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Obrigado Beiras

Quinta-feira, 17 Outubro 2013

Abraám Alonso

Levo falado ultimamente, aproveitando os contatos que está a permitir o lançamento da GPS, com vários membros do BNG a respeito do panorama político e social que vive a Galiza de hoje. Nalgumhas dessas conversas, acabei por defender, num dos seus aspetos, o caminho encetado por X.M Beiras na sua aliança com parte do nacionalismo cindido do BNG e mais com parte do que havia fora. E também de toda essa unidade que fraguou em Anova e que por sua vez se aliou com a sucursal galega de IU e conformárom AGE.

O meu primeiro voto emitido, lá polos 18 anos,  foi para o BNG ou, por melhor dizer, para a equipa que X .M. Beiras dirigia. Com o tempo e a minha incorporaçom à militáncia política, aprendim que nom era Beiras quem dirigia o BNG e que nom é o mesmo ser porta-voz do que responsável nacional de organizaçom, que existem correntes e que o BNG é umha frente. Mas o carisma, a força, a irreverência, o afiado discurso, a sua visom global dos problemas concretos, o seu elevado nível cultural, a sua estética… faziam dele um referente que expressava com contundência o malestar que eu e o povo trabalhador carregamos inevitavelmente às costas, nesta existência como oprimidas e oprimidos a que nos condenam o capitalismo, Espanha e o patriarcado principalmente.

Sem entrar a avaliar agora o giro empreendido polo BNG, materializado publicamente no aperto de maos de Beiras e Fraga após o ex-ministro franquista revalidar umha maioria absoluta nas autonómicas de 2001, que afundiria boa parte do prestígio do BNG e que recolhe muito bem o artigo do camarada Carlos Morais (http://primeiralinha.org/home/?p=14083), hoje por hoje, chovem críticas dos e das que continuamos nas posiçons patrióticas e defendemos que só a partir de nós mesmos e nós mesmas, das nossas estruturas políticas independentes das inerentes injerências externas provocadas polas alianças com forças do mesmo Estado que nos nega, podemos solucionar os nossos problemas. Eu mesmo partilho-as quase todas na sua totalidade.

X. M. Beiras conserva e projeta ainda todo aquilo que citava atrás e que me levou a votar no BNG quando pudem exercer o direito ao voto. Dentro da base social do Bloque, eram muitas as vozes que diziam que “tinha que voltar Beiras”, mas a dialética interna do BNG tornava impossível esse retorno. A Assembleia Nacional de Ámio encearia umha possível nova rutura, após a saída do Movimento pola Base, na qual eu nom acreditava realmente, pois Beiras tinha ameaçado em muitas ocasions com abandonar o Bloque. Pola direita, também poderia haver cisom e a fraçom que representava Carlos Aymerich sairia, tal como Beiras e a sua organizaçom. Carlos ficaria dentro, após ameaçar e promover a saída de +G, e ainda seria incompreensivelmente “premiado” com a designaçom de cabeça de lista por Ponte Vedra às eleiçons autonómicas.

Críticas a X. M. Beiras

–           IU conta nos dias de hoje com grupo parlamentar próprio se AGE racha e com a maioria dentro da aliança se isso nom acontece.

–           Há um incremento na afluência de bandeiras espanholas às mobilizaçons de massas e a opçom republicana espanhola é vista como válida e mais progressista que a nacional. Beiras é o carimbo que valida essa opçom, pois é percebido como líder natural da AGE.

–           Provocou a rutura da unidade do nacionalismo, como afirma Paco Rodríguez: “Á vista está, sen o menor asomo de dúvida, que se apostou por romper a unidade do nacionalismo galego, por debilitar a unidade do povo galego, lograda por un processo de anos, para fortalecer o sucursalismo na Galiza.” Estando as críticas de Paco Rodríguez como estám no seu artigo http://www.sermosgaliza.com/opinion/francisco-rodriguez/sofismas-chambonadas-desercion/20131010203133019901.html, carregadas de rancor e seqüelas de anos de diferenças e confrontos, tenhem parte de verdade. Mas culpar exclusivamente Beiras de ser responsável dessa rutura e ainda mais, afirmar que existia unidade no povo galego é errar. Essa unidade nom existia nem no nacionalismo nem muito menos no povo. Beiras canaliza malestares provocados por erros próprios e alheios dentro do BNG, e se com tanta facilidade consegue meter, ainda apoiando-se em IU e vice-versa, nove no parlamento, algo nom calha bem na análise.

–           AGE está apoiada polos meios de comunicaçom da burguesia com o beneplácito do PP, mas isso já nom está em maos de Beiras e, em maior ou menor medida, todos fomos ou podemos ser objeto desse jogo. Ou nunca o PP promoveu nos meios de desinformaçom o apoio ao BNG para frear o PSOE?

Aos e às que nom acreditamos nas instituiçons autonómicas como ferramentas úteis para solucionar os problemas que padecemos a maioria social deste país pola raiz, que o BNG passasse a ser quarta força política preocupou-nos o justo. Mas o panorama para a base social, militáncia e direçom do BNG pinta bem diferente.

