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O pensamento político do Che

Quinta-feira, 6 Julho 2017

O PENSAMENTO POLÍTICO DO CHE

O dever de todo revolucionári@ é fazer a revoluçom

Carlos Morais

O trigéssimo quinto aniversário da morte em combate de Ernesto Che Guevara ainda nom foi quem de ocultar o magnetismo cativador da sua figura de revolucionário coerente e idealista entre amplos setores populares do conjunto do planeta. De facto, a foto de Korda continua a ser um dos primeiros contatos simbólico-material com o pensamento emancipador da esquerda e a revoluçom para milhares de jovens, embora para um destacado setor dos mesmos, infelizmente maioritário, nunca chegue a ultrapassar a epidérmica concepçom de herói de banda desenhada, aventureiro romántico, exemplo mitificado de sonhos altruistas da adolescência, …

Mas este artigo nom pretende abordar a utilizaçom comercial da sua imagem, a leitura superficial do seu compromisso militante, nem tampouco difundir a sua desconhecida trajetória vital, mais bem pretende adentrar-se nas principais chaves do seu pensamento político, em permanente evoluçom, e do seu legado teórico, questionando os principais dogmas construidos à sua volta.

A sua intransigente coerência fijo dele umha figura incómoda para as correntes reformistas nas suas diversas variantes estalinistas, maoistas ou marxistas-leninistas, que, ao igual que o capitalismo, tendêrom a apropriar-se da sua limpa imagem de poster, promovendo a “adoraçom” inóqua e santoral de justiceiro, convertendo-o em representante da rebeldia juvenil, mas sempre esvaziando o seu conteúdo subversivo, projetando a sua fasquia digerível, ocultando o seu verdadeiro ser: dirigente comunista involucrado diretamente, até as últimas conseqüências, na luita contra o imperialismo e pola libertaçom dos povos e das classes trabalhadoras. Lenine em O Estado e a Revoluçom, referindo-se à figura de Karl Marx, explica perfeitamente este tipo de atitudes, quando alerta como “As classes opressoras, durante a vida dos grandes revolucionários, retribuírom-nos com incessantes perseguiçons, acolhiam a sua doutrina com a fúria mais selvagem, como o ódio mais feroz, com as mais furibundas campanhas de mentiras e calúnias. Depois da sua morte tenta-se transformá-los em ícones inofensivos, canonizá-los, por assim dizer, conceder ao seu nome umha certa glória para “consolar” as classes oprimidas e para as enganar, castrando o conteúdo da doutrina revolucionária, embotando o seu gume revolucionário, vulgarizando-o”.

Da etapa inicial até o contato com o marxismo

A etapa política da vida do Che, a diferença de outras muit@s dirigentes revolucionári@s, carateriza-se pola sua brevidade, pouco mais de treze anos, os que medeiam entre a vitória de Arbenz na Guatemala de 1953 e a sua morte em Bolívia em 9 de outubro de 1967, aos 39 anos de idade.

Para podermos compreender porque um argentino da pequena burguesia acaba convertendo-se num dos máximos dirigentes da revoluçom cubana, teórico da luita de guerrilhas, animador dum “modernizado” internacionalismo proletário, e expoente da corrente mais combativa e anti-autoritária do marxismo dos anos sessenta, cumpre realizar umhas pequenas notas aclaratórias da sua formaçom primária. Infatigável leitor desde a infáncia, mantivo sempre umha insaciável sede por conhecer e aprender. Na sua pesada mochila da selva boliviana portava a História da Revoluçom Russa de Trotsky, entre outros livros. A formaçom nos romances de aventuras clássicas (Salgari, Dumas, Stevenson, Verne) fomentárom a sua posterior insaciável paixom pola arqueologia, polas culturas indígenas, por viajar, até converter-se num perito conhecedor da realidade social latino-americana em que alicerça a sua singular visom continental e internacionalista da luita revolucionária. Posteriormente, realiza intensas leituras da literatura francesa, de Verlaine a Sartre; da espanhola (utiliza fragmentos de Dom Quixote para a formaçom de recrutas na Sierra Maestra), da latino-americana e conhece os principais romances indigenistas. Os refugiados republicanos exilados na Argentina contribuírom para reforçar a sua formaçom antifascista, transmitida inicialmente pola família: os pais pertenciam aos setores progressistas da pequena burguesia argentina.

