Manifesto Internacionalista de Compostela [MIC], criado 24 de julho de 2017 na capital da Galiza, que aglutina um feixe de núcleos, partidos e organizaçons revolucionárias da Península Ibérica.

 

Propostas finais

Devemos assumir que nos aproximamos ao olho do furacám da mais devastadora etapa de refluxo ideológico das últimas décadas. É pois necessário configurar umha insurgência global com as especificidades e singularidades a escala local.

Cumpre interiorizarmos que o panorama de involuçom fascista nom tem visos de mudar a curto prazo. Devemos preparar-nos para umha colisom inevitável na pugna inter-imperialista.

“Haverá que resistir e haverá que resistir nom só resistindo senom atacando, haverá que construir umha consciência de luita, e haverá que estar dispostos, haverá que estar treinados, haverá que estar listos para quando o momento surja, para quando a oportunidade apareça…”. [Justo de la Cueva, agosto de 2011].

É prioritário depurar o marxismo-leninismo das deturpaçons que o tenhem transformado num projeto amórfico, grotesco e inofensivo polas mais diversas variantes do reformismo e revisionismo.

Sem lograr este objetivo, o proletariado seguirá incapacitado para derrotar a burguesia, os povos oprimidos nom atingirám a sua liberdade, e o capitalismo senil seguirá avançando na destruiçom do planeta e da humanidade.

Enquanto a imensa maioria dos que se declaram “comunistas” sigam instalados no eleitoralismo, alimentando o cretinismo parlamentar, agindo de muro de contençom da rebeldia, esterilizando as luitas populares, condenando a sua combatividade, a Revoluçom Socialista nom será viável.

A batalha ideológica é pois essencial para despreender-nos deste virus que se apoderou do marxismo, até converté-lo numha prolongaçom “progressista” do pensamento burguês.

A reconstruçom dumha nova corrente socialista/comunista na Galiza e a escala internacional, exige fugirmos da nostálgia paralisante, de leituras fossilizadas, de falsos antídotos frente à claudicaçom socialdemocrata, do conforto das inércias que só nos conduzem à derrota.

Nesta tarefa devemos incorporar Lenine , pois representa o marxismo mais genuíno, a plena vigência da mais elaborada análise do capitalismo na sua fase imperialista, simboliza o direito à rebeliom de explorados e oprimidas, e a necessidade da insurreiçom operária como estratégia para a tomada do poder pola classe trabalhadora visada para a destruiçom do capitalismo e edificaçom da sociedade socialista.

Cumpre evitar que a “esquerda” pequeno-burguesa se apróprie da sua açom teórico-prática, esvaziando o seu conteúdo subversivo.

A reconstruçom da esquerda revolucionária para promover a Revoluçom Socialista/Comunista nom é umha operaçom cosmética, nem um conjunto de remendos. É um processo complexo e difícil, onde nom existem atalhos.

Sabemos onde queremos ir e como fazê-lo. Também sabemos bem o que nom queremos e os caminhos que nunca devemos colher. Temos que recrutar efetivos imprescindíveis para atingir com êxito o objetivo.

Seguindo um processo de maduraçom teórica e implementaçom prática ensaida nos três quinquénios prévios, 5º Congresso de Primeira Linha [2010] definiu com claridom as caraterísticas, o processo de acumulaçom de forças, os objetivos estratégicos da Revoluçom Galega, as suas fases e etapas, as tarefas e o rol da classe operária no desenvolvimento da Insurreiçom Nacional Operária e Popular [INOP]. VI e VII Assembleia Nacional de NÓS-UP [2011 e 2013] desenvolvérom taticamente a linha da nova esquerda independentista e socialista galega, alicerçada na independência de classe e na articulaçom de um espaço socio-político claramente diferenciado das posiçons essencialistas e etnicistas, das reinvindicaçons identitárias desconetadas da luita de classes que definem o agir do nacionalismo galego e dos seus satélites.

Devemos afastar-nos da charlatanaria dos telepredicadores que prometendo milagres, tenhem sido altamente funcionais para a consolidaçom desta segunda transiçom postfranquista, ainda em curso e com muitos cabos abertos, mas onde se tem constatado a capacidade de recomposiçom da terceira restauraçom bourbónica.

