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Editado Abrente 67

Sábado, 6 Abril 2013

Acaba de sair do prelo o número do Abrente correspondente ao primeiro trimestre do ano.  A publicaçom do nosso partido já se pode consultar em formato de fácil leitura neste portal.

No Abrente 67 encontramos umha reflexom de Eva Cortinhas -membro da Mesa Nacional de BRIGA, no que analisa os desafios atuais da juventude revolucionária galega na atual crise capitalista.

Daniel Lourenço, membro do Comité Central de Primeira Linha,  escreve sobre “Crise do Direito ao Trabalho ou desorientaçom do movimento obreiro?”.

“A corrupçom como sintoma e consequência da decadência do sistema” é o título do artigo no que Maurício Castro analisa o estado do corrupto regime bourbónico.

Junto a seçom habitual de livros, completa este número um artigo do militante revolucionário mexicano Julio Cota, membro do Buró Político do Partido Comunista do México, dando a conhecer a situaçom política e social mexicana.

A continuaçom reproduzimos a editorial de este novo número

Ruptura democrática e processo constituinte galego

Alianças amplas de programas avançados para luitar

No primeiro trimestre do novo ano, tam só se está a agravar a profunda multicrise que padece o Estado espanhol. Galiza e a sua imensa maioria social obreira e popular acha-se hipotecada pola ausência de mecanismos soberanos que lhe capacitem adotar as decisons necessárias para abandonar as suicidas políticas socioeconómicas e de assimilaçom lingüistico-cultural da burguesia espanhola.

O encadeamento de basicamente três crises interrelacionadas que sofre o projeto imperialista hispano, continua a golpear com dureza o nosso povo, a nossa classe e a nossa Pátria.

À específica crise económica do capitalismo espanhol -enquadrada na mais global crise sistémica do capitalismo senil-, provocada polo estalido da bolha financeria que durante décadas alimentou umha economia virtual especulativa, devemos acrescentar a aceleraçom de umha crise política e institucional que provoca que cada dia som mais os segmentos do povo trabalhador galego que questionam a partitocracia e o modelo bipartidarista de representaçom e alteráncia imposto na Transiçom, a tradicional casta política e sindical cleptocrática e corrupta, a legitimidade da monarquia imposta por Franco, a ditadura da burguesia e, portanto, o modelo institucional e económico vigorante.

Os graves casos de corrupçom generalizada em que estám involucrados Partido Popular, PSOE e a prática totalidade dos partidos sistémicos, perfeitamente plasmados nos papéis e envelopes de Bárcenas, mas também nas operaçons Campeom, Carioca, Pokémon… contribuírom para avançar na conscientizaçom de amplos setores populares.

As brutais receitas neoliberais aplicadas polos governos de Rajói e Feijó, sob a justificaçom de reduzirem o défice público, só provocam miséria e dor em cada vez mais povo, começando a ser questionadas de forma maciça e permanente por cada vez mais setores da classe trabalhadora.

Frente às reivindicaçons populares, o governo e o conjunto do aparelho estatal responde com mais políticas recentralizadoras e assimilacionistas, com mais repressom e mordaça informativa.

Nom devemos desvincular nem obviar que a esta ofensiva neoliberal, sob os ditados da troika, vai acompanhada por mais chauvinismo espanholista, mas também polo endurecimento do patriarcado.

A profunda multicrise sistémica que hoje padece Espanha é integral. O projeto nacional homogéneo e excludente imposto há 500 anos mediante a “doma e castraçom” da Galiza  também está em crise. Nom só o projeto espanhol, também Espanha como subpotência imperialista.

Estamos pois frente a umha nova conjuntura sociopolítica caraterizada por umha ofensiva burguesa no plano socioeconómico, nacional e patriarcal, mas também por umha nova atitude e tendências no campo obreiro e popular, caraterizadas polo incremento da resistência e a luita de massas.

Perante este cenário de endurecimento da luita de classes, mas também nacional e de género, a burguesia continua com a sua estratégia de se armar até os dentes, pois nom descarta umha saída policial ou mesmo militar, polo repressom generalizada para esmagar as grandes luitas que se divisam no horizonte.

Segunda Transiçom

Porém, atualmente está a cozinhar a marchas forçadas e entre enormes contradiçons internas, umha segunda Transiçom para evitar a descomposiçom do regime. A oligarquia está preparando a recomposiçom do esgotado e avariado modelo pactuado entre 1975-1981 por setores do franquismo, do nacionalismo burguês catalám e basco, mais também e basicamente com a esquerda institucional e reformista (PCE e PSOE), sob a bençom de Washington e a socialdemocracia.