As viagens realizadas a inícios da década de cinqüenta pola América e o contacto direto com a situaçom de opressom e miséria das massas populares do continente, e especialmente as vivências e experiências de processos de transformaçom social: o realizado na Bolívia de Paz Estensoro em 1953 e na Guatemala de Jacobo Arbenz (1951-1954) determinárom a sua evoluçom política e o seu compromisso com a luita anti-imperialista de parámetros marxistas.

marxismo do Che

Além dos textos que pudesse ter conhecido na biblioteca familiar, o primeiro contato com o marxismo tem lugar em 1952 em Lima, embora o estudo minimamente metódico do materialismo dialético nom tenha lugar até a etapa que abrange o processo de transformaçom social e reformas democráticas da Guatemala e os preparativos mexicanos para iniciar a luita guerrilheira em Cuba, ou seja, o período 1954-56.

Posteriormente, entre 1963-64, fruto das necessidades que provoca o profundo debate que tem lugar em Cuba sobre a orientaçom da economia e a construçom do socialismo, o Che volta a realizar estudos sistemáticos da obra e do pensamento marxista, embora continuassem a ser muito parciais, pois desconhecia a maioria da obra de Trotsky ou Rosa Luxemburgo.

A sua inicial relaçom com os comunistas do Partido Guatemalteco do Trabalho modula a sua adesom acrítica ao modelo soviético [1] , posteriormente reforçado pola influência que nos primeiros meses da revoluçom cubana recebe dos quadros do velho PSP, a seçom cubana do estalinismo.

Um maior conhecimento da obra marxista e as viagens que, como embaixador da revoluçom, realiza posteriormente polos países do leste, a URSS, China e Jugoslávia, afastam-no do dogmatismo reformista dos modelos imperantes naquelas sociedades, situando-se numha heterodoxa corrente de difícil classificaçom, caraterizada polo questionamento e a crítica radical daquelas experiências [2] . As suas contundentes críticas a Moscovo e Pequim provocárom que fosse erroneamente tildado de maoista, trotsquista, ou bakuninista polas respetivos aparelhos de propraganda desses regimes. O Che, desde a vitória de Playa Girón e o posterior desfecho da crise das Caraíbas em outubro de 1962, -quando os soviéticos imcumprem os acordos e negoceiam diretamente com Kennedy, humilhando a soberania nacional cubana-, abandona a ingénua visom idílica dumha URSS e uns “países socialistas” dispostos a “entrar em guerra para defender Cuba”.

Porém, este processo contraditório, -fruto dum desconhecimento profundo do marxismo-, provoca que no período 1962 a 1967 podamos continuar observando nos seus escritos e declaraçons certas oscilaçons e incoerências na sua avaliaçom e caraterizaçom dos modelos dos países do leste [3] . Como em todas as suas facetas vitais, viveu com intensidade o profundo debate e contradiçons do denominado movimento comunista internacional da década de cinqüenta e sessenta, mas sempre com umha concepçom criativa, ética e anti-autoritária do poder; assim, em maio de 1961, numha circular interna do Ministério que dirige proíbe “as indagaçons praticadas pola administraçom sobre a ideologia dos trabalhadores, já que tal prática resulta umha limitaçom da plena liberdade do homem” ou, também nesse mesmo ano, denuncia a impossibilidade d@s cuban@s da “Voz Proletária” de publicar “A Revoluçom permanente” por parte de setores do aparelho estatal.

As suas evidentes carências teóricas fôrom solventadas muitas vezes pola grande intuiçom que possuia e polas intensas conviçons éticas do seu compromisso revolucionário. A sua confiança ilimitada na força material e capacidade de mobilizaçom das massas, e no fomento e superioridade dos estímulos morais sobre os materiais, -cujo paradigma mais conhecido é o stakhanovismo soviético (difusor do egoísmo, a corrupçom e a consciênca burocrática)-, é o núcleo duro da sua concepçom do homem novo [4] , movido por motivaçons alheias ao materialismo capitalista, a qualquer resquício de mercantilizaçom na construçom da nova sociedade socialista. No citado ensaio O Socialismo e o homem em Cuba [5] podemos ler “nos momentos de perigo extremo é fácil potenciar os estímulos morais; para manter a sua vigência, é necessário o desenvolvimento dumha consciência em que os valores adquiram categorias novas. A sociedade no seu conjunto deve converter-se numha gigantesca escola”. A consciência revolucionária, a ideologia, a educaçom política das massas jogou um papel essencial no sua pensamento. Mas, a diferença de outros dirigentes e doutros processos, o Che demonstrou e defendeu com a sua prática a coerência no que acreditava, mais alá de palavras de ordem ou retóricas declaraçons de princípios: o trabalho voluntário, o comportamento exemplar, a generosidade, a austeridade, a intransigência contra todo o tipo de privilégios e desigualdades, o combate a qualquer forma de nepotismo ou corrupçom, como elementos genético-estruturais do modelo de construçom dumha sociedade socialista. Ernesto Guevara estava plenamente convencido de que “o desenvolvimentoo da consciência fai mais polo desenvolvimento da produçom que o estímulo material”.

