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Mulheres, a Paz precisa do seu concurso

Segunda-feira, 14 Outubro 2013

Vitória Sandino Palmera

É questom elementar afirmar que a construçom de umha paz estável e duradoura impóm umha efetiva equidade de género na Colômbia. Som muitos os factores da realidade nacional que influem negativamente nas possibilidades com que contam as mulheres para desenvolver integralmente as suas capacidades.

O modelo económico e os relacionamentos sociais imperantes no nosso país, fazem recair as suas mais duras consequências sobre as classes e setores mais pobres, golpeando particularmente às mulheres. Tal estado, nom se deriva das suas condiçons físicas nem intelectuais, senom fundamentalmente do local marginalizado e subordinado a que fôrom destinadas pola sociedade patriarcal.

Pese à longa marcha empreendida polas mulheres a fim de obter a sua plena condiçom humana e social, graças à qual -sobretodo nos últimos cem anos- conquistárom importantes reivindicaçons e melhorias. No entanto, som muitas ainda as cargas que é necessário igualar.

Num país como o nosso, os direitos das mulheres ainda som olhados com desdém polos grupos dominantes na sociedade e o Estado.

As mulheres colombianas integram 52% da populaçom total; nom é descabelado afirmar que o seu trabalho é mais duro que o da populaçom masculina, pois ao seu labor para levar recursos à família, se lhe acrescenta a outra jornada, a doméstica, pola que nom recebem a menor consideraçom nem remuneraçom.

Nessa mesma ordem, da cada dez mulheres que trabalham, oito adquirem um salário inferior ao mínimo, e com um salário mínimo mal se obtém o 45% da canastra familiar; é fácil concluir que as mulheres sofrem ainda maior exploraçom que os homens, pois uma pequena família da classe alta nom sobreviveria numha semana com um salário desta categoria.

Basta examinar que em 2007 60% da populaçom colombiana vivia em situaçom de pobreza, cujos 26,6% de lares eram encabeçados polas mulheres. Para o mesmo ano, a populaçom indigente representava 25% dos colombianos, dos quais, 31,4% dos lares contavam com chefatura feminina.

Por outro lado, a participaçom das mulheres no mundo das decisons políticas é altamente restringida. A lei de quotas com a sua reduzida percentagem, só 30% para as mulheres, mal se ocupa de responsabilidades em matéria executiva, sem cumprir e sem cobrir outras esferas da vida pública.

É evidente o reduzido índice de participaçom das mulheres nas candidaturas políticas, pese a que os partidos instituem a sua participaçom, na prática a esquivam com facilidade. As mulheres mal atingem um pobre 14% nos assentos do Congresso, algo que se reproduz em maior ou menor medida nos outros entes de eleiçom popular.

Enquanto a Corte Constitucional despenalizou o aborto em três circunstáncias específicas, a possibilidade de aceder à interrupçom voluntária da gravidez nos casos determinados, encontra-se restringida por diferentes travas impostas pola Procuraduria Geral da Naçom. E embora a saúde sexual reprodutiva é um assunto tanto de homens como de mulheres, nas mulheres tem maior importáncia, pola especial repercussom de doenças relacionadas com as condiçons biológicas que possibilitam a maternidade.

Som diversos e frequentes os estudos a volta da violência contra as mulheres. Eles destacam a situaçom de inferioridade em que se acham as mulheres em frente à prática da violência física e as pressons psicológicas por parte dos seus maridos no lar.

De igual modo, o conflito social armado pujo em evidência a permanente violaçom dos direitos humanos, e o fenómeno da deslocaçom forçada atinge o segundo local a nível mundial, onde as mulheres som as mais afetadas porque tenhem perdido ao seu colega de casal, ao seu filho ou algum familiar.

Em realidade mal tento esboçar aqui a grandes rasgos a condiçom das mulheres colombianas, em especial as de baixos recursos, as quais, obviamente, podem e devem ser alargadas na sua justa dimensom em outros espaços.

Quando as FARC-EP levantamos as bandeiras da Justiça Social e a democracia política, fazemo-lo sentindo na alma a dor das maes colombianas, de todas as mulheres, jovens ou adultas, destinadas a repetir em cada geraçom o seu triste destino.

As guerrilleras farianas, filhas deste povo sofrido, orgulhosamente mulheres revolucionárias e combatentes, consagrámos a vida à causa das e os marginalizados. Levamos no profundo dos nossos coraçons as lágrimas derramadas por tantas mulheres colombianas vítimas de umha ou outra forma deste regime insensato.

Sabemos melhor que ninguém que este conflito deve terminar. Mas estamos seguras que sem o concurso decidido das nossas congéneres será impossível conseguí-lo.

Mulheres, a luita pode ser dura, mas é o único caminho para uma manhá de esperança!