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Sermos Galiza entrevista o camarada Carlos Morais, secretário-geral do nosso partido entre 1998 e 2014

Terça-feira, 9 Dezembro 2014

carlos

[Olalha Rodil] Secretário-geral de Primeira Linha desde a sua fundaçom em 1998, Carlos Morais anunciou a sua demissom no passado dia 30 de novembro, após umha conferência política da organizaçom. Com ele conversamos sobre a cisom que motiva a sua renuncia e do processo interno que se abre no seio da formaçom a partir de agora, mas também do contexto político que atinge a esquerda nacionalista e independentista galega na atualidade e do futuro do projeto nacional galego.

Anunciaste a tua demissom no dia 30 de novembro. Quais fôrom as razons que te levárom a tomares esta decisom?

No dia 30 de novembro, realizamos umha Conferência nacional do partido, porque havia umha série de diferenças político-organizativas no seio de Primeira Linha. Concretamente, um conjunto de militantes que na Conferência optárom polo abandono da organizaçom, mas que vinham desde há vários meses expressando umha série de diferenças a respeito da aplicaçom do centralismo democrático, para além de se mostrarem contrários à existência de compartimentaçom. De maneira implícita, defendiam a necessidade de reconhecer correntes de opiniom no seio do partido e também questionavam a figura da secretaria-geral. Convocou-se a conferência e nela debatêrom-se dous informes, um elaborado polo Comité Central e outro por um militante ajudado por um conjunto de ex-camaradas. Nesses documentos, apareciam recolhidas as duas visons de como devia ser o modelo participativo de Primeira Linha. Há que ter em conta que PL desenvolveu em 2013 a sua IV Conferência Nacional, em que tinha ratificado o modelo de partido comunista de quadros. O Comité cuida que um ano e meio depois nom havia lugar para reabrir o debate, um debate que, aliás, questionava o cerne do partido. Fruto dessa confrontaçom de ideas, um sector reduzido optou polo abandono. Essas fôrom as principais diferenças. Ora bem, logo teriam a sua expressom no ponto de vista da política de alianças, o modelo de projeto revolucionario para este país, embora nom se chegasse a explicitar de maneira escrita.

Aí é onde decides dar um passo atrás ou era a organizaçom quem entendia que devias dá-lo?

Tinha previsto demitir-me fruto dessas divergências. Em boa parte, é um fracasso por parte do Comité Central e, nomeadamente, daquela persoa que o encabeça, ao ser incapaz de manter a coesom do partido. Previamente tinha pensado abandonar a minha responsabilidade no Congresso ordinário, convocado para 26 de abril. Mais acelerei a decisom porque consideramos -ou considerei- que a minha demissom era o que mais podia ajudar à perdurabilidade do projeto político marxista-leninista iniciado em 1996. Ao mesmo tempo, isso também me permitia ultrapassar na própria Conferência nacional umha limitaçom do secretário-geral num debate, já que está um pouco atado ou condicionado pola própria responsabilidade. Desta maneira, podia dizer exatamente o que pensava. Nom foi umha novidade, entendo que para o exterior sim, mas para o partido e para a sua direçom era algo que estava pactuado.

Entom é um passo atrás, mas nom umha saída de Primeira Linha…

Contrariamente a algumhas interpretaçons que se figérom após o comunicado, que apontavam para a minha saída de Primeira Linha, isso nom é certo. Continuo no Comité Executivo e no Comité Central. De maneira que dou um passo atrás. A minha intençom é deixar de ser umha pessoa com projeçom pública e nom exercer de porta-voz. Em funçom da minha disponibilidade e do que o conjunto do partido considerar, veremos onde encaixo no período que se abre agora.

Falavas da baixa dum grupo de pessoas que, ao mesmo tempo, se localizam principalmente no sul do País. Como fica organizativamente agora Primeira Linha?

Pola vez primeira desde 1996, há umha cisom. Chamemos as cousas polo seu nome. É um abandono coletivo dum conjunto de militantes. As baixas produzem-se, basicamente, do rio Leres para o sul. Essas pessoas fôrom comunicando através de correio electrónico ao Comité Central a sua baixa, mas isto nom supom que a organizaçom desapareça do Leres para baixo, embora algumhas dessas pessoas sejam quadros destacados do ponto de vista político-organizativo. Agora toca iniciar um processo reorganizativo, de impulso e de reagrupamento. Nós nom temos interesre em entrar em confrontaçom com os ex-camaradas que continuam a ser companheiros na Unidade Popular [NÓS-UP]. Mas nom houvo acordo porque essa parte da organizaçom nom quijo chegar a ele.

Quais as diferenças ideológicas e como reverte todo isto em NÓS-UP?

Nom sei quais som as diferenças políticas a respeito da linha tática. Primeira Linha realizou o V Congreso em 2010 e nele definimos as diferentes fases da Revoluçom Galega, apostando na via insurreccional para conseguir construir na Galiza umha pátria socialista. Essa é a posiçom que nós imprimimos através de NÓS-UP. Em fevereiro de 2013, NÓS-UP -fruto das mudanças que se vinham dando no seio do nacionalismo maioritario- promove ou inicia umha série de contatos que culminam na primeira manifestaçom unitária nacionalista e independentista desde havia décadas. A partir daí, inicia-se um processo de unidade parcial, muito concreta, nom constante, com o BNG e outras organizaçons da esquerda nacionalista. Isso terá também a sua expressom na constituçom da GPS, embora esta nom chegasse a coalhar pola falta de vontade do BNG, embora nós pensássemos que era um projeto estratégico que ia permitir que pessoas muito variadas pudéssemos fazer trabalho conjunto através da ideia que nos une, que é a soberania nacional.