O seu assassinato, a 9 de outubro de 1967, após ter sido capturado num desigual combate na selva boliviana, é o melhor paradigma da sua profunda e inabalável coeréncia vital. Renunciando aos mais altos postos da revoluçom cubana, abandona a ilha, e após umha curta, fracassada e ingrata experiência africana no Congo, escolhe o território boliviano para continuar a luita armada que iniciou quando embarcara em 1956 no Granma.

O Che foi muito categórico na denúncia da cumplicidade do socialismo real no subdesenvolvimento dos países do terceiro mundo por manterem um intercámbio desigual nas relaçons económicas. Solicitando com claridom que os investimentos sejam libertados do critério de rendibilidade, ou a transferência ilimitada de tecnologia; também criticou sem ambigüidades, nem sutilezas diplomáticas, a ausência de internacionalismo genuíno no virtual apoio às luitas destes povos (“As armas, nos nossos mundos, nom podem ser mercadorias; tenhem que ser concedidas grátis, nas quantidades necessárias e possíveis”). A experiência com os soviéticos na crise dos mísseis foi suficientemente clarificadora, e o Che, como ministro de indústria, era consciente da gravidade estratégica que para a revoluçom cubana supunha ter susbtituído a dependência económica dos USA pola URSS.

A respeito da orientaçom económica da revoluçom (1959-1964) o Che, desde a sua responsabilidade no MININD, mantivo um forte debate com os quadros estalinistas, os tecnocratas e os assessores económicos soviéticos, em aspectos fulcrais do modelo a seguir: o papel jogado pola consciência e o recurso aos incentivos morais; a necessidade de abolir todas as categorias mercantis na sociedade de transiçom: desde a gestom empresarial até a autonomia contável das empresas; a participaçom operária na autogestom e planificaçom industrial e económica; a superaçom da lei do valor. O Che nom aceitava a validez do modelo soviético e defendia o ensaio dumha via socialista original, denunciando a cumplicidade do “socialismo real”no subdesenvolvimento da maioria da humanidade [6] . Este intenso debate teórico que finalmente perdeu, adquiriu dimensom internacional com a participaçom de destacados economistas e  marxistas como Mandel ou Bettelheim.

Posteriormente, na Bolívia, voltou a constatar na sua própria carne o oportunismo e instrumentalizaçom das organizaçons estalinistas, concretamente a traiçom da direçom do PCB com o projeto revolucionário que estava desenhando.

Obra política

Diário de Bolívia, sendo a mais conhecida e divulgada, nom é, nem muitíssimo menos, a principal obra de Ernesto Guevara. Sem ser um teórico marxista, pois a sua maior achega foi o exemplo coerente da sua trajectória vital, “Fazer é a melhor forma de dizer” tal como escreveu José Martí, o Che tem umha destacada obra política vinculada à sua açom diária, à defesa do seu modelo de revoluçom socialista e à preocupaçom por solucionar os problemas teóricos da sua intervençom na realidade. De comandante guerrilheiro a ministro de Indústria ou presidente do Banco Nacional cubano, sempre dedicou esforços ao debate político, ao estudo do presente, à soluçom teórica dos problemas inerentes da intervençom política revolucionária, especialmente ao período da compromisso coa revoluçom cubana.

Além dos manuais amplamente difundidos sobre a luita armada, –A guerra de guerrilhas (1960) e Passagens da guerra revolucionária (1963)-, a obra do Che é bastante volumosa, -embora nom esteja ainda totalmente publicada (Os apontamentos filosóficos redigidos em 1966 após a frustrada experiência do Congo continuam inéditos)-, entre artigos, cartas, discursos, mensagens, entrevistas, prólogos, conferências.

Modelo organizativo e internacionalismo

No já citado ensaio O Socialismo e o homem em Cuba, realiza umha exposiçom do seu ideal do partido operário, tipicamente leninista: organizaçom vanguardista de quadros baseada na seleçom de membros, caráter pedagógico e exemplar da militáncia, espírito de abnegaçom e sacrifício, mas em nengum momento temos constáncia dumha verdadeira preocupaçom pola criaçom do partido comunista. Mas sim por impulsionar organismos supranacionais de coordenaçom de forças e organizaçons revolucionárias: a OLAS e a Tricontinental. Isto leva-nos a interrogar-nos se considerava superada a forma partido nacional substituindo-a por organismos suprapartidários, ou era a resposta concreta a umha situaçom determinada, -o bloqueio internacional de Cuba-, e aos graves erros teórico-práticos do estalinismo, plasmados na inviável e errónea resposta anti-marxista de “construçom do socialismo num só país”, aplicada pola URSS tentou numha situaçom semelhante.

