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Resultados das eleiçons autonómicas som intranscendentes para a luita de classes

Segunda-feira, 17 Dezembro 2012

Carlos Morais

Tal como já avançamos poucas horas depois de conhecermos os resultados de 21 de outubro, nom há razons para o abatimento, para deceçom ou o desalento, como tampouco as há para a euforia e lançamento de foguetes.

Contrariamente à perceçom generalizada transmitida polos meios de (des)informaçom, só um em cada quatro compatriotas votou em Feijó. O PP carece do aval de 75% da populaçom galega.

A desafetaçom popular contra a corrupta partitocracia traduziu-se num importante incremento da abstençom, alterando assim as tendências dos últimos anos. 45.09% do eleitorado optamos por nom votar, mais de 1.217.000 galegas e galegos, quase 10 pontos mais que em 2009.

O PP e o PSOE retrocedem 16% e 45% respetivamente, perdendo entre ambos 355.000 votos.

O BNG vê reduzido quase metade do seu eleitorado, umha parte do qual, junto com outra quantidade similar procedente do PSOE, alimentou a espetacular entrada de AGE no antigo quartel do Hórreo.

Deste jeito, esta aliança converte-se na terceira força, provocando umha profunda comoçom no BNG e nas suas organizaçons satélites.

O importante incremento de votos nulos e brancos -entre ambos mais de 5%- é outra expressom do descontentamento popular frente à política tradicional.

Novamente fracassárom as operaçons do galeguismo de centro-direita, e a extrema-direita espanholista continua estagnada.

Portanto, o catastrofismo de parte da esquerda institucional representada polo BNG e de setores da esquerda social nom se corresponde com os resultados globais e muito menos com os comportamentos que dele se derivam. Som expressom da profunda deceçom e frustraçom endógena pola queda eleitoral, multiplicada polo sucesso do beirismo.

A importáncia dos candidatos

As tendências mais destacadas de um fenómeno como o eleitoral -condicionado por múltiplos fatores- mais que nunca nesta ocasiom estivérom supeditadas às peculiaridades das figuras dos quatro candidatos com opçom real de atingir representaçom.

A liderança artificialmente construida polos gabinetes de imprensa e as legions de assesores de Feijó, conseguírom afastá-lo da negatividade que o governo de Rajói provoca na imensa maioria social, inclusive em ámbitos tradicionalmente conservadores. Entre mentira e mentira, manipulaçom e manipulaçom, a propaganda transformou-no num “bom gestor”, no líder de um partido alheio às brutais políticas neoliberais que o PP vem implementando desde que recuperou a Moncloa há agora um ano.

O carisma de Beiras, a sua habilidade comunicativa, a facilidade para transmitir sem excessivos filtros o que sinte e opina um destacado setor deste povo, e as facilidades na sua difusom promovidas por algumhas das grandes empresas de comunicaçom sistémicas vinculadas com o PP, agírom como um perfeito combinado que logrou mutiplicar o eco da sua menssagem, chegando a praticamente todo o País, quando as forças políticas em que se apoia tenhem umha implantaçom assimétrica e umha fraca estrutura organizativa.

Pachi Vázquez e Francisco Jorquera, frente ao brilho artificial e natural de Feijó e Beiras, apareciam como mais cinzentos e anódinos do que realmente podam ser.

O candidato do PSOE nom só carecia do apoio de umha parte da sua maquinaria eleitoral, com pouca habilidade optou por evitar marcar distáncias com o amargo sabor que o último governo de Zapatero deixou no imaginário coletivo, estando permanentemente acompanhado o longo da campanha pola nefasta sombra de Rubalcaba. Mas basicamente porque tem umhas limitaçons estruturais para exercer de candidato credível para presidir a Junta de Galiza. A sua personalidade transmite mediocridade em todos os planos.

Jorquera nom só carece de qualquer dose mínima de carisma, tem dificultades acrescentadas à já de por si incapacidade de comunicaçom que o binómio UPG/BNG manifesta, inclusive perante a sua base social mais leal. Realizou umha campanha de baixo perfil que nom se correspondeu, nem no plano nacional nem no social, com as declaraçons de intençons da pré-campanha, nem com o discurso emanado da Assembleia Nacional de Ámio. Em todo o momento, cumpriu o rol de apêndice do PSOE para um governo alternativo o PP.

