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Carta aberta às pessoas indecisas

Quinta-feira, 19 Fevereiro 2009

Carlos Morais

Somos realistas, mas nom conformistas. Somos conscientes das nulas possibilidades de atingir representaçom parlamentar, mas tampouco desconsideramos nem subestimamos a dimensom da luita institucional pois fai parte de umha frente mais da intervençom global e integral de qualquer projecto revolucionário. Nós fazemos parte do segmento deste povo que, com modéstia e constáncia, leva teimando contra vento e maré na sua construçom. Somos optimistas e temos o convencimento de sermos úteis a este País e à nossa classe.

Porém, sabemos que a divisom e fragmentaçom que arrasta o movimento de libertaçom nacional plasmado nas duas candidaturas independentistas nom contribui para gerar interesse e muito menos entusiasmo por um processo eleitoral anódino.

Obviamente, como um dos sujeitos colectivos da mesma, nom ficamos isentos de responsabilidades sobre a adversa situaçom que vive a esquerda independentista. Ainda que haja sectores do movimento e base social que considerem pouco honrada a nossa proposta porque as possibilidades reais de que prosperasse eram mínimas, sinceramente figemos todo o possível por lograrmos umha única candidatura. Até o ponto de que ofertamos flexibilizar um dos nossos princípios estratégicos para, deste jeito poder facilitar o acordo. Assim podem testemunhá-lo companheir@s de outras forças que participárom no processo. Mas, se umha das partes nom quer beijar nom há maneira de o fazer. E se nom acode à cita nom existem possibilidades.

No entanto, agora já nom fai muito sentido aprofundar nisto. Há que virar página e avançar.

À medida que se aproxima o 1 de Março, considero necessário realizar umha série de valorizaçons e reflexons em voz alta que permitam transmitir porque tem valor e importáncia que o conjunto da esquerda independentista incremente apoios e porque há motivos para apoiar a candidatura de NÓS-Unidade Popular.

Neste processo eleitoral, contrariamente ao de 2005, o PP nom parece ter as mais mínimas possibilidades de atingir maioria absoluta. Todos os inquéritos e a percepçom geral da rua é que a fórmula do bipartido vai ser revalidada sem sobressaltos, embora PSOE-BNG e os seus meios de comunicaçom afins, tentem virtualmente construir um ambiente artificial baseado no medo à “direita” para assim movimentar indecisos, concentrar novamente apoios críticos de milhares de pessoas defraudadas polo continuísmo das políticas do PP.

Precisamente estes últimos quatro anos demonstrárom que nom há nada mais inútil que o chamado voto útil.

Mas, tal como é irracional apoiar forças políticas que sabemos que vam incumprir as promessas e tam só vam implementar políticas contrárias à Galiza e à classe trabalhadora, é absurdo optar por forças de obediência espanhola. É desolador que pessoas de esquerda e soberanistas optem por “castigar” a deriva regionalista e neoliberal do BNG apoiando a espanholíssima e também neoliberal IU, pois a sua experiência de gestom municipal assim o tem constatado.

A abstençom consciente e o voto nulo som duas fórmulas que temos empregado e promovido noutras ocasions. Nesta conjuntura, respeitando as companheiras e companheiros de luita que optarem por exercer esta forma de protesto contra um modelo político antidemocrático e fraudulento -companheir@s com quem coincidimos na rua no passado 8 de Fevereiro no combate ao espanholismo sem máscara- solicitamos que apoiem a esquerda independentista, pois é imprescindível continuarmos a dar passos firmes na vertebraçom eleitoral do espaço social da esquerda revolucionária galega.

Somos umha força com enormes défices e limitaçons. As dificuldades de comunicaçom com sectores do nosso espaço natural pode que seja umha das mais importantes. Porém, assumindo autocriticamente parte das opinions negativas que com maior ou menor intensidade recebemos, consideramos que estamos conformados por pessoas honradas, que tenhem consagrada a sua vida à causa da Galiza e do socialismo. Eis um dos principais motivos para apoiar a nossa candidatura.

Somos pessoas que fazemos o que dizemos, que estamos dispostas a defender com coerência e coragem esta Naçom e a sua classe trabalhadora, que nom nos acobardamos facilmente, que nom nos deixamos seduzir por oportunismos nem polas piscadelas do sistema.

A nossa trajectória nestes anos assim o constata: dúzias de militantes represaliad@s, dúzias de julgamentos pendentes por retirar a simbologia fascista, por intervir em conflitos laborais, por defender o idioma, por combater o militarismo espanhol, por evitar mais retrocessos nas raquíticas liberdades que entre tod@s conquistamos…

Mas também por participarmos directa e indirectamente em inumeráveis iniciativas para construir ferramentas, espaços, mecanismos de resistência e luita.

Por todo isto merecemos umha oportunidade. Tu tés a palavra.

Galiza, 19 de Fevereiro de 2009