Tal como naquela altura, sabem que é necessário realizar mudanças cosméticas, que sem alterar profundamente o sistema, aparentem transformaçons de envergadura para acalmar  e desviar as reivindicaçons das multidons.

Para atingir este objetivo, que só persegue furtar novamente a vontade popular, impondo umha soluçom desde acima e ao exclusivo serviço dos interesses oligárquicos e do imperialismo, estám a desenvolver a velha doutrina do shock. Como bons alunos da Escola de Chicago do nefasto Milton Friedman, o governo de Mariano Rajói e a sua sucursal autonómica galega perseguem gerar umha atmosfera e sensaçom subjetiva de caos que bloqueie a capacidade de decisom popular para assim poder implementar mais facilmente os seus planos ultraliberais, machistas e recentralizadores como mecanismo que facilite perpetuar e aprofundar na exploraçom capitalista, na opressom nacional da Galiza e na dominaçom de mais de metade da força de trabalho.

Assim devemos interpretar o papel da imprensa burguesa na erosom dos partidos do regime, mas também dumha monarquia que até poucos anos semelhava intocável, alterando parcialmente as pautas de conduta e práticas de absoluta censura e manipulaçom informativa que conhecíamos.

A burguesia carece nos dias de hoje de alternativa viável ao cada vez mais débil e encurralado governo do PP, perante o cada vez maior descrédito do PSOE. As forças sistémicas que de momento capitalizam eleitoral e parcialmente o enorme descontentamento popular (IU e UPyD) ainda nom contam com o aval do grande Capital.

Ganhar tempo parece ser a tática. Mas perante um cenário cada dia mais vulnerável e incerto, polo aumento, multiplicaçom e radicalizaçom das luitas obreiras, populares, de género e de libertaçom nacional, pola desafetfaçom com os referentes tradicionais da partitocracia e as instituiçons, a oligarquia nom descarta umha soluçom à grega ou italiana que assegure seguir implementando o pacote neoliberal que atualmente o governo do PP tem enormes dificuldades em seguir desenvolvendo pola sua cada vez maior fraqueza política. Um golpe de estado institucional da troika que force um governo de “concentraçom nacional”, encabeçado por um tecnocrata, pode ser a soluçom perante a situaçom em curso.

Crise e recomposiçom do campo popular galego

Outra das conseqüências colaterais da grave crise económica do capitalismo espanhol na Galiza é a profunda alteraçom em curso do mapa político institucional da esquerda. O descalabro eleitoral do BNG nas eleiçons autonómicas de outubro de 2012 e o eclosom do fenómeno eleitoral de AGE -como coligaçom entre cisons do Bloco aliadas com organizaçons independentistas sob o guardachuvas de Anova, com a sucursal autonómica da IU de Cayo Lara-, tem contribuído para gerar profundas transformaçons na linha tática e estratégica do BNG.

A viragem soberanista e de esquerda que a UPG está a promover na esquerda nacionalista galega é hoje umha realidade indiscutível que deve ser acompanhada com atençom e prudência, mas também com satisfaçom polo nosso Partido e o conjunto do MLNG.

A praxe confirmará se é exclusivamente um movimento tático oportunista para recuperar o espaço social, político e eleitoral perdido, ou também responde a mudanças de fundo em base a umha autocrítica sobre as suas enormes responsabilidades no desarmamento e desmobilizaçom da luita de libertaçom nacional e social de género pola sua deriva autonomista e socialdemocrata, que agora semelham querer corrigir.

Se for assim, umha decisom sincera em base a umha análise correta da grave situaçom da Pátria e das suas maiorias sociais, geram-se novas como inéditas condiçons para que as comunistas galegas contribuamos para a necessária convergência de forças para dotar a Galiza, as suas mulheres e o conjunto das camadas populares, do imprescindível espaço de luita e mobilizaçom social referencial para todos aqueles segmentos que combatem este modelo  socioeconómico e de articulaçom territorial que só nos condena à miséria e opressom.

Saída política à crise

Som momentos de máxima interlocuçom e cumplicidade entre toda a esquerda política e social, que sem renunciarmos aos nossos específicos perfis ideológicos e estratégias políticas, coincidamos na necessidade de ofertar ao nosso povo e a nossa pátria umha saída política à crise do regime espanhol.

O conjunto do movimento popular galego temos a responsabilidade histórica de evitarmos que se imponha a doutrina do shok e portanto a incapacidade de reagir.

