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A infámia do grupo PRISA contra o Che

Terça-feira, 16 Outubro 2007
  • Carlos Morais é Secretário-Geral de Primeira Linha

Coincidindo com o quadragésimo aniversário do assassinato do Che Guevara na Bolívia, a passada quarta-feira 10 de Outubro o buque insígnia do grupo PRISA, o jornal “El País” publicava um editorial imundo sob o título “Caudillo Guevara”.

O grau de ignomínia, de manipulaçom, de perversom, à hora de valorizar a vida, trajectória e legado do Che atingiu tal magnitude que poucos dias depois o próprio diário se viu obrigado a reconhecer na secçom do “Defensor do leitor” que as qualificaçons incluídas gerárom “o maior protesto dos leitores” que se lembra.

Contrariamente à opiniom generalizada dos neo-progres, e de gentes de má consciência de passado “esquerdista”, com evidentes razons para mostrarem satisfaçom com o presente, nom sou dos que considere este meio como um jornal de esquerda, “essencial” para entender a passagem do franquismo para a actual democracia bourbónica continuadora do ilegítimo regime emanado do golpe de estado de 18 de Julho de 1936. Este jornal fai parte do projecto estratégico de um sector da burguesia espanhola para manter intactos os privilégios e prebendas derivadas do Estado unitário negador do direito de autodeterminaçom e com inconfessados apetites imperialistas na América Latina, aparentando ser o que obviamente nom é.

Como porta-voz do felipismo, ou seja, da ala mais conservadora e reaccionária do neoliberal PSOE, tem jogado um papel meritório na hora de justificar o terrorismo de estado dos GAL contra a resistência basca, no incondicional apoio ao golpe fascista contra Chávez em 2002, apoiando aquele patético “Tirano Banderas” chamado Pedro Carmona, justificando as agressons ambientais e neo-imperialistas das multinacionais espanholas na América Latina, ou criminalizando permanentemente a Revoluçom cubana, consoante a linha discursiva que cada etapa histórica mais convenha: antes na onda de Mas Canosa e da máfia terrorista de Miami e agora com a dos interesses turísticos do capitalismo espanhol.

Porém, e tal como desmascarou Pascual Serrano em Rebelión comparando o editorial deste ano com o mais ligth redigido e publicado em 1997, “El Pais” nesta ocasiom deu um salto qualitativo homologando o seu discurso com o da imprensa popularmente identificada com a extrema-direita. Jiménez Losantos ou Pío Moa devem estar encantados. Mayor Oreja e Aznar duvidárom em levantar o “boicote”.

Talvez seja um antecipo do reajustamento editorial e do novo estilo da anunciado passagem de “Diário independente da manhá” a “Periódico global de notícias em espanhol”.

Umha repugnante “pérola” que emula o estilo de Queipo de Llano e Goebbels

Embora estejam sem assinar, os editoriais de um jornal som de responsabilidade directa do director. Neste caso de Javier Moreno, que por lógica conta com o apoio do presidente da sociedade editora, Ignacio Polanco, e do Conselheiro Delegado, Juan Luis Cebrián.

É instrascendente o nome, um medíocre com milionárias remuneraçons, mas a mao que redigiu este libelo deve ser a de um profundo admirador das soflamas elaboradas por aquele centuriom fascista chamado Gonzalo Queipo de Llano, -paradigma do agitador colonial e imperial do militarismo africanista espanhol humilhado em Annual polos rifenhos de Abd el-Krim- quem de “Unión Radio Sevilla”, durante a Guerra Civil espanhola de 1936-39, lançava as mais brutais e desmedidas desqualificaçons dialécticas contra as organizaçons e o exército da classe operária e o povo trabalhador que pretendia aniquilar. A mente que escreveu tanta insídia tem que ser um profundo conhecedor das técnicas do doutor Goebbels e dos seus grandes contributos para a teoria da manipulaçom de massas, sem reparar na mais absoluta carência de escrúpulos.

Mas debulhemos polo miúdo o conteúdo deste editorial.

O Che Guevara nom passaria de ser um vulgar terrorista ávido de sangue, pertencente a essa “sinistra saga de heróis trágicos” que “pretendem dissimular a condiçom de assassino sob a de mártir, prolongando o velho preconceito herdado do romantismo”.

