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Contra o muro, contra o imperialismo… Para confrontar a política imperialista de Trump: nem submissom, nem “unidade nacional”

Quinta-feira, 2 Fevereiro 2017

Anagrama PCM

Divulgamos traduzido ao galego o comunicado emitido polos nossos camaradas do Partido Comunista do México [PCM] sobre as medidas anunciadas polo novo presidente dos EUA de acelerar a construçom do muro entre ambos países, já iniciada por Bill Clinton. O comunicado do Buró Político do PCM combate com sólida argumentaçom marxista a retórica chauvinista da social-democracia mexicana, e com veemência afirma que a “luita contra Trump e o imperialismo norteamericano está ligada à luita contra os monopólios e o capitalismo no México, por isso é falsa a velha fórmula burguesa proclamada com veemência nos últimos dias: a “unidade nacional”.

Tal como anunciou na sua campanha, o Presidente dos EEUU, Donald Trump, assinou umha ordem executiva para a construçom do muro fronteiriço entre o seu país e o nosso, com o propósito expresso de conter a migraçom de trabalhadores mexicanos e de outras nacionalidades que nutrem a força de trabalho nos distintos ramos da produçom e os serviços nessa naçom norteamericana.

Sem mediaçons diplomáticas, Trump assegurou que a construçom de tal muro -o longo dos 3.185 quilómetros de fronteira– será paga polo México, num custo que se evalua entre os 15.000 e 20.000 milhons de dólares. Condicionou a anunciada reuniom com Enrique Peña Nieto, Presidente do México, ao compromisso deste com tal pagamento. Adicionalmente, o presidente norteamericano adota a medida de impor um imposto de 20% aos produtos mexicanos que ingredsan aod EUA para financiar a construçom do muro, com o que conclui de facto com os acordos arancelários incluídos no TLCAN, ao que pretende revisar na procura de condiçons ainda mais vantajosas para os monopólios que representa.

O Partido Comunista do México condena a construçom de tal muro fronteirizo e apresenta os seus pontos de vista sobre a maneira em que os trabalhadores devem confrontar a agressividade imperialista, antiobreira, anti-imigrante e racista.

Em primeiro lugar, é falso que os trabalhadores migrantes mexicanos, centroamericanos, latinoamericanos, haitianos ou de qualquer outra nacionalidade sejam responsáveis da miséria e as condiçons de vida paupérrimas da classe trabalhadora norteamericana. Este argumento demagógico foi proferido já na Alemanha dos anos 30, contra os trabalhadores de origem judeu e do Leste europeu, e atualmente se escuita na Uniom Europeia contra os trabalhadores migrantes de origem árabe e africano. O desemprego e a desvalorizaçom da força de trabalho som parte da natureza do capitalismo como modo de produçom. Com o racismo e os discursos reacionários, pretende-se distrair aos trabalhadores dos EUA das principais causas na base dos seus problemas, entre as que destaca a crise de sobreproduçom e sobreacumulaçom, que iniciou em 2009 e tem o seu epicentro nos EUA, e que no seu oitavo ano continua desvalorizando a força de trabalho, golpeando os direitos sociais e laborais. A classe obreira multinacional que conforma o proletariado norteamericano é ademais tam explorada como a classe obreira de outros países, com o fim de acrescentar as superlucros dos monopólios, e a relocalizaçom da indústria que devasta a outroras importantes cidades como Detroit, Cleveland, Pittsburg, Minneapolis, tem como motivo fundamental a maximizaçom do lucro dos monopólios dos diferentes ramos da indústria.

É igualmente falso que o ataque aos trabalhadores migrantes e as medidas protecionistas que promove Trump vam pôr fim à crise da economia capitalista. A profundizaçom desta crise está em curso e em consequência um maior ataque contra o conjunto da classe obreira e de todos os trabalhadores dos EUA, que no imediato significará brutais cortes aos serviços de saúde e ao chamado welfare, maiores cortes a orçamentos públicos para soster ganhos de capital e resgate das indústrias em quebra.

O ataque racista aos trabalhadores, intrínseco à dominaçom burguesa, acrescenta-se em tempos de crise, e também deve incrementar-se a resposta classista. A única resposta à crise capitalista -que já manifesta os limites históricos da propriedade privada dos meios de produçom e da mudança- é luitar pola unidade da classe obreira e as suas reivindicaçons políticas, em primeiro lugar o poder obreiro e o socialismo-comunismo; nom há termos médios nem estaçons prévias, e quem diga isso na realidade estará procurando prolongar a agonia, e em consequência as calamidades que padece cotidianamente a classe obreira e a família trabalhadora, assim como os setores populares e os povos do Mundo.

Nom queremos o muro fronteiriço, nem o muro de Israel contra o povo palestiniano, nem os campos de concentraçom contra os migrantes africanos e árabes na UE, nem as abusivas medidas racistas da polícia migratória mexicana contra os nossos irmaos trabalhadores hondurenhos, salvadorenhos, guatemaltecos, haitianos. O sofrimento do proletariado, que em muitos casos encontra a morte em mares e desertos, leva-nos a formular que nom é com nacionalismos nem com retórica populista sobre a soberania nacional como se haverá de confrontar o imperialismo, senom com o internacionalismo proletário.

Os comunistas, sabendo que nom é umha tarefa simples, fácil, nem instantánea, trabalharemos pola unidade da classe obreira do México e dos EUA, mas também dos trabalhadores migrantes de outras nacionalidades contra os monopólios que nos exploram e oprimem mancomunadamente.