Tal como ficou constatado na campanha soberanista pola ruptura democrática e um processo constituinte galego que culminou com a manifestaçom de 3 de março e que promovêrom 14 entidades da esquerda soberanista e independentista galega, nom só está esgotada a fracassada via de reclamar mais competências autonómicas e um Estado plurinacional. É também urgente e necessário criar alianças amplas em base a programas avançados para dotar os setores populares de um novo referente de luita, movimentaçom e emancipaçom, que longe de timoratismos, cálculos de curtoprazismos eleitorais e programas pusilánimes, aposte sem complexos na independência, no socialismo e na superaçom da dominaçom patriarcal.

Perante a ofensiva burguesa só cabe umha saída política rupturista. É hora de construí-la.

Nom podemos deixar que o povo trabalhador galego seja novamente enganado com aparentemente atrativas fórmulas federalistas, sedutores brindes ao sol de exercícios teóricos de autodeterminaçom, regeneraçons democráticas, minimalistas e ineficazes medidas de controlo aos políticos, shows parlamentares de vácua retórica radical, nem farrapos de gaita!

No entanto, para poder edificar a saída política, devemos dar passos na construçom de um espaço galego, feminista e de esquerda, entre todas aquelas organizaçons políticas, sindicais e sociais que consideramos que sem soberania nacional nom é possível implementar políticas de esquerda que sentem as bases para solucionar os principais problemas que padece a classe trabalhadora galega e a Galiza. Sem capacidade para decidirmos por nós mesmas, sem instituiçons soberanas, sem Estado próprio, sem independência política, nom se pode fazer frente ao desemprego, à emigraçom juvenil, às pensons de miséria, a destruiçom da sanidade, educaçom e serviços sociais, a ditadura da banca e o poder financeiro, à desgaleguizaçom do País e imposiçom dumha língua e cultura foránea, a incapacidade de produzirmos e sermos viáveis economicamente. Sem soberania nom podemos construir barcos, educar as crianças em galego, evitar que as multinacionais saqueiem os nossos recursos mineiro-energéticos.

Primeira Linha leva defendendo desde a sua constituiçom, há agora 17 anos, que numha naçom oprimida a luita de classes adota a forma de luita de libertaçom nacional. Com erros e acertos, mas sempre sem folga, com perserverança e constáncia, continuamos a construir a alternativa revolucionária que a nossa classe e o nosso país necessitam e que agora setores populares começam a entender e compartilhar.

Devemos aproveitar a atmosfera subjetiva de diálogo e interlocuçom que facilite umha interaçom, transfusom e mestiçagem do movimento popular para dinamizar e multiplicar a capacidade de combate do nosso povo. Sempre tendo a Galiza como centro de gravidade e a ruptura sistémica como umha necessidade. Sem enganos nem hegemonismos, cada qual sabendo quais som os seus recursos e potencialidades, guiados pola franqueza e a generosidade.

Para luitarmos com eficácia atingindo vitórias e multiplicando as adesons populares, necessitamos amplas alianças apoiadas num programa avançado.

A greve geral de 48 horas é a ferramenta tática que catalisará as dispersas energias populares frente os planos de mais empobrecimento, corte de liberdades, repressom e destruiçom nacional de Rajói, Feijó e a UE.

A rebeliom popular é o mecanismo para criar as condiçons sociais e políticas que permitam um governo obreiro e poular, patriótico e feminista que mude o destino que o imperialismo nos asignado na divisiom internacional do trabalho.

Até sempre comandante Hugo Chávez!

O falecimento do comandante-presidente da República Bolivariana da Venezuela foi e é vivido com dor e profunda tristeza polas comunistas galegas. Assim o transmitimos ao povo galego, mas também ao povo e governo venezuelano, às organizaçons revolucionárias desse país irmao.

Estamos firmemente convencidas da imensa fortaleza do processo revolucionário pois conhecemos de perto a firmeza e alto grau de apoio às transformaçons sociais, culturais, políticas e económicas que vive esse grande país, tam vinculado com o nosso, e ao qual tanto deve a Galiza mais humilde e trabalhadora.

A gigante figura desse grande revolucionário do século XXI chamado Hugo Chávez Frias foi crucial para reintroduzir na agenda política de umha esquerda mundial, desarmada pola queda da URSS e polas derrotas e traiçons posteriores, as categorias que também aqui, a partir de 1996, Primeira Linha levantou -com humildade e sem os êxitos do novo Bolívar, mas com idêntico entusiasmo e convicçom. A Soberania e a Independência, o Socialismo e a Revoluçom para construir umha Pátria Socialista de mulheres e homens livres.

Hugo Chávez sempre connosco!  Viveremos e venceremos!