Mas como se esta profunda “reflexom” nom fosse suficiente, afirma gratuitamente que “bebia das fontes de um dos grandes sistemas totalitários”. E a sua trajectória de revolucionário só deixou um “fio de fracasso e de morte” tanto em Cuba, como no Congo e na Bolívia, sem esquecer que milhares de seguidores se lancárom “à lunática aventura de criar a tiro o homem novo” seduzidos pola estratégia do foquismo.

Mas o climax da manipulaçom mais abjecta que se tenha escrito nos últimos anos sobre o Che nom se plasma até a parte final do texto, onde o acusa de oferecer “novos álibis às tendências autoritárias que germinavam no continente. Graças ao seu desafio armado, as ditaduras militares de direita pudérom apresentar-se a si mesmas como um mal menor, quando nom como umha inexorável necessidade face a outra ditadura miltar simétrica, como a castrista”.

Finalmente, as 55 linhas deste repugnante panfleto pontifica que a esquerda latino-americana e europeia “deu cabo por completo dos seus objetivos e métodos fanáticos”, pois já só “os governantes que submetem aos cubanos ou os que invocam a Simón Bolívar nas suas soflamas populistas” reivindicam o seu legado e o seu exemplo.

Terrorista ou revolucionário?

O capitalismo na sua fase neoliberal emprega de forma arbitrária, abussiva, universal e selectiva a categoria ‘terrorismo’ para identificar e definir todos aqueles métodos de luita que nom se circunscrevem aos excluentes processos eleitorais das raquíticas democracias burguesas que permite a economia de mercado. Tod@ aquele ou aquela que ousar questionar qualquer forma de exploraçom, dominaçom ou opressom, utilizando meios nom homologáveis aos que o sistema actualmente autoriza, é imediatamente riscado de ‘terrorista’. Este termo substitui o de comunista empregado até a décaca de oitenta do passado século para definir aqueles que luitavam contra a ordem estabelecida, à sua vez maciçamente empregado após a Revoluçom bolchevique de 1917 para substituir o de anarquista.

‘Comunista’ para a semántica do Capital -actualmente hegemónica nos grandes meios de comunicaçom e nos sistemas educativos,- tem sido pois paulatinamente mudado por ‘terrorista’.

A violência defensiva dos povos, das minorias étnicas, das classes subalternas, a resistência contra a ocupaçom ou qualquer forma de opressom, som simplesmente identificadas como terrorismo. Porém, a repressom, a destruiçom e a morte a grande escala provocada polos estados e potências imperialistas fica isenta desta definiçom. O holocausto galego de 1936, Hiroshima e Nagasaki, Vietname, o genocídio militar argentino, Abu Ghraib, Guantánamo, por citar algumhas dos mais abjectos massacres ou monstruosas torturas aplicadas polo imperialismo nas últimas décadas, nom som consideradas terrorismo para o pensamento dominante. Som práticas abusivas ou métodos expeditivos que cumpre evitar, mas em ocasions necessários para manter a hegemonia capitalista.

Para “El País”, o Che Guevara semelha mais um terrorista que um revolucionário coerente com os valores e os princípios éticos que o levárom a consagrar a sua vida a combater toda forma de opressom empregando os métodos necessários. O Che, pois, seria tam terrorista como a guerrilha antifranquista galega, como a resistência à ocupaçom nazi na Europa, a palestiniana ou a curda, por referir exemplos bem conhecidos. Assim definiam os franquistas e os nazis e definem os sionistas e os imperialistas turcos essas legítimas luitas.

Mas os regimes terroristas, no sentido de empregar a violência generalizada, para se perpetuar no poder frente à oposiçom maioritária dos seus respectivos povos, o que acontecia na Cuba de Batista, no Congo de Mobutu, e na Bolívia de Barrientos, nom justificam para “El País” o emprego da luita guerrilheira. Quiçá pensem os teóricos do social-liberalismo espanhol que sem a luita armada de Martí, Maceo ou Céspedes -primeiro contra o colonialismo espanhol no exército mambi-, posteriormente a das organizaçons clandestinas contra as ditaduras de Machado e Batista que convertêram a ilha numha semi-colónia ianque, o assalto ao Moncada, o desembarco do Granma, o desenvolvimento combinado da luita armada do Exército Rebelde e a luita de massas promovida nos núcleos urbanos polo M-26 de Julho e outras organizaçons, o povo cubano teria atingido hoje a sua independência e soberania nacional, ensaiando a construçom de umha sociedade socialista. Que sem luita armada os povos de África ou Ásia teriam acabado com o colonialismo europeu na segunda metade do século XX. Que sem o emprego da violência defensiva como estariam hoje boa parte dos povos e pobres do mundo perante a global ofensiva terrorista decidida polo “trio dos Azores” na Primavera de 2003 para se apropriarem das reservas energéticas do planeta. George W. Bush, -cabeça visível do complexo militar-industrial norte-americano- é sem lugar a dúvidas um dos terroristas mais mortíferos da história humana.

