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Rebanhismo ou soberania informativa galega?

Quinta-feira, 19 Dezembro 2013

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Maurício Castro Lopes

Seguindo a pauta marcada por umha agência informativa espanhola, vários meios galegos assinalárom hoje o “acento gallego” como traço relevante num assalto a um banco acontecido na Merca.

Pudemos ver essa informaçom reproduzida em La Voz de Galicia, na Rádio Galega e na Televisom da Galiza (TVG), numha ridícula mostra de um rebanhismo acrítico praticado em tantos ámbitos da vida social galega. Nesta ocasiom, ao indicar o “acento gallego” (sic) como traço caraterizador de dous assaltantes que protagonizárom um assalto num banco da Merca, quer dizer, na Galiza.

A fonte da notícia reproduzida por esses meios, incluída a pública RTVG, é a agência espanhola Europa Press, que informa em espanhol de que “dos hombres, con acento gallego, accedieron a la oficina bancaria armados”.

Sem questionarem a perspetiva estrangeira dada pola agência noticiosa espanhola, tanto as públicas TVG e a RG, como o privado La Voz de Galicia, demorárom pouco a reproduzir de maneira absurda o “pormenor” fornecido pola notícia original espanhola. Assim, todos eles dérom consideraçom de qualquer cousa alheia ao próprio País à forma como os galegos e galegas ainda falamos.

Com efeito, é habitual lermos ou ouvirmos informaçons sobre a origem étnica ou o sotaque como dados relativos a pessoas desconhecidas que, por serem acusadas de quaisquer açons ilegais num dado território, se pretende identificar. Porém, achamos insólito dar informaçons sobre a origem étnica ou o sotaque de alguém quando coincidem com os do conjunto da populaçom do país em que esses factos acontecem.

Será que alguém viu um telejornal espanhol informar sobre o “sotaque espanhol” de algum suposto delinqüente nom identificado? Consegue quem nos lê imaginar que na televisom pública portuguesa se informasse, em termos semelhantes, sobre o “sotaque português” de um assaltante a um banco numha vila qualquer portuguesa?

Nom sabemos se terá sido pura incompetência informativa (nom é a primeira vez que acontece) ou fará parte de um esquema premeditado para marcar como “alheia” a própria condiçom diferencial galega em relaçom ao “padrom espanhol”. Porém, ver este tipo de notícias nos jornais, televisons e rádios que padecemos na Galiza estimula-nos ainda mais para a imprescindível construçom da soberania informativa galega.