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Greve Geral e crise de dominaçom

Sábado, 16 Maio 2009

 

Iñaki Gil de San Vicente

 

Convém reler W. Reich em “Psicologia de massas do fascismo” onde denuncia o conteúdo reaccionário da psicologia burguesa por sustentar que é irracional que os explorados vam à greve, que os famentos “roubem” comida, etc. Para a ideologia dominante a resistência é irracional e a psicologia tem de estudar esses actos irracionais, combatê-los e impor a racionalidade do poder. Mas W. Reich di que o problema é exactamente o oposto: “o que é necessário explicar nom é que o famento roube ou que o explorado se declare em greve, mas porque a maioria dos famentos nom roubam e porque a maioria dos explorados nom vam à greve”. Por “roubar” devemos entender, seguindo a lógica marxista de W. Reich, a recuperaçom polo famento do produto do seu trabalho, os bens que pertencem ao povo trabalhador e que fôrom expropriados pola burguesia, e também a recuperaçom da independência nacional por parte de um povo invadido, expropriado polo ocupante. Por exemplo, para a racionalidade burguesa, é um “roubo” que os obreiros em greve recuperem a fábrica fechada polo seu dono oficial, enquanto para estes é todo o contrário, é recuperar o que é deles, produto do seu trabalho, para nom morrerem à fame. Este autor sustenta que a passiva obediência de explorados e famentos se explica, além de por outras razons, também polas cadeias mentais que formam a estrutura psíquica de massas que o capitalismo gerou nas classes exploradas.

Portanto, quando a maioria do povo trabalhador se lança a organizar umha Greve Geral é que aumenta o questionamento da racionalidade do poder, do seu princípio de autoridade e obediência, ou dito em outros termos, que a crise de dominaçom se agudiza. Os “especialistas” em sociologia, o disfarce “científico” da ideologia burguesa, nom se dignam a entrar nestas questons, decisivas por outra parte. Sim o fai quem conhece a dialéctica entre as condiçons objectivas e as subjectivas. Por exemplo, a começos dos ’70 no Chile da Unidade Popular investigava-se criticamente porque existiam explorados que se opunham com posiçons de direita ao governo de Allende apesar das conquistas sociais que se estavam a conseguir. Entre outras conclusons, chegárom ao seguinte: “A sociedade capitalista gratifica a renúncia à reflexom, atribuindo ao indivíduo umha pseudo-felicidade; a obediência forçada às forças incompreensíveis é sentida como prazer”, em “Sexualidade e autoritarismo”. (El Cid, Editor. Buenos Aires 1976). A obediência sentida como prazer e pseudo-felicidade, imposta pola proibiçom da reflexom crítica e livre, impede que a pessoa explorada tome consciência da sua realidade insustentável, polo que nunca se imagina que pode recorrer à greve, ao “roubo” e à luita. A acçom destes e outros grupos revolucionários quebrou as cadeias mentais de amplos sectores populares. Sabemos qual foi a resposta: um longo rosário de ditaduras militares, de terrorismo em soma que exterminou mais de 150.000 pessoas nas Américas, obrigando dezenas de milhares a ficarem mudas, a se esconderem ou exiliarem.

Como a velha toupeira que imperceptivelmente destrói as raízes do poder, em Euskal Herria a crise de dominaçom avança com problemas, retrocessos e solavancos. Os Estados espanhol e francês som conscientes disso e todas as suas medidas, absolutamente todas, vam destinadas a reforçar as correntes mentais e materiais que nos esmagam. Analisando os cinco processos fundamentais que vivemos neste mês de Maio vemos que nos remetem para a crise de dominaçom: um, a fraude eleitoral e o retrocesso democrático qualitativo; dous, a preparaçom da Greve Geral; três, os debates sobre a aproximaçom das forças soberanistas e independentistas; quatro, os efeitos mais prolongados da crise capitalista, e cinco, o relançamento das mobilizaçons de todo o tipo, especialmente contra a repressom e em favor das prisioneiras e prisioneiros. Todos se agudizarám com o tempo, como veremos, mas agora devemos centrar-nos na decisiva importáncia que tem a Greve Geral porque vai directa ao nó górdio, o da dialéctica entre a opressom nacional, a exploraçom de classe e de sexo-gênero, dialéctica que nasce de umha totalidade concreta objectiva dotada de auto-consciência e subjectividade próprias: Euskal Herria.

A Greve Geral nom é o nó górdio só da conjuntura actual, mas também da evoluçom futura do contexto. O seu impacto na conjuntura é óbvio ao mostrar que “o rei está nu”, isto é, que toda a propaganda sobre a virtuosa democracia que padecemos é um farrapo fedorento que nom oculta as injustiças e corrupçons do poder que nos esmaga a diário, e que, como um vampiro, engorda com o nosso sangue. Além do mais, o desemprego, a precariedade e a pobreza, som denunciadas pola Greve Geral nom como efeito do destino cego, da sorte ou da vontade maligna e desumana dos deuses, e sim como efeito do capitalismo em geral, e do basco em concreto porquanto este está para enriquecer umha burguesia colaboracionista com a opressom nacional. A Greve Geral descobre a razom de fundo das forças “incompreensíveis” acima vistas, mostrando a dinámica da exploraçom classista e deixando à vista aos sectores dubitativos ou alienados do povo trabalhador que nom é irracional luitar polo que nos pertence, sendo na realidade a máxima expressom da consciência emancipada e independente.

A Greve Geral do próximo 21 de Maio influi sobre a evoluçom do contexto porque, em síntese, confirma a existência de umha força popular e obreira tal qual é a estrutura de classes do capitalismo basco neste momento. A acçom colectiva, um passo prático, ultrapassa assim a verborreia de cem programas e teoricismos abstractos ou caducos sobre as classes sociais, e pom na rua o actual povo trabalhador basco segundo é ele mesmo, com as suas contradiçons e mudanças permanentes, mas como a força social decisiva para um futuro e inevitável processo negociador. Ao mesmo tempo e polo lado contrário, descobre a natureza da burguesia basca como classe proprietária das forças produtivas e inevitavelmente, desmascara o ruim e mesquinho interesse dos partidos e sindicatos, da imprensa, etc, que se lançárom contra a Greve Geral com todas as suas forças, incluídas as repressivas. Deste modo, fai ainda mais compreensíveis as “forças incompreensíveis” que regem a opressom nacional que padecemos e os métodos para a superarmos. Assim, passo a passo, aprofundamos e estendemos a crise da dominaçom hispano-gala e capitalista.