“Há cousas que temos que fazer de qualquer modo, com o fio a espada ou borrando quartilhas. O que realmente questiona “El País” é a legitimidade da luita armada, da violência d@s oprimid@s contra os opressores. Nengum dos responsáveis por esse meio de comunicaçom considera que às vezes há que “deixar a casa e o sofá, a mae vive até que morre o sol, e há que queimar o céu se for preciso por qualquer homem do mundo, por qualquer casa”.

Mas nom se achará nas páginas deste respeitável meio de informaçom a definiçom de Kissinger e os seus avantajados alunos Castillo Armas, Somoza, Pinochet, Banzer, Videla, Trujillo, Strossner ou a Uribe como terroristas. Mas sim no caso das dezenas de milhares de mulheres e homens que empunhárom e ainda empunham as armas para combaterem os seus brutais regimes. De facto, o falecimento de morte natural na sua casa nos arrabaldos de Burdeos de um ser tam monstruoso como o mercenário francês Bob Denard, responsável por centenas de torturas e mortes nas guerras de África na segunda metade do século passado, tem um cuidadoso tratamento em comparaçom com a valorizaçom do Che. Seria porque o Corsário da República estava a soldo dos serviços secretos franceses para os trabalhos sujos em que nom era aconselhável que participassem as tropas regulares de Paris.

O pensamento do Che bebia do totalitarismo?

“El País”, na sua permanente ofensiva ideológica contra a emancipaçom humana a partir de parámetros pseudo-progressistas, tem umha cruzada particular contra a Cuba, Venezuela e Bolívia por se acharem em processo de superaçom, em etapas históricas diferentes e de forma desigual, da ditadura do mercado e das ordens emanadas de Washington.

Nom aceita que os povos devem emancipar-se, que, após umha longa década de neoliberalismo selvagem, hoje a América Latina está a escrever novas páginas brilhantes para a libertaçom das imensas maiorias desfavorecidas e empobrecidas. Por este motivo, arremete com a fúria e a brutalidade característica do capitalismo contra quem, após quarenta anos a tentar escondê-lo, integrá-lo, convertido num inofensivo ícone para consumo, continua a ser um exemplo a seguir nas luitas emancipadoras americanas e do resto do mundo que tenhem o Socialismo como horizonte.

Mas o Che nunca fijo parte dessa corrente do movimento operário internacional submetida aos ditados da burocracia soviética, o que se conhece como estalinismo. Foi um heterodoxo no campo da esquerda marxista. Como expressom contemporánea da tradiçom leninista do marxismo revolucionário, mantivo umha original acçom teórico-prática radical e criadora, antagónica com o pactismo, a cooptaçom, o revisionismo ou o reformismo, umha linha política sem concessons ao imperialismo, às alianças e classes e a política da “coexistência pacífica” promovida polo Kremlin. Dedicou boa parte das suas reflexons teóricas a defender o valor da consciência como parte determinante da construçom do socialismo face ao reducionismo economicista de socializaçom dos meios de produçom. Por isso, o guevarismo é incómodo para a esquerdada acomodada e institucional, tanto a de matriz estalinista como eurocomunista.

O Che combateu a identificaçom de estatismo como socialismo. E foi meridianamente claro nestas questons. Foi dos que nunca renunciárom a abandonar a adarga do braço nem se conformárom com o presente.

Combateu sem trégua o totalitarismo inerente à economia de mercado e ao sistema de representaçom burguês. Essa “ordem” que o capitalismo necessita para reproduzir a exploraçom de classe e os diversos mecanismos que asseguram perpetuar a dominaçom. Ou bem mediante os falsos consensos sobre os quais se levantam as democracias ocidentais, ou entom utilizando a barbárie das baionetas quando a luita de classes, a consciência das massas pom em perigo a sua hegemonia. A burguesia nom duvida em empregar a força bruta se estiverem em risco os seus privilégios. Assim aconteceu na Galiza e no Estado espanhol em 1936, no Chile em 1973, no cone sul latino-americano poucos anos depois, ou o já mencionado golpe de estado patrocinado polos EUA e Espanha contra o Presidente Chávez em Abril de 2002.

