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República catalana e “esquerda”, entre o seguidismo e a metafísica

Quarta-feira, 11 Abril 2018

Carlos Morais

O procés tem provocado um terramoto no conjunto do regime postfranquista. A história mais recente de Espanha tem um antes e um depois a partir do início do maciço movimento popular que reclama a independência da Catalunha para construir umha República.

Nom só tem servido para retirar a careta “democrática” dumha monarquia continuadora do sistema imposto polo golpe fascista de 1936, tem servido para desmascarar o fraudulento discurso “ruturista” dumha “esquerda” espanhola que compite com o neofalangismo de C´s à hora de defender o chauvinismo imperialista hispano, e que nada fai para combater a deriva autoritária que promove a oligarquia.

Porém, este diagnóstico também salpica a “esquerda” hegemónica com centro de gravidade na Galiza, que segue alimentando um relato solidário com a Catalunha que nom se sostém mais que no ámbito do idealismo, claramente funcional para as suas práticas políticas no ámbito doméstico. A mais eficaz e útil solidariedade galega com a Catalunha é gerando um conflito similar na Galiza. Mas som “independentistas” de 25 de Julho ou no melhor dos casos de fim de semana.

O procés, tal como foi concebido, nom tem percorrido algum porque sem umha profunda alteraçom da linha tática nom se pode alterar a correlaçom de forças no seio do movimento independentista, nem modificar o empate entre o bloco republicano e a Catalunha que segue leal o unionismo monárquico.

Enquanto nengum dos agentes principais no seio do procés nom quebre com os fetiches e superstiçons sobre os que até agora se construiu o seu discurso, e portanto com umha açom teórico-prática tam empiricamente constatada como errónea, a Catalunha que aposta por dotar-se de um Estado está lamentavelmente condenada a nom atingir o objetivo.

A República da Catalunha só será possível quando o movimento de libertaçom nacional se dote de umha direçom e linha genuinamente operária, quando se liberte de toda essa casta de políticos que transitárom -numha oportunista metamorfose de manual-, do autonomismo ao independentismo, mas que perante a repressom e as ameaças optam por pactuar ou simplesmente abandonam o barco para salvar o seu património e o seu confort.

É umha ingenuidade acreditarmos ou deixar-nos arrastar por essa tendência tam maioritária nas fileiras da “esquerda” galega, que a República catalana para “mudá-lo todo”, empregando a fórmula da CUP, poda ter algumha relaçom com o brutal e repressivo corpo policial dos Mossos d´Esquadra, com os julgados burgueses alemáns, ou com o neoliberal Puigdemont.

A República da Catalunha só será possível quando o movimento de libertaçom nacional se desprenda do idealismo burguês promovido polas plataformas cidadanistas tuteladas pola neoconvergência do 3% e a socialdemocrata ERC.

Estas duas forças levam anos enganando um setor mui importante das massas sobre a viabilidade de atingir a República sem confrontaçom. A história tem demonstarado umha e mil vezes que a emancipaçom dos povos nom se consegue com “revoluçons de sorrisos”, com “primaveras”, com desobediências civis, nem com performances ou referendos. Sim com outubros vermelhos e primeiros de janeiro caribenhos.

Até que a esquerda independentista catalana substitua os charlatáns de Laclau e Gene Sharp polos revolucionários Marx e Lenine, e deixe de promover os tam aparentemente atrativos e sedutores como falsos cantos de sereia de métodos ensaiados sem resultados noutras experiências libertadoras, o procés simplesmente nom avançará.

Quando se produz um empate na correlaçom de forças, e nom existem possibilidades de alterá-la, só fica umha via para desbloquear o conflito.

A República da Catalunha só será possível quando o movimento de libertaçom nacional confie nas enormes potencialidades da classe operária, quando aposte por somar ao projeto emancipador da rutura com o regime oligárquico espanhol essa imensa maioria do proletariado e povo trabalhador abduzido pola demagogia das diversas variantes do espanholismo.

A República da Catalunha só será possível quando o movimento de libertaçom nacional deixe de confiar na UE, nas instituiçons internacionais tam do agrado do imperialismo, e decida com todas as suas consequências apoiar-se nas próprias forças.

A República da Catalunha só será possível quando o movimento de libertaçom nacional decida que um objetivo deste calado e trascendência para a Catalunha, mas também para o conjunto dos povos oprimidos da Europa como a Galiza, para a causa do Trabalho e da Mulher, nom emana das velhas instituiçons burguesas, nem de legalidades espanholas.

Quando se gerem estas condiçons subjetivas, confiaremos em que o irmao povo trabalhador catalám vai lograr a tam necessitada independência nacional, provocando umha ferida de morte ao corrupto regime do filho do rei nomeado por Franco.

Até alá, @s comunistas galeg@s seguimos e seguiremos defendendo e mobilizando-nos na solidariedade ativa com a República Catalana. Hoje somos CDR!

Galiza, 11 de abril de 2018