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Já na rua e na rede Abrente nº 72

Terça-feira, 6 Maio 2014

Abrente 72 web_Página_1

Vem de sair do prelo o número 72 do jornal comunista Abrente que edita Primeira Linha , correspondente ao segundo trimestre deste ano.

Nesta ocasiom a editorial, que reproduzimos integramente, está centrada  na reflexiom ao respeito do princípio de auto-organizaçom nacional e a defesa da Galiza como nosso quadro nacional de luita, aliás a editorial também reflite sobre a involuçom fascista do Estado espanhol.

Carlos Garcia Seoane, membro do Comité Central de Primeira Linha, reflexiona ao respeito da legitimidade da autodefesa na tradiçom marxista.  Abraám Alonso da no seu artigo “Quanto mais patriotas, mais comunista” da  continuidade à editorial e aprofunda no princípio de auto-organizaçom nacional.

Óscar Peres Vidal analisa a recuperaçom do “diálogo social” e carência de iniciativa no movimento obreiro.

Em internacional o companheiro Américo Galego acerca-nos a situaçom de crise que se está a viver na Venezuela desde umha ótica crítica com o governo de Nicolás Maduro.

A seçom habitual de recomendaçons literárias e o artigo de Lara Soto, membra da Direçom Nacional de NÓS-UP, na contracapa insurgente completam este número.

 

Na Galiza a Revoluçom só pode ser galega

A perda de legitimidade em que está afundado o regime espanhol emanado do pacto da transiçom ainda se acha mui afastado do ponto de inflexom crítico que permita prognosticar a sua queda no curto prazo.

Porém, a carência de memória histórica facilita que a ruptura geracional com os acordos que permitírom transitar de um regime fascista para esta democracia burguesa provoca que umha boa parte da juventude obreira e popular, incorporada ativamente à luita contra o sistema capitalista, tenha enormes dificuldades em compreender e identificar parte dos seus responsáveis.

O espanholismo de esquerda, articulado à volta do PCE/IU, foi um dos arquitetos da reforma política que maquilhou o fascismo mantendo incólume o Estado franquista, amnistiando todos os crimes de lesa humanidade em que estavam envolvidos dezenas de milhares de polícias, militares, juízes, funcionários e umha boa parte da casta política. Permitiu a reinstauraçom da monarquia bourbónica, assumindo as decisons de Franco e um sistema político negador do direito de autodeterminaçom da Galiza, alicerçado nas desigualdades da economia de mercado e na opressom de género do patriarcado.

Lamentavelmente, na atualidade, umha parte da juventude que padece nas suas condiçons materiais de vida a crise do capitalismo espanhol deixa-se arrastar pola manipulaçom histórica da propaganda espanholista, ligando mudança social com mudança de modelo de Estado, com mudança de sistema político. É umha ingenuidade acreditar que a instauraçom da III República espanhola provocará mudanças revolucionárias. Em primeiro lugar, a prática totalidade das organizaçons que propugnam esta alternativa som forças oportunistas e reformistas, que tam só propugnam remendos do sistema capitalista para ocuparem espaços de gestom do mesmo.

Em segundo lugar, a alternativa republicana já nom se pode considerar umha opçom excecional que descarte umha parte da oligarquia para evitar a descomposiçom do sistema. A burguesia espanhola foi monárquica por mero acidentalismo histórico, estivo comprometida com essa opçom por puro possibilismo. Se a substituiçom do monarca espanhol por umha III República garantir a continuidade e umha maior estabilidade dos acordos de 1975-1981, que lhe tenhem gerado a formidável   acumulaçom e enriquecimento, o atual regime realizará umha nova maquilhagem seguindo o esquema lampedusiano de mudar algo para que todo siga igual.

Em terceiro lugar, as mudanças e transformaçons estratégicas que umha parte destes setores juvenis e populares defendem estám indisoluvelmente ligadas à recuperaçom da soberania e a independência nacional da Pátria e à superaçom do capitalismo e do patriarcado. As três tarefas da Revoluçom Galega só serám possíveis à margem de Espanha, tanto na sua opçom monárquica como republicana.

Eis por que o combate contra este republicanismo espanhol é umha necessidade d@s comunistas galeg@s. A alternativa revolucionária galega deve ser genuinamente patriótica, defensora da independência nacional, construída a partir de e para a Galiza, por fora do quadro estatal de luita. Nós queremos umha República Socialista Galega!

