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[DOCUMENTO HISTÓRICO] A revoluçom e o movimento nacionalista

Sexta-feira, 7 Setembro 2018

Divulgamos um texto publicado em março de 1932 em “Bolchevismo”, a revista teórica do PCE.

O seu autor é o dirigente obreiro galego José Silva Martins [Compostela 1894-Caracas 1949].

Canteiro de profissom, foi Secretário do Grémio de Canteiros de Compostela, diretor do jornal operário “Lucha Social” [verao de 1919 a verao de 1920], e entre 1925 e 1928 exerceu de secretário geral do Comité Regional do Partido Comunista na Galiza.

Posteriormente, já em Madrid, foi redator do “Mundo Obrero”, e em 1937, durante a guerra de classes de 1936-1939, foi nomeado Secretário Geral do Instituto de Reforma Agraria do Ministério de Agricultura. Derrotada a II República espanhola abandona Catalunha sendo internado num campo de concentraçom francês antes de lograr exílio na República Dominicana, e posteriormente residir na Colômbia, antes de instalar-se na Venezuela.

O artigo, embora comete erros conceituais no emprego de categorias, é um tangível documento que demonstra que no seio do comunismo galego existia umha vontade de aplicar a teoria leninista do direito de autodeterminaçom na linha política do movimento operário.

Sabemos por Luís Soto que a direçom do PC de Ourense, encabeçada por Benigno Álvares, era partidária de constituir-se em PCG, em partido comunista patriótico, tal como assim figérom os comunistas cataláns fundando em julho de 1936 o PSUC.

Porém, mais alá das suas declaraçons, entrevistas e registos no seu livro biográfico “Castelao, a UPG e outras memórias”, ainda nom se encontrárom textos e documentos que constatem o grau de madurez e desenvolvimento desta linha patriótica, de indiscutível manufatura leninista.

O texto de José Silva Martins é umha exceçom que aplica as posiçons oficiais da VI Congresso da Internacional Comunista [Moscovo, verao de 1928].

Lamentavelmente esta tese nunca logrou organicidade, pois na atualidade o denominado ”PCG”, fundado em 1968 para fazer frente à fundaçom da primigénia UPG, nom é mais que a moribunda sucursal de umha força socialdemocrata e chauvinista denominada PCE, corresponsável da consolidaçom do postfranquismo, que atraiçou décadas de luita, a trajetória e sacrifícios heroicos da sua militáncia na luita polo Socialismo.

A açom teórico-prática do comunismo revolucionário galego fundado em 1996 edifica-se em base à tese de que numha formaçom social que padece a opressom nacional, a luita de classes adota a forma de luita de libertaçom nacional.

Umha linha equidistante do essencialismo patriótico interclassista e da vulgarizaçom pseudomarxista das diversas variantes da “esquerda” espanholista, alinhada com o projeto nacional reacionário da oligarquia.

Independência e Pátria Socialista.

Galiza, 7 de setembro de 2018

 

A revoluçom e o movimento nacionalista

Organizada a sociedade capitalista sobre a exploraçom e a rapina, nom só se desenvolve no seu seio a luita de classes, que indefetivelmente há de finalizar com o triunfo das massas expoliadas e oprimidas, senom que os Estados imperialistas vivem na constante luita com os povos submetidos, dando lugar a movimentos de rebeldia, e alçamentos revolucionários contra os opressores, que os comunistas temos de ter em conta como um fator importantíssimo da revoluçom proletária.

E nom só nos países coloniais e semicoloniais se produzem estes movimentos contra o imperialismo. Também dentro das naçons constituidas se levantam minorias nacionais contra o Estado central, reclamando a independência económica e cultural e em muitos casos a separaçom política do Estado central.

Os comunistas, inimigos encarniçados e irreconciliáveis do sistema capitalista, que temos em conta as suas contradiçons internas e os acontecimentos que delas se derivam ao aprofundar e sair à superfície provocando conflitos, a fim de desenvolver a nossa atividade de forma intiligente e eficaz, nom podemos ignorar o problema das nacionalidades oprimidas e o papel que joga a luita destas minorias nacionais pola sua independência no desenvolvimento da revoluçom.

De ai a atençom especial que empresta a I.C. aos movimentos dos povos coloniais e semicoloniais contra o imperialismo e aos de libertaçom das pequenas nacionalidades oprimidas contra os Estados capitalistas, atençom que se traduz no apoio decidido a todos os Partidos Comunistas do mundo à luita dos povos oprimidos.

De ai que os Partidos comunistas incluam entre as suas palavras e ordem a do “direito das nacionalidades oprimidas a dispor dos seus destinos livremente até proclamar-se independentes”, pondo-se sem reservas ao lado das minorias nacionais e povos coloniais para luitar contra o imperialismo.

O despertar das nacionalidades e povos oprimidos empreendendo a luita pola independência, por sacudir o jugo imperialista, afunda as contradiçons do regime capitalista e debilita-o. De ai que os interesses do movimento revolucionário da classe operária estém ligados estreitamente ao das nacionalidades e colónias pola sua libertaçom.

Por isso os comunistas, ao mesmo tempo que apoiamos o movimento dos separatistas, tratamos de uní-lo com o revolucionário dos trabalhadores, dizendo às massas separatistas que a sua libertaçom nacional está unida a sua libertaçom como explorados, e que só poderá ser umha realidade luitando ao lado do proletariado contra o inimigo comum, pola implantaçom de um regime baseado na uniom livre e fraterna dos diferentes povos e organizado sobre a economia socialista.

