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Abrente 68 já na rua

Segunda-feira, 13 Maio 2013

O vozeiro de Primeira Linha, correspondente ao segundo trimestre de 2013, já está editado.Neste número a editorial aposta pola convergência das luitas setoriais e parciais, analisa a configuraçom de um espaço unitário do soberanismo de esquerda incidindo na necessidade de reclamar a independência nacional e empregar a formulaçom Pátria Socialista.

Mas também denuncia a política de pacto social, e reclama a convocatória de greve geral de 48 horas para mudar as políticas de Feijó e Rajói.Além da seçom de livros, o Abrente 48 conta com o artigo de Ramiro Vidal Alvarinho, no que analisa e reivindica o episódio histórico da efémera I República Galega, de junho de 1931.Em Língua, política e política lingüística, Helena Sabel denuncia as instituiçons privadas que como a RAG colaboram financiadas com fundos públicos na asssimilaçom da nossa cultura e idioma, convertendo-se em atalaias antireintegracionistas.Noa Rios Bergantinhos realiza em Marxismo em lilás, um percorrido histórico polas principais figuras do Socialismo-Comunismo da relaçom entre marxismo e feminismo.

O revolucionário venezuelano Amílcar Figueroa aborda as perspetivas e reptos da Revoluçom venezuelana após as eleiçons de 14 de abril em O desafio bolivariano. Na contracapa publica-se umha crónica das XVII Jornadas Independentistas Galegas.

Por umha Greve geral de 48 horas

Reivindicaçom permanente e encadeada

Pola convergência das luitas

À medida que a ofensiva capitalista recrudesce, umha parte dos setores sociais mais diretamente afetados organiza-se em estruturas defensivas.

Os protestos das plataformas dos longos milhares de famílias e pessoas enganadas polas preferentes, ou de atingidas polos despejos de vivendas, som alguns dos mais conhecidos, pola visibilizaçom na denúncia da política do PP.

As suas demandas -que fazemos nossas-, incorporam-se à reclamaçom de emprego, salários e pensons dignas, serviços sociais, sanidade e educaçom pública, universal e de qualidade, futuro para a juventude, que inçam as ruas da Galiza

Porém, até o momento estes movimentos e reclamaçons sociais tenhem focado as suas legítimas reivindicaçons de forma parcial e intermitente. Mas os responsáveis das agressons e injustiças que padecem, que padecemos, som os mesmos, o inimigo a quem se enfrentam é idêntico.

Chegou pois o momento de que os movimentos populares procurem a imprescindível aliança e acordos programáticos, em base a comuns denominadores, que permitam optimizar ao máximo a sua fortaleza para assim dobrar os governos do PP, da Junta e de Madrid, e favorecer umha mudança radical das políticas socioeconómicas neoliberais.

Defesa da saúde pública e do direito à vivenda, defesa do emprego e da educaçom, nom som demandas antagónicas, nem contraditórias. Som o eixo de um programa tático de mínimos que o conjunto do povo trabalhador galego deve vertebrar e desenvolver, contribuindo assim para a articulaçom de umha alternativa de massas à desfeita a que nos conduz o capitalismo espanhol seguindo os ditados da troika.

Este programa nom só deve combinar habilmente um conjunto de reivindicaçons plausíveis no atual quadro de economia de mercado, com a necessária orientaçom tendente à superaçom do modo de produçom capitalista. Deve enquadrar-se na situaçom de dependência que padece a Galiza como naçom oprimida por Espanha.

Soberania nacional

Nem é possível superar a exploraçom que padece a maioria social sem mudar as relaçons capitalistas, nem se podem solucionar a imensa maioria dos problemas que padece a Galiza e as suas camadas populares sem recuperarmos a liberdade nacional da nossa pátria.

A defesa da soberania nacional é um elemento medular de qualquer programa e reivindicaçom que realmente procure contribuir para a construçom de umha alternativa obreira e popular às políticas neoliberais do PP-PSOE.

Sem capacidade de decisom, nom se podem mudar as diretrizes que a burguesia impom por meio dos seus partidos, sindicatos e estruturas de dominaçom. Sem instituiçons soberanas, sem umha Galiza com Estado próprio, nom é possível evitar a destruiçom planificada da nossa economia, alterar o rol que nos impom a divisom internacional de trabalho como destino turístico, regiom produtora de matérias-primas, energia, mao de obra barata, onde instalar indústrias poluentes.

