Abrente

Ediçons digitais da publicaçom trimestral do nosso partido

Documentaçom

Textos e outros documentos políticos e informativos de interesse

Ligaçons

Sites recomendados de ámbito nacional e internacional

Opiniom

Artigos assinados sobre temas de actualidade galega e internacional

Video

Documentos audiovisuais disponíveis no nosso portal

Home » Abrente

Editorial do Abrente nº 74: Galiza e nós

Domingo, 4 Janeiro 2015

capa74Já saiu o novo número da nossa publicaçom trimestral, Abrente, que atingiu o número 74. Oferecemos a seguir o editorial, como adianto da ediçom completa e gratuita que, como sempre, será publicada em breve.

Editorial Abrente nº 74

Cada semana que se passa, o governo espanhol do PP fica mais parecido com o dumha ditadura encurralada. A camarilha encabeçada por Mariano Rajoi, incapaz e sem vontade política de mudar as políticas económicas e sociais que provocam um empobrecimento e exclusom sociais cada vez mais estendidas, cercado pola corrupçom generalizada, aposta na adoçom desesperada de medidas autoritárias, por fortalecer ainda mais o mastodôntico aparelho repressivo.

A aprovaçom da “Lei Mordaça”, os novos anúncios de reforma do Código Penal, a compra de sofisticado material repressivo, as operaçons e medidas constantes contra a liberdade de expressom na rede, as ameaças e intimidaçons contra toda manifestaçom democrática… som as principais decisons de um Conselho de Ministros que nada tem que invejar aos que Franco presidia.

A crise do regime de 1978 continua a acelerar a sua descomposiçom, tornando cada dia mais complexa a sua recomposiçom ordenada. Mas o governo opta pola bunquerizaçom, por fechar-se nos muros da Moncloa e nas atalaias dos ministérios de Madrid, fazendo ouvindo surdos ao clamor popular que reclama profundas transformaçons e alteraçons do roteiro.

Perante este delicado cenário, o poder económico do Ibex 35 resolve avançar numha dupla via. Obviamente, continua a apoiar o ilegítimo e submisso governo de Rajói, que aplica minuciosa e disciplinadamente os parámetros ultraliberais e centralistas que exigem os conselhos de administraçom; mas também vê com melhores olhos e menos receios cada dia a ambígua alternativa representada por Podemos.

O fenómeno político e mediático encabeçado por Pablo Iglesias é umha funcional e excecional saída alternativa para evitar a descomposiçom do pós-franquismo. À medida que os inquéritos de intençom de voto aproximam o partido dirigido polos 5 magníficos da presidência do governo espanhol, a complutocracia que dirige o experimento populista vai permitindo conhecer o seu verdadeiro rosto.

Podemos nom só pretende susbtituir e ocupar o espaço do PSOE como um dos alicerces do monopartidarismo bicéfalo, como está a agir já enquanto principal ferramenta que garante a unidade do Estado espanhol que reclama e exige a oligarquia. As reveladoras declaraçons dos seus principais líderes em relaçom ao processo independentista catalám nom som interpretáveis. Podemos é o principal aríete espanhol para impossibilitar que a maioritária vontade de construir um Estado soberano catalám atinja o seu objetivo. A brilhante retórica do partido construído nos tubos de ensaio da torre de marfim da Universidade Computense e de convencionais e alternativos programas de televisom, nom deixa de agir como um letal e certeiro hacker contra o direito a decidir do povo trabalhador catalám e contra a eventual luita nacional da Galiza e do resto de povos oprimidos polo Estado imperialista espanhol.

No nosso caso, perante a fragilidade que carateriza na atual conjuntura histórica o projeto nacional galego, este fenómeno político/mediático está a minar as bases do movimento popular, questionando a especificidade e singularidade da nossa luita de classes, convertendo-se no principal agente espanholizador dos movimentos sociais e das luitas populares.

No entanto, o realmente grave e preocupante é a penetraçom do seu discurso entre setores socias e políticos do soberanismo galego, ingenuamente fascinados polo fulgurante ascenso eleitoral dumha sigla carente de qualquer consistência para agir como força revolucionária, ou no pior dos casos genuinamente transformadora.

