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Infames unidades do sindicalismo com a burguesia

Segunda-feira, 8 Fevereiro 2010

Carlos Morais

A crise económica global do capitalismo bate com força na periferia do sistema. Há uns dias os prognósticos do FMI avançárom que a economia espanhola é a única dos denominados “estados centrais” que vai seguir em recessom ao longo de 2010. No Forum de Davos Rodríguez Zapatero foi incapaz de convencer os líderes da economia de mercado que conta com um plano viável para corrigir o incremento descontrolado do desemprego, do défice fiscal, sendo desmentido contundentemente polos algarismos macroecómicas de um PIB que acumula sete trimestres consecutivos de perdas. Porém, o ferido orgulho imperialista espanhol da “décima potência económica mundial” que tinha ultrapassado a Itália de Berlusconni caiu aos seus níveis mais baixos, arrastando umha queda da bolsa quando o também militante do PSOE e actual “comissário” europeu Joaquín Almunia comparou a crise económica espanhola com a delicada situaçom financeira grega.

Perante este panorama, o governo de Madrid optou por improvisar umha série de medidas que transmitissem confiança nos mercados internacionais para superar assim o descrédito e imagem de país das bananas que está provocando pánico entre a oligarquia.

A modificaçom dos sistema público de pensons mediante o incremento da idade de reforma dos 65 ao 67 anos acompanhada de umha série de mudanças tendentes a aumentar os anos de quotizaçom imprescindíveis para ter reforma som de momento um teste, mas fam parte do projecto privatizador que demandam o patronato e o grande capital.

Porém este anúncio contraditoriamente desmentido e maquilhado polo governo provocou umha crise no seio do PSOE e mornas ameaças de protestos por parte do bem subsidiado sindicalismo amarelo. Perante o desconcerto da Moncloa e uns inquéritos eleitorais que dam já umha vantagem de 4 pontos ao PP, o governo de ZP, após umha série de reunions secretas com os corruptos líderes de CCOO e UGT, apresentou as linhas mestras da nova reforma laboral que reclama o FMI e o patronato.

Para além da fotografia em que aparecem o presidente espanhol acompanhado do seu ministro de trabalho, os chefes do patronato e os líderes de CCOO e UGT, a reuniom foi inútil. O documento apresentado nom passa de umha genérica e inconcreta declaraçom de intençons cujo resultado imediatista que perseguia foi atingido ao contar com o beneplácito de Díaz Ferrán e das “centrais sindicais”, transmitindo deste jeito a desejada imagem de tranquilidade e “diálogo social” que oxigenara a horribilis conjuntura de quem pensava que nunca ia perder a baraka. De momento, à espera de tempos melhores e mais favoráveis, fica adiada a reforma rumada a flexibilizar ainda mais o mercado laboral, reduzir salários e eliminar direitos e conquistas. O mesmo acontece como a reforma das pensons.

Se a fotografia de unidade e pacto transmitida provoca desconcerto entre sectores intermédios da classe trabalhadora aprofundando no descrédito do sindicalismo oficialista, também evita que esses corruptos aparelhos “sindicais” se vejam arrastados a iniciar umha vaga de mobilizaçons que desgastem ainda mais a maioritária opiniom de incapacidade do governo PSOE, e basicamente contribuam a gerar um cenário de luita que poda ser incontrolável para o reformismo.

Porém, a infame renuncia a ocupar as ruas, preparar a greve geral, ofertando umha deturpada alternativa de todos contra a crise, quando o presidente do BBVA acabou de anunciar que receberá umha pensom de reforma de 80 milhons de euros, também é responsabilidade do sindicalismo galego.

As portas da Primavera, é umha evidência que a CIG incumpriu o anúncio de mobilizar contra a crise capitalista que tinha realizado a final do Verao para ocultar a derrota que a sua estratégia pactista conduziu o proletariado metalúrgico. A sua direcçom de burocratas bem remunerados nom só está preocupada por suprimir o pluralismo ideológico do interior da central, perseguindo à esquerda revolucionária independentista, como opta por levar até o extremo a conciliaçom de classes, reproduzindo na Galiza umha perversa unidade nacional contra abstractos e imaginários “interesses alheios”.

A crise financeira internacional está provocando umha acelerada reforma do sistema bancário do Estado espanhol mediante concentraçom de bancos e caixas de aforro com o intuito de evitar falências mediante o incremento volume de capital. Seguindo esta orientaçom o parlamento autónomo aprovou por unanimidade umha lei de caixas tendente a unificar Caixanova e Caixa Galicia, mas sem contar com a luz verde dos conselhos de administraçom de ambas entidades e a oposiçom localista do PSOE.

Porém, face ao posterior recurso do governo central a esta lei, o BNG promoveu um delirante manifesto em prol da fusom ao qual aderiu o PP, a CEG, o sindicalismo espanhol de CCOO e UGT e a CIG. Entre sorrisos de Alfonso Rueda e Guillerme Vázquez, Suso Seixo abençoou umha proposta claramente contrária aos interesses reais da classe trabalhadora galega que só gera mais confusionismo e desprestígio nas organizaçons operárias de massas.

Arrastar o sindicalismo de classe a aderir a umha batalha interna entre os mesquinhos interesses localistas de fracçons da burguesia galega é um dos novos episódios repugnantes da plena desnaturalizaçom do autonomismo e da instrumentalizaçom do proletariado galego por parte da direcçom da CIG. É umha mostra de capitulaçom à lógica do regime, é sentar as bases para assinar sem reservas os pactos de estado que serám exigidos como portagem para continuar a ocupar maiores espaços institucionais; é umha traiçom ao proletariado metalúrgico do sul do País, que há uns meses combatia nas ruas de Vigo a violência policial seguindo as directrizes de António Fontenla.

O que se persegue é satisfazer a burguesia que vai financiar campanhas eleitorais, o que se procura é isolar o PSOE mediante cálculos eleitoralistas e enviar um gesto de “responsabilidade” aos donos deste país.

Pois num debate deste tenor a única alternativa de classe é a      que apresentou NÓS-UP. Para a Galiza e a sua classe operária, as caixas devem ser nacionalizadas convertendo-as em instrumentos do governo autónomo para gerar investimentos sociais e culturais no nosso país. Que a sua sede esteja na Corunha, Vigo ou Madrid, para além do simbolismo, na actual situaçom da luita contra a dependência nacional nom é relevante, e muito menos justifica assinar manifestos com os responsáveis directos da grave situaçom de desemprego, precariedade, baixos salários, empobrecimento, exclusom social, reformas de miséria, emigraçom que padecem cada vez mais amplos sectores do nosso povo trabalhador.

Evitarmos cair nas batotas da burguesia e do reformismo. É essencial para construir umha corrente revolucionária insubornável com os objectivos estratégicos da independência nacional e o socialismo superador do patriarcado.

Galiza, 8 de Fevereiro de 2010