Assim, Beiras conseguiu, no equador da campanha, converter-se na oposiçom a Feijó e às suas políticas de cortes e privatizaçons, de agressom ao idioma e à dignidade nacional. Os estrategas eleitorais do PP, habilmente, contribuírom para retroalimentar as boutades do candidato da AGE, multiplicando assim o seu efeito mediático.

Houvo um capítulo comunicativo que condicionou inexoravelmente a queda do BNG. A posiçom contemporizadora e timorata adotada por Jorquera no debate com Pachi Vázquez na TVG, provocou que a recuperaçom do pulso e os avanços experimentados na primavera e verao no ámbito organizativo e de mobilizaçom social, naufragassem entre a perplexidade e desencanto de umha faixa nada desconsiderável de potenciais votantes.

Foi um fenómeno similar ao que provoca os inquietantes segundos em que Guilherme Vasques intervém nos telejornais da televisom autonómica: dúzias de votantes e simpatizantes questionam e abandonam o seu apoio.

O BNG nom quijo virar a página do bipartido, mas nom foi capaz de transmitir que aparentemente pretende emendar alguns dos graves erros da etapa de Quintana. Quiçá boa parte do aparelho nom tenha interiorizado o virtual giro à esquerda e a morna recuperaçom do discurso soberanista.

A musculatura carece de carisma e viceversa

Sem lugar a dúvidas foi a entrada espetacular da AGE no parlamentinho autonómico, e o sorpasso logrado sobre a organizaçom matriz da qual procede, mediante um matrimónio de conveniência com a social-democracia espanhola, um dos quatro fenómenos mais destacados de 21 de outubro.

No entanto, contrariamente à comoçom gerada no mundo do BNG e à euforia desatada em Anova, o elemento mais sobressaliente é a inversom na correlaçom de forças hegemónicas no campo sociopolítico, que com diversa nomenclatura vem promovendo a UPG desde 1975.

O tempo confirmará se tam só é um um fenómeno passageiro e conjuntural, similar ao sorpasso atingido polo camilismo na segunda métade da década de oitenta do século passado, quando o PSG-EG obtinha maior representaçom parlamentar que o BNG, ou marca o início de umha etapa de inelutável decadência do imobilista modelo de movimento nacionalista forjado pola UPG.

O BNG possui umha rede importante de militantes na maior parte da geografia nacional, umha invejável influência em boa parte do associacionismo popular, com destaque para o movimento sindical, polo seu férreo controlo da CIG, e nos coletivos de defesa da língua e cultura nacional.

Até datas recentes, a prática totalidade das grandes mobilizaçons de massas que tinham lugar na Galiza estavam dirigidas direta ou indiretamente polo tandem UPG/BNG. Agora há mudanças significativas que manifestam sintomas claros na alteraçom deste cenário.

Embora, de momento, Anova nom poda concorrer com o BNG neste campo, novas equaçons políticas emanadas da concatenaçom de erros de uns, combinados com as habilidades de outros, poderám configurar novas geometrias variáveis que reduzirám a cinzas em pouco tempo o que demorou décadas a ser construído.

Sim, Beiras e o conjunto de forças integradas sob o carimbo de Anova, tinham menos de meio milhar de pessoas no ato político do 25 de Julho na praça de Maçarelos de Compostela, frente aos longos milhares de pessoas movimentadas polo BNG à mesma hora nas ruas da capital da Galiza. Mas em questom de poucos meses, conseguiu tecer umha aliança oportunista com a seçom galega de IU e com outros grupos espanholistas e social-democratas, e superar em votos um BNG que segue desangrando-se eleitoralmente e basicamente perdendo corpo social e prestígio.

Claro que nom podemos desconsiderar que o fenómeno de Anova, ainda nom tenha suficiente trajetória para avaliar se vai ser capaz de consolidar a delicada amálgama interna e a frágil aliança com a esquerda espanholista, e sobretodo que descansa sobre um único pilar. Desaparecido este, poderá manter-se a construçom sobre a qual assenta? Todo indica que nom. Este é o seu calcanhar de Aquiles.

A consolidaçom de umha força política, de um movimento social comprova-se quando consegue superar com sucesso o relevo natural ou traumático das lideranças indiscutíveis.

Mas, à margem de levar o imprescindível seguimento e avaliaçom da evoluçom e estado do reformismo nacional -que deve caraterizar a metodologia de um partido comunista de vanguarda como o que Primeira Linha representa-, as mudanças operadas som bastante intranscendentes para o desenvolvimento de acumulaçom de forças rebeldes imprescindíveis para o sucesso da Revoluçom Galega.

