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As asneiras do espanholismo

Terça-feira, 15 Janeiro 2013

Ramiro Vidal Alvarinho

O espanholismo teme ao povo basco, odeia ao povo catalám e despreza ao galego. Teme ao povo basco, porque sabe que tem a consciência e a força para desobedecer a legalidade espanhola; odeia ao povo catalám, porque é um povo dinámico e muito  mais desenvolvido em todos os ámbitos do que o castelhano ou qualquer outro sob administraçom espanhola; e despreza ao povo galego porque o povo galego nom é capaz de pôr em valor o próprio, nem a sua personalidade coletiva, nem o seu legado cultural, nem a sua tradiçom económica, nem o seu património natural. Som o bode expiatório necessário; há umha batalha ideológica que o imperialismo espanhol ganhou, que é a de fazer acreditar ao povo galego que o progresso passa por renunciarem ao próprio. Há que renunciar à língua, há que renunciar à paisagem, há que renunciar aos setores produtivos…há que renunciar a ser o que somos, para que em Madrí nos considerem amigos e nos tratem bem, para que algum dia sejamos membros de pleno direito desse clube chamado Espanha, e nom os parvos do pelotom.

O problema é que a condiçom de membros de pleno direito nom se dá alcançado; mais de cinco séculos depois, continuamos a ser os parvos do pelotom. Os galegos somos boa gente, um povo acolhedor, “sábio”, singelo, humilde, trabalhador…isso sim, endémicamente retardado, com umha língua muito formosa e melíflua mas inútil, com umha cultura que nom serve mais que para consumo doméstico, ou seja, pintoresca e pouco mais e os nossos setores produtivos tradicionais nom som rendíveis. Somos pailáns por definiçom, e nada do que aquí se produzir pode ser realmente bom, já que somos um coletivo formado por indivíduos pouco inteligentes. O galego-tipo é indeciso, conservador, ambíguo e com pouca cultura universal. Aferrado ao “terrunho”, nom saiu nunca da aldeia. Curioso, porque é um povo emigrante, e um povo emigrante por tradiçom deveria ter umha quantia importante de indivíduos com certo mundo na sua bagagem. Mas já se sabe, essa tendência em determinados momentos da história a sair fora do país deve-se a que Galiza é pobre. E a indigência espiritoal, cultural e material levamo-la sempre com nós aonde quer que vaiamos.

Os tópicos estám constroídos em base a interesses. O povo galego vale quando se amolda ao rol que a Espanha lhe tem reservado. Submissos, serviciais, tendentes a nos identificar com quem consideramos superior, acolhedores…somos retardados e temos desconfiança cara aos cámbios, mas sabemos que quem venha de fora sempre nos trazerá a luz que nunca alcanzaremos por nós próprios. Nunca sairemos de pailáns, mas temos o aquele entranhável que fai que na Metrópole nos tenham “admiraçom”.

O problema é quando nos revoltamos contra a condiçom que nos imponhem. Entom, naturalmente seguimos a ser pailáns, porque o de ser pailáns, polos vistos, é intrínseco a sermos galegos. Mas ainda por acima, estamos a fazer algumha cousa assim como morder a mao que nos dá de comer.

Quando reivindicamos por exemplo um personagem da literatura oral como o Apalpador, criamos a um indivíduo degenerado, que é adicto ao álcool e que tem umha estranha inclinaçom a tocar as barrigas das crianças. É um monstro criado nas cozinhas do nacionalismo galego para roubar-lhe ao povo galego o saníssimo espírito natalício. O problema é que qual é o genuíno espírito natalício, quando  principal figura do Natal convencional ultimamente é um personagem criado por umha multinacional à partir de um outro personagem pertencente à tradiçom escandinava…o tal protagonista parece um impostor com umha carta de autenticidade concedida de maneira bastante arbitrária. E é bastante curioso que a mesma caverna mediática que apoia à cúpula eclesiástica espanhola reivindique ao Pai Natal, quando nom há tanto que os cregos clamavam contra a introduçom de elementos nom próprios da “nossa” tradiçom no Natal católico tais como a árvore de Natal e o próprio Pai Natal. Por seu turno, ninguém dijo que o Apalpador teria que chegar precisamente no 24 de Dezembro. O problema é o de sempre, que nós nom podemos estudar-nos a nós mesmos e recuperar das nossas tradiçons o que nos interessar, temos que aguardar (segundo eles) a que os nossos subjugadores venham aquí dizer-nos o quê é que podemos reivindicar de nós. Tenhem que ser os de fora os que digam como somos.

Quando reivindicamos o direito dos nossos desportistas a competir representando ao seu país, e o direito deste país a se ver representado nas competiçons desportivas, também saltam as alarmes. Quando fazemos isto “estamos a politizar o desporto”. Polos vistos, é politizar o desporto locir bandeiras galegas num evento desportivo, mas nom o é locir bandeiras espanholas, ainda que nalgum caso as bandeiras espanholas vaiam “adornadas” com símbolos da extrema direita. Cruzes célticas, aguias de Sam Lucas ou esvásticas, som simples licenças extravagantes na maré de sano patriotismo espanhol. E é que ademais, é indiscutível que nom pode haver seleçom galega de futebol, ainda que moremos num país onde cada paróquia de cada concelho tenha o seu clube de futebol: Naturalmente, Galiza nom tem hipótese qualquer de fazer cousas importantes na Euro ou no Mundial de futebol.  Nom haveria problema em que Nigéria tivesse seleçom de hóquei sobre gelo; mas Galiza seleçom de futebol? Nem pensá-lo! Isto, para além de que a legislaçom espanhola prohibe a participaçom de seleçons de territórios do estado em competiçons oficiais e que as federaçons espanholas vetam tal participaçom. É mais; é umha ousadia pretender alterar a ordem natural do futebol. Ainda sonam os ecos de certo colunista de El Mundo, desqualificando ao Celta por ganhar-lhe ao Real Madrid. Um artigo bastante cómico pola burrice que o seu autor, Julián Ruíz, demostra, mas com umha intencionalidade de insulto que dá prova do conceito que tenhem de nós e da relaçom que temos que ter com eles. Até o de agora, os golos pontuam igual venhas da cidade ou da aldeia, ainda que o espanholismo tem a sua particular ideia sobre o tema.

O espanholismo é burro, tem a força mas nom tem a inteligência. Presenciar os seus ouveos e espaventos de impotência cada vez que temos um logro, por pequeno que for, simplesmente demostra a sua debilidade. Apoiam-se “no normal”, “no lógico”, “no de sempre”, e quando aparece um corpo social articulado que demostra que a sua lógica tem uns peares bastante frágeis, começa a crise e há que saír a atacar com o punhal. Quando saim plumas ao ar a atacar ao Apalpador, um apazível carboeiro que nom tem interesse qualquer em enfrentamentos dialécticos com o fascismo espanhol, é porque aquele humilde homem do monte ao que alguém acordou da sua soneca de décadas tem um odor a próprio que nos recorda que nom vivemos numha realidade tam simples e uniforme. Quando atacam a todos os que dalgumha maneira participamos em jornadas de reivindicaçom do desporto galego, desportistas ou público, é por puro medo a que o seu aparelho de propaganda perda exclussividade à hora de explorar o desporto como ferramenta de cohesom/manipulaçom social. Que umha parte do povo galego decida prescindir das estruturas que se arrogam o monopólio para mover os fios do desporto é para eles perigosíssimo.

Oxalá lhes continuemos a dar golpes certeiros e a eles nom lhes fique mais recurso que lançar asneiras ao infinito, que de nengum jeito nos intimidarám.