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Fora protagonismos! Bem-vindos aliados!

Quinta-feira, 1 Agosto 2013

Lara Soto

Após várias semanas a dar voltas ao que se passa com esta neo-realidade no movimento feminista do nosso país, acho fum quem de tirar algumhas respostas que em multitude de ocasions nom damos feito chegar à “massa”, embora tenhamos o convencimento interno de que deveria ser assim.

Sucedida a última manifestaçom feminista com umha tam alta participaçom de homens que os converteu em protagonistas, nasceu ou renasceu a polémica sobre se o feminismo é umha luita exclusiva das mulheres, se os homens devem apoiar esta luita e até que ponto deve ser público esse apoio.

Embora saibamos que o feminismo deveria ser e servir como espaço para a recuperaçom do nosso empoderamento, um espaço de sororiedade, um espaço em que as mulheres, como alvo das políticas machistas, sexistas e discriminatórias deste sistema patriarco-capitalista, sejamos as protagonistas, sejamos as únicas que tomemos decisons sobre nós mesmas e sobre todo isso que nos atinge. Somos bem conscientes da existência de coletivos feministas nos quais é habitual a participaçom de homens.

Que é o que nos deparamos se apoiando-nos no recém exposto criticamos esta realidade? O questionamento da legitimidade dos grupos compostos só por mulheres. Tendo inclusive que ouvir como se nos qualifica de “sexistas”.

Sexistas? Argumento e afirmaçom que nom é mais do que inconsistência política de muitos dos homens que se presumem e se defendem como feministas.Acho que a acussaçom de sexismo nom é mais que a reproduçom da lógica opressora, da lógica patriarcal, umha lógica puramente machista que aparece aqui, justamente onde ela deveria ser recusada com mais força do que nunca. Mas desqualificar as associaçons ou grupos exclusivamente femininos é desqualificar um movimento fundamental para o empoderamento das mulheres na sociedade patriarcal. Porque… onde estavam os homens na luita polo direito ao voto? Onde estavam os homens naquelas primeiras luitas polo nosso direito à educaçom, a um trabalho remunerado, ao aborto, etc? Nom estavam? Ou será que sim, que em todas estas luitas as mulheres contárom com aliados que nom só apoiavam as nossas reivindicaçons históricas, como também trabalhavam por e para elas? Mas nom, nom estavam nas ruas, nom eram porta-estandartes de nada, nom era a sua luita, porque a sua nom era umha opressom nem tam sequer similar à que padecíamos e padecemos as mulheres.

Por todo isto e mais, acho que é necessário refletirmos sobre certas açons que se estám a tornar realidades habituais, como é a participaçom dos homens no feminismo. Queremos aliados na luita feminista, nom protagonistas, pois esse é nosso papel, como construtoras que fomos dos movimentos feministas, na medida que a história da opressom, da dominaçom e da exploraçom patriarcal incidiu nas nossas vidas. Sabemos que todo homem fora do estereótipo marcado como correto sofre efeitos opressores do patriarcado. Mas nom podemos obviar que também som os seus beneficiários.

Quer dizer isto que nom deva existir um diálogo ou um interesse por parte dos homens relativamente ao feminismo? Com certeza que nom, antes ao contrário: a formaçom feminista é positiva e necessária, seja qual for o teu sexo e ou o teu género. Mas a participaçom nom solicitada de homens em açons, manifestaçons, atos ou coletivos feministas prejudica a criaçom e formaçom de grupos de empoderamento de mulheres contra o patriarcado. A tarefa principal, a enorme tarefa de inegável importáncia para com a revoluçom feminista dos homens, deve ser o continuado questionamento da educaçom em valores tradicionalmente separada no binómio genérico homem-mulher e o que isto significa para umhas e para os outros.

Nom estou a fazer um apelo à desídia e desinteresse nas luitas feministas, e sim a umha verdadadeira contribuiçom masculina para com este movimento; fazer a parte que vos toca questionando os vossos privilégios sobre todo naqueles ambientes altamente masculinizados como bares, ginásios, trabalho, desportos… os que quigerdes realmente aportar no feminismo deveredes começar por fazer prosselitismo para a causa aí, nesses espaços.

Desenvolvendo ideias que permitam a aliança junto às mulheres, mas com delimitaçom nas responsabilidades, a meu ver, eis o modo mais coerente, fácil, produtivo e legítimo em que os homens podem trabalhar a favor de umha sociedade galega fora do machismo, fora do sitema patriarco-capitalista.

Condado, 29.07.2013