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Já em papel e formato digital Abrente nº71

Terça-feira, 4 Março 2014

Abrente 71 web_Página_1

Acaba de sair do prelo o número do Abrente correspondente ao primeiro trimestre do ano.  A publicaçom do nosso partido já se pode consultar em formato de fácil leitura neste portal.

No Abrente 71 encontramos umha reflexom de José Miguel Ramos Cuba -militante de Primeira Linha-, no que analisa a vigência do modelo leninista.

Helena Sabel, da Mesa Nacional de BRIGA escreve sobre “A face patriarcal da estratégia neoliberal do Partido Popular”.

“A Lei mordaça” é o título do artigo no que Carlos Garcia Seoane analisa as medidas repressivas com as que punir ao movimento popular por parte do Estado espanhol.

No apartado de internacional o militante de IzCa, Alberto San Martín, analisa as causas da revolta no bairro burgalês de Gamonal.

Junto a seçom habitual de livros, completa este número um artigo da camarada Eva Cortinhas ao respeito do debate aberto sobre a utilizaçom dos mais diversos metodos de luita.

A continuaçom reproduzimos a editorial de este número 71.

Unidade popular frente à involuçom do regime espanhol

É indiscutível que o regime espanhol emanado da constituiçom pós-franquista de 1978 arrasta umha profunda crise em todas as ordens, de caráter estrutural. Mas também é umha evidência -suficientemente constatada na história da luita de classes- que só a luita popular organizada pode provocar a queda dos mais abjetos governos. Pois estes nom caem por si sós, há que tombá-los.

Porém, a progressiva perda de legitimidade de Rajói, e da sucursal autonómica encabeçada por Feijó, ainda nom atingiu o ponto crítico que facilite implementar umha estratégia revolucionária de luita e movimentaçom de massas.

A desafetaçom popular com o monopartidarismo bicéfalo, sem lugar a dúvidas, é umha das maiores preocupaçons dos inteletuais orgánicos e dos aparelhos de informaçom do sistema. Conhecem melhor que ninguém o grau de podridom de um Estado corroído por uns níveis de corrupçom inimagináveis. As decisons que se aplicam com apoio implícito do PSOE estám rumadas basicamente a tentar ganhar tempo para assim amortecer as múltiplas contradiçons que desangram um regime atualmente sob o controlo da fraçom mais reacionária da oligarquia.

Numha conjuntura onde convergem a dureza da crise económica do capitalismo espanhol com a evidência de estarmos governados por umha casta política cleptocrática, que pratica sem pudor algum a corrupçom generalizada, a maior ameaça para a desestabilizaçom do capitalismo espanhol está situada nas luitas de libertaçom nacional.

As reivindicaçons soberanistas e independentistas da Galiza, País Basco e a Catalunha som o epicentro da luita de classes que aterroriza a burguesia espanhola. As reclamaçons do povo catalám em prol da legitimidade do seu direito a decidir a ruptura com Espanha nom só estám acelerando a polarizaçom social e política, tenhem contribuido para carcomer a falsa coesom e unidade do PP.

Perante este cenário, onde a tradicional intoleráncia do imperialismo espanhol recobra máxima atualidade, as forças do campo revolucionário devemos transmitir com franqueza, denunciar com clareza, que Espanha está disposta a todo para evitar continuar a minguar territorialmente e manter a taxa de lucro da sua burguesia parasita. Levamos muito tempo advertindo da possibilidade real dumha intervençom militar sob a fórmula constitucional para impossibilitar que o povo catalám decida democrática e pacificamente o seu futuro.

Este cenário nom responde a alucinaçons radicais, e ganha máxima atualidade a partir da mudança de tática implementada por Mariano Rajói a meados de janeiro, alterando o tom e o conteúdo do seu discurso frente a posiçom maioritária do povo catalám.

A medida que se aproxima a data marcada polos partidos soberanistas e independentistas cataláns para a consulta popular, a direçom do PP opta por ativar umha ofensiva combinada no ámbito mediático, político, judicial e repressivo.

Porém, o vírus da falsa “normalidade democrática” imposta nestas quatro décadas de democracia burguesa bourbónica, e inconscientemente interiorizada pola imensa militáncia e ativistas do movimento popular, contribui para desconsiderar e mitigar as ameaças sobre o mais que seguro uso da força para quebrar a vontade maioritária exprimida polo povo da Catalunha.

Realmente som preocupantes os silêncios ensurdecedores perante as ameaças veladas e explícitas, polos movimentos e decisons que Espanha leva adotando nos últimos anos. Manobras militares com material antidistúrbio por parte de unidades do exército, exercícios noturnos de comandos simulando tomada do centro neurálgico de Barcelona, declaraçons golpistas de oficiais na reserva apresentados como “inofensivas” bravuconadas de casuísticas isoladas, reorganizaçom das forças armadas constituindo a Brigada Operacional Polivalente (BOP) com unidades específicas em operaçons de “caráter exclusivamente nacional”, nom som peças inconexas, respondem a um mesmo objetivo. Por um lado atemorizar e dissuadir, mas também engrassar a maquinária repressiva que nom duvidarám em empregar com a luz verde da NATO e da UE.

