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Editado Abrente 75

Quinta-feira, 5 Março 2015

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O vozeiro do nosso Partido correspondente ao primeiro trimestre de 2015 já está na rede.

Além dos artigos de opiniom de Helena Sabel sobre a romantizaçom da violência machista e o sugerente “Galiza no atlas mundial da Revoluçom” de Ramiro Vidal Alvarinho, a seçom de análise do número 75 do Abrente conta com um texto de Óscar P. Vidal sobre o declínio industrial na Galiza e as tendências em curso no centro capitalista.

Na seçom de internacional o economista argentino Jorge Beinstein denuncia o TTIP, o projeto de integraçom entre os Estados Unidos e a UE.

A maior novidade deste número é a nova seçom “Aprender sempre” a cargo da recém criada Escola Nacional de Quadros Comunistas Moncho Reboiras, como espaço de divulgaçom da teoria marxista. A mercadoria é a primeira categoria analisada, com a sugestom de dous livros e umha página web na que pode aprofundar.

Reproduzimos o editorial intitulado “A fascinaçom do ilusionismo eleitoral”.

A fascinaçom do ilusionismo eleitoral

Poucas semanas bastárom para que o ilusionismo eleitoral depositado na Syriza se esfumasse, deixando claro as suas limitaçons e enganos.

O flamante governo grego –autodefinido como “de esquerda radical”-, que tanta euforia e expetativas gera nas forças políticas galegas e espanholas que tratam de imitar o seu êxito nas urnas, nom demorou a ceder às pressons da troika, incumprindo flagrantemente o cerne do seu programa eleitoral.

Alexis Tsipras e Yanis Varufakis optárom por se submeter ao diktado da Eurozona, acedendo a implementar um pacote de novas reformas e ajustamentos para assim conseguir desbloquear novos empréstimos e umha prórroga do letal “plano de resgate”.

Deste jeito, o governo grego continua sem recuperar a soberania nacional, agindo como um simples protetorado de Berlim e Bruxelas, atado aos compromissos ultraliberais para a entrega dos recursos e riquezas nacionais a bancos e empresas estrangeiras dos governos do PASOK e da Nova Democracia. Renuncia assim a implementar a nova política económica e social que lhe concedeu o mandato das urnas com base nas suas promessas eleitorais.

Esta claudicaçom nem nos surpreende nem nos dececiona. Todo se ajusta bastante ao adulterado guiom do reformismo e das ensinanças de anteriores processos históricos em que  fracassárom similares falsas expetativas do ilusionismo reormista. Algo similar sucedeu com a chegada de Tony Blair a Downing Sreet em 2007, de Barack Obama à Casa Branca em 2009 e de François Hollande ao Eliseu em 2012. A social-democracia e outros reformismos alimentárom enormes expetativas que a realidade desmentiu de imediato.

O que está a acontecer na Grécia fai parte do ADN de um movimento político sem princípios, construído com base na soma de forças oportunistas da esquerda reformista e de setores desagregados da social-democracia. Juntos conseguírom um enorme e fulgurante sucesso nas urnas, perante a exigência de resultados imediatos emanados da desesperaçom da imensa maioria do povo trabalhador grego polo empobrecimento maciço que afeta o conjunto da populaçom do país.

Um governo de salvaçom nacional, um governo obreiro e popular que pretenda combater e paliar a miséria do seu povo, recuperar o crescimento económico investindo no bem-estar social, tem que aplicar um plano de choque, um conjunto de medidas que renacionalizem os setores estratégicos da economia nacional e combatam os monopólios e as multinacionais que só provocam pobreza. E esta equaçom irremediavelmente passa pola saída da Uniom Europeia -causa e fonte da pobreza dos povos periféricos e das maiorias trabalhadoras-, assim como da NATO e dos organismos internacionais que, como o FMI, aplicam com mao de ferro os interesses do imperialismo. Mas também polo nom pagamento de umha dívida ilegítima derivada de créditos abusivos e imposiçom de obscenos juros.

Um genuíno processo de transformaçom social está intrinsecamente ligado à recuperaçom da soberania e da independência nacional. Sem capacidade real de decidirmos, de instituiçons próprias sem tutelagens nem condicionantes externos, nom é possível implementar a vontade popular. Isto é aplicável a naçons sem Estado como a Galiza ou a naçons formalmente independentes que paulatinamente tenhem perdido a sua soberania, como a Grécia ou Portugal.

O engano da Syriza grega é um claro aviso do que na Galiza reproduzirám aquelas forças que agora concorrem para disputar a sua referencialidade.