A mao de obra imigrante é e foi sempre um componente essencial da acumulaçom pois tanto é maior a sobre-exploraçom como a extraçom de maisvalia derivada daquela. Propalando o racismo contra os trabalhadores migrantes, a burguesia procura antagonizar e criar conflitos entre os diversos setores da classe obreira para poder reduzir o valor da sua força de trabalho. Só a unidade dos trabalhadores, reiteramos, abrirá um caminho certo, sem chauvinismos, sem nacionalismos.

A luita contra Trump e o imperialismo norteamericano está ligada à luita contra os monopólios e o capitalismo no México, por isso é falsa a velha fórmula burguesa proclamada com veemência nos últimos dias: a “unidade nacional”.

A soberania popular nom está no interesse dos monopólios, pois a sua única pátria é o lucro. Só quando o capitalismo for derrocado e se ache triunfante o poder obreiro, os interesses soberanos sobre a energia, terras, indústria, recursos naturais, mares, fronteiras, serám garantidos. Isto é posível no contexto da construçom do socialismo-comunismo no nosso país. Há condiçons que madurecem para que essa obra frutifique.

A história ensina-nos como ao longo do século XX, nas ocasions nas que a classe obreira adotou a “unidade nacional”, hipotecou a su independência como classe subordinando-se aos interesses da burguesia, a qual aproveitou para maximizar os seus lucros e afirmar a sua dominaçom. Com a “unidade nacional”, assinarom-se umha e outra vez pactos obreiro-patronais nos que se desvalorizou a força de trabalho, aceitarom-se sem reparo medidas de austeridade, restringirom-se liberdades e direitos democráticos e laborais. Os pactos interclassistas sempre tenhem sido em prejuízo dos trabalhadores; no México, afiançarom-se gestions populistas que avançárom na concentraçom e centralizaçom do capital e producírom um período de estabilizaçom que favoreceu à classe dominante.

A retórica “anti-imperialista”, pragada de um discurso antinorteamericano, disfarçou os laços de interdependência que se teciam entre os monopólios de ambas naçons, e que se fortalecérom com a assinatura do TLCAN em 1994, em tanto que a ideologia da “unidade nacional” se arquivava para outros tempos.

Mas hoje a classe dominante encontrou útil “desempolvar” essa política de “unidade nacional”, com vários objetivos, em primeiro lugar logrando a unidade da própria burguesia e as suas expressons políticas, da direita e o liberalismo até a social-democracia e a nova social-democracia.

No seu discurso na Cidade Acuña, Coahuila, López Obrador apela imediatamente a fechar fileiras com Peña Nieto, esquecendo sem rubor que o considerava um presidente ilegitimo, em tanto que ele era, obviamente, o presidente legítimo do México. Nele apresentou umha série de medidas que poucos dias após adotou Enrique Peña Nieto. Na mesma direçom alinhárom rápidamente todas as cámaras patronais, os partidos registados, o poder legislativo, os meios de comunicaçom, os inteletuais orgánicos do sistema. Em toda a classe dominante existe o consenso sobre a “unidade nacional”, e o maior vozeiro é Carlos Slim, cabeça de um dos monopólios que mais superlucros obtem.

As medidas que impulsiona som falsas saídas, placebos, palavrório, demagogia. Enganos, numha palavra.

No meio dessa febre de chauvinismo, os monopólios encontrarám a forma de negociar com Trump e o imperialismo novas regras que os favoreçam, acordos que se pode prever terám um caráter secreto e de costas a ambos povos. Além, estám preparando o camino para que a gestiom da nova social-democracia de MORENA e López Obrador, ao que nestes dias se tenhem somado o monopólio de TV Azteca e o ex Secretário de Governaçom Esteban Moctezuma, conquistem a Presidência em 2018.

Mas inclusive por cima desses objetivos, está sobre todo atenuar a luita de classes no nosso país -que se acentuou com o início de 2017, após os efeitos da crise capitalista que se recarga na economia popular, nos bolsos dos trabalhadores, com o “gasolinazo”, a carestia, o aumento selvagem dos custos dos produtos básicos, o transporte, os serviços-, e as ondas de protestos, que embora espontáneas por agora, exprimem o potencial de luita da classe obreira e os setores populares contra o poder dos monopólios.

O Partido Comunista do México apela aos trabalhadores a nom cair na trampa da “unidade nacional”, a nom cair na lógica dos acordos interclassistas, nem na conciliaçom de classes, e a intensificar a luita consequente contra o imperialismo que é em primeiro lugar a luita contra os monopólios no México.

O Partido Comunista do México apela à luita para romper com os acordos interestatais como o TLCAN, e as novas formas que adquira depois das previsíveis modificaçons na porta a sua arquitetura.

O Partido Comunista do México apela à organizaçom dos trabalhadores migrantes na fronteira norte, além as fronteiras nas grandes cidades dos EUA, e também na fronteira Sul do nosso país, onde os nossos irmaos proletários centroamericanos sofrem da Polícia Migratória mexicana similares vejaçons às que se vivem por parte da US Border Patrol.

O nosso apelo é ao internacionalismo, nom ao nacionalismo; o  nosso apelo é a posiçons classistas, nom à “unidade nacional”. O nosso apelo é à unidade com os trabalhadores norteamericanos, e nom com os nossos carrascos, os nossos exploradores que som a classe dos burgueses, cujas políticas de fame e miséria forçam a milhons de trabalhadores do nosso país a procurar na emigraçom laboral melhores condiçons de vida; esses burgueses que constroem muros de exclusom e injustiça social nas nossas cidades e povos, a volta das suas luxosas zonas residenciais e centros comerciais, em tanto que a imensa maioria explorada pervive com o indispensável.

Proletários de todos os países, unide-vos!

Buró Político do Comité Central

1 de fevereiro de  2017