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Entre o céu e o inferno

Terça-feira, 11 Junho 2013

Reproduzimos polo seu interesse declaraçom do Secretariado do Estado Maior das FARC-EP perante os diálogos de paz de Havana.

Os diálogos de Havana encontram-se no Limbo por conta do homem que quer passar para a história como o presidente que alcançou a paz na Colômbia.

Os ecos do justo protesto do governo da República Bolivariana da Venezuela em consequência da recepçom de Santos ao opositor Capriles no Palácio de Nariño, ainda replicam com um sonoro vibrato.

Nom som poucos os que acreditam que o passeio de Joe Biden, vice-presidente dos Estados Unidos, por Bogotá, foi a origem da explosom santista.  Associado com um plano de Washington encabeçado por um cavalo de Troia de nome “Aliança Pacífico” que, manejado por Washington, se propom desestabilizar e inviabilizar governos populares, como os da Venezuela, Equador, Bolívia e Uruguai, entre outros. O que impulsionaria Santos a anunciar o fantasioso ingresso da Colômbia na NATO? Ameaçar a Venezuela, o Brasil?

Àqueles que defendem a ingenuidade na conduta do presidente, nom acreditem tanto, porque Santos nom é nengum tonto. Como estadista, é obrigado a medir o efeito de suas atuaçons.

Juan Manuel Santos sabia que sua provocaçom contra o governo legítimo da Venezuela espocaria como fogos de artifício na mesa de diálogo de Havana, pois o tema Venezuela, país acompanhante e facilitador do processo, é muito sensível para as FARC, que vê nos venezuelanos o principal fator gerador de confiança e, em consequência, um dos artífices fundamentais do processo de paz.

Por todo isto é que causa tanta perplexidade o convite de Santos a Capriles, precisamente quando o entusiasmo pola paz cravava a sua bandeira no pico Everest da reconciliaçom dos colombianos, motivado no acordo parcial sobre terras, tema que representa a nudez do conflito. A atitude de Santos desinflou o otimismo, a atmosfera favorável à paz que se busca construir com tanto esforço em Havana. A questom resume-se no facto de que se nom fosse pola Venezuela, nom ocorreria o diálogo de paz na capital cubana.

É contraditório, profundamente contraditório, pretender entrar para a história como o presidente que fijo a paz, propiciando, ao mesmo tempo, uma cadeia de atentados contra a paz. O assassinato a sangue frio de Alfonso Cano, o comandante guia da reconciliaçom, já é uma mancha indelével. Por outro lado, ninguém entende por que o governo repudia a necessária trégua bilateral proposta polas FARC desde o início das conversaçons, se o objetivo é parar a guerra. Durante os últimos 6 meses, o ministro de defesa atuou como um franco-atirador sectário contra o processo, deixando a sensaçom de que nom existe unidade de critérios no governo. E até o próprio presidente em pessoa nom deixa passar umha oportunidade para desqualificar o interlocutor com acusaçons infundadas e ameaças de ruptura.

Além disso, outros elementos que estám enfraquecendo o diálogo e a construçom do acordo como esse irritante estalar do chicote do tempo e dos ritmos nas maos do governo. Um afá para quê? Para precipitar um mau acordo, umha paz mal feita? A progressom de um acordo tam transcendental nom deve ser interferida nem polos tempos eleitorais nem polos prazos legislativos. Paralelamente às sessons da mesa, alguém do alto escalom orquestra campanha midiáticas que semeiam, com algum grau de maldade, a ideia de umha guerrilha assassina de um lado e, do outro, a de um Estado angelical, esvoaçando inocente sem nengumha responsabilidade histórica pola violência e polo terrorismo institucional.

Um governo que realmente queira a paz nom fica marcando passo nas linhas vermelhas da sua intransigência, da sua imobilidade, mas atua com grandeza para facilitar o entendimento. Onde está a genialidade, onde está o bom senso? Aqui, o que se vê é umha grande inconsistência. E também umha grande mesquinhez quando se defende com argumentos teimosos privilégios indignantes. Essas atitudes pouco contribuem com a construçom de umha atmosfera de paz. Entom, os diálogos servem para que?

É preciso entender que este nom é um processo de submissom, mas de construçom de paz. Nom se trata de umha incorporaçom da insurgência ao sistema político vigente, assim como está, sem que se opere nengumha mudança a favor das maiorias excluídas. Entom, qual foi o intuito da luita? O melhor epílogo desta guerra deve ser rubricado por mudanças estruturais no político, económico e social que propiciem a superaçom da pobreza e da desigualdade.

Temos que defender este processo de paz, esta esperança. Todos, resolutamente, governo, guerrilha das FARC e as organizaçons sociais e políticas do país, devem somar vontades para alcançar, após décadas de confronto bélico, a ansiada reconciliaçom com justiça social. O que nos importa Uribe e Fedegan se estamos determinados a alcançar a paz?

Secretariado do Estado Maior Central das FARC-EP

Montanhas da Colômbia, 7 de junho de 2013