Cumpre deslindar campos frente à nova socialdemocracia que só tem contribuído para estabilizar o regime, conduzindo o movimento de massas a um longo período de refluxo alimentando o ilusionismo eleitoral que tem congelado as luitas populares, as greves, a conflituosidade social.

Mas também desmascarar o aparecimento de grupos que reclamando-se do marxismo pretendem ocupar e organizar a esquerda revolucionária desde a nostalgia. Por mui boas intençons que manifestem parte das pessoas que os promovem, estes grupos estám de partida esterilizados para consolidar-se como força subversiva, como vanguarda revolucionária.

Por um lado reproduzem similar paradigma espanhol da burguesia que afirmam combater. Embora evoquem, e mesmo recolham no seu programa o direito de autodeterminaçom, nada fam para que se exercite. Este direito aparece desde os primeiros anos da sua fundaçom no programa do PCE e das suas cisons dos sessenta, setenta e oitenta do século passado, como umha mera formalidade democrática que a sua prática nega diariamente, agindo como agentes da assimilaçom espanhola que promove a oligarquia.

A negaçom da Galiza como quadro nacional de luita de classes, portanto nom aplicando o princípio de auto-organizaçom da classe obreira galega num partido comunista próprio e em espaços mais amplos, constata as limitaçons congénitas do seu chauvinismo espanhol, ideologia antagónica com os interesses objetivos da classe operária e do conjunto do povo trabalhador.

A carência de umha formaçom ideológica sólida, alicerçada no estudo e reflexom da teoria de Marx e Lenine, da trágica evoluçom da Revoluçom bolchevique, das suas deformaçons e degeneraçons, provoca que frente à linha conciliadora eurocomunista instalada no “comunismo” espanhol, da sua consabida prática socialdemocrata e colaboracionista, optem por identificar o estalinismo como a vacina frente ao processo de acelaraçom da coexistência pacífica, renúncia à luita revolucionária emanada do XX Congresso do PCUS, e as suas nefastas consequências nos partidos comunistas tradicionais. Como se a orientaçom do PCUS desde os anos trinta seja um exemplo a seguir! Lembremos que Lenine já em 1921 definiu a URSS como um “estado operário burocraticamente degenerado”.

Sem lugar a dúvidas é necessário resituar a luita de classes na centralidade da política galega, desmascarar sem trégua o cancro do “cidadanismo”, da transversalidade e dos “interesses da gente”. A classe trabalhadora é a força motriz, a única classe potencialmente revolucionária.

A totalidade da esquerda reformista, e mesmo a denominada esquerda ruturista, tem interiorizado as categorias e conceitos do Capital, empregando idêntica terminologia que a burguesia, reproduzindo assim a ideologia dominante no movimento popular, domesticando a classe operária, desarmando o seu potencial antagónico, exercendo de muro de contençom das reivindicaçons e luitas, canalizando-as pola fracassada via eleitoralista. A mais mínima expressom de rebeliom, de exercício da autodefesa, é imediatamente abafada e condenada por questionar os “mecanismos democráticos”. Esta é a esquerda que necessita a direita para perpetuar sob a fachada democrática a exploraçom e dominaçom da maioria social.

Descartar as perversas tendências ao “unitarismo”, essa adulteraçom senil do movimento operário e popular, tam atrativa e fascinante, mas também inevitavelmente condenada a repetir os seus fracassos históricos.

A fórmula de Frente Única segue plenamente vigente. Devemos promover unidades táticas, sem descartar acordos estratégicos, entre as organizaçons e partidos de classe.

Frente única contra o fascismo, contra o capitalismo e o imperialismo, pola libertaçom nacional da Galiza, combinando dialeticamente a tática de “golpearmos juntos, marcharmos separados”. Cada organizaçom proletária deve defender e promover o seu próprio programa político, mas no momento da açom trabalhar em equipa.

A vigência da açom teórica de Marx, Lenine e o Che Guevara deve lançar ao lixo da História os Laclaus, Jeremy Corbyns, Varoufakis, Bernies Sanders, Errejons e especímenes similares, promovidos polos laboratórios “ideológicos” do imperialismo.

Somos plenamente conscientes das enormes limitaçons que arrastamos e possuimos, mas sem realizarmos umha rutura completa nom lograremos contribuir para a tarefa que com modéstia e determinaçom temos traçado.

Mugueimes, Val do Límia, 2 de julho de 2019