Sem soberania, nom é possível solventar os graves problemas que arrasta a cada vez mais minguada frota pesqueira galega, carente de um Estado que defenda os seus intereses, negociando novas áreas de pesca com outros países com base em acordos mutuamente beneficiosos.

Sem soberania nacional, nom poderemos evitar que o governinho vendepátrias de Feijó continue a entregar o nosso subsolo, solo e sobressolo às multinacionais mineiras que espoliam e saqueiam os nossos recursos minerais deixando poluiçom, destruiçom e miséria.

Sem soberania nacional, nom poderemos alterar a progressiva espanholizaçom da nossa sociedade e inverter a aceleraçom da plena assimilaçom cultural e lingüística por parte de Espanha.

Sem soberania nacional, nom poderemos desenhar e implementar umha economia planificada, de orientaçom socialista, que evite a emigraçom maciça da juventude mais preparada, gere pleno emprego e redistribua a riqueza entre o conjunto da populaçom.

Sem soberania, nom poderemos sentar as bases para umha revoluçom cultural que quebre a dominaçom patriarcal, permitindo a emancipaçom plena das mulheres, de mais de metade da força de trabalho.

Sem soberania nom é possível construir umha sociedade socialista que garanta o benestar, liberdade e felicidade do nosso povo.

Sem soberania nom poderemos ajudar a criar umha nova ordem internacional anti-imperialista, baseada na multipolaridade e nas relaçons igualitárias entre os povos e as naçons do planeta.

Independência e soberania estám interligadas

Porém, para sermos umha Pátria livre e soberana, temos que atingir primeiro a independência nacional. Nom se pode ser naçom soberana sem sermos independentes. Sem Estado próprio, nom há soberania. A reclamaçom, a defesa da independência nacional -sem eufemismos de nengum tipo-, é umha reivindicaçom imprescindível para construir, a partir de posiçons de esquerda anticapitalista e feminista, um movimento popular amplo, plural e abragente que aspire a ser umha alternativa real para essa maioria do nosso povo que, ou bem em silêncio, ou bem resignado, ou bem organizado e luitando na rua, de forma difusa ou mais consciente, deseja e reclama umha radical mudança de rumo.

Qualquer programa político que neste país se considere coerentemente de esquerda tem que defender sem complexos nem timoratismos a independência e a soberania nacional da Galiza.

A auto-organizaçom obreira e popular som pois condiçons sine qua non para avançar na direçom da liberdade e emancipaçom. Para atingir a independência e a soberania nacional, o povo trabalhador galego tem que construir umha ampla rede organizativa própria, sem submissons nem sucursalismos. Somos nós, exclusivamente nós, o sujeito de decisom do nosso futuro. É o povo galego quem decidirá sem tutelagens nem ingerências externas que país queremos, que sociedade desejamos para os e as que agora vivemos aqui e para as geraçons que ham de vir.

Pátria Socialista

A equaçom soberania-socialismo ganha máxima atualidade. Sem soberania, é inviável construir as bases de umha sociedade socialista, pois careceríamos dos mecanismos e das ferramentas imprescindíveis para podermos optar à sua edificaçom. E o socialismo é a única garantia para preservarmos a soberania nacional de um Estado independente. Por este motivo, as e os comunistas galegos devemos ressituar a utilizaçom do conceito e a palavra de ordem Pátria Socialista.

Daí a importáncia que adquire neste momento de profunda multricrise do Estado espanhol a ativaçom de um espaço integrador do conjunto de organizaçons, forças, coletivos e pessoas que coincidimos, partindo da diversidade e do pluralismo, na urgente necessidade de situarmos a reclamaçom da independência e a soberania nacional no eixo da agenda política e social das luitas.

Primeira Linha saúda esta iniciativa e aposta numha ampla aliança de forças obeiras e populares em base a um programa avançado que favoreça as convergências das luitas, para injetar confiança no nosso povo, para erguer um muro defensivo das agressons de Espanha, o patriarcado e o capitalismo, para construir poder popular hoje, aqui e agora, para ensaiar o modelo e as futuras instituiçons dumha Pátria independente, livre e soberana.