O Che foi em um Comunista com maiúsculas, e portanto impossível de integrar no pensamento burguês. Nada mais longe do totalitarismo.

Actualidade do guevarismo

“El País” sabe perfeitamente que o guevarismo, entendido como a adequaçom do marxismo revolucionário (o autêntico e genuíno, portanto rebelde e indomável, desprovisto dos esterilizantes aditivos do academicismo universitário, das castradoras simplificaçons dogmáticas do estalinismo, ou da domesticada e adúltera leitura eurocomunista) às concretas e específicas realidades de América Latina, mas também de outras latitudes do Terceiro Mundo, nom desapareceu aquele 9 de Outubro de 1967, onde a “era estava parindo um coraçom”, está hoje mais vivo que nunca.

Foi influente e nalguns casos determinante nas grandes luitas operárias e populares desenvolvidas no planeta no período que abrange de meados da década de sessenta até inícios do oitenta do século XX (na etapa final da sua vida antes do vil assassinato na escola de La Higuera até os anos posteriores à Revoluçom Sandinista de 1979). Mesmo posteriormente, quando a ofensiva neoliberal se ensaiava de forma pioneira no Chile de Pinochet, nom se pode entender o êxito da epopeia cubana em Angola, militarmente plasmada na vitória de Cuito Canavale sobre o exército racista de Sudáfrica na Primavera de 1988, sem a enorme motivaçom internacionalista que o guevarismo impregnou na doutrina militar das FAR que apoiavam o MPLA. Após o ruir das burocracias soviéticas, de aquele muro de Berlim incomparavelmente mais baixo e menos mortífero que o que hoje converteu os territórios palestinianos na maior prisom do planeta, na euforia do fim da história e as disparatadas teorias do pós-modernismo, o Che e o guevarismo foi um protector carregado de frescura perante a inicial perplexidade e desconcerto desses sucessos que mudárom o curso da História.

Hoje, após a cinzenta e inquietante longa década iniciada entre Dezembro de 1989 e Agosto de 1991, os anseios de liberdade e justiça do heróico comandante estám vivos na Cuba de Fidel, na Venezuela de Chavez, na Bolívia de Evo, mas sobretodo também nos activistas dos movimentos sociais e nas luitas camponesas, operárias, indígenas, de mulheres, da juventude, desde as ruas de México às de Buenos Aires, do Rio Grande à Patagónia. Vivo, em menor medida, mas cada dia mais presente e valorizado na esquerda revolucionária europeia que superou a desfeita da descomposiçom dos socialismo realmente inexistente.

O Che é um referente, um exemplo na maioria dos combates diários do hemisfério ocidental, nas barricadas, greves, manifestaçons, protestos de essa sinfonia de cores e reivindicaçons concretas dos mais diversos colectivos e sectores sociais que simplificando denominamos classe trabalhadora. Ontem ainda o podíamos ver confusa e fugazmente no telejornal, mas sem dúvida era ele, “entre fumo e metralha, correndo despido. Ia matando canalhas com o seu canhom de futuro.

E isto é o que “El País” nom atura. De aí o colérico editorial.

Se o legado teórico do Che e o seu exemplo fossem um cadáver, simples ideias anacrónicas e obsoletas, ou homologáveis à inofensiva retórica do capitalismo de estado chinês, o seu quarenta aniversário passaria sem pena nem glória. Mas a realidade desmente as falácias do jornal espanhol.

Os contributos teórico-práticos do Che

Mas, frente à caricaturizaçom a que se viu submetido por um dos referentes intelectuais de “El País”, o Che nom foi um simples dirigente guerrilheiro audaz e temerário movido por umha mistura de romantismo e desejo de aventura. Régis Debray, com a vulgarizaçom do pensamento guevariano que desconhecia profundamente, reduziu e simplificou o seu ingente contributo para o marxismo revolucionário no que incorrectamente definiu como teoria do “foquismo”. Néstor Kohan considera que para o Che os termos “foco” e “catalisador” fôrom empregados seguindo a origem metafórica da sua formaçom médica. Mas o Che desde Sierra Maestra até Ñacahuasú mantivo sempre umha concepçom da luita armada intrinsecamente vinculada e complementada com a mobilizaçom de massas seguindo a melhor tradiçom leninista.

