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Ideóloga do PP ataca mulheres, juventude e pessoas reformadas com propaganda machista e neoliberal das FAES

Segunda-feira, 12 Agosto 2013

Luzia Leiros

O artigo elaborado por Elisa Chuliá para a revista da FAES, intitulado “A propósito da reforma dos Estados de providência”, fai rememorar a vergonhosa intervençom da deputada do PP Andrea Fabra, “que se jodan”, pronunciada entre fervosos aplausos dos seus colegas de partido, enquanto Rajói anunciava cortes nas prestaçons por desemprego.

O artigo ataca a quase totalidade das diferentes camadas sociais que conformam o povo trabalhador. Mulheres, jovens e pessoas reformadas, som culpabilizadas da miséria crescente, do desemprego, e até a queda do PIB… Volta-se à retórica neoliberal e direitosa de que se viveu por cima das nossas possibilidades, e de que a classe trabalhadora é responsavel da crise.

Elisa Chuliá defende o modelo de familia tradicional e o rol machista da mulher dentro desta instituiçom. Vê como problema para a viaviliade do modelo económico e social do Estado espanhol, que as mulheres tenhamos um trabalho assalariado, porque segundo ela conleva o “atraso da nupcialidade, umha descida da natalidade e, portanto, “umha reduçom de contribuintes futuros” e que deixamos de ocupar-nos “dos membros mais vulneráveis da familia”. Nom é nova esta análise que fai da luita pola liberalizaçom da mulher o Partido Popular.

Da Junta levamos vários anos escuitando que o papel social das mulheres é parir e cuidar crianças. Mas o fundo da divulgaçom de tal análise é procurar um argumento “científico” que justifique que as mulheres sejamos hiper-exploradas nas empresas mediante contratos a tempo parcial em prol da “conciliaçom familiar”, que cobremos menos sob a premissa de que o trabalho assalariado feminino é secundário, umha ajudinha económica para o lar e que a tarefa principal das mulheres é o cuidado da casa e da familia.

Através da defesa machista de que as mulheres somos “cuidadoras”, procura legitimar o desmantelamento atual dos mínimos serviços públicos dos que desfrutamos, como os infantários, os centros de dia, etc… e que esses serviços públicos sejam satisfeitos “GRATUITAMENTE” polas mulheres do povo trabalhador.

Sob o argumento de que as mulheres temos umha baixa taxa de maternidade, a qual, comparativamente com os Estados do nosso ámbito geográfico é certo, escorregam responsabilidades politicas e sociais, e penaliza-se a liberdade sexual e de decidir das mulheres. Haveria que lembrar a esse grupo que o PP categorizou como Fundaçom que mais contributo para a inversom da piramide etária fai a massiva emigraçom juvenil que a baixa maternidade das mulheres. E da alarmante emigraçom e desemprego juvenil assinalamos como últimos responsáveis o capitalismo espanhol e os seus partidos políticos.

O seguinte setor social criminalizado som os 9 milhons de pessoas do Estado que recebem prestaçons de reforma. Segundo o artigo, o problema é que vivemos muitos anos e, portanto, o Estado gasta muito nestas pessoas através de ditas prestaçons e do sistema sanitário. Novamente mandam as culpas para fora e criam a sensaçom de alarme sobre a viabilidade das pensons. Mas com que objetivo? Recorrendo à hemeroteca, podemos achar um documento datado em outubro do 2011, após a reforma da pensons deste mesmo ano, e assinado pola OCDE que afirma: “Na atualidade Espanha dedica ao pagamento das reformas à volta de 9% do PNB, quantidade ligeramente superior ao promédio da OCDE, mas quase equivalente a este quando se tenhem em conta os dados demográficos. (…) No longo prazo, o gasto público neste capítulo reduzirá-se numha soma equivalente a 3,5% do PNB”, e prossegue com duas recomendaçons: primeiro, aumentar a idade da reforma e, segundo,“Aumentar as achegas da populaçom às pensons privadas, mediante a melhoria dos mecanismos de incentivaçom e do dispositivo destinado a protegá-las da volatilidade dos mercados financeiros”.

Em definitivo, atrás da análise de Elisa Chuliá, está a procura dumha justificaçom de todas estas medidas neoliberais provenientes da OCDE.

E o terceiro setor social ao qual criminaliza o artigo é a já de mais agredida e vilipendiada juventude trabalhadora. A autora, que no seu momento fijo parte da Comissom de onze especialistas do ministro pior avaliado socialmente, Ignacio Wert, acaba de afirmar que a “ampla oferta educativa pública e subsidiada” originou “com freqüência desemprego e sobrequalificaçom”. Elisa Chuliá volta a tergiversar a realidade. Do argumento neoliberal de que os “preguiçosos NINIS” som os responsáveis pola sua própria vida de miséria, passa-se agora a responsabilizar a educaçom pública da destruiçom de emprego juvenil. Só devemos reler o projeto inicial da LOMCE para nos darmos conta do que realmente esta defendendo esta ideóloga do PP. Privatizaçom, elitizaçom, força de trabalho acrítica, submissa e embrutecida, etc.

Por último, só fica analisar a saúde e nivel de desenvolvimento do chamado Estado de providência espanhol, que a FAES tanto insiste em reformar. Empregando os três indicadores mais comuns, conclui-se que em Espanha o desenvolmento dos serviços públicos é minimo, e de que as desiguladades sociais som cada vez mais pronunciadas. Em primeiro lugar o Estado espanhol é o Estado da UE-15 com menor percentagem de populaçom adulta a trabalhar nos serviços sociais públicos: 10%. Em segundo lugar, o Estado espanhol tem a percentagem de gasto social em serviços públicos em relaçom ao PIB mais baixo da UE-15: 22,1%, frente aos 27, 6% da UE-15. E em terceiro lugar, o Estado espanhol é um dos menos redistributivos da zona euro, já que a taxa de probreza despois de tranferências sociais (desemprego, reformas e demais ajudas públicas) é a mais alta da UE-15, passando de 24% para 20% depois das ajudas.

Conclusom

Em síntese, o artigo vem denunciar que se gasta muito em saúde, em educaçom, em prestaçons, etc. Que se gasta muito porque as mulheres queremos liberdade e direitos, a juventude esta “hiperformada” e porque os velhos vivem muito. Que por isso é necessário liquidar os efémeros direitos conseguidos em décadas de luita obreira e popular, privatizando e cortando. Nada se di do exagerado e desnecessário gasto público investido no ministerio da Defesa, nos organismos repressivos ou em novo equipamiento policial. Tampouco se analisa o milionário esbanjamento público de que se beneficia a FAES: 1.188.071,00€ no ano 2012 através do Ministério de Cultura, 529.849,88€ nesse mesmo ano através do Ministério de Exteriores. 1.019.920,00€ no ano 2011. 22.000€ com os fundos da UE no ano 2010. E a lista continua ano após ano…. Eis de onde há que cortar, começando pola casta parasita e cleptocrática assente nos parlamentos espanhol e galego, partidos politicos do regime envolvidos continuamente em escándalos de corrupçom.