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Mais bipartidarismo televisivo

Quarta-feira, 12 Março 2008

Carlos Morais

Os resultados das eleiçons ao Parlamento espanhol de 9 de Março constatam diversas tendências preocupantes sobre o comportamento eleitoral das massas no conjunto do Estado espanhol. Embora nengumha das duas principais forças burguesas tenha conseguido o principal objectivo -o PP nom derrotou o PSOE nem recuperou o governo, e Zapatero nom atingiu a tam sonhada maioria absoluta-, um imperfeito bipartidarismo consolidou posiçons.

As dinámicas próprias da Galiza, País Basco e Catalunha dificultárom, mas nom impedírom, umha ainda maior concentraçom de votos nas duas expressons do regime emanado da reforma maquilhada do franquismo.

Tal como NÓS-UP manifestou na análise eleitoral emitida pola sua Direcçom Nacional “todo continua praticamente na mesma”.

Umha das novidades desta campanha foi a existência de pactuados debates televisivos entre Zapatero e Rajói, que estimulárom ainda mais o tam ansiado bipartidarismo que o regime promove.

O aumento eleitoral, em mais de 400 mil votos, do PP em relaçom aos resultados de 2004 foi insuficiente para substituir o PSOE. A concentraçom de votos da esquerda social em base à errónea, mas assente, concepçom do mal menor provocou o descalabro da Esquerda Unida e do independentismo institucional catalám. Se a isto unirmos a impossibilidade de concorrer às eleiçons imposta à esquerda independentista basca, ilegalizada e fortemente reprimida, o PSOE foi o grande beneficiado, ao fagocitar umha subtancial parte dos apoios eleitorais das duas forças (EU e ERC) que tinham apoiado o governo de Zapatero nas Cortes espanholas. O PSOE, tendo aumentado só 40 mil votos, optimizou umha injusta lei eleitoral que favorece as maiorias.

A social-democrata IU (Esquerda Unida), imersa numha crise permanente entre as similares teses do PCE e dos ex-PCE, fica sem grupo parlamentar, reduzida a só 2 deputados, após a fuga de 320 mil eleitores para o PSOE, no que é a pior votaçom desde 1977, abaixo do milhom de votos, conseqüência da política colaboracionista que a converteu num mero apêndice governamental, numha versom do zapaterismo de esquerda.

A Esquerra Republicana de Catalunya colheu ainda piores resultados, passando de 8 para 3 deputados, perdendo 355 mil votos, mais de metade dos que tinha. Outras forças menores que também apoiárom criticamente o PSOE ficárom sem representaçom. A queda do regionalismo canário completa este panorama, do qual o PP foi o grande prejudicado e o PSOE o grande beneficiado. Porque, paradoxalmente, Rajói ultrapassou em votos a maioria absoluta atingida por Aznar em 2000, mas a queda da “esquerda” e dos “nacionalismos” institucionais basco e catalám provocou que o PSOE conserve o governo, ao atingir 900 mil votos mais do que o PP.

Quanto à participaçom, foi elevada, similar à de há quatro anos, com 24.68% de abstençom.

A especificidade galega desafia timidamente o bipartidarismo

Na Galiza, a polarizaçom bipartidarista é umha realidade consolidada, mas continua a ser imperfeita ao ter mantido o BNG (Bloco Nacionalista Galego) os apoios atingidos em 2004.

Em termos globais, as forças espanholistas continuam a ser esmagadoramente hegemónicas, embora tenham perdido cem mil votos, basicamente o PP com 90 mil menos, sofrendo a perda do governo da Comunidade Autónoma da Galiza nas últimas eleiçons autonómicas. No entanto, o PSOE e o BNG fôrom incapazes de capitalizar os quase três anos de governo conjunto na Junta da Galiza. O PSOE tam só consegue 3.500 novos votos e o BNG atinge apenas mais 360 votos, mantendo os dous deputados. O mais destacado foi que o pseudo-nacionalismo de prática regionalista conseguiu travar a hemorragia eleitoral permanente em que estava instalado desde 2001, à custa de perder voto urbano, operário e juvenil, e ganhar voto rural cativo das redes clientelares.

EU (sucursal galega da IU espanhola) perde umha quarta parte dos votos, frustrando a ligeira tendência em alta das municipais do passado mês de Maio.

Embora boa parte de esquerda independentista, sem intervir activamente na campanha, tenha optado pola abstençom, pois tanto NÓS-UP como a AMI e Primeira Linha defendêrom publicamente que nom se votasse, na Galiza foi ligeiramente inferior à média estatal, modificando assim umha das características próprias dos processos eleitorais galegos. A abstençom passou de 29.03% a 24.59%, confirmando que umha parte qualitativa deste abstencionismo é ideológico pois, tal como analisa NÓS-Unidade Popular, “deriva desses plurais e heterogéneos sectores sociais que, enquadrados em parámetros de esquerda e progressistas, optam conscientemente por nom participar no circo eleitoral”.

A outra novidade foi a ausência de candidaturas de esquerda independentista pola primeira vez na história da democracia espanhola.

A excepcionalidade do País Basco e Catalunha

O PSOE foi o grande beneficiado da concentraçom de votos derivada da forte queda eleitoral do PNB e das diversas variantes das forças reformistas bascas e espanholas.

A ilegalizada Batasuna consegue novamente confirmar que conta com umha sólida, fiel e disciplinada base social, ao conseguir um aumento em dez pontos da abstençom nas vascongadas e de 3 em Navarra, que se traduzem em 185 mil votos. Junto com o PSOE, a esquerda abertzale foi a grande vencedora destas eleiçons, realizadas dous dias depois de umha acçom armada da ETA contra um militante do PSOE.

Na Catalunha, a abstençom experimentou um aumento de quase 5 pontos, confimando que boa parte da base eleitoral que em 2004 deu o apoio à ERC nom optou polo “voto útil”, castigando o colaboracionismo da direcçom independentista.

Balanço e perspectivas

Tal como manifestou a esquerda independentista galega no início da campanha, os resultados eleitorais nom vam provocar mudanças substanciais na vida da classe trabalhadora nem na recuperaçom da soberania nacional da Galiza. O PSOE e o PP representam interesses e projectores similares, como expressons liberal e conservadora da burguesia, pois “para evitarmos mais retrocessos nas condiçons de vida, na perda de direitos e liberdades, para garantir o exercício do direito de autodeterminaçom que permita derrotarmos a condena à morte do nosso projecto nacional, só há umha via possível e plausível: a luita unitária e organizada. Eis o caminho. Depositar expectativas e confiança na soluçom destes problemas na aritmética parlamentar é simples superstiçom, é puro fetichismo”.