BNG e Anova coincidem no básico: forças com vocaçom parlamentar/institucional, puro reformismo disfarçado de radicalismo de fachada soberanista -empregando emprestada de forma parcial umha formulaçom de Lenine-, e configuradas por umha militáncia acomodada e sem disponibilidade para adotar coerentes orientaçons anticapitalistas e patrióticas.

O show discursivo e adiamantada encenaçom de Beiras indubitavelmente brilha mais que a rigidez cartesiana e jesuítica de Jorquera, mas no fundo -com maior ou menor dose de princípio ativo e diferente invólucros-, representam similares analgésicos para a luita obreira e popular.

Ladram, mas nom mordem

Ambas forças, e as suas mais diretas áreas de influência, som um obstáculo real para que a luita de libertaçom nacional e anticapitalista se poda desenvolver sem espartilhos castrantes. Tanto o discurso esquemático, essencialista, mas claramente minimalista do BNG no plano nacional e social, como a ecléctica literatura altermundista e pós-modernista de Beiras e IU, fam parte do passado.

As rebelions cívicas e formulaçons similares às que apela Anova som puro fogo de artifício, simples luzes luminosas que satisfazem a pequena-burguesia progressista, mas completamente inúteis para as necessidades e reptos do presente. O futuro nom se vai decidir no parlamentinho, e sim nos centros de trabalho, de estudo e nas ruas do País.

Ou bem varremos, sem exceçons, o conjunto da casta política que leva mais de três décadas gerindo a autonomia, ou entom estaremos condenados a continuar a sofrer a ofensiva burguesa e espanholista.

A classe obreira necessita contribuir para a construçom das vassoiras necessárias para o conseguir.

Todo indica que ainda haverá que queimar o ciclo de recomposiçom da esquerda nacional seguindo a lógica imposta na Grécia. As forças políticas da “Internacional Socialista” (PASOK ou PSOE) som as principais vítimas do sistema de partidos das democracais burguesas europeias contemporáneas. Mas a burguesia necessita preparar a susbtituiçom do espaço de centro-esquerda enquanto siga apostando por manter o modelo parlamentarista.

A Syriza grega e galega é o instrumento que hoje maneja para cumprir esta funçom. Som como aqueles cans que ladram muito, mas que nom mordem. Projetos inofensivos para questionar e fazer perigar a hegemonia do Capital, e úteis para entreter temporariamente setores populares que no futuro deverám fazer parte das alianças alargadas que devemos promover @s comunistas.

Sem umha profunda autocrítica que mude completamente a tática e a estratégia, sem renovaçom programática e de lideranças nacionais e locais, o BNG nom vai levantar cabeça e o seu processo de segregaçom de forças continuará.

Articular, promover e convergir com a radicalizaçom de massas

Um dos fenómenos, de momento ainda tímido e contraditório, que está a provocar a crise sobre a imensa maioria social é o lento processo de radicalizaçom de segmentos operários e juvenis, dececionados com as políticas da esquerda reformista.

A vertebraçom desse espaço que começa a manifestar-se com certo corpo, tal como se comprovou na greve geral de 14-N, deve ser umha das principais tarefas d@s comunistas galeg@s.

Preparar-se para o cenário de confrontaçom que a burguesia prepara deve ser outra das preocupaçons que devemos introduzir no movimento de massas.

Som tempos de clarificaçom, de luita ideológica, de agitaçom e propaganda, mas basicamente de organizaçom para promover a rebeliom popular. Momentos de libertar a capacidade revolucionaria da classe obreira com umha estratégia de luita permanente e encadeada. Só  com flashes e conferências de imprensa nom se freia o governo de Rajói e Feijó, nem a troika.

Assim como nom aderimos nem depositamos a mais mínima expetativa no processo que deu lugar à criaçom de Anova, idêntica atitude adotaremos perante qualquer convite para participarmos na anunciada operaçom de reformular ou refundar o BNG. Essa água está tam contaminada que nom é possível potabilizá-la. Nada se pode aguardar de adulterados processos impostos simplesmentes por reveses eleitorais e nom emanados de honestas autocríticas e reflexons rigorosas.

A Galiza necessita umha esquerda revolucionária com influênca de massas, nom recauchutadas e repintadas receitas reformistas.

Carlos Morais é secretário geral de Primeira Linha


Consideraçons urgentes e pertinentes sobre um domingo que nom mudará o País”. www.primeiralinha.org