Formulado em Espanha o problema das nacionalidades com os movimentos nacionalistas da Catalunha, Bascónia e Galiza, o dever do proletariado de outras regions consiste em apoiar estes movimentos e arrancá-los da influência dos seus diretores, pequeno-burgueses e inteletuais que o ponhem ao serviço do imperialismo ou que, aproveitando-se do sentimento nacionalista dos mesmos, como na Bascónia, arrastam a combater pola mais negra reaçom.

Nom se edifica a uniom do proletariado e os camponeses de toda Espanha num só frente de luita contra o capitalismo, pondo os trabalhadores de Castela, Astúrias, etc, frente às aspiraçons dos seus irmaos da Catalunha, Bascónia e Galiza, ou desatendendo-se deste problema. Assim só se conseguiria dividí-los, debilitar as forças da revoluçom e apoiar de rejeitamento o capitalismo opressor.

Se o proletariado se pom contra as reivindicaçons nacionais dos cataláns, bascos e galegos, além de reforçar o imperialismo espanhol permite aos dirigentes do movimento nacionalista movimentar as massas que lhes seguem contra os seus próprios interesses de classe, arrastando-os a movimentos contrarrevolucionários, como em Bascónia, ou a luitar em benefício exclusivo dos chefes, como na Catalunha. Além, é umha das formas de dividir as forças revolucionárias dos trabalhadores, facilitando a tarefa dos chefes nacionalistas, que apresentariam perante os seus partidários ao resto dos trabalhadores espanhóis como inimigos das suas aspiraçons e aliados do imperialismo.

Tampouco a revoluçom espanhola adianta nada desconhecendo o movimento nacinalista e abandonando-o às suas próprias forças. Isto permite aos representantes do Poder central concertar compromisos com os chefes nacionalistas [como temos visto na Catalunha] e quebrantar assim o movimento revolucionário das massas nacionalistas pola independência, que é um fator importante para a revoluçom.

Porém, a missom do proletariado revolucionário é unir a aspiraçom nacionalista das massas de estes povos oprimidos às reivindicaçons gerais da classe operária e fundir num só o movimento revolucionário para derruvar o capitalismo opressor e acabar com a exploraçom dos trabalhadores.

Deixando a direçom do movimento nacionalista em maos dos chefes traidores sem tentar atrair as massas nacionalistas, supom um desconhecimento absoluto das forças revolucionárias e do seu desenvolvimento. Por isso o Partido Comunista inscreve na sua bandeira de luita a reivindicaçom da Catalunha, Bascónia e Galiza e proclama o direito destas nacionalidades a dispor livremente dos seus destinos, comprendido o direito a proclamar a sua independência.

Só tomando posiçom do lado das minorias nacionais que luitam pola sua independência, apoiando-as contra o Estado imperialista, fazemos labor revolucionária e trabalhamos pola unificaçom dos trabalhadores.

E nom se oponha a esta conceçom dos comunistas o argumento de que o proletariado é internacionalista.  A solidariedade internacional do proletariado seria negada por nós se nos opugeramos à libertaçom das minorias oprimidas, caindo, porém, num estreito patrioteirismo, contrário ao internacionalismo revolucionário. A aspiraçom internacional do proletariado deve realizar-se na uniom livre das naçons, nas relaçons fraternais de todos os povos. “Um povo que oprime a outros nom pode ser livre”, afirmou Marx.

Embora ser tam claro isto, existe entre alguns militantes umha incompreensom grande sobre o problema macionalista.  Ultimamente manifestou-se francamente em oposiçom à política do Partido sobre as nacionalidades o camarada Millá, que afirmava que o movimento nacionalista da Catalunha era artificial. E Millá é o representante de umha tendência que devemos combater implacavelmente, fazendo compreender a todos os camaradas a necessidade de luitar ao lado das massas nacionalistas da Bascónia, Galiza e a Catalunha pola sua independência. Por-se frente à política do Partido negando a existência de um movimento nacionalista em Espanha é voltar as costas à realidade. A débil argumentaçom de Millá afirmando que o problema é artificial já indica toda a sua falsa posiçom.

Como explica o camarada Millá a enorme movimentaçom de massas levada a cabo na Catalunha à volta do Estatuto? Seria possível se o movimento nacionalista fosse artificial? Como poderiam cotizar-se os chefes do “Estat Catalá” se nom existisse um sentimento nacionalista profundo na Catalunha?

Ignorar o movimento nacionalista nom exclui a sua existência, e argumentar sobre os privilégios e a prosperidade da regiom catalana para negá-lo é tam absurdo como pretender demonstar que nom há desempregados em Espanha porque o presidente da República desfruta a asignaçom de dous milhons de pesetas. O movimento nacionalista é um movimento real, que arrasta grandes  massas de trabalhadores, às que nom devemos deixar abandonadas sob a direçom dos chefes que as enganam e atraiçoam. O Partido Comunista deve ter umha política clara sobre as nacionalidades oprimidas e todos os militantes devem compreendé-la e aplicá-la com decisom e entusiasmo, combatendo as desviaçons que se iniciam e que podem ser um perigo para a marcha da revoluçom.