O Che era consciente das enormes dificuldades de construir umha sociedade socialista sem a solidariedade de e com outras revoluçons em marcha. A política internacional da URSS ou da China nom se baseava no apoio aos movimentos revolucionários, mais alá dos seus interesses geoestratégicos. Quando lança a palavra de ordem “Criar dous, três Vietnam” nom está mais que explicitando a necessidade de gerar focos de confronto direto com o imperialismo para dispersar as suas forças, conseqüentemente debilitá-lo e assim avançar na revoluçom mundial.

Embora na sua lógica internacionalista da luita, -intimamente ligada à defesa do direito de autodeterminaçom dos povos-, a dimensom continental americana nom é umha originalidade do seu pensamento, sim desenvolve e aperfeiçoa de parámetros marxistas algumhas concepçons das revoluçons liberais decimonónicas contra o colonialismo espanhol e a visom do indianismo que conhecia desde criança.

Seguem existindo certas incógnitas de envergadura a respeito de porque escolhe Bolívia consciente de que parte das condiçons objetivas nom se cumpriam. O meio centenar inicial de combatentes de diversas nacionalidades era um foco guerilheiro boliviano ou era um estado maior que procurava um lugar idóneo para o treino militar de futuros focos em diversos pontos do continente. Nalguns dos cursos que se impartia aos combatentes de meia dúzia de nacionalidades ensinava-se quechua, mas os dialetos de Ñancahuazú pertenciam ao guarani.

Métodos de luita

O Che foi um fervente defensor da estratégia de luita armada como o melhor e único mecanismo para a libertaçom dos povos contra a opressom e a dominaçom. Parte da sua concepçom teórica tem sido incorretamente interpretada ao caraterizá-lo como exclusivo promotor da guerrilha rural e dos camponeses como base social das forças rebeldes, extrapolando parcialmente a experiência cubana. Mas numha leitura pormenorizada dos seus textos nesta matéria constatamos que considerava que a base camponesa sempre deve estar sob a direçom da classe operária [7] . Num artigo apologético dos guajiros de Sierra Maestra indica com claridom alguns das caraterísticas dos camponeses, nomeadamente o seu conservadorismo e profundo caráter individualista: “Este é um novo milagre da Revoluçom: o acérrimo individualista, que vigia celosamente os limites da sua propriedade e do seu direito individual, une-se, -sob o aprémio da guerra-, aos grande esforço comum da luita” [8] .

Quando na “Guerra de guerrilhas” afirma que “o terreno da luita armada deve ser fundamentalmente o campo” refere-se exclusivamente ao que ele define como a “América subdesenvolvida”. É consciente, por um intenso conhecimento da realidade latino-americana da profunda desconfiança das massas camponesas, caraterizadas por umha mentalidade de pequenos proprietários, para, após alcançar o usufruto da terra, aprofundar na via socialista.

A questom camponesa ocupa nas suas reflexons teóricas, nos seus escritos, muito menos espaço que a atençom emprestada ao proletariado industrial e fabril.

O Che era consciente que qualquer processo de luita revolucionária e a etapa de transiçom socialista tem que estar alicerçada numha correcta e sólida aliança entre a classe operária e camponesa para garantir o seu êxito.

Neste senso, a experiência dos processos da Bolívia, Guatemala e Cuba, assim como estudo da luita de classes, provocou que mantivesse sempre umha sá desconfiança sobre os propósitos progressistas das burguesias nacionais, e portanto suspeitar sobre a sua participaçom nos processos revolucionários dirigidos polo povo trabalhador. Frente às revoluçons nacionais-democráticas, o Che mantivo sempre a necessidade de avançar face a construçom do socialismo, desmascarando as verdadeiras intençons da burguesia nacional: “As burguesias autótones perdêrom toda capacidade de oposiçom ao imperialismo e constituírom unicamente o seu vagom de cola. Nom há outras mudanças por fazer, ou revoluçom socialista ou umha caricatura de revoluçom” [9].