Da Unidade Popular, entendemos que há um avanço imparável do furacám que representa o espanholismo “de esquerda”, tanto no plano político como no social. Com as suas diferentes expressons. Nesse senso, nem a esquerda independentista nem o BNG tenhem capacidade para frear esse avanço. Cremos que estám esgotadas a maior parte das siglas da esquerda patriótica. Tanto o Bloque como a de NÓS-UP, por isso é preciso encetar um processo de recomposiçom integral da esquerda patriótica. Defendemos pular por um Polo Patriótico Rupturista e isso teria que vir gerido por um processo em que as diferentes organizaçons -com generosidade e olhar estratégico– optássemos por umha refundaçom. Ou entom será inviável parar o processo de espanholizaçom. Achamos que o projeto nacional galego está à beira da sua derrota estratégica. A esquerda independentista -fruto da sua fragmentaçom e debilidade- é hoje incapaz de ocupar o espaço que representa o nacionalismo de esquerda e, se isso cair, a Galiza como projeto político vai desaparecer antes ou depois. Nestes momentos, constatamos que o BNG opta por reforçar as suas siglas. Haverá que aguardar aos resultados das municipais para que se dê conta umha parte da direçom do Bloque da catástrofe para a qual caminhamos.

Qual é o clima com que encara a militáncia de Primeira Linha este processo de debate interno de cara ao Congresso de abril?

Primeira Linha é hoje um partido mais coeso que o dia 30 de novembro, mais foi um golpe moral importante. Seguimos acreditando na existência dum partido de quadros, leninista, seletivo, unificado e centralizado. Continuamos com o projeto para diante, também com umha política comunicativa mais transparente, daí que se emitisse um comunicado -contrariamente ao que se teria realizado noutra ocasiom- reconhecendo a cisom e a demissom do secretário-geral.

Botando a olhada atrás, como avalias todo este tempo transcorrido à frente de Primeira Linha?

Primeira Linha nasce no seio do BNG. Na altura de 1996 a frente patriótica nom permitia a existência dumha corrente que se definisse claramente como independentista e as condiçons subjetivas e objetivas impossibilitavam crescer. Aí decidimos sair do Bloque e iniciar um processo de unidade de açom com o independentismo que daquela existia, muito mais fragmentado e debilitado que na atualidade. O projeto até agora foi evoluíndo em diferentes etapas, dando lugar à reformulaçom do campo da esquerda independentista. Dumha parte, com o surgimento de NÓS-UP fruto do Processo Espiral, diferentes iniciativas de caráter mais amplo e nom partidário como as Bases Democráticas Galegas, a criaçom da primigénia Causa Galiza num momento determinado, etc. Nós cremos que o projeto que se funda em 95-96 nom atingiu umha boa parte dos objetivos marcados, neste tempo, nem a nível organizativo nem a nível social, embora julguemos que noutras vertentes sim o fijo, fazendo contributos para a esquerda patriótica.

O balanço é positivo e negativo, se temos essas duas questons em conta. Atualmente, é evidente que estamos imersos numha crise capitalista a escala mundial, acompanhada no Estado espanhol dumha crise do próprio regime. Neste contexto, as forças da esquerda independentista nom estamos a ser capazes de encabeçar o descontentamento social que está a ser canalizado por forças de aparente caráter radical e rupturista, mas que nom som mais que a segunda versom do que aconteceu a final dos 80. Podemos nom é mais que o PSOE 2.0, o instrumento mais útil para um setor da oligarquia para perpetuar o sistema e evitar que o descontentamento acabe numha revolta popular. A médio prazo pode dar numha enorme frustraçom.

Falavas da construçom dum Polo Patriótico Rupturista. Cuidas que será factível?

Há um conjunto de atores e agentes políticos e sociais dentro da esquerda patriótica que som minoritários, sim, mais tenhem umha carga do ponto de vista político-ideológico e de legitimidade aos quais o nacionalismo hoje nom chega. A convergência destes vai criar um efeito chamada entre centenas ou milhares de ativistas sociais que neste momento estám orfos ou optam polo mal menor, mais que coidam que o BNG nom representa umha força política rupturista, pois a identificam como umha sigla mais do regime, cos matices que lhe queiramos colocar. Nós continuamos a apostar na recomposiçom da esquerda patriótica. É urgente que a esquerda nacional se mova. A espanholizaçom entre as faixas de idade mais novas é evidente. Mesmo aqueles setores em que a esquerda nacional era hegemónica, como o movimento estudantil e juvenil, estám a ser disputados pola esquerda espanhola. Nós temos enormes dificuldades na hora de transmitir com pedagogia política que os problemas reais da maioria da populaçom, desemprego, precariedade laboral, emigraçom, pobreza… só se podem resolver se aqui existem mecanismos de decisom, se temos soberania plena. Há que mudar todo para poder ser um instrumento útil, eficaz para Galiza no século XXI, e nom continuar com a cabeça posta no século XX, que é o que nos acontece ao conjunto da esquerda patriótica.