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[MEMÓRIA COMUNISTA GALEGA] Henrique Líster

Quinta-feira, 8 Dezembro 2016

lister“Se a minha pena valera a tua pistola

de capitám, contento morreria”.

[António Machado]

Tal  dia como hoje, 8 de dezembro de 1994, falecia Henrique Líster Forjam, o mais universal líder comunista galego.

O canteiro de Ameneiro -mito da guerra de classes de 1936-39 no Estado espanhol-, passou à História entre muitos outros méritos por ser o único general de 4 exércitos [República espanhola, URSS, Polónia e Jugoslávia].

Nacionalizado russo com o nome de Vissiaranovich Lisevski, Líster é um dos mais destacados filhos do povo trabalhador galego.

Reproduzimos a versom completa da breve biografia elaborada para a agenda da esquerda independentista de 2013, editada por NÓS-UP.

Henrique Líster

Nasce na aldeia de Ameneiro, freguesia de Calo, Teu [comarca de Compostela] 21 de abril de 1907. A sua mae era labrega e o pai canteiro. Com tam só 11 anos emigra a Cuba. Trabalha nas obras do Capitólio e do Centro Galego de Havana, onde  aprende a ler e escrever com 14 anos. Após voltar à Pátria em 1925 escapa para Cuba dous anos depois, fugindo da repressom. Incorpora-se o recém constituido Partido Comunista Cubano dirigido por Julio Antonio Mella.

De volta novamente à Galiza, entra no PCE, continuando assim o seu compromisso revolucionário.

Com vários dos seus irmaos, funda o Sindicato de Oficios Vários de Teu, participando ativamente nas luitas labregas e obreiras no complexo contexto do pistoleirismo patronal.

Proclamada a República, entre 1932-35, como quadro destacado do PCE foi enviado à URSS para cursar estudos de formaçom política na Academia Lenine da Komintern em Moscovo, especializada na formaçom de oficiais de todas as Forças Armadas, e militar na Academia Frunze, do Exército Vermelho.

Nesta etapa, participa na construçom do metro moscovita, sendo muito apreciada a sua experiência de canteiro.

De volta ao Estado espanhol, estabelece-se em Madrid integrando um comité restringido de questons militares promovido polo PCE. Perante o crescente perigo de golpe de estado, som constituídas as Milícias Antifascistas Obreiras e Camponesas (MAOC), que funcionárom como força armada de choque.

Após a fracassada Revoluçom de outubro de 1934, e vitória eleitoral da Frente Popular em fevereiro de 1936, tivo um papel mui destacado na organizaçom em Madrid do V Regimento, a primeira escola militar de unidades milicianas.

Foi precisamente o Batalhom Galego do V Regimento, sob direçom do comandante Esturao, quem enarbolou por primeira vez umha bandeira da Pátria com estrela vermelha de cinco pontas.

Antes de finalizar julho de 1936 combate na Serra de Guadarrama. Posteriormente no Tejo, Toledo e suroeste de Madrid. A sua experiência técnica e capacidade organizativa fôrom determinantes para um rápido ascenso por méritos de guerra.

Depois da militarizaçom das unidades de voluntários e criaçom do Exército Popular Republicano, é nomeado comandante da 1ª Brigada Mixta, atingindo no transcurso da guerra a máxima graduaçom para procedentes da escala nom profissional.

Como responsável da 11ª Divisiom converte-a na mais seleta unidade republicana, encargada de suportar os mais duros combates nas batalhas de Guadalajara, Brunete, Belchite e Teruel.

Em maio de 1937, seguindo ordens do governo, dissolve o Conselho Regional de Defesa de Aragom, governo de facto autónomo sob hegemonia anarcosindicalista.

Em julho de 1938, na Batalha do Ebro, recebe o comando do V Corpo do Exército, resistindo com êxito durante dous meses o peso dos ataques franquistas, até a retirada organizada face a Catalunha, e após a queda de Barcelona passa a França.

Polos excecionais serviços prestados, é ascendido a Tenente Coronel voltando às trincheiras de combate. Em março de 1939, exilia-se junto com o Governo Negrín, estabelecendo-se na URSS e freqüentando novamente a formaçom na Escola Militar Frunze e nacionalizando-se russo, com o nome de Vissiaranovich Lisevski.

Incorpora-se ao Exército Vermelho durante a Segunda Guerra Mundial, atingindo o grau de General a URSS, Polónia e Jugoslávia.

Durante mais de duas décadas, fai parte da direçom do PCE, destacando como voz mui crítica face a nova direçom carrilhista eleita no VI Congresso, decorrido em Praga em dezembro de 1959.

Instalado na França após a Segunda Guerra Mundial, realizou tarefas de organizaçom e enquadramento da guerrilha, mas foi perdendo peso político no interior do PCE ante a consolidaçom da linha de Reconciliaçom Nacional.

A invasom soviética da Checoslováquia (1968) provocou o confronto com a linha eurocomunista de Santiago Carrillo, dando assim início à cisom que deu lugar à fundaçom do Partido Comunista Obreiro Espanhol [PCOE] em 1973.

Em 1977, regressou do exílio. Às poucas horas de pisar Compostela, foi homenageado num multitudinário e apoteósico recebimento popular de caráter espontáneo na alameda da capital da Galiza.

Nos anos seguintes, colabora com a esquerda independentista organizada em Galiza Ceive. Reingressa como militante no PCE em 1986, após a expulsom de Carrillo.

Faleceu em Madrid a 8 de dezembro de 1994.