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Memória e exemplo de José Ramom Reboiras Noia

Segunda-feira, 12 Agosto 2013

Ramiro Vidal Alvarinho

A vida de José Ramom Reboiras Noia (Moncho Reboiras) extinguia-se um 12 de Agosto de 1975, sob fogo da polícia franquista. Morria um camarada que destacou como militante desde os seus anos de estudante, naquele audaz ativismo estudantil de anos setenta do passado século, até a sua morte com 25 anos de idade na cidade de Ferrol. E nascia um ícone, um referente para o nacionalismo galego de classe; desde a UPG, organizaçom na qual militou, até a totalidade da esquerda independentista.

Nom vou fazer ucronia política, pôr-me a discutir onde estaria militando o camarada Reboiras nos dias de hoje, se a história decorresse de maneira diferente, se ele nom tivesse saído do refúgio, cercado por efetivos da Brigada Político Social e da Polícia Armada para cobrir a retirada a outros dous camaradas e se o intercámbio de disparos nom tivesse acabado na Rua da Terra com o valente combatente comunista abatido; seria inútil. O que sim vou fazer é defender o seu exemplo. O exemplo do amor, da humildade, da criatividade e da audácia.

Quem quiger fazer exercícios de ucronia inútil à custa da vida dos mártires da causa operária galega, é livre de o fazer, sempre que nom pretenda envolver nem embaucar quem verdadeiramete tem umha atitude revolucionária. O verdadeiramente revolucionário à hora de reivindicarmos a Moncho Reboiras é nom permitir que a sua morte e o conjunto da sua trajetória sejam inúteis.

Quero dizer com isto que Moncho Reboiras tem que ser mais do que umha simples efígie estampada em litografias, murais e outras obras gráficas, temos que extrair da sua memória as pertinentes liçons. Moncho Reboiras vem do rural galego e a emigraçom interior do meio rural ao urbano leva-o a Vigo, onde trabalha no negócio familiar, trabalha também na construçom, estuda Engenharia Industrial e depois especializa-se nos míticos Estaleiros Barreras. Do seu contato com a classe operária viguesa daqueles anos e da colisom lingüística e cultural que se produz com o deslocamento da sua paróquia natal de Imo até aquele Vigo urbano e já daquelas fortemente espanholizado, com um mundo académico e empresarial, como já podemos imaginar, afectos ao regime e hostis portanto à língua galega e a qualquer sinal de identidade do povo galego, nasce o ativista cultural e também o ativista operário. A combinaçom desses níveis avançados de consciência fai crescer um exemplar comunista.

Um comunista que se forja na sua participaçom na greve de Setembro de 72, que é cofundador do Sindicato Obreiro Galego, que é peça chave na articulaçom da Frente Cultural Galega, que desenvolve um destacável labor jornalístico na revista “O Xerme” e que participa em açons armadas, como a expropriaçom de fundos numha sucursal bancária em Escairom.

É portanto um filho do povo que a partir da pertença a esse povo toma consciência e pom o seu talento, a sua audácia, a sua consciência, as suas capacidades ao serviço da revoluçom galega. E que assumiu os riscos de desafiar a legalidade franquista ao ponto de viver na clandestinidade desde a açom armada de Escairom.

A liçom, o exemplo importante, nom é a necessidade da imolaçom como objetivo em si próprio; se chegássemos a essa conclusom, fraca aprendizagem tiraríamos da trajetória do Moncho. A liçom importante é que há que estar onde se for necessário em cada momento, por cima de temores pessoais, preferências ou interesses conformados por visons em chave estritamente pessoal, sem ter em conta o objetivo superior, que é a revoluçom. Nom sei qual frente de trabalho “lhe era mais atrativa” a Moncho Reboiras; pode que fosse um fora de série que realizasse igual de bem todas as tarefas ou pode que nom, o quid está em que ele desenvolveu as tarefas que lhe fôrom requeridas no momento em que lhe fôrom requeridas. O egoísmo e o individualismo, que nos perde muitas vezes hoje em dia, está nas antípodas dessa atitude.

A derradeira liçom e o ato que fijo dele um espelho em que nos olhamos os revolucionários e revolucionárias galegas, foi um ato que, com intençom ou sem ela, resultou de sacrifício, desde que o levou à morte. Um ato de afirmaçom revolucionária, que resultou a mais inequívoca prova de amor polos seus camaradas e de entrega à causa. Quando naquele 12 de Agosto de 75 o camarada Reboiras sai a se enfrentar com os “Cetmes” da polícia espanhola, fai-no sabendo que a morte é um risco certo e também sabe que se o capturarem vivo o seu futuro imediato será a cruel tortura e a incerteza e indefensom de se enfrentar aos tribunais do regime fascista. Evidentemente, a tua organizaçom é mais do que umhas siglas; a tua organizaçom é esse grupo humano a par do qual militas. Nem a militáncia política é um ato individual, nem é possível servir nem defender a causa sem estar disposto a defender quem milita contigo.

Som quatro décadas já com o exemplo de Reboiras a amparar o nosso agir revolucionário; devemos tirar partido da vigência desse exemplo e velar porque a memória deste camarada morto em combate esteja sempre presente.