Direito à rebeliom

Nom podemos deixar-nos arrastar polo conformismo e o fatalismo que carateriza em etapas de crise os comportamentos sociais de segmentos populares. Corresponde aos/às comunistas manter permanente luita ideológica, realizar constante pedagogia política para evitar que a ideologia dominante se instale nos setores mais facilmente alienados, e portanto a reaçom poda justificar e aplicar com facilidade as suas baterias de ataques contra as nossas conquistas e direitos como classe, como mulheres e como galegas e galegos.

A rebeliom nom só é um direito reconhecido internacionalmente quando um povo está submetido a decisons emanadas de governos ilegítimos. A rebeliom na Galiza do século XXI é umha necessidade.

As camarilhas que ocupam Sam Caetano e o governo espanhol de Rajói continuam a adotar medidas lesivas contra os interesses da Galiza e das suas maiorias sociais, incumprindo boa parte dos seus programas eleitorais. Som governos entreguistas, corruptos, cleptocráticos e vinculados com as máfias e o narcotráfico.

Som, pois, governos ilegítimos, cada dia mais questionados pola maiorias. Ou bem se demitem ou bem há que tombá-los. Eis o dilema, os desafios e as tarefas do movimento popular.

A nova ignomínia do Pacto social

A rebeliom tem que fazer-se extensível ao PSOE, mas também ao sindicalismo espanhol que neste 1º de Maio, em vez de apelar à luita e transmitir firmeza e confiança na capacidade da nossa classe para frear de forma unida e organizada a ofensiva do Capital, ofertárom uns novos Pactos da Moncloa.

O sindicalismo entreguista, amarelo e claudicante da UGT e CCOO opta novamente por realizar ainda mais concessons, por ofertar umha infame paz social que provocará mais desemprego, exploraçom e miséria na classe trabalhadora, em troca de subsídios e ajudas que garantam perpetuar os privilégios da mastodôntica casta burocrática.

O povo trabalhador galego tem que virar as costas aos partidos do branqueamento e aos sindicatos pactistas, assim como aos que na mesma área pretendem substituí-los para reproduzir similares políticas.

A alternativa emanará das entranhas do nosso povo, nom de salvadores foráneos, nem de forças alheias desconhecedoras da nossa realidade, que tentam por ativa e por passiva impor o mesmo paradigma unitarista que leva séculos provocando a nossa ruína. O discurso e prática anticapitalista na Galiza nom se pode ser idêntico às receitas que a esquerda espanhola pode aplicar em Cuenca ou Badajoz.

A alternativa será resultado da síntese criadora das melhores tradiçons de luita que este povo foi construindo nas últimas décadas com a incorporaçom das novas geraçons, reivindicaçons e estilos de intervir. Será um produto genuinamente galego, pensado na Galiza e para a Galiza. Nom será decalque nem cópia, mas criaçom heroica, fazendo nossas as palavras do marxista peruano Carlos Mariátegui

Greve geral

A convocatória de greve geral é umha necessidade para demarcar posiçons entre dous modelos antagónicos de sindicalismo, para facilitar a convergência das luitas, para frear as agressons permanentes, para gerar as condiçons subjetivas de um novo ciclo de luitas baseado numha estratégia permanente e encadeada de mobilizaçons que alterem o guiom que nos imponhem Madrid e Bruxelas.

O sindicalismo galego e de classe tem que marcar já data de greve geral, pois o fundamental é somar a cumplicidade ativa dos movimentos sociais em defesa da vivenda, contra o roubo dos bancos, contra a espoliaçom dos nossos recursos, e nom aguardar polo inesperado aval das sucursais na Galiza de Ignacio Fernández Toxo e Cándido Mendez.

Esta greve geral tem que ter umha orientaçom política, nom só exclusivamente economicista. O movimento popular nom só tem que incorporar a defesa da soberania nacional, tem que apostar na ruptura democrática e um processo constituinte galego.

Porque nom podemos depositar exclusivamente a orientaçom deste amplo e plural movimento social, obreiro e popular que coletivamente queremos desenvolver -dotado de um programa anticapitalista, feminista e patriótico- nos fetiches do curtoprazismo eleitoral. Com toda a certeza, a mudança vai dar-se na rua. Tal como nós, Espanha e o Capital sabem que aí está o campo de batalha determinante, que inclinará a balança em prol da Galiza e das suas camadas populares.