Abrente

Ediçons digitais da publicaçom trimestral do nosso partido

Documentaçom

Textos e outros documentos políticos e informativos de interesse

Ligaçons

Sites recomendados de ámbito nacional e internacional

Opiniom

Artigos assinados sobre temas de actualidade galega e internacional

Video

Documentos audiovisuais disponíveis no nosso portal

Home » Notícias

Publicamos integramente entrevista a Carlos Morais no Sermos Galiza

Terça-feira, 25 Junho 2013

O número 52 do semanário Sermos Galiza, editado sexta-feira 21 de junho, publica entrevista ao Secretário-geral do nosso partido a respeito do atual processso de negociaçom entre as FARC-EP e o governo colombiano.

Carlos Morais participou em fevereiro na delegaçom do MCB que em Havana visitou delegaçom de paz das FARC.

Tal como publicamos http://primeiralinha.org/home/?p=13814 o nosso secretário-geral entrevistou o comandante Iván Márquez.

A continuaçom, reproduzimos a entrevista que por razons de espaço nom foi publicada integramente no Sermos Galiza.

“A negociaçom demonstra que as FARC tenhem alternativa de País”


Como se chega a esta negociaçom e que supom, nom só para a Colômbia, mas para o continente?

As FARC conseguírom sentar a negociar o governo oligárquico de Juan Manuel Santos após quase meio século de exemplar resistência popular, de complementaçom de todas as formas de luita, com destaque para a guerrilheira, perante a impossibilidade de agir legalmente sem sofrer a eliminaçom física.

A alternativa guerreirista do governo colombiano, seguindo as diretrizes dos Estados Unidos, provocou o fracasso das negociaçons do Caguán em 2002. A modernizaçom e alargamento do exército burguês, a incorporaçom das mais sofisticadas tecnologias no conflito, a intervençom direta dos ianques e outras potências, mediante a aplicaçom do Plano Colômbia, procuravam derrotar a insurgência comunista. Dez anos de intensificaçom da guerra constatárom novamente o monumental fracasso da alternativa de derrotar militarmente às FARC-EP.

A guerrilha desde praticamente a sua fundaçom em 1964 defendeu umha saída negociada. Após a susbtituiçom em 2010 de Uribe por Santos, o comandante-em-chefe das FARC, Alfonso Cano, dedicou enormes energias em abrir canais de comunicaçom que cristalizárom no processo de diálogo da Havana, encenado em Oslo em outubro de 2012. Mas o governo que hoje negocia na capital cubana com a Delegaçom de Paz das FARC é o mesmo que mandou matar a Alfonso Cano.

Perto de nove meses de negociaçom servírom para demonstrar que as FARC, em sintonia com o movimento popular colombiano, tem umha alternativa integral de País e de sociedade para a Colômbia, baseada na soberania e na justiça social.

Por agora existe um pre-acordo sobre a questonm agrária, mas nom será definitivo até atingir um acordo global.

A paz com justiça social -nom a claudicaçom política e a entrega de armas que deseja a oligarquia-, significaria a abertura de um processo constituinte com todas as mudanças estruturais que isto conleva.

As FARC proponhem atrasar um ano as eleiçons para facilitar negociaçom. Que implica esta oferta?

O governo de Santos segue negando-se a assinar umha trégua em pleno processo de negociaçom tal como solicita a guerrilha comunista. Na Havana fala de paz mas sobre o terreno continua aplicando a doutrina militar dirigida polo Pentágono, deslocando camponeses das suas terras, realizando massacres, matando líderes sindicais e indígenas, aplicando o terror com apoio do paramilitarismo, para assim apoderar-se de mais milhons de hetares e entregar as riquezas minerais da Colômbia às multinacionais.

Santos e a oligarquia nom desejam um verdadeiro acordo de paz. Tam só procuram a derrota das FARC e por tanto a claudicaçom da luita popular por umha Nova Colômbia, a Pátria Grande e o Socialismo.

Emprega as negociaçons como umha arma eleitoral para poder revalidar-se na presidência em 2014.

As FARC proponhem adiar essa convocatória até atingir um acordo sólido e solvente que facilite abrir um processo constituinte e por tanto a democratizaçom que permita ao movimento popular participar no processo eleitoral. Algo lógico e sensato.

Mas Santos emprega a dialética de guerra e negociaçom para manter os privilégios de umha oligarquia terrorista.

Qual é o estado na América Latina dos diferentes movimentos que luitam por superar o capitalismo?

A Revoluçom Bolivariana na Venezuela contribui a reforçar a exemplar resistência de Cuba e das FARC frente a ofensiva neoliberal que na década de noventa do século passado arrasou os povos da América Latina e o Caribe, convertendo os seus Estados em colónias ou semicolónias dos Estados Unidos e das multinacionais.

Chávez rearmou a agenda dos movimentos populares e da esquerda transformadora incorporando sem complexos nem timoratismos a alternativa revolucionária, e por tanto a defesa da equaçom Soberania/Independência Nacional e Socialismo, mas também o projeto integrador bolivariano, supranacional, que forma parte da doutrina das FARC.

Posteriormente a primeira vitória de Chávez em 1998, produzirom-se mudanças menos ambiciosas na Bolívia e no Equador. Este processo permitiu umha modificaçom da correlaçom de forças e um claro impulso das posiçons progressistas na imensa maioria do continente, com influência a escala mundial.

Porém, a dia de hoje, som enormes os desafios da Revoluçom Bolivariana após o falecimento do comandante Hugo Chávez em março. A extrema-direita, seguindo os ditados dos Estados Unidos, mas também da UE, pretendem mediante a desestabilizaçom e a aplicaçom de táticas de guerra de quinta geraçom tombar o governo legítimo de Nicolás Maduro. A Revoluçom acha-se numha encruzilhada histórica: senom aprofunda na via socialista e derrota a oligarquia, perecerá. Isto provocaria umha catástrofe para as luitas e as conquistas das maiorias oprimidas e excluidas do continente e do mundo.

Mas nesse caso o Socialismo/Comunismo seguirá sendo a única alternativa possível ao caos sistémico e crise estrutural que padece o capitalismo.