Construir um amplo movimento obreiro e popular dotado de um programa de libertaçom nacional é umha vasta tarefa em que @s comunistas galeg@s estamos comprometidos. Mas este objetivo tem que se levantar de forma horizontal, sem ambigüidades nem enganos, porque do contrário imediatamente será pasto da adulteraçom que carateriza o ilusionismo eleitoral.

Nom descartamos, nem nos opomos, à utilizaçom dos mecanismos da acumulaçom de forças eleitorais que permitam vitórias que contribuam para dinamitar o regime burguês, abrindo novos horizintes sobre os quais construir umha nova sociedade. Mas sim somos conscientes e alertamos das limitaçons intrínsecas desse modelo, tal como se pode constatar nas enormes dificuldades que atravessa o processo revolucionário bolivariano, sob a permanente desestabilizaçom da guerra económica e as ameaças de golpes de estado.

Sem desmontar o Estado burguês, sem golpear os interesses da burguesia vendepátrias e pró-imperialista, sem aprofundar na democracia obreira e popular, sem quebrar com as estruturas internacionais de dominaçom impostas polo imperialismo, nom é viável nem possível avançar na construçom de umha sociedade de transiçom ao socialismo.

O povo pobre e trabalhador da Venezuela é consciente das limitaçons de um sistema híbrido em que o capitalismo de Estado convive traumaticamente com o imenso poder de umha burguesia hostil e parasita que conspira para que a Pátria de Chávez e Bolívar volte a ser umha colónia ianque. Sabe que só aprofundando na via socialista e deixando fora de jogo a oligarquia será possível levar a bom termo os ideais de justiça, igualdade, liberdade e paz. O governo do presidente Nicolás Maduro tem que adotar sem demora umha decisom de caráter estratégica que exige o povo bolivariano: despreender-se da burocracia corrupta e avançar no Socialismo comunal, ou negociar com a oposiçom “democrática” tal como exige a direita endógena e a boliburguesia. A dous anos do falecimento do comandante Hugo Chávez, o tempo joga claramente em contra do processo perante a gravidade da situaçom.

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A crise do regime espanhol tem provocado profundas alteraçons no mapa político eleitoral que as vindouras eleiçons municipais constatarám na sua verdadeira dimensom.

O recâmbio populista e espanholista representado por Podemos, que umha parte do regime promociona perante o desgaste do PSOE, já começou a retirar a sua máscara e a mostrar a sua verdadeira natureza de força continuísta e comprometida com o sistema.

Mas também a perda de vigor da esquerda patriótica galega, tanto no ámbito nacionalista como independentista, está a facilitar o abrolhar de mornas iniciativas galeguistas liberais que, disfarçadas de movimento social plural e abrangente, só pretendem ocupar o espaço institucional que facilite a plena integraçom e assimilaçom da Galiza no projeto imperialista espanhol, assim como um acomodamento para umhas elites claramente corresponsáveis da situaçom de crise do projeto nacional galego. A volta de Quintana mediante a nova força política centrista e neoliberal recentemente apresentada exprime a sua mesquinha ambiçom polo poder à custa de desafiar as contradiçons internas de um BNG atado ao taticismo eleitoral e carente de umha estratégia independentista e rupturista.

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Iniciamos neste número 75 de Abrente umha nova seçom a cargo da recém criada Escola Nacional de Quadros Comunistas Moncho Reboiras, como espaço de divulgaçom da teoria marxista. A intençom da mesma é avançar na recuperaçom e socializaçom do pensamento revolucionário fundado por Karl Marx e Friederich Engels, cuja vigência se mantém e afirma com mais força com cada nova crise das que ciclicamente golpeiam o modo de produçom capitalista.

Achamos necessário dotar a militáncia revolucionária e, em geral, os setores mais avançados do nosso povo, dessa ferramenta invencível que é a autoconsciência crítica e de classe, através do mais avançado sistema de análise e pensamento para a açom anticapitalista.

Concebemos o marxismo como sistema baseado na obra de Karl Marx e do seu camarada Friederich Engels, mas também nos contributos realizados por numerosos autores e autoras a partir daí, a par e passo das transformaçons e acontecimentos operados no próprio andamento do capitalismo até hoje.

Longe de qualquer pretensom erudita ou elitista, tencionamos oferecer versons simplificadas e claras, mas nom vulgarizadoras, das diferentes categorias marxistas, avançando no conhecimento do pensamento revolucionário do nosso tempo como totalidade ao serviço da revoluçom galega e mundial.

Ficamos desde já a dispor das nossas leitoras e leitores para maiores esclarecimentos ou sugestons sobre a seçom e sobre as atividades da própria Escola Nacional de Quadros Comunistas Moncho Reboiras, que neste momento inicia a sua trajetória nestas páginas.