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Língua, política e política lingüística

Domingo, 19 Maio 2013

Helena Sabel

A língua é política. É política quando se converte numha arma de imposiçom cultural para acelerar um processo de exploraçom económica baseada na opressom dum povo, é política quando a sua utilizaçom vai parelha a umha reivindicaçom identitária por oposiçom a outra com que disputa polo mesmo espaço, também é política quando os índices do seu uso dependem de fatores de extraçom social e de classe, e entre muitos outros exemplos que poderíamos citar, umha língua é umha ferramenta política quando competem diferentes estratégias para a sua defesa e conservaçom que respondem a distintos programas táticos e diversos objetivos estratégicos.

Dos velhos conflitos normativos

A Galiza é um desses casos paradoxais em que a diversidade de estratégias que tenhem como fim a normalizaçom lingüística desperta umha das polémicas a respeito do idioma mais encarniçadas, que com freqüência acabam sendo reduzidas de maneira simplista a umha mera questom ortográfica. Em origem trata-se de diferentes táticas que ‒supostamente‒ tenhem no alvo o mesmo objetivo: recuperar a hegemonia social da língua galega, mas chegam a ser interpretadas como armadilhas do inimigo com as quais se pretende ocultar o que na verdade seria umha estratégia de imposiçom do espanhol. A muitas/-os de nós nos venhem à mente aquelas palavras do que na altura ostentava o cargo da presidência da Real Academia Galega (RAG), Xosé Luís Méndez Ferrín, quando comparava o movimento reintegracionista com coletivos em prol do assimilacionismo espanholista, afirmando do reintegracionismo que “O mesmo que con Galicia Bilingüe. É xente que está en contra do idioma” (Tempos novos, março 2010). Umha atitude nom menos beligerante mantém o novo presidente dessa instituiçom, Xesús Alonso Montero, quem viu a necessidade de asseverar, nas suas primeiras declaraçons após ocupar o cargo, a sua intoleráncia ante posicionamentos reintegracionistas, afirmando que nom haveria qualquer mudança normativa e muito menos umha que se movesse nesses parámetros, pois mesmo se mostrou absolutamente contrário às ínfimas reformas de 2003 que se negociaram com o daquela chamado ‘reintegracionismo de mínimos’ (Praza Pública, 21/04/2013).

Este ódio visceral de certos setores isolacionistas para com o reintegracionismo, que tam freqüentemente se converte no alvo desse tipo de críticas ofensivas por parte de pessoas vinculadas a esse isolacionismo institucional (sendo este, de facto, a origem da maior parte delas), também pode ser analisado ao invés, e ver nessa atitude destrutiva contra um movimento social a maneira de sufocar um ativismo consciente, rupturista e contundente nos seus postulados que, portanto, é daninho e prejudicial quando o que interessa é manter o status quo. Porém, em parte por estarmos acostumadas/-os à esquizofrenia que vivemos no nosso país, nem sequer nos parece surpreendente que pessoas que apelam à proteçom da nossa língua passem mais tempo fazendo umha defesa da sua estratégia baseada no menosprezo dum amplo movimento sociocultural como é o reintegracionismo do que identificando e contestando aos verdadeiros inimigos do nosso idioma.

É preciso insistir em que um dos eixos que carateriza o movimento reintegracionista é que este se organiza por volta dum ativismo de base, dumha defesa do idioma que nom se limita a teorizar a respeito de qual é a normativa que do ponto de vista histórico-lingüístico seja a mais ajeitada para codificar a nossa língua, pois a sua proposta normativizadora nom é separável da normalizadora. O reintegracionismo vai além das questons ortográficas, sendo consciente de que para conseguir que o uso da língua galega seja normal no espaço territorial que lhe é historicamente natural nom é suficiente com a mera promoçom do idioma se nom se detetam e combatem os agentes que impedem esta normalizaçom. É ingénuo pensar que as mesmas pessoas que estám interessadas na folcloralizaçom do nosso idioma do ponto de vista sociocultural e na sua hibridaçom com o espanhol do ponto de vista lingüístico sejam as que nos deem os recursos e meios para a sua proteçom. Nom obstante, devemos parabenizar nestas linhas a classe dominante burguesa-espanhola por saber escolher tam bem de que sabor é o caramelo e a quem tem que ser entregue para converter os órgaos de defesa do nosso idioma numha série de “chiringuitos” institucionais, contentes com qualquer pequena reforma que permita que o galego sobreviva dalgumha maneira, sem importar que esta sobrevivência seja completamente testemunhal, para assim continuar a receber esses saborosos caramelinhos.

Das recentes pugnas polo poder

Escándalos, acusaçons de diversa índole, mudanças nos postos de direçom… o que ficou patente nestes últimos meses é que nom sempre esses “chiringuitos” de que falamos estám satisfeitos com o reparto do bolo, o que provoca umha série de disputas internas que trazem à tona o facto de que, por muito que estas instituiçons tenham na língua a sua razom de ser, esta nom deixa de ter um papel secundário, posto que os interesses pessoais dos agentes involucrados ocupam o primeiro plano.

Assim pois, nestes últimos meses a sociedade galega foi umha espetadora passiva ‒pois como em tantos outros ámbitos que lhe afetam diretamente, somos relegadas de participar ativamente nos processos que seriam da nossa incumbência‒ dumha trama de acusaçons encontradas, teorias conspiratórias, filtraçons de informaçom, denúncias e demissons.