A gravidade do acontecido, que tanto se imputa a Beiras, reflete um aumento da representaçom do espanholismo no Parlamento galego e umha queda nos apoios eleitorais à única força soberanista relevante que concorria a esses comícios. Mas reflete também o pouco consistente que era parte do voto que recolhia o BNG, e a ausência de sólida consciência nacional fora dos votos que somam BNG e NÓS-Unidade Popular e algumhas candidaturas soberanistas. E nisso X. M. Beiras tem umha responsabilidade parcial e bem escasa. Quem nom aproveitou a sua hegemonia no seio do BNG ou da CIG para estabelecer os meios que permitam a formaçom e o aumento de consciência nacional nom foi ele. Simplesmente priorizárom-se outros caminhos que pareciam mais transitáveis e dourados, mas que para os percorrer, Espanha dona e senhora deles, cobrava um tributo demasiado alto para parte da base social do BNG.

Quando essa base social e o apoio eleitoral aumentava, embora a consciência nacional da totalidade desse voto nom fosse o principal motivo que provocava apoiar essa opçom, sim o era a combatividade em determinados conflitos e a encenaçom dialética de Beiras, a tanta distáncia das e dos demais oponentes. Quando isso desaparece e o grau de conciência nacional nom é suficiente para continuar apoiando umha força que, ainda falhando estrepitosamente na linha política aplicada ao plano social, ainda mantinha certa coerência no nacional, os votos fugírom.

Hoje

Hoje assistimos à viragem do BNG. A umha viragem que o aproxima das posiçons defendidas historicamente polo independentismo, a um início da recuperaçom da mobilizaçom na rua e a dar maior importáncia a esse espaço que no passado mais recente. A sua participaçom e involucraçom na plataforma soberanista Galiza Pola Soberania, assim como os documentos aprovados na sua última Assembleia Nacional, reforçam a credibilidade na intencionalidade de que essa viragem tenha vocaçom estratégica. Mas cumpre aguardar para o comprovar. As declaraçons de intençons som muito boas e bem-vindas especialmente quando tratam de temáticas que o sistema prefere que nom sejam mexidas, mas a realidade é a que ditará sentença ao respeito.

O que sim é certo é que se abre um novo ciclo histórico para o BNG e também possivelmente para o projeto nacional galego. A naçom pare umha ferramenta para defender o seu direito a ser, a existir por e para si, à liberdade. Essa ferramenta devera preencher o défice que o nacionalismo e independentismo arrastou nas últimas décadas quanto à criaçom de consciência nacional fora das próprias forças. Gerar simpatias e compreensom da necessidade vital da defesa da soberania nacional, rachar com as mentiras e tópicos que Espanha e o espanholismo semeia entre o povo trabalhador, disputar até onde for possível a hegemonia no discurso do que significa ser independentista e quem é que nega o direito à liberdade, o autoritário, o insolidário, o fechado e carente de visom e nom ao contrário.

Se este novo cenário é possível, é em boa medida graças a essa figura que é um ícone da rebeldia, da irreverência, de dizer verdades à cara de quem governa, de nom guardar as formas, de ser indecoroso e quebrar o protocolo, que é como boa parte do povo galego percebe X. M. Beiras e que acabou de citar por duas vezes, se nom erro, o patriota galego preso Antóm Santos no debate do Estado da Autonomia sem necessidade algumha de o fazer.

A sua nova etapa, da mao do espanholismo, o duro golpe assestado ao BNG ao ultrapassá-lo em número de apoios e representantes no parlamento galego, fijo disparar-se os alarmes no Bloque, analisar erros e acertos, fazer umha diagnose da grave sitaçom na que a crise do capitalismo nos coloca, escuitar e incorporar as críticas da filiaçom e militáncia que se mantivo fiel mas crítica às viragens, aggiornamento, concessons… e dar à luz um BNG que descreve nos seus documentos e programas a vontade de ser mais de esquerda e mais soberanista do que nunca em toda a sua história.

Pessoalmente só podo agradecer a Beiras essa peripécia do final da sua vida política, pola parte de responsbilidade que lhe corresponde no cataclismo provocado no seio do nacionalismo galego. Para os reptos que temos por diante como naçom submetida, na atualidade, a esquerda patriótica tem umha açom teórico-prática e projeta umha imagem e um discurso muito melhor daquelas com as que contava com Beiras no BNG e sem iniciativas como o GPS em andamento. Estou convencido que com Beiras dentro, e com +G, nada do que vivemos hoje no campo soberanista estaria a acontecer. AGE nom teria nove  dentro do Parlamento autonómico, mas isso é flor dum dia, pois nom se pode construir Espanha e Galiza ao mesmo tempo. Acreditando em nós, e nos princípios que NÓS-Unidade Popular defende desde a sua constituiçom em 2001 e nos quais se mantivo firme e perseverou todos estes anos, acreditando em nós dizia, o futuro é nosso.