 

Quadro galego de luita

Aqui radica a causa pola que Primeira Linha, assim como as restantes entidades e organizaçons da esquerda independentista e socialista, nom participemos em dinámicas estatais, nem no ámbito organizativo nem no da mobilizaçom e luita.

A Galiza é o nosso quadro nacional de luita. Somos revolucionári@s marxistas-leninistas galeg@s e, portanto, a nossa obrigaçom é intervirmos na nossa formaçom social concreta, organizarmos e conscientizar a classe obreira galega, acumular forças visando umha Revoluçom socialista e feminista de libertaçom nacional. O seu êxito é a nossa contribuiçom para a Revoluçom proletária mundial.

Quebrar o princípio da auto-organizaçom nacional, reforçar o paradigma espanhol de luita, só ajuda a facilitar a assimilaçom da Galiza, só leva a reforçar o projeto imperialista espanhol, um dos principais alicerces económicos, políticos e ideológicos da opressom e dominaçom burguesa.

A esquerda espanhola colabora ativamente com a sua burguesia em reforçar similar projeto nacional. Portanto, está ajudando a reforçar um dos mecanimos idológicos de dominaçom do proletariado: o chauvinismo, que só favorece a burguesia espanhola, facilita a sobreexploraçom da classe trabalhadora galega, dificulta a revoluçom na metrópole e o avanço da revoluçom mundial.

Por muito marxista-leninista que se definir qualquer força ou partido que continue a defender que a luita de classes tem escala estatal, nom está aplicando os conceitos centrais teóricos de Marx, posteriormente desenvolvidos por Lenine. Está favorecendo os interesses imperialistas da oligarquia que afirma combater.

 

Involuçom fascista do regime espanhol

Aqui radica a razom pola qual o alvo da atual ofensiva involucionista do regime som as organizaçons revolucionárias de libertaçom nacional. A oligarquia tem gravado no seu ADN a máxima de Calvo Sotelo: “Prefiro umha Espanha roja a umha Espanha rota”, porque sabe perfeitamente que a esquerda em cujas siglas há um E é inofensiva, inócua, está incapacitada para introduzir as mudanças revolucionárias que dinamitem as suas bases de dominaçom. Só a independência da Galiza e das outras naçons oprimidas debilitará ao máximo o bloco de classes dominantes espanhol e, portanto, também facilitará umha revoluçom socialista em Espanha.

A recente morte de Adolfo Suárez foi habilmente aproveitada polo regime para se relegitimar. A monarquia juancarlista conseguiu umha inesperada lavagem de cara, mediante umha leitura sesgada e maquilhada da transiçom espanhola. Os nostálgicos apelos à concórdia e ao consenso dumha etapa tam negra como a dos governos da UCD servírom para incidir na negaçom da luita de classes e branquear a casta política daquela altura, da qual umha boa parte da sua nomenclatura ainda continua no ativo.

Esta imprevista “água de maio” de que o sistema soubo magistralmente tirar proveito, seguindo um guiom similar ao da morte do “caudilho” em 1975, desenvolveu-se em plena aceleraçom da ofensiva fascistizante do regime pós-franquista.

Os confrontos em que culminárom a marcha estatal de 22 de março em Madrid, na qual nom participou o MLNG, servírom para aprofundar na manipulaçom e intoxicaçom da opiniom pública.

Sem lugar a dúvidas mais que umha “cadeia de erros na intervençom e nas comunicaçons policiais” foi umha decisom política deixar isolado um dos grupos da UIP para conseguir as imagens que os meios de desinformaçom nom cessárom de reproduzir nos dias posteriores e assim justificar novas e mais duras medidas contra as liberdades e os direitos; em definitivo, mais repressom policial, judicial e administrativa.

Se os incidentes se produzírom num perímetro tam extenso, porque as TV públicas e privadas estavam exatamente no lugar preciso onde um subgrupo da UIP ficou isolado e rodeado polos manifestantes?

Estám implementando idêntico modelo que os ianques levam aplicando nos conflitos bélicos desde a guerra do Vietname: a imprensa joga um papel destacado como umha eficaz arma de guerra para legitimar as tropas e desprestigiar o inimigo. A imprensa deve ir incrustada nas unidades militares para filmar e fotografar o que se pretende transmitir à opiniom pública. Quem nom o figer, nom terá garantida a sua “segurança”.