Nom imos desenvolver aqui as denúncias difundidas polos meios de comunicaçom que tivérom Ferrín entre os seus protagonistas, o carro oficial da instituiçom que este presidia, a sua filha e o seu genro; mas sim queremos chamar a atençom para o facto de que Xosé Luis Méndez Ferrín foi acusado de nepotismo e esbanjamento de recursos na sua qualidade de presidente da RAG e que nom se dignou a dar qualquer explicaçom ao respeito. Além do mais, a sua polémica demissom nom foi realizada como um ato de assunçon de responsabilidade ante os factos acima citados, sendo a justificaçom da mesma umhas supostas conspiraçons que afirma que existem contra a sua pessoa.

Nom nos interessa aqui analisar detalhadamente o papel que pudo desempenhar Rosario Álvarez e pessoas do seu círculo na hora de conseguir a demissom de Ferrín, ainda que convenha reconhecer que este nom lho pujo mui difícil. Porém, o que sim se percebe de maneira evidente, sem necessidade de entrar em profundidade nessas disputas internas protagonizadas polos conflitos de interesses, é que nos dias de hoje há um monopólio nos órgaos de direçom à frente das principais instituiçons com competências a respeito da nossa língua e cultura. Assim pois, constatamos que com a manutençom da direçom do Instituto da Lingua Galega (ILG) graças à vitória da candidatura continuísta com a, agora ex-diretora, Rosario Álvarez ‒umha eleiçom que tampouco está isenta da polémica, havendo algumhas acusaçons que denunciavam a manipulaçom do censo e o processo eleitoral, mas que se levárom com muito mais discreçom que noutros organismos‒, e com a derrota nas urnas da lista encabeçada por membros da antiga equipa de governo da RAG presidida por Ferrín, encontramos os mesmos nomes, nomes que também ocupam cargos importantes numha terceira instituiçom: o Conselho da Cultura Galega. Porém, o inquestionável é que Ferrín nom é qualquer mártir, nom é vítima dum complô que tinha como objetivo tirar dum posto de poder umha pessoa com umha ideologia que o sistema considere tam “molesta” porque, se umha cousa deixou bem clara durante a sua ocupaçom do cargo de presidente da RAG, é que a moral e coerência deste indivíduo pouco tem a ver com as práticas comunistas e independentistas das quais se di que é um grande defensor. Um comunista independentista nom participa em empolados atos com umha atitude de máxima cordialidade e amabilidade com o chefe dum governo corrupto e antipopular, nom defende o nepotismo ultradireitista e espanholista, nom apoia os meios de comunicaçom de massas ao serviço do regime patriarco-burguês do mesmo jeito que nunca um meio difusor da ideologia dominante apoiaria um comunista e, por último, um comunista jamais se inseriria tam simbioticamente no sistema como Ferrín fijo. Ferrín nom supunha qualquer ameaça, nom era molesto nem o mais mínimo, daí que, com certeza, nom devamos procurar na sua suposta ideologia independentista de esquerda a causa da sua queda. De igual maneira deveríamos analisar aqui a figura do atual presidente, que a pouco mais dum mês de tomar posse do cargo, já foi centro da polémica em numerosas ocasions polas suas desafortunadas declaraçons que deixam de manifesto a sua ineptitude para o cargo. É inadmissível que o presidente da RAG admita que nom fala galego com freqüência, ou afirme que “o Bloque é como essas maes que querem muito os nenos pequenos e apertam-nos tanto que os abafam”. Declaraçons deste tipo parecem confirmar que Montero nom é mais do que um fantoche colocado a modo de marioneta.

A língua e a sua política

A língua é política e no caso galego, a política lingüística deste país depende dos agentes mais interessados na sua desapariçom. É impossível pensarmos que se elaborarám umhas medidas normalizadoras reais a partir das mesmas instituiçons governamentais que apostam num projeto de assimilaçom cultural e ideológica a favor do nacionalismo espanhol: todos aqueles organismos que dependam da Junta da Galiza apenas permitirám reformas que nom atentem contra a estratégia de acumulaçom de capital da burguesia espanhola baseada na opressom nacional, pois, como dizíamos, a língua é política e a carga simbólica que encerra é um elemento desestabilizador dentro dum processo de submetimento e homogeneizaçom.

Por outra parte, o que é que se pode esperar de instituiçons privadas como a Real Academia Galega, ou públicas, como o Instituto da Língua Galega e o Conselho da Cultura Galega, das quais a sociedade galega conhece mais os interesses pessoais da gente que está à sua frente do que o seu labor estritamente lingüístico e cultural? A corrupçom que embebe o sistema democrático burguês, apodrecido nos mesmos cimentos, impregna praticamente todo o que faga parte dele e a institucionalizaçom da língua galega por volta do governo autonómica nom fica isenta.

A Lei de Normalizaçom Lingüística de 15 de junho de 1983 outorgava o critério de autoridade para a normativizaçom da língua galega à RAG, a umha academia que seguia o modelo da sua rançosa homóloga espanhola, a umha instituiçom elitista que ao longo da sua história manifestara a sua ineptitude na hora de levar a cabo os objetivos que ela mesma se marcava.

Mais de trinta anos depois da promulgaçom da lei que normalizaria o uso da nossa língua, constatamos como o nosso idioma nom deixou de cair em número de falantes nem conseguiu frear-se o alarmante processo de castelhanizaçom que vinha sofrendo desde praticamente os finais da Idade Média.

Este modelo nom fai mais que demonstrar a sua inutilidade, equipa após equipa, reformulaçom após reformulaçom. Trabalho de base para o prestígio dumha língua internacional, eis as chaves contra o nepotismo das elites e a esterilidade do projeto normalizador.

Helena Sabel fai parte da Mesa Nacional de BRIGA

http://www.vtelevision.es/informativosv/2013/05/07/0031_26_175830.htm