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Editado Abrente 73

Quinta-feira, 17 Julho 2014
Abrente 73 web_Página_1
Já está na rua o número estival do Abrente que será distribuido de forma maciça nas mobilizaçons patrióticas de 24 e 25 de julho.

Nesta ocasiom a editorial, perante o avanço do reformismo espanholista, defende a necessidade de promover um quadro galego de luita e um pólo patriótico rupturista.
Anjo Torres Cortiço, da Direçom Nacional de NÓS-UP, desmonta as falácias dos consensos da transiçom em “Suárez, a mitologia da “Transiçom” e os movimentos do regime”.
O fenómeno funcional da força política encabeçada por Pablo Iglesias é analisado por MIguel Ramos Cuba em “Podemos, think tank espanhol”.
Continuando com a divulgaçom do ideário leninista no 90 aniversário da sua morte, Maurício Castro aborda as achegas ao marxismo no campo da luita nacional em “Leninismo e libertaçom nacional”.
O processo independentista catalá, ocupa a seçom de internacional com um artigp de Xose Lombao, militante da CUP.
Finalmente as recomendaçons de leituras contam com sugestons elaboradas por Eva Cortinhas, Carlos Garcia Seoane e Helena Sabel.
Na Contracapa, Iago Barros -dirigente de BRIGA-, denuncia em “Extraterrestres” o desprezo do regime espanhol contra a juventude

Quadro galego de luita e pólo patriótico rupturista

 

Os resultados eleitorais das europeias de maio constatárom a dimensom da crise de legitimidade do regime espanhol emanado da Constituiçom de 1978. A perda da maioria eleitoral dos dous partidos do bipartidarismo bicéfalo provocou enorme preocupaçom entre os poderes fáticos, que vírom em risco o modelo vigorante nas últimas quatro décadas. Como saltárom as alarmes a bloco oligárquico, optou por implementar umha das opçons que há anos reservava, com o intuito de perpetuar o capitalismo espanhol: mudar o desgastado chefe de Estado nomeado diretamente por Franco. Contrariamente aos desejos de Juan Carlos, que se negou voluntariamente a abdicar, as empresas do Ibex 35 e o Clube Bilderberg optárom por cessá-lo fulminantemente como melhor forma de cortar momentaneamente a hemorragia da perda de mais de 5 milhons de votos polo PP e o PSOE.

Sendo umha decisom com certos riscos, os resultados até o momento fôrom satisfatórios para o regime.

O debate republicano ocupou durante semanas a atençom pública como nunca tinha acontecido, mesmo superando a etapa da transiçom, mas em negum momento se configurou um movimento de massas que na rua pugesse em perigo a débil estabilidade do Estado espanhol. Para que o sistema caia, nom chega que se corcoma internamente por um conjunto de crises parciais que concatenadas adotam a forma de multicrise estrutural. O sistema por ele só nom vai ruir. Há que tombá-lo, mas isto só é possível combinando a existência de forças organizadas dispostas a fazê-lo e massas na rua a luitar com decisom por idêntico objetivo.

De momento, as organizaçons revolucionárias ainda nom atingimos a dimensom imprescindível para contribuir para a queda do sistema e o grau de consciência social, em constante desenvolvimento face posiçons antagónicas com os falsos consensos impostos polo pós-franquismo, ainda está muito afastada do mínimo patamar que permita transitar da desafetaçom com a casta cleptocrática para posiçons rupturistas.

Nom podemos desconsiderar que o debate “monarquia versus república”, que acompanhou a abdicaçom do caçador de elefantes e a proclamaçom do seu filho, foi promovido por umha das organizaçons do regime. PCE/IU jogou um rol determinante no lifting do franquismo e na imposiçom dos acordos que permitírom transitar da ditadura franquista para a atual monarquia constitucional. Em nengum momento, os de Cayo Lara nem AGE, -a sua sucursal autóctone-, pretendêrom a queda da monarquia. O reformismo espanhol só buscou estruturar e alargar a sua base social, abrir contradiçons no PSOE, e ressituar-se eleitoral e institucionalmente num sistema que nom pretende transformar.

 

Crise política do regime promove novo rosto eleitoral

A aceleraçom da crise do PSOE é umha das principais conseqüências do 25 de maio. O principal partido do regime, essencial para garantir a sua estabilidade evitando a sua descomposiçom, perdeu a legitimidade social e mais de dous milhons e meios de votos, e basicamente as possibilidades de umha recomposiçom a meio prazo. E o ascenso de IU foi freado de raiz polo fenómeno Podemos. O partido dirigido a partir da torre de marfim dumha universidade madrilena e liderado por um telepredicador alterou o mapa político institucional espanhol, mas também galego. Umha das expressons da crise de um regime é a deceçom que gera entre setores sociais que até o momento vinham apoiando o sistema enquanto beneficiários. A grave crise económica nom só afeta com intensidade a classe operária e as camadas populares, também golpeia setores intermédios que estám a experimentar um progressivo processo de proletarizaçom. A deceçom abrolha e, após um período de confusom e perplexidade, exprimida no abstencionismo ou difusamente canalizada polo 15M, adota forma política.

Consciente de que nas situaçons excecionais é necessário tomar decisons com certas doses de risco, parte do capitalismo espanhol optou por fomentar, através do seu potente aparelho mediático, umha substituiçom ordenada do espaço que parcialmente até o momento vinha ocupando o PSOE, mediante a promoçom dumha figura carismática com um discurso sugerente e aparentemente rupturista, mas perfeitamente integrável na lógica sistémica, que cumpra a funçom de anestesiante social e evite o deslocamento do desassossego para posiçons rupturistas.