Perante o desenvolvimento deste fenómeno, a única resposta possível passa pola unidade das forças e organizaçons nacionalistas e independentistas com prática de esquerda rupturista. Sem a abertura de um processo criativo e imaginativo, guiado pola generosidade e o patriotismo, que promova a recomposiçom integral do campo da esquerda nacional, nom está assegurada a viabilidade do projeto político da Naçom Galega.

Cada mês que se perde à hora de procurar espaços comuns de intervençom e luita, de favorecer e ensaiar a mestiçagem política das tradiçons e culturas que conformamos a constelaçom da esquerda que pensa e age a partir e para a Galiza, estamos a favorecer que a Pátria de Rosalia e Reboiras caminhe irremediavelmente para a definitiva liquidaçom como sujeito nacional.

Sem lugar a dúvidas, as responsabilidades som coletivas, embora umhas forças tenham do mais que outras.

E referimo-nos a construir a ferramenta político-social que necessita a maioria social galega, dotada de um programa avançado e um modelo organizativo flexível.

As municipais de 2015 teriam sido umha ocasiom excecional para implementar esta cenário. Tal como o desenvolvimento e consolidaçom de entidade Galiza pola Soberania (GpS), como iniciativa suprapartidária. Porém, uns optam por antepor os mesquinhos interesses imediatistas de siglas gastas e cada vez com menos prestígio, às necessidades da luita de libertaçom nacional, cada vez mais ameaçada polo que semelha avanço da espanholizaçom do País em todos os seus ámbitos.

O Pólo patriótico rupturista que reclamavamos no anterior editorial do Abrente é umha necessidade ineludível.

O mesmo que a construçom do partido comunista combatente, patriótico e revolucionário, única garantia de evitar que a luita de libertaçom nacional e social de género nom se desvie dos seus objetivos estratégicos e acabe dirigida polo oportunismo.

Sem um influente e poderoso partido comunista nom é possível garantir a plena soberania dumha Galiza independente porque só o socialismo afiança e reforça a soberania e a independência nacional frente as ameaças permanentes do imperialismo.

Crise nacional e de classe: a Galiza em construçom ou deconstruçom?

Nom é novo apontarmos nestas páginas para os riscos que o povo galego enfrenta frente à estratégia histórica de Espanha pola construçom da sua naçom, que passa pola liquidaçom das que se veem submetidas à sua administraçom.

Já durante o século XIX, numerosos povos conseguírom quebrar a lógica dependente imposta, constituindo sucessivos novos estados ao longo desse século e do seguinte.

Na atualidade, é o povo catalám aglutinado polo Principat, muito aquém dos históricos Països Cataláns, que afronta em condiçons mais favoráveis o desafio assimilacionista espanhol. Porém, está longe de ver garantida a sua própria autoconstruçom nacional, apesar de contar com umha importante maioria social independentista, inclusive um segmento da própria burguesia nacional.

O povo basco, heroico resistente por todos os meios possíveis durante as últimas décadas, enfrenta especiais dificuldades derivadas da nova fase após o abandono da via armada da ETA, caindo a sua vanguarda política numha indefiniçom que precisa de resolver com urgência.

No caso da Galiza, a ofensiva recentralizadora espanhola apanha-nos numha situaçom de crise generalizada do movimento sociopolítico que protagonizou durante o último meio século a regeneraçom das forças nacionais e populares.

O papel cada vez mais secundário do BNG e do seu mundo coincide com o enfraquecimento das luitas sociais, se bem é devido a causas mais complexas derivadas do seu próprio papel durante os últimos quinze anos, atraiçoando o seu próprio e original perfil rupturista em favor da integraçom no regime espanhol.

A essa realidade soma-se a incapacidade política da esquerda independentista para erguer umha alternativa nacional e de classe que tomasse o relevo para fazer avançar as forças da Galiza resistente.

Neste cenário, o reformismo movimentista floresce no conjunto do Estado espanhol, sendo a Galiza um dos espaços em que isso é mais notório e útil para a causa da oligarquia defensora da referida e inconclusa construçom histórica de Espanha.

