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De Carral a Grândola, com destino à Revoluçom

Quarta-feira, 24 Abril 2013

Ramiro Vidal Alvarinho

No dia em que escrevo estas linhas fam-se 167 anos do final de um sonho libertário. Dim que orvalhava debilmente. Dous jovens membros do Batalhom Literário, contemplavam desolados e admirados a saida do General Solís do mosteiro de Sam Martinho Pinário, entregando-se às tropas leais ao ditador Narváez.

Era o final de um breve episódio revolucionário que tivera como cenário o nosso país, mas que marcou a história do reino da Espanha, porque em realidade o batalhom chefeado por Solís partiu de Lugo a fazer de Compostela a cidade  que iniciasse a revoluçom a nível de todo o estado contra o regime de terror que acaudilhava aquele sinistro militar que se figera homem forte da Espanha. Aquela rendiçom foi o final para as ilusons de cámbio revolucionário de estudantes, inteletuais, labregos, artesanos e trabalhadores. Quando o mundo das luzes e o mundo do trabalho confluim, é porque tenhem razom.

Para Solís e o seu batalhom, e suponho que eles nom esperariam outra cousa, a rendiçom supujo a morte. Ganhárom a denominaçom de “Mártires de Carral”, porque foi alí, concretamente na freguesia de Paleo onde forom passados a fuzil. Há várias versons sobre porquê a execuçom se produziu em Carral, há quem afirma que isto foi assim porque o conselho de guerra ao que forom submetidos os rebeldes se celebrou naquele lugar em secreto, evitando algaradas por parte dos partidários de Solís, e há quem afirma que ainda que oficialmente o que se ia fazer era conduzir os prisioneiros a Lugo, para serem julgados alí, finalmente decideu-se fuzilá-los em Carral extra-judicialmente.

Para muitos que apoiárom o levantamento de Solís, que virom a esperança de que as luzes e o pam chegaram às suas vidas, o fracasso do pronunciamento supujo também a morte, a tortura, a prisom ou mesmo o exílio; este foi o caso de Antolím Faraldo, quem teria que fogir a Portugal, até lograr a amnistia, o que propíciaria a sua volta ao reino de Espanha. Ainda assim, morreu a umha idade temperá, e muito longe da sua Galiza natal, em Granada.

Em qualquer caso, a morte fai parte do ciclo da vida, como todos sabemos. Nem o espírito do pronunciamento de Solís nem o pensamento de Faraldo caírom no vazio. O espírito de Carral pervive no imaginário do nacionalismo galego, porque no pronunciamento se mencionava à Galiza como comunidade política diferenciada pola primeira vez. Quanto a Faraldo, foi o inspirador do provincialismo, o primeiro movimento político que reivindicou umha territorialidade para a Galiza. Nós, independentistas, nom podemos cair nas mistificaçons nem nas mitificaçons; evidentemente afirmar que aquele pronunciamento de Abril procurava a independência ou a autodeterminaçom da Galiza, nom seria coerente com a realidade. Simplesmente setores do povo galego e da inteletualidade galega se somárom a aquilo e naturalmente Solís, militar espanhol destinado na Galiza, procurou ganhar a simpatia de todos esses coletivos fazendo-se eco das suas sensibilidades. Com efeito, começou alí. Naquele momento. A reivindicaçom da nossa pátria tivo alí o seu germem. Pouco imaginavam os membros do pelotom que fuzilou ao Solís, que os seus disparos estavam a abrir um capítulo da história.

128 anos depois, por aquelas calendas também, no vizinho e irmao Portugal, surge um levantamento popular contra o fascismo.  Som os Capitans de Abril os que prendem a mecha, e o povo responde em comunhom. Essa comunhom sela-se com aquele gesto tam cheio de poesia, da vendedora de flores a colocar o cravo vermelho no fuzil (…e há um cravo vermelho no fuzil do militar…) Aquela imagem significava que os militares retornavam à sua condiçom de povo e que o povo unido derrubaria o Estado Novo.

A Revoluçom dos Cravos costumamos citá-la aquí na Galiza como um facto contraposto à pactuada “Transición” espanhola, da que se vanagloriam os acólitos do regime atual até com chovinismo. Isto, ainda sabendo que tivo o seu lance contra-revolucionário depois da derrota de 25-N, tras a que as duas forças burguesas, PS e PSD, blindariam que em caso nengum a Revoluçom derivaria cara ao socialismo.

À partir daí, Portugal entrega-se à órbita capitalista, isso sim, no marco de umha República que é produto de umha revoluçom inconclusa e traída, e a Galiza existe também sob a égida do capitalismo, ainda que com a sua soberania seqüestrada polo estado espanhol, um estado espanhol cuja chefatura de estado está em maos dos corruptos e filo-fascistas Bourbons, onde nem se depurou a classe política, nem as forças armadas, nem a administraçom e onde a igreja católica condiciona os poderes públicos, a pesar da proclamada separaçom entre igreja e estado.

Povo galego e povo português existimos, por cima da nossa vontade, condicionados por estruturas imperialistas como a Uniom Europeia e a NATO. E ambos povos vivemos situaçons comuns. O incremento, a causa da crise do capitalismo, das diferenças entre pobres e ricos, dos problemas de exclusom social tais como o desemprego e os despejos de moradas, o desposuimento das conquistas sociais, com corte ou supressom de serviços públicos, cortes salariais e de direitos no mundo do trabalho, incremento da pressom fiscal e carestia da vida…som cenários comuns aos dous lados do Minho.

O que nos une, à parte da sorte ou a desgraça de viver estes tempos, é a necessidade de procurar um destino que nesta beira e na outra necessitamos. A revoluçom. Nom há que exigir-lhe aos próceres do regime que legislem melhor ou de maneira mais acorde com os nossos interesses…há que os banir dos seus cadeirons e fazer arder a Assembleia da República, e o Parlamento Galego, e as Cortes Generales, e as fatorias de legislaçom nas que se legitimam as canalhadas da raposada capitalista. De Carral a Grândola…com destino à Revoluçom!!!