 

Unidade patriótica face avanço da esquerda espanholista na Galiza

Outra das conseqüências das eleiçons europeias é o avanço do espanholismo de esquerda no nosso país.

As causas nom se podem achar na conjuntura imediata. Devemos entender o preocupante fenómeno em curso como resultado da açom combinada de factores objetivos e subjetivos com fundamentos históricos.

A traumática entrada forçada da Galiza na CEE -antecendente da atual UE- provocou a desfeita do mundo rural e um golpe demolidor ao marinheiro, destruindo boa parte das bases materiais e sociais da etnicidade galega e, portanto, do projeto nacional, facilitando assim a acelaraçom do pocesso de assimilaçom que o imperialismo espanhol leva séculos a tentar impor.

As erráticas políticas ensaiadas de forma contraditória polo nacionalismo galego desde a década dos noventa do século passado, agudizadas com um prolongado período de convulsom após o continuísta governo bipartido que cristaliza na cisom do BNG de 2012, contribuírom para a sua perda de credibilidade e identificaçom com posiçons sistémicas entre os novos setores sociais emergentes, que hoje som ativos na luita política e social contra o regime, especialmente entre a juventude.

A assimilaçom que o ensino e os meios de comunicaçom fomentam, a hegemonia do paradigma estatal nas redes sociais alimentam a espanholizaçom da luita. As chaves madrilenas som cada vez mais fortes e mais difíceis de combater pola perda de vitalidade do nacionalismo e pola incapacidade da esquerda independentista de incidir e alargar o seu espaço sociopolítico.

A curta perspetiva do período trasncorrido já permite caraterizar de traiçom o abandono do quadro nacional de luita e a renuncia à auto-organizaçom nacional de parte do corpo organizado das forças patrióticas que entregárom em bandeja de prata a direçom política do movimento de massas ao espanholismo. Após ter perdido, na segunda metade da década dos setenta do século XX, a hegemonia na orientaçom das luitas sociais, o PCE, agora da mao do beirismo, como água de maio, recuperou a capacidade de incidir na luita sociopolítica galega. E, seguindo a sua pior tradiçom chauvinista, converte-se num agente ativo na destruiçom do projeto nacional à medida que vai influindo nos conflitos sociais, transladando chaves foráneas e empoleirando-se no poder institucional.

A única forma de fazermos frente a este preocupante fenónemo é erradicar da prática e da lógica sociopolítica do conjunto do movimento soberanista galego os complexos e timoratismos inoculados durante décadas em boa parte da sua militáncia. É preciso dar passos firmes e claros na unidade de açom do conjunto das forças políticas e sociais situadas no campo da esquerda patriótica.

Para frear o espanholismo “de esquerda”, é necessário que o nacionalismo se dote de um programa genuinamente classista e nom duvide em intervir guiado sempre polo princípio indiscutível da auto-organizaçom nacional.

Há que manter a calma e agir com serenidade. O submetimento à pressom ambiental nom contribui para realizar análises rigorosas da realidade, nem muito menos para intervir com habilidade e inteligência.

Os fenómenos em curso podem ser passageiros, ao estarem tutelados e dirigidos polo sistema, porque som funcionais para a estabilidade e para a perpetuaçom que agora vê ameaçada polo incremento das luitas populares e nacionais. Mas se há cessons e leituras laxas dos princípios medulares da luita de libertaçom nacional e social de género, caminharemos ineludivelmente face a derrota estratégica a que nos quer conduzir Espanha.

Neste contexto, a luita ideológica recupera máxima importáncia. Eis porque a esquerda independentista mantivo um férreo combate contra o espanholismo durante as mobilizaçons permanentes de junho em prol da República Galega.

Nom é hora da resignaçom nem de relativismos e sim de avançarmos com a coragem que tem caraterizado o movimento de emancipaçom nacional desde 1964, com a segurança e a responsabilidade histórica que nos confere sermos a garantia da continuidade da Naçom Galega.

Nom podemos ser devorados polo auto-ódio que levamos décadas a combater, nom podemos ficar paralisados polo avanço no campo eleitoral do reformismo espanholista.

Se nom cedermos, se nom arriarmos o princípio da unidade intrínseca entre luita social e luita nacional, se mantivermos em alto e com orgulho as bandeiras de Moncho Reboiras, conseguiremos superar com sucesso o maior repto histórico a que nos submete o espanholismo “progressista” desde a refundaçom da esquerda patriótica há agora 50 anos.

É necessário construir com perserverança e firmeza um pólo patriótico rupturista, aglutinante de todas as forças e indivíduos que acreditamos que só é possível a emancipaçom da nossa classe ligando a opressom que padecemos polo capitalismo espanhol e pola UE à carência de soberania da nossa naçom.

As Eleiçons municipais da primavera de 2015 som a oportunidade para plasmar esta necessidade. Há que configurar candidaturas de unidade popular em chave estritamente galega, com um programa avançado no eixo classista e feminista. O êxito deste objetivo permitirá gerar as condiçons objetivas e subjetivas para a refundaçom da esquerda patriótica, para a construçom a partir da base de umha ampla organizaçom plural e integradora das siglas hoje existentes. Isso permitirá somar centenas de ativistas que carecem de umha ferramenta sociopolítica de massas que se converta em referencial para a Galiza que luita e que acredita nas imensas potencialidades de vitória do povo trabalhador galego.