De facto, os meios “independentes” que filmavam e fotografavam esse dia os abusos e brutalidade policial denunciárom constantes agressons da UIP.

Nom é descartável que o Estado esteja procurando um polícia ferido de gravidade ou mesmo um morto entre as fileiras das forças repressivas, que facilite luz verde à aprovaçom da nova Lei de Segurança Cidadá, mais mudanças restritivas no Código Penal e outras medidas excecionais, perante a parálise e o timoratismo que esse facto provocaria na oposiçom parlamentar “de esquerda” nas Cortes espanholas, que numha conjuntura assim facilitaria passivamente a implementaçom da legislaçom que pretendem impor a extrema-direita do PP.

O “malestar e a indignaçom” das organizaçons gremiais da polícia tem servido para reforçar a intoxicaçom mediática e para o eclodir sem complexos do fascismo entre os tertulianos e “opinadores”. Nos dias posteriores ao 22 de março, a imprensa sistémica (nom só a da direita extrema, também a de centrodireita) publicou artigos e permitiu constantes declaraçons favoráveis ao incremento da repressom, a cortes no direito de manifestaçom e mesmo ao emprego de armas de fogo para conter o “radicalismo”.

Este cenário tem lugar numha conjuntura em que se verifica umha disposiçom ao incremento da radicalizaçom das luitas: a greve estudantil de 20 de fevereiro e as mobilizaçons de 11 de março do proletariado do cerco em Compostela, som paradigmáticas de umha tendência que o governo e o regime pretende cortar de forma contundente. O sistema que justifica a utilizaçom da violência insurreccional pola burguesia venezuelana contra o governo bolivariano, nom permite a mais mínima combatividade nos protestos populares contra a sua política de desemprego e miséria.

Com a esperada sentença do Tribunal Constitucional espanhol, que por unanimidade anulou a declaraçom soberanista do Parlament de Catalunha de janeiro de 2013, Espanha deixou claro que a Catalunha nom pode aspirar a ser soberana no quadro legal vigorante e que nom o vai permitir de forma pacífica.

Neste contexto de endurecimento repressivo do regime, de exaltaçom policial, de manipulaçom e mordaça informativa, de caça ao “radical” e de ofensiva espanholista, é necessário preparar-se para umha possível contingência de involuçom autoritária.

A medida que se aproxime o dia 9 de novembro, a data marcada para a consulta de autodeterminaçom da Catalunha, iremos conhecendo até onde está disposta a chegar Espanha para impossibilitar a consulta catalá.

A mais que provável renúncia à atual posiçom de firmeza retórica que agora manifestam Mas e a burguesia catalá pode desativar o conflito mas, em caso contrário, nom podemos descartar a aplicaçom do Código Penal que permitiria inabilitar os líderes cataláns e o artigo 155 da Constituiçom espanhola, que permite intervir umha Comunidade Autónoma polo Governo estatal.

No entanto, tal como já temos refletido e denunciado no editorial do último Abrente, nom se pode descartar umha “intervençom militar limitada” que quebre o processo independentista catalám em curso. Tanto no primeiro cenário: intervençom “constitucional”; como no segundo: “constitucional empregando o exército” como efeito dissuassório e aterrorizador; todo indica que o regime aproveitará a situaçom de excecionalidade “democrático-burguesa” para golpear o conjunto dos movimentos de libertaçom nacional e outras forças revolucionárias que questionam o paradigma estatal.

Como interpretar a disparatada tese de “radicais galegos” como responsáveis polos confrontos de Madrid na noite de 22 de março, a nom ser como parte dumha estratégia de intoxicaçom e criminalizaçom cuja finalidade é ir predispondo a opiniom pública espanhola para um processo de ilegalizaçons ou repressom aberta contra a esquerda independentista galega?

Antes de golpear há que preparar o terreno que justifique e legitime a repressom. Eis porque a Galiza, após ficar o “fantasma basco” esbatido, está a ser utilizada polos meios de (des)informaçom espanhóis como bode expiatório. Mas também porque o nosso independentismo -pola sua composiçom social, embora ainda numha fase incipiente no seu desenvolvimento organizativo e introduçom social-,  está carregado dumha contradiçom antagónica com o projeto espanhol que só pode ser esmagada com repressom, frente ao catalám e ao basco que bem pode ser afogado mediante concessons económicas, pola forte presença e peso da burguesa no seu seio.

É necessário preparar-se pois com serenidade e antecedência.