A quebra da unidade do nacionalismo nucleado pola UPG originou primeiro umha formaçom intermédia, Anova, que ensaiou sem complexos umha aliança estável com o espanholismo “de esquerda”. O aumento fulgurante de AGE (Anova+IU) deu passagem ao surgimento de Podemos como referente desse movimentismo de aspiraçons renovadoras e propostas social-democratas que, pola primeira vez desde o PSOE de Felipe González, afirma e reivindica sem complexos a sua espanholidade.

À espera do desempenho eleitoral do novo partido mediático, a deconstruçom do sujeito político galego continua e a esquerda independentista nom fica à margem.

De facto, o nosso partido enfrentou nos últimos meses a sua própria crise, em parte relacionada com a situaçom descrita, mas sobretodo devedora das próprias carências do nosso processo de construçom do partido comunista para a Revoluçom Galega.

A meio ano da realizaçom do nosso 6º Congresso, umha Conferência Nacional (a 5ª) serviu no passado dia 30 de novembro para pôr sobre a mesa, com total abertura, as importantes diferenças suscitadas por um setor significativo de militantes.

O debate saldou-se com o abandono de um grupo de camaradas do sul da Galiza, os quais pugérom em questom princípios fundamentais da própria organizaçom comunista. A suposta flexibilizaçom da compartimentaçom, a reinterpretaçom do centralismo democrático e a confusom em torno da existência da secretaria-geral fôrom discutidos e rejeitados pola maioria da militáncia.

Por trás dos termos concretos em que se manifestou esse conflito, ficou em evidência a escassa consistência e autonomia militante como causa de umha crise que expressou também umha evidente frustraçom pola falta de avanços quantitativos no horizonte estratégico do nosso movimento.

É aí que se enxerga a relaçom profunda entre as crises periódicas da militáncia do nosso partido ou, mais amplamente, do nosso movimento, com a tendência histórica de deconstruçom da Galiza como sujeito político. A evidência de que a crise vai muito além das nossas fileiras, atigindo em cheio o conjunto da esquerda nacional, reafirma essa tese, com a qual nom pretendemos evitar a parte de responsabilidade que corresponde ao nosso partido como escola de militantes comprometidos com a desalienaçom coletiva através da praxe revolucionária.

A crise que enfrentamos nestes meses, a maior da nossa história em termos quantitativos e qualitativos, deve servir para aprendermos do que durante anos temos feito mal e para erguermos um projeto comunista à altura das necessidades do nosso povo: mais forte, mais formado e (auto)crítico, com militantes autónomos capazes de o discutirem todo enquanto se batem pola nova sociedade que queremos construir.

Para isso, nom chega com a arma do ativismo, da qual temos dados mostras abundantes em todos estes anos. É imprescindível também fortalecer a invencível arma da verdadeira autoconsciência, com base na formaçom e no combate a toda forma de fetichismo disfarçada de prática revolucionária, que tem minado e mina tantas organizaçons ditas comunistas.

Algumhas das medidas que possibilitem iniciar o caminho da retificaçom estám aprovadas e com certeza irám ter continuidade no próximo 6º Congresso. Entre elas, umha renovada aposta a fundo na autoformaçom coletiva marxista, que logo será visível na prática do nosso partido, incluídas estas mesmas páginas da nossa publicaçom periódica, o Abrente.

Da mesma forma, a nossa militáncia defenderá um novo impulso no conjunto do movimento de que nos sentimos parte, junto a outros companheiros e companheiras independentistas, feministas e de esquerda, no apoio de fórmulas progressivamente mais amplas, unitárias e abrangentes.

A sucessom de crises que enfrentamos, a começar pola da decadente civilizaçom capitalista como até agora a conhecemos, continuando pola do sujeito nacional galego e culminando na do nosso próprio Movimento de Libertaçom Nacional supom um desafio sem precedentes na nossa história militante.

A ele responderemos com mais militáncia, mais estudo, mais política e mais praxe revolucionária, sem esquecer que o comunismo nom é um ideal nem umha utopia absoluta, e sim um movimento real, umha utopia concreta que deve desenvolver-se diante dos nossos olhos pois, como afirmou Marx, “um passo do movimento real vale mais que mil programas”.