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A nossa luita, o nosso espaço

Quinta-feira, 20 Junho 2013

Helena Embade Pita

Após a manifestaçom nacional convocada pola Plataforma Galega polo Direito ao Aborto escuitei umha mulher comentar que nom lembrava umha manifestaçom com umha presença masculina tam elevada.

A necessidade da implicaçom dos homens na luita pola erradicaçom do patriarcado nom é algo que eu vaia questionar neste texto, nem muito menos.  No entanto, entre todas as maneiras que tenhem os homens de mostrar o seu compromisso e apoio, alguns escolhem precisamente a que lhes concede maior visibilidade, e em consequência, mais protagonismo. Aí é onde começa o problema.

Se bem é certo que o “desembarco” de homens na mobilizaçom do passado 16 de junho nom foi qualquer surpresa, nas jornadas prévias alguns homens duvidavam se a convocatória era exclusivamente para mulheres, algo que resulta quanto menos paradoxal e também um pouco ridículo. O manifesto que assinamos as perto de 60 organizaçons e coletivos que conformamos a Plataforma em nengum momento fazia um chamamento explícito à participaçom dos homens, por motivos que eu considero evidentes, mas que polo visto nom o som tanto.

De algumha maneira as mulheres vemo-nos forçadas constantemente a dar explicaçons e justificar-nos, ou polo menos isso é o que pretendem que fagamos. Que alguém questione que umha manifestaçom centrada no direito a decidir sobre os nossos próprios corpos seja para as mulheres é algo no que paga a pena afundar.

Semelha que alguns homens ainda nom veem com bons olhos que fagamos chamamentos às mulheres a ter iniciativa própria, a expressar-se em primeira pessoa, a ser protagonistas da sua luita. Os mesmos homens que as mais das vezes mostram interesse nulo sobre as temáticas feministas e cuja aportaçom e implicaçom nom vai além das “datas rituais” (8 de março, 25 de novembro), som os que se sentem “marginados” ou mesmo “ofendidos” se pomos em dúvida a sua presença em mobilizaçons feministas.

NÓS-Unidade Popular, que inclui o feminismo como parámetro ideológico fundamental, temos clara a nossa posiçom a este respeito e apostamos por defender mobilizaçons só de mulheres como princípio geral. Os homens que fam parte da nossa organizaçom difundem e colaboram em campanhas feministas, mas em nengum caso assumem um protagonismo que nom lhes corresponde.

Entendemos que os homens devem trabalhar a igualdade desde o seu próprio ámbito e incidir onde for preciso em determinadas questons que nos afetam a todas e a todos, mas sempre sem interferir na autoorganizaçom das mulheres. Sem dúvida tenhem umha tarefa muito complexa que levar a cabo (nos centros de trabalho, nos momentos de lazer…) e a necessidade do seu compromisso é inegável.

Eles som quem ocupam espaços de poder no dia a dia, e acudindo a mobilizaçons feministas estám a privar-nos de umha das poucas oportunidades com que contamos as mulheres de termos presença mediática, de sermos protagonistas e vanguarda das nossas reivindicaçons, algo que afiança a autoestima coletiva feminista e aumenta a consciência das nossas próprias capacidades e possibilidades.

É também preciso reforçar o compromisso do conjunto da sociedade na luita pola consecuçom de umha sociedade igualitária, mas o que nom podemos permitir é que em determinados momentos nos fagam perder mais força da que ganhamos.

Por todo o anteriormente exposto e sem ánimo de polemizar mais da conta, atrevo-me a afirmar que a assistência de homens a atos feministas é mais umha forma de dominaçom e controlo. Ante este panorama, o sucesso de umha mobilizaçom feminista nom se pode medir em cifras, mas em atitudes, e a de alguns homens nom foi a mais adequada.  Cumpre insistir em que talvez os homens precisam reformular como lhes afeta o patriarcado, o impacto que tem o discurso feminista no seu dia a dia e qual deve ser o seu papel na luita feminista.

Com este artigo nom me oponho a que existam espaço mistos, bem sejam círculos de debate ou palestras. Mas nunca nas mobilizaçons feministas, nas quais os homens devem assumir o compromisso de se manter num segundo plano, evitando situaçons como no passado 16 de junho onde se dérom imagens tam esperpénticas como ver homens com piruletas com a legenda “eu decido” ou berrando “nós parimos, nós decidimos”.

As mulheres devemos deixar de nos justificar constantemente e temos que reclamar o nosso espaço na nossa luita.

Avante o feminismo de classe!

Helena Embade

Responsável Nacional da Mulher de NÓS-Unidade Popular