Guevarismo

O dogmatismo que sempre combateu [10] apropriou-se, tal como indicamos anteriormente, de parte do seu pensamento, fazendo da sua interativa e original açom teórica umha mera caricatura, transformando as suas reflexons de processos concretos em universais dogmas mecanicistas condenados ao fracasso. O guevarismo, entendido como essa “corrente marxista” que pretendeu aplicar mimeticamente a experiência cubana a outras latitudes latino-americanas, com certa influência na década de setenta, gorou por desconhecer e portanto aplicar incorretamente as leis marxistas da dialética.

Mas o mehor dos valores do pensamento guevariano que tentamos dar conhecer neste artigo devem fazer parte do legado comunista das novas geraçons revolucionárias. Assim o vem fazendo Primeira Linha, sem converter o Che num santoral laico, mas reivindicando o seu exemplo e a sua lúcida caraterizaçom dos modelos burocráticos, consciente das imensas limitaçons do seu pensamento em aspectos fulcrais da transformaçom revolucionária dumha estrutura de classes como a emancipaçom da mulher, o questionamento da família patriarcal, ou da sexualidade.

NOTAS

[1] “Jurei perante um retrato do velho e chorado camarada Iósif Staline que nom descansarei até ver a aniquilaçom destes polvos capitalistas. Na Guatemala perfeicionarei-me e consiguirei o que necessito para ser um autêntico revolucionário”. Carta enviada a sua tia Beatriz desde Sam José (Guatemala), 10 de dezembro de 1953.
[2] Em O Socialismo e o homem em Cuba (Março de 1965) critica sem ambigüidades “a escolástica que tem freado o desenvolvimento da filosofia marxista e tem impedido sistematicamente o estudo deste período”.
Em 1966 comentando o Manual de Economia Política da URSS afirma que o “terrível crime histórico de Estaline” foi  “ter desprezado a educaçom comunista e instaurado o culto ilimitado à autoridade”.
[3] Se no artigo “O quadro político, espinha dorsal da Revoluçom” de setembro de 1962, analisa as desviaçons burocráticas de quadros revolucionári@s cuban@s semelhantes aos do aparelho dos países socialistas, meses depois, no famoso prólogo ao manual de Kuusinem “O Partido marxista-leninista” editado polo PURSC (antecedente do PCC, fundado em 1975) enquadra-se na estrita ortodoxia soviética ao defender o papel e exemplo do PCUS e dos partidos irmaos m-l.
[4] Num discurso pronunciado 22 de novembro de 1963 na campanha de eletrificaçom da ilha lança a palavra de ordem “Homem lobo nom. Homem novo sim”.
[5] Pode consultar-se na Biblioteca Marxista Galega (www.primeiralinha.org)
[6] “… o desenvolvimento dos países que iniciam agora o caminho da libertaçom deve ter um custo para os países socialistas … é umha conviçom profunda. Nom pode existir o socialismo se, nas consciências, nom tem lugar umha mudança que dé passagem a umha nova atitude fraterna frente à humanidade. Nós opinamos que este deve ser o espírito com que se fai frente à responsabilidade de ajudar aos países dependentes, e que nom tenha que falar-se de desenvolver um comércio de ventagem recíproca baseado nos preços que a lei do valor e as relaçons internacionais fundadas num troco desigual, fruto da lei do valor, imponhem aos países atrasados. Como pode ser “vantagem recíproca” vender a preços de mecado mundial as matérias primas, que custam suor e sofrimento sem limites aos países atrasados, e comprar a preços de mercado mundial maquinária produzida nas grandes fábricas automatizadas da época actual? Se estabelecermos este tipo de relaçom entre dous grupos de naçons, devemos admitir que os países socialistas som, em certo sentido, cúmplices da exploraçom imperialista.
Pode-se discutir o facto de que o monto do intercámbio com os países subdesenvolvidos constitui umha parte insignificante do comércio exterior destes países.
Os países socalistas tenhem o dever moral de pôr fim à sua tácita cumplicidade com os países exploradores de Ocidente”. Discurso pronunciado no Segundo Seminário Económico de Solidariedade Afroasiática, Argélia, 24 de fevereiro de 1965.
[7] No artigo “A guerra de guerrilhas: um método” em Cuba Socialista (Setembro de 1963) esclarece esta questom no parágrafo intitulado “A necessária direçom da classe operária”.
[8] “Lunes de Revolución”, 16 de julho de 1959.
[9] Mensagem à OSPAAL publicada pola revista Tricontinental em abril de 1967.
[10] “Pola noite dei umha pequena charla sobre o significado do 26 de Julho; umha rebeliom contra as oligarquias e contra os dogmas revolucionários”Diário de Bolívia, 26 de julho de 1967.