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As sexualidades humanas e a sobrevivência da espécie

Quarta-feira, 13 Março 2013

Ramiro Vidal Alvarinho

Que o estado espanhol está governado pola extrema direita nom é nesta altura um secreto para ninguém, outra cousa é que evidentemente o que para alguns é umha desgraça para outros seja umha circunstáncia feliz. Teoricamente um pode ser muito de direitas e ser homossexual, quero dizer, um pode acreditar na iniciativa privada como motor da economia, ser partidário de reduzir o aparelho estatal ao mínimo, que haja poucos impostos, que os sindicatos nom tenham tanto peso nas empresas….tudo isso nada tem a ver com a conduta sexual de cadaquém e é claro que a comunidade gay-lésbica-transexual, na medida em que existir, tem no seu interior também diferenças de classe ainda que como coletivo, em matéria de direitos civís, tenham interesses comuns. Mas no estado espanhol, a direita partidária está ainda estreitamente ligada a grupos de pressom ultracatólicos e mesmo à cúpula eclesiástica.

Nom é isto nada novo para ninguém e os gays, lesbianas e transexuais vinculados ou simpatizantes com o PP bem sabem disto. Também sabem que a sua capazidade para incidir no discurso ou nos programas do PP é limitada, mas os interesses de classe som interesses de classe. Afinal, o Partido Popular está disposto a demoler todas as conquistas desta comunidade nos últimos anos, e de facto estám a preparar o terreno para acometer as medidas necessárias para esse objetivo…desde as plataformas mediáticas afins, preparam a opiniom pública para que “compreenda” os argumentos que fundamentarám o cámbio legislativo de caráter regressivo que querem implementar.

Umha autêntica bomba mediática forom aquelas declaraçons do Ministro do Interior espanhol a dizer que  nom se lhe pode fornecer da mesma proteçom legal à uniom de duas pessoas do mesmo sexo do que a um “matrimónio natural”, porque no primeiro caso “nom se garantia a continuidade da espécie”. Os coletivos de defesa dos direitos da comunidade GLT reagírom instando ao Ministro para definírem o quê era um “matrimónio natural” e sugerindo-lhe que refletisse sobre se por exemplo o voto de castidade dos religiosos e religiosas (cregos, frades e freiras, etc) garante ou nom a continuidade da nossa espécie.

E é que a sexualidade humana é complexa, porque os humanos somos complexos. Porque os humanos além de instinto temos raciocínio, temos pensamento humano e sentimentos humanos. Portanto, o sexo nom é um ato para nós apenas instintivo, nem tem necessariamente finalidades reprodutivas. Parece que o Ministro ainda nom percebeu isto, ou o seu puritanismo e a sua hipocrisia o empurram a passar discretamente por diante deste pormenor evitando reconhecé-lo.

Os seres humanos, escolhemos. Escolhemos com quem relacionar-nos sexualmente e escolhemos como viver a nossa sexualidade. Do mesmo jeito que até podemos decidir sermos castos (ou isso parece entender a Igreja, se nom porquê o voto de castidade?) Desta maneira, todas as combinaçons som possíveis: um par homossexual pode decidir adoptar, ou pode decidir ter um filho biológico mediante a doaçom de esperma ou de óvulos, ou pode decidir nom ter crianças; um par heterossexual pode nom ter possibilidade de ter descendência biológica comum e pode também adoptar, ou mesmo pode também decidir nom ter descendência, e podem-se ter crianças fora do par, com terceiras pessoas, ou podem-se ter crianças sem ter par, acidentalmente ou por vontade própria, de facto um pode ter relaçons esporádicas com várias pessoas e nom ter intençom qualquer de procrear….

Porque é que além de tudo isso, nom tem porquê ser umha aspiraçom vital para qualquer pessoa a de formar umha família, e se o for, nom teria porquê ser umha família biparental regida por umha uniom heterossexual. Também é certo que um pode conviver em relaçom de par sem necessidade de casar.

A sexualidade de cadaquém é umha cousa, as formas de convivência no lar som outras, e o estátus legal de umha convivência é outra e entre elas som cousas absolutamente independentes. A estes que som tam liberais quando lhes convém, nom parece entrar-lhes na cabeça.

As declaraçons do Ministro som um intento escassamente inteligente de justificar a imposiçom de um modelo de sociedade, cargando-lhe a esse modelo nada menos que a funçom de garantir a supervivência da espécie humana. É certo que a supervivência da espécie humana é umha responsabilidade comum de todos os seres humanos, das sociedades humanas e dos governos e os estados. Mas daí a que os seres humanos sejamos organismos robotizados programados para a reproduçom…que a espécie humana sobreviva ou nom, depende da inteligência com a que administremos os recursos que o méio nos dá, de que criemos e mantenhamos as condiçons para que poidamos habitar o planeta em harmonia com o méio natural e com a totalidade das espécies que partilham com nós a casa comum da Terra. De nada serve penalizar umhas formas de convivência e premiar umha em concreto, nem serve de maneira qualquer nengumha medida natalista. Por cima das aritméticas demográficas estám as liberdades dos indivíduos e coletivos. O quê acontece com esses Direitos Humanos que tanto se levam por bandeira quando servem para criminalizar regimes ou governos incómodos?

De quê serve parir novas remessas de carne humana, se as novas geraçons de seres humanos vam morar num planeta a cada passo mais inhabitável? E quê motivaçom pode haver para termos crianças se vam estar condenadas à misséria? Somos animais de granja que fam filhos e filhas para que morram nas guerras que monta o capital oupara que queimem a sua vida nas fábricas do capital? Se algumha cousa nom garante a supervivência da nossa espécie é o modelo de desenvolvimento capitalista. O esquilmamento biológico dos mares, a contaminaçom e desapariçom de aquíferos, a poluiçom atmosférica, a desertizaçom, sim que som ameaças; nom o facto de que as pessoas escolham livremente com quem conviver “conjugalmente” amparadas no liberalíssimo princípio de igualdade perante a lei. As guerras imperialistas e genocidas, a exploraçom e o terrorismo patronal, a repressom de classe e a exclussom social, sim que som ameaças; nom o facto de que a sociedade desliguem o sexo e a sexualidade dos esquemasde convivência patriarcais-heterossexistas-monogamistas.