Pois nom se deve desconsiderar a existência de um plano de intervençom militar contra a Catalunha por parte das forças armadas espanholas, com o beneplácito dos principais partidos do regime e da Casa Real.

Seria ingénuo e até absurdo por parte do independentismo socialista, e umha irresponsabilidade das forças comunistas, subestimar a utilizaçom da opçom armada como um mecanismo excecional, mas no fim de contas real, para atrasar o inevitável: a independência da Catalunha.

A história do imperialismo espanhol aconselha nom infravalorizar a “Operaçom Estela”, desvendada recentemente. @s comunistas galeg@s temos claro que o regime vai chegar até onde poda visando manter a toda a custa este cárcere de povos chamado Espanha.

Cumpre pois que as forças patrióticas galegas, e basicamente o MLNG, se prepararem para esta contingência onde a involuçom pode atingir limites nunca antes superados. Perante o desafio do independentismo catalám a resposta do espanholismo nom vai ser morna nem conciliadora.

As contradiçons do PP

A adversa situaçom socioeconómica que atravessa a imensa maioria do povo trabalhador, o paulatino empobrecimento dos setores intermédios, a carência de perspetivas imediatas para superar a crise, e as duras medidas implementadas por Rajói seguindo as diretrizes da troika, tenhem acelerado as contradiçons no seio do PP.

Perante umha dialética na que os setores mais ultras começárom a optar pola sua reorganizaçom no seu exterior, o Partido Popular vai ter que mexer-se entre endurecer o seu discurso para satisfazê-los e cortar assim a hemorragia, mas também evitar umha fugida face adiante que provoque a sua desconexom com os setores centristas do eleitorado, essenciais para assegurar e perpetuar amplas maiorias parlamentares.

Neste panorama de perda de perpetivas e visom curtoprazista dumha oligarquia disposta a dinamitar os consensos da Transiçom, é suicida seguir apostando basicamente na via eleitoral para frear a ofensiva burguesa, espanholista e patriarcal. A transformaçom social e a recuperaçom da nossa soberania nacional nom derivará de maiorias aritméticas e sim de um processo revolucionário de caráter insurrecional. As eleiçons som um instrumento para acumular forças, e a presença institucional deve servir para denunciar o imenso engano democrático da ditadura burguesa.

Sem ter que circuncrever-nos a 1936, os limites da via eleitoral ficárom bem patentes no Chile de Allende de 1973, e agora voltam a ser visíveis na Venezuela bolivariana onde a burguesia, após mais de três lustros de consecutivas derrotas nas urnas, nom respeita os resultados e teima com o apoio do imperialismo ianque em tombar o legítimo governo de Nicolás Maduro, mediante a sabotagem económica, a desestabilizaçom na rua, a manipulaçom mediática e o golpe de estado.

Crise do oportunismo

As últimas semanas também contribuírom a clarificar um pouco mais a fraudulenta operaçom política gestada na primavera de 2012, onde confluírom por pura necessidade antigas e recentes cisons do BNG. Os tam espetaculares como superficiais êxitos da aliança entre Anova e IU, circunscritos ao espaço eleitoral, pouco durárom. O show parlamentar de Beiras já nom consegue ocultar as navalhadas internas que desangram a recomposiçom autonómica da social-democracia. AGE nom é mais que um grupo parlamentar sustentado no ar e Anova um campo de batalha polo seu controlo entre fraçons, as suas cisons e camarilhas.

As contradiçons internas de Anova estám tam afastadas do legítimo e necessário debate de ideias numha frente ampla como que predicam ser, que em pouco mais de um ano dilapidárom as virtuais e subjetivas esperanças depositadas por um nada desprezível setor do povo galego. Com a retirada do apoio mediático e envolta nas piores práticas da política burguesa, os nossos prognósticos sobre o curto percorrido de umha operaçom política tam oportunista como carente de projeto transformador para além da vácua retórica, é umha realidade.

A implosom da “Siryza galega” é umha boa notícia para a luita de libertaçom nacional e social de género pois contribui para desmascarar o oportunismo e obstaculizar o avanço do espanholismo social-democrata na Galiza.

É necessário pois consolidar os espaços unitários onde coincidimos as diversas organizaçons políticas e sociais patrióticas. Para avançar na acumulaçom de forças é imprescindível agir com honestidade e respeito mútuo, nom só manifestar vontade, é necessário constatar com factos a importáncia de vertebrar um amplo, plural e abrangente movimento social soberanista, enquadrado nos parámetros da esquerda e o feminismo, que contribua a elevar a consciência nacional do nosso povo face a ruptura democrática e a abertura de um processo constituinte galego.

Mas sem quebrarmos a legalidade espanhola e burguesa, Galiza nom tem futuro, o proletariado, a juventude e o conjunto das camadas populares estamos forçadas à escravidom a que nos condena Espanha e a Uniom Europeia. Sem umha vigorosa esquerda independentista, socialista e feminista nom será viável superar os reptos da atual fase histórica.