Hoje, com umha parte substancial da sua obra ainda inédita, som cada vez mais intensos e completos os estudos que descobrem e recuperam do grotesco manual marxista e o seu grande contributo para a libertaçom do ser humano.

O Che mantivo umha posiçom afastada da nefasta escolástica soviética que converteu o marxismo em algo simplesmente inservível para a luita revolucionária tendente à transformaçom do capitalismo. “O socialismo económico sem a moral comunista nom me interessa afirmou com firmeza na hora de promover o trabalho voluntário como método de reforçar os estímulos morais, seguindo aqueles primeiros sábados comunistas organizados meio século antes por Lenine.

As suas intensas polémicas sobre a transiçom para o socialismo em Cuba em 1963-64 com os sectores mais ortodoxos da Revoluçom provenientes da sucursal soviética, o velho PSP, assessorados por Charles Bettelheim, a respeito do papel da lei do valor, da competência entre empresas, os incentivos económicos e morais, ou os critérios mercantis que o bloco soviético empregava nas suas relaçons comerciais com os povos do Terceiro Mundo, figérom do Che um dirigente incómodo para Moscovo. E a partir do Discurso de Argel, realizado em Fevereiro de 1965, onde denuncia sem ambigüidades a cumplicidade soviética com o imperialismo na hora de perpetuar a dependência da periferia frente ao centro, o Che certificou a sua ruptura definitiva com um modelo que tal como prognosticou com mais de vinte anos de antecedência estava abocado ao fracasso culminando na plena restauraçom capitalista.

Mas meses antes da sua morte, na estadia em Praga, no tránsito do Congo para a Bolívia, prévia passagem por Cuba, o Che começou a ordenar parte das suas reflexons económicas -actuais no rearme ideológico da esquerda revolucionária-, hoje finalmente publicadas, polo menos de forma parcial, no que é um inacabado questionamente integral, a partir de posiçons marxistas, do anti-dialéctico “Manual de Economia Política” da Academia das Ciências da URSS e da crença “fetichista em supostas leis de ferro, invariavelmente mercantis, que regeriam durante a transiçom para o socialismo” .

O Che nom foi um idealista no sentido quixotesco, nem um aventureiro; foi um militante comunista integral que “deixou a casa e o sofá” dedicando a sua experiência, enorme capacidade intelectual, vasta cultura e extraordinário valor e coragem que contribuiu para a construçom de um novo ser humano, o “homem novo”. Orlando Borrego, um dos seus mais estreitos colaboradores, num magnífico livro, deixa constáncia e um valioso testemunho do imenso significado da sua vida.

“El País” implicitamente realiza na sua virulenta diatriva contra o Che umha apologia do pensamento e dos valores burgueses: o individualismo, a insolidariedade, o egoísmo, a comodidade, o consumismo, a negaçom do sacrifício e da entrega frente aos valores que devem caracterizar o comunismo revolucionário: altruísmo, solidariedade, amor pola humanidade, ajuda aos semelhantes, austeridade. Todo isto foi o que o Che aplicou na sua intensa, mas curta vida. Porque “o revolucionário verdadeiro é guiado por grandes sentimentos de amor. É impossível pensar num revolucionário autêntico sem esta qualidade” que o Che tentou incansavelmente difundir. E como a experiência histórica da luita de classes se tem cansado de mostrar, nom é possível caminhar face um mundo novo sem injustiças, guerra e sofrimento sem se ver aboacdo a empregar a violência. O Che, embora nom assistisse ao trágico final da via pacífica ao socialismo ensaiada por Salvador Allende no Chile, sim viveu em directo a experiência de Arbenz na Guatemala de 1954, quando mercenários apoiados pola CIA derrocárom o governo progressista que ameaçava os interesses da United Fruit.

O pensamento do Che, como o de Lenine, nom é assimilável, salvo que se oculte e se simplifique mediante as habituais manipulaçons académicas, às diversas correntes da esquerda domésticada que só procura migalhas na co-gestom do capitalismo.

Galiza, 16 de Outubro de 2007


